Postado Por : Caio Nascimento 17.6.15

A política e o futebol sempre andaram de mãos dadas, independente do lugar. Aqui no Brasil é difícil ver alguém assumir um lado, uma filosofia. Se para as pessoas já é bastante complicado escolher um lado, imagine para uma agremiação?

Entretanto, na Europa é mais comum encontrar equipes de futebol que possuem uma ideologia na qual baseiam-se suas ações e códigos para a sobrevivência. Algumas delas, aliás, são clubes gigantes e, ao analisarmos sua história, encontramos vários pontos que explicam o seu lugar no cenário futebolístico e como eles chegaram lá.

Nessa publicação, obviamente, você só encontrará os principais clubes de direita e extrema-direita do futebol europeu, que acreditam, ou que tiveram algum ato que chamou a atenção e que mudou uma perspectiva. Esses clubes são (ou agem) de forma conservadora, tradicionalista e, algumas vezes de forma opressora, além de acreditarem na hierarquização social (aceitação da desigualdade social por meio da "lei natural") e supremacia de determinados grupos sociais ou religiosos inatos, como definiria Norberto Bobbio, renomado estudioso italiano. Vale lembrar que NEM TODOS os torcedores dos clubes listados compactuam do mesmo ideal. A paixão pela camisa faz como que muitos torcedores com pensamento diferente, ou apenas com um pensamento mais equilibrado, separem atitudes do sentimento.

Ressaltando mais uma vez que essa publicação não procura generalizar ninguém. O meio social, o impacto de eventos históricos e os conceitos de uma sociedade arcaica também contribuem para que vários clubes estejam aqui, até porque todos eles são deveras antigos. Todos os acontecimentos são verídicos e, obviamente, de conhecimento popular. Eles serão relembrados aqui, pois se enquadram na ideologia abordada, já que ela se baseia numa cultura primordial. Em muitos dos casos que você vai ler abaixo, as ações de torcedores, acompanhada pela conivência histórica de alguns clubes em episódios reprováveis, fizeram com que as agremiações fossem taxadas de direita por especialistas e, claro, pela sociedade. Outros preferiram assumir abertamente que preferem serem conservadores e tradicionalistas, nobres ou militaristas. Assim como diz o livro que inspirou essa publicação, "Como o Futebol Explica o Mundo", esse esporte é mais do que um modo de vida, ele abrange questões complexas, onde um quer se sobressair e outros apenas difundirem sua ideologia, além de vários problemas sociais que foram encrostados no cotidiano.


Lazio (extrema-direita)

O clube romano é a maior síntese do pensamento extremista na Itália devido a sua proximidade com o movimento fascista no passado. Apesar disso, a Lazio, talvez por sua filosofia, sempre conseguira se manter entre os clubes mais influentes do país. A importância do clube, por mais que seja conservadora, sempre fora de honrar as tradições do clube, queira você ou não, da maneira em que a entidade sempre se sobressaia entre os outros. Como a história contou, nem sempre isso é possível. Conforme os anos foram avançando, a Lazio tentou se afastar do fascismo, por motivos óbvios, mas o seu cunho histórico permanecera como um clube de extrema-direita, posicionamento esse que ficou escancarado na década de 1990, quando o mercado de transferências no Calcio estava fervendo. Os partidos de direita são a maioria na Itália, um país onde a extravagância é vista com bons olhos para demonstrar poder, e tolerância perante os problemas sociais também, "como se o problema não fosse meu". Os clubes italianos, especialmente aqueles que são politicamente ativos, adoram essa filosofia. Entretanto, paralelamente à história laziale, aparece a Irriducibili, grupo fascista e extremista que comandava a arquibancada e os bastidores do clube. Foram inúmeros episódios lamentáveis envolvendo a Irriducibili e a Lazio no futebol europeu antes do clube banir o grupo das arquibancadas do Estádio Olímpico. Para se ter uma ideia do quanto esse grupo influenciava a gestão do clube italiano, no começo da década de 1990, a Lazio tentou a contratação do zagueiro francês Lilian Thuram, que era destaque no Parma, mas que o clube logo teve de desistir devido a pressão da Irriducibili, porque o zagueiro, como vocês sabem, era negro. Quando um grupo parte para o extremismo e evidencia o seu asco com relação à uma etnia, o assunto fica muito sério. Em uma entrevista a um canal de televisão italiano, o craque Seedorf confessou que também esteve próximo de assinar com o clube da capital italiana, mas que recusou a prosseguir com as conversas por causa do posicionamento político de grande parte da torcida e de diretores omissos da Lazio. Independente dessa questão, a Lazio, certa vez, suportou a pressão desse grupo e contratou um craque negro para comandar o seu meio-campo. Trata-se de Aaron Winter, revelado no Ajax e constantemente convocado para a seleção holandesa durante a década de 1990. Na época em que fora contratado, Winter era disputado a tapas no mercado europeu e muitas ofertas milionárias foram feitas para o craque holandês, que fora vencida pela equipe biancoceleste. No entanto, Winter nunca foi capaz de agradar os torcedores mais radicais da Lazio, que se recusavam a gritar o seu nome antes das partidas (detalhe: os "torcedores normais", excluindo a Irriducilibili, apesar de numerosa, adoravam o jogador). Depois de cinco temporadas engolindo muitos sapos, Winter deixou o clube sem querer renovar o contrato. Outro jogador que conseguiu superar, de certa forma, a pressão radical que vinha da torcida foi o volante Fabio Liverani, que era italiano, apesar da cor da sua pele ser ligeiramente intolerável para os extremistas. Liverani é filho de um italiano com uma mãe somali e atuou por 5 temporadas na capital italiana. Todavia, o conceito de extrema-direita e o fascismo, que é propagado pela Irriducibili, fora capaz de alcançar os gramados. Por muito tempo, Paolo Di Canio, famoso atacante italiano que atuou com certo destaque durante a década de 1990 pela seleção italiana e também pelo West Ham, se tornara num "porta-voz oficial" da Irriducibili. Cheio de tatuagens da Lazio e da Irriducibili, o valentão, inclusive, já foi pego fazendo saudações fascistas (foto) enquanto jogador laziale. Certa vez, após uma dessas saudações, Di Canio disse: "sou fascista, mas não racista", sendo que ele fora acusado do contrário por um jogador adversário. Após anos e anos fazendo vista grossa para esse grupo de torcedores influentes, a atitude do clube em banir a Irriducibili abriu uma brecha para o clube contratar inúmeros jogadores negros e judeus, algo que seria impensável com a presença maciça do grupo nas arquibancadas. Contudo, a filosofia de extrema-direita ainda não saiu do clube romano, que vire e mexe se mete em confusão, especialmente quando o presidente elitista, Claudio Lotito, resolve se expressar (ele chegou ao ponto de fazer uma petição contra o acesso de times do interior à Serie A por terem poucos torcedores e pouco dinheiro). A Lazio, como sugere o enquadramento ideológico ao qual é referida, é uma equipe nobre e histórica, que faz questão de manter as suas origens, por mais que os seus preceitos de hierarquia e tradicionalismo batam de frente com a desigualdade social, econômica e muitas vezes étnica. No campo, a Lazio sempre fora um clube de futebol refinado, de meio-campistas técnicos.



Di Canio não fazia questão alguma de suprimir a sua ideologia



Zenit (extrema-direita)

Bom, com certeza vocês já devem ter ouvido falar muitas coisas ruins e vexatórias com relação à torcida do Zenit. Situado numa cidade moderna e importante na Rússia, que é São Petersburgo, mas que sofre com extremismo e preconceito racial de uma parte da sua população - cidade que abriga um dos grupos neo-nazi mais conhecidos da Europa, a Mad Crowd -, os torcedores, mais precisamente os Ultras do Zenit, causam vários problemas e enchem de vergonha quem tem o mínimo de caráter. O nome do clube é constantemente atrelado ao racismo, algo que é tratado com uma naturalidade espantosa pelo Zenit e na própria Rússia, haja vista o comportamento do próprio presidente e de algumas outras personalidades famosas, como a atleta Yelena Isinbayeva, por exemplo. Se você pesquisar por "racismo na Rússia", e filtrar por futebol, você encontrará vários episódios lamentáveis de racismo e homofobia atrelados a equipes russas. Entretanto, a equipe que estamos abordando aqui bate recordes nesse quesito. Em 2006, o jogador brasileiro Géder (ex-Vasco), fora recebido no estádio Petrovski, do Zenit, com imitações de sons de um macaco. Em março de 2008, durante uma partida da Champions League, Andre Ayew (filho do Abedi Pelé), Charles Kaboré e Ronald Zubar, todos eles jogadores negros, foram recebidos com a mesma "saudação" que Géder recebera todas as vezes que pegava na bola. Em 2011, numa partida entre Zenit e Anzhi, o lendário Roberto Carlos fora o alvo dos torcedores do time russo que jogaram uma banana em sua direção. Como se não bastasse o comportamento abjeto dos torcedores, Dick Advocaat, técnico holandês que dirigiu o Zenit de 2006 a 2009, certa vez contou que, enquanto era treinador do clube russo, ele havia tentado a contratação do meia francês Mathieu Valbuena e ouvira a seguinte indagação como resposta: "Ele é negro?". Curiosamente, se assim podemos dizer, o Zenit jamais tinha contratado um jogador negro em sua história (Valbuena não é negro, só para constar). Atualmente, o clube conta com três jogadores um pouco mais morenos do que a maioria russa: Witsel, Rondón e Hulk. O último, apesar de ser o craque do time, já sofrera com o preconceito da própria torcida e também dos adversários. O comportamento da torcida acaba influenciando na maneira como o clube é gerido pelos dirigentes, que por sua vez são torcedores e, em muitos casos, fazem uma ponte entre o que é sentido na arquibancada para dentro do clube, algo bastante normal entre os clubes que seguem esse tipo de filosofia conservadora e hierárquica.


O extremismo na principal torcida organizada do clube chega a assustar


Real Madrid (extrema-direita)

Separar o futebol espanhol das ideologias políticas é impossível. Desde o século XIX, quando a maioria dos clubes foram fundados, os torcedores usavam o futebol para expressar as suas ideologias, tendo em vista o grande apreço da mídia pelo esporte. Francisco Franco, ditador espanhol que comandou o país entre 1936-1975, entendia que o futebol era maneira perfeita de mostrar o quanto a Espanha estava "unida" e "próspera" aos olhos do mundo. Nesse imbróglio todo aparece o Real Madrid, cuja trajetória é intimamente ligada ao ditador e a história política da Espanha durante o franquismo. O clube merengue não fora fundado pela Corte Espanhola, mas fora "conquistada" por eles após mudar de nome e se aproximar do ditador espanhol, que chegou ao poder na década de 1940, mas que só fora se tornar soberano a partir da década de 1950, quando, coincidentemente, começou o apogeu madridista. Para se ter noção, o futebol espanhol, antes do franquismo, era dominado por Barcelona, Athletic Bilbao, Valencia e Sevilla. Notaram que nenhum desses clubes faz parte da capital espanhola? Pois bem, durante esse período, o Real Madrid havia conquistado a Liga apenas duas vezes, ainda sob o nome de Madrid CF, sem influência política de ninguém, apesar de ser ideologicamente de direita desde essa época. O clube merengue recebera a conotação "real" em 1920, porém, após pressão das outras equipes que insinuavam que o clube estava sendo favorecido, a Federação Espanhola emitiu uma ordem para que o clube voltasse a ser Madrid CF. Em 1940, agora sob o regime franquista, o clube da capital recebera de volta a sua realeza, até porque era o generalíssimo que tomava conta da federação de futebol durante esse período. Entretanto, fora somente em 1953 que o clube voltara a conquistar a Liga, e desde então, o Real Madrid é o que é hoje, um verdadeiro "papa títulos".  O General Franco se aproveitou do Real Madrid assim como o clube merengue se aproveitou do "padrinho" que, segundo relatos de jornalistas da época, deu uma generosa ajuda para que o Real Madrid conseguisse a contratação do maior jogador da história do clube. Em 1953, Alfredo Di Stéfano assinou com o Barcelona depois de deixar o Millionarios-COL, sem a permissão do clube colombiano. A Federação Espanhola congelou a transferência do jogador até que o Millionarios e o River Plate, dono dos direitos do Saeta Rubia, entrassem em acordo. Em maio do mesmo ano, Santiago Bernabeu, presidente do Real Madrid na época, convenceu Di Stéfano a ir para o Madrid. Em setembro do mesmo ano, a federação interveio e disse que o acordo só seria justo se Di Stéfano jogasse quatro anos na Espanha, sendo dois anos no Real Madrid e outros dois anos no Barcelona. Marti Carreto, presidente do Barcelona, ficou tão irritado que ele desistiu do negócio acusando o clube madridista de receber ajuda "de cima" nesse imbróglio todo e acabou abrindo mão do jogador. O torcedor do Real Madrid se gaba por ser odiado e tira sarro da existência dos "antis" (o popular cunho 'anti-madridista'), mas a existência dos "antis" é justificada devido à supressão que clubes como Barcelona e Athletic Bilbao sofreram durante o regime franquista na Espanha. Desde a tomada do poder, Franco disse que enquanto estivesse lá nenhuma dessas nações (Catalunha e País Basco) teriam o mesmo direito que Porto Rico e Cuba tiveram em 1898, a independência. Vocês estão carecas de saber que o general proibiu o "estrangeirismo" na Espanha (era proibido falar qualquer língua que não fosse o espanhol), por isso, tanto Barcelona quanto Athletic estavam proibidos de manifestar suas respectivas culturas. Fora de campo, o comportamento opressor e "nobre" dos torcedores "blancos" do Real Madrid era nítido. O grupo "Ultras Sur", que agora está definitivamente banido do Santiago Bernabéu, era um grupo que disseminava o racismo, a xenofobia e a homofobia nas arquibancadas. Estrategicamente posicionados atrás do gol do lado esquerdo das tribunas de imprensa, os Ultras influenciaram muitos torcedores do clube, apesar da maioria não levar em consideração os atos de ódio propagados por eles. Por outro lado, os torcedores "comuns" são alvos de queixas de outros torcedores devido a sua arrogância e desprezo por qualquer clube e cultura que seja diferente. Vale ressaltar que apesar desses episódios, a grandiosa história desse gigante europeu, até que se prove o contrário com fatos, fora construída também com o seu suor, especialmente durante o final da década de 1970 (quando o franquismo estava enfraquecido e rumando ao seu fim) e a década de 1980. O Real Madrid é muito criticado pelo seu posicionamento político, pelo seu jeito blasé e suas famosas gastanças, recebendo assim o apelido de "galáticos". Porém, devido a enormidade de dinheiro que é "queimado" pelo clube, poucos falam do planejamento montado para que fossem montados esses verdadeiros esquadrões. Clubes como Chelsea, PSG e Manchester City, todos eles são os novos ricos, têm (ou tiveram) em sua administração (especialmente no Chelsea) diretores e funcionários que são seguidores da cartilha madridista que ensina como gerir clubes ambiciosos. E claro, existem vários torcedores de outras equipes que não têm ódio do Real Madrid, e sim aquela invejinha famosa.



"O roubo de Di Stéfano" foi fortemente abordado por jornais catalães após a intervenção de Francisco Franco.

La Vanguardia, um dos principais jornais da Catalunha, divulgou anos depois do ocorrido os papeis que provaram a interferência do ditador e os detalhes do "contrato compartilhado"



Roma (direita)

A Roma foi fundada por um secretário do partido fascista que visava ofuscar as equipes do norte e nordeste da Itália (Juventus, Torino, Milan e Inter) que comandavam o futebol italiano. A fundação desse clube também consistiu na união de outras três pequenas agremiações romanas, que poderiam ser quatro, se não fosse pela intervenção do General Vaccaro, grande nome do partido fascista, que proibiu a Lazio de se juntar aos outros clubes. O clube Gialorossi, time de Falcão, Totti e outros grandes jogadores, e que é muito querido pelos brasileiros, chegou a jogar no Stadio del Partito Nazionale Fascista após a Segunda Guerra Mundial. A diferença básica entre a Roma (direita) e a Lazio (extrema-direita), por mais íntima que seja a relação romanista com o partido, é que o clube biancocelesti se sentia tão superior, tradicional e imaculado que sequer cogitou se misturar com as outras agremiações para manter a sua identidade. Outra diferença entre os dois principais clubes da capital italiana foi o apelo popular que a Roma conquistou dos romanos ao escolher as cores do Capitólio para o uniforme e a Loba (que amamentou Rômulo e Remo, os fundadores da cidade, segundo a lenda) como mascote. Além desses detalhes, a Roma se tornou mais popular que a Lazio entre os suburbanos e trabalhadores da capital devido à localização das três equipes emergentes que deram origem a Roma. Adicione também o grande apelo católico que a Roma sempre fizera, por motivos óbvios. No entanto, a relação com o partido, que atrasou e disseminou a intolerância na Itália, gerou efeitos positivos no clube, que inicialmente serviu de exemplo pelo partido para que os moradores da capital praticassem mais esportes. Todavia, essa ação visava manipular os cidadãos via futebol, o que era comum naquela época. O kit inteiramente preto, que é o uniforme alternativo da Roma, inicialmente fizera parte da história do clube para homenagear o uniforme preto que era usado pelos oficiais do partido fascista. Com o passar do tempo, o clube procurou sempre desassociar a sua imagem com o partido que controlou o país por tanto tempo. Graças ao seu apelo popular, a Roma conseguiu remodelar a filosofia no clube, que passou a condenar abertamente atitudes racistas de sua torcida. Uma ínfima parte dela causa problemas com mensagens ódio, cânticos racistas, arruaça e outras coisas típicas dos "filhotes da ditadura italiana", que infelizmente ainda são influentes na sociedade romana. Assim como a Lazio, a Roma também sempre fora conhecida pela beleza do futebol que desempenhara ao longo da história. Muitas vezes mais ofensiva do que a maioria dos clubes italianos, que tratam a defesa como prioridade, a Roma parece um ponto fora da curva quando se tratada da bola rolando.

Nessa imagem tem de tudo um pouco: ódio político (Stessa Iniziale, stesso forno = Mesma inicial, mesmo forno. Lazio é um time de extrema-direita e o Livorno é um clube de extrema-esquerda, ambos rivais da Roma), suásticas e cruz celta.


Sporting (direita)


Portugal, a primeira vista, parece um país bem tranquilo para se viver, até pela dificuldade de se achar algum "podre" sobre a terrinha. No entanto, como em qualquer lugar, Portugal, mesmo com toda a sua amabilidade, também possui brigas ideológicas que são acalentadas no futebol. Uma das torcidas mais fanáticas e uma das camisas mais bonitas do futebol europeu também têm a sua ideologia adquirida e, de certa forma, conhecida. O Sporting fora fundado sob as bênçãos da nobreza da Corte Real de Portugal, que durante a sua fundação contara com o apoio financeiro de vários Dons e Viscondes influentes no começo do século XX. O clube era frequentado por vários fidalgos, damas da alta sociedade e políticos influentes, e assim fora mantido por longos anos. O sangue azul que corre nas veias Sportinguistas, apesar do uniforme ser verde e branco, contribuiu para que a fama de "esnobes" se alastrasse por todo país. O seu maior rival, o Benfica, fora fundado em aspectos e condições diferentes, sendo considerado o time do povo de Lisboa, com um viés social bem mais abrangente que o dos Leoninos - detalhe que aumentou ainda mais a fama de "esnobes" do clube da capital portuguesa. Com o tempo, os adeptos do Sporting acabaram por "aceitar" essa alcunha que fora atribuída, mesmo com certo desgosto inicial. Apesar de ter uma torcida bastante atuante e muito fiel ao time, o Sporting também tem um "lado negro" entre seus adeptos. Famosos na Europa por ter uma numerosa ala que prega a "supremacia branca", muitos desses torcedores sportinguistas não encaram muito bem as ditas minorias, mesmo que o clube conte com vários jogadores estrangeiros ou descendentes de africanos. Não existe uma segregação no clube por parte dos adeptos, mas os torcedores conservadores, principalmente aqueles que descendem de nobres, costumam desdenhar de qualquer pessoa que seja, ou descenda, de uma camada menos abastada. Apesar de Benfica e Porto serem times com mais títulos, o clube mais "odiado" em Portugal é o Sporting, que outrora era considerado "rico" e "nobre", está há 13 anos na fila do Campeonato Português e com sérios riscos de quebrar financeiramente. Aliás, o clube lisboeta vive nas penúrias devido à sua incapacidade de reconhecer que o mundo do futebol mudou drasticamente. Sua torcida, acomodada em grande parte, clama por uma retomada.



Rangers (direita)

A Escócia é um dos vários países que foram efervescidos no caldeirão político ao longo de sua história. As discussões exacerbadas entre católicos e protestantes, conservadores e progressistas, separatistas e unionistas denotam a grande dicotomia que é o país. O escocês é apaixonado por futebol e várias dessas questões se atrelam as equipes que compõe o campeonato escocês. O Old Firm, nome dado ao dérbi entre Celtic e Rangers, coloca frente a frente dois inimigos mortais com visões completamente diferentes sobre a vida. Se uma equipe fala que gosta de maçã, sem dúvida alguma, o outro vai falar que odeia maçã e prefere banana, por mais que ele também goste um pouco da fruta do rival. O tradicionalíssimo Glasgow Rangers, desde a sua fundação, fora um clube com um viés conservador muito forte. Criado no protestantismo inglês, a agremiação escocesa, assim como fora ao longo de sua história, mantém-se favorável à monarquia e as tradições inglesas. Essa ligação fica nítida por parte dos torcedores, que não fazem a menor questão de esconder a predileção pelo conservadorismo, basta olhar ao redor do Ibrox Stadium, casa dos azuis, para detectar várias bandeiras do Reino Unido nas arquibancadas. Outro detalhe simbólico da relação do Rangers com a monarquia inglesa é que o clube dedica toda a primeira partida em casa na temporada para a Rainha da Inglaterra, que possui um retrato gigante dentro do vestiário do clube. Além do mais, o Rangers é conhecido na Europa por ser um clube de raízes de direita por detalhes que extrapolam o mero tradicionalismo clássico de quem segue esse partido. Durante o sectarismo, que dividiu a Escócia entre protestantes ingleses/escoceses e católicos irlandeses/escoceses, o clube azul e seus torcedores destilaram todo o seu ódio contra os "imigrantes" irlandeses ao negarem comida e abrigo para aqueles que pensavam de forma diferente. No futebol, esse ódio contra os católicos caiu sobre o Celtic, famoso clube católico, e isso fez crescer um amor incondicional ao Rangers, que, por sua vez, simbolizava uma "resistência tradicionalista" contra os costumes de um país que peitou a Inglaterra. Na década de 1920, durante o auge do sectarismo, o clube afirmou que adotaria, desde então, a ideologia protestante, posicionamento que até então ficava apenas por conta dos torcedores. Em setembro de 2014, mais precisamente no dia 18, houve um referendo na Escócia que decidiria sobre uma possível independência do país perante o Reino Unido. A votação se manteve acirrada por um longo período até que os dois principais clubes do país começaram a se envolver. O Celtic, clube de ideais esquerdistas, era favorável a independência (os Ultras, nem se fale), enquanto o Rangers era à favor da monarquia (em todos os jogos do Rangers no Ibrox Stadium haviam bandeiras e cânticos pró-monarquia). Por uma leve vantagem ficou decidido que a Escócia permanecerá como integrante do Reino Unido, algo que agradou (e muito) a torcida azul.

Rangers sempre leais à coroa

Eles não esquecem o Unionismo


Atlético de Madrid (direita)

O Real Madrid, maior rival do Atlético, tem uma ideologia que não é mistério para ninguém. Entretanto, em qual cenário se encaixa o Atlético de Madrid? Enganam-se aqueles que achavam que o clube Colchonero seria o oposto do maior rival. Madrid é uma das capitais mais conservadoras da Europa, com uma nobreza bastante atuante e impositora. O Atlético de Madrid, por mais que tenha sofrido muito mais do que o Real Madrid ao longo de sua história, é um clube que há muito tempo segue os preceitos fundamentais do partido de direita espanhol. Todavia, a história do Atlético é bastante complicada e que ajuda a explicar o posicionamento político dessa importante agremiação espanhola. Os Rojiblancos foram fundados em 1903 como Athletic Madrid, com o intuito de ser uma sub-sede do Athletic Bilbao na capital espanhola. Entretanto, como o estilo de vida em Madrid é completamente diferente do estilo de vida em Bilbao, no País Basco, esses laços, apesar de serem amistosos até hoje, não duraram muito tempo para que houvesse algum tipo de comunhão entre as equipes (suas filosofias são diferentes, apesar de existir um grande cavalheirismo entre eles). Em 1939, o Atlhetic Madrid mudou o nome para Athletic Aviación de Madrid após um acordo entre o Athletic e os soldados da força aérea (os cadetes foram prometidos um lugar na La Liga), porque o clube espanhol havia perdido OITO jogadores durante a Guerra Civil Espanhola. Em 1941, após decreto do ditador Franco - que proibia qualquer agremiação esportiva de utilizar nomes que não fossem em espanhol - o clube mudou o nome para Atlético Aviación de Madrid. A ligação com os militares, eternos representantes do partido de direita em qualquer país, fez com que aflorasse esse tipo de ideologia no clube, que acabou conquistando mais torcedores do que tinha antes. O heroísmo militar sempre foi salutar na Espanha. No entanto, em 1947, visando sua independência, os Rojiblancos mudaram mais uma vez de nome, só que pela última vez. A partir de então, o Club Atlético de Madrid é esse que você conhece. A mudança definitiva de nome fez bem ao Atlético de Madrid, que viveu "A Época de Ouro" durante esse período, onde fez frente a Real Madrid e Barcelona. O protagonismo Rojiblanco começou quando Helenio Herrera, lendário treinador espanhol, assumiu a equipe em 1949, na mesma temporada em que os Colchoneros conquistaram o seu terceiro título do Campeonato Espanhol. O Atlético de Madrid entrou de vez como protagonista no cenário espanhol e que visava o continente. Em 1987, Jesús Gil, empresário com fama de "mauricinho" assumiu o clube e começou a gastar tudo o que o clube tinha em contratações "de aeroporto", sempre visando chegar aos pés do seu maior rival, mestre na arte da ostentação futebolística. O resultado da administração de Jesús Gil foi a falência do Atlético de Madrid, que chegou a ser rebaixado na temporada 1999/00 e ficou DOIS anos jogando a segunda divisão até voltar em 2003, quando Gil foi deposto de seu cargo. Apesar de todo o sofrimento Rojiblanco, a torcida Colchonera é famosa por ser nacionalista e, em algumas ocasiões, insolente, qualidades estas que foram adquiridas durante a sua proximidade com os militares espanhóis (fato atestado pelos torcedores mais velhos do Atléti). Apesar disso, os torcedores do clube são alvos de chacota dos torcedores do Real Madrid, que apelidaram o rival de "Pupas" (café-com-leite) e Colchonero (as cores do uniforme do clube eram idênticas aos colchões antigos que eram distribuídos aos pobre e cidadães de classe média em Madrid). Atualmente, o clube é patrocinado pelo governo do Azerbaijão, um país comandado por um ditador. O grupo de Ultras, o Frente Atlético, é bastante famoso por ser de extrema-direita, sendo eles contra qualquer tipo de estrangeirismo e coisas do tipo, além de serem muito violentos e influentes na diretoria do clube. Um dos maiores ídolos da história do Atlético de Madrid, Luís Aragonés, que era considerado o simbolo máximo dos Rojiblancos durante a década de 1960 e 1970, costumava se envolver em incidentes raciais quando jogava, algo que os torcedores rivais não perdoavam e atribuíam as ações dele à entidade. Outro grande nome, se assim podemos dizer, que é relacionado ao Atlético de Madrid é o ex-ditador Francisco Franco. Apesar de ter favorecido o Real Madrid durante muito tempo, Franco, na infância, era torcedor Rojiblanco.


Integrantes do Frente Atlético, Ultras com altas conotações fascistas, empunhando bandeiras com referência à ditadura militar de Francisco Franco. Atlético, clube atrelado aos militares no passado, procura se desvencilhar desse tipo de torcedor há anos

PSG (direita)

Um clube que fora criado para que a cidade mais importante da França tivesse um representante à sua altura. Um clube que enfraqueceu outros clubes da mesma cidade apenas para que ninguém torcesse por eles. Um clube cujos torcedores não perdoam ninguém. Tudo o que você precisa saber sobre o Paris Saint-Germain já fora escrito aqui no Trama há dois anos: O luxo sobrepõe a tradição em Paris.


Estrela Vermelha e Partizan (direita)

Um país marcado por guerras, culturas e etnias diferentes, além de muito amor por futebol. A Sérvia, ex-integrante da antiga Iugoslávia, é comandada por dois times: o Estrela Vermelha e o Partizan. Apesar de juntos protagonizarem uma das maiores rivalidades do planeta, os dois times possuem uma mentalidade em comum, tirando o ódio recíproco, que é a ideologia. Enquanto a Iugoslávia era unida, todos os outros cinco países que compunham a antiga Iugoslávia odiavam a Sérvia, que sempre fora uma região extremamente conservadora, centralizadora e bastante preconceituosa com relação às outras religiões e etnias. O ódio dos sérvios era mais voltado contra os croatas, que "se sentiam superior por serem de uma região mais próspera", enquanto eles exploravam outros países como a Bósnia, Montenegro, Macedônia e Eslovênia, que era parceiro da Croácia numa busca pela independência. Futebolisticamente falando, Estrela Vermelha e Partizan sempre se odiaram tanto quanto odiavam Dinamo Zagreb e Hajduk Split, os dois principais clubes da Croácia. Os torcedores do Estrela Vermelha são insanos, especificamente a Delije, um grupo Ultra que sempre fora conectado com os Chetnicks (grupo paramilitar sérvio nacionalista e pró-monárquico), sendo que muitos dos integrantes da Delije estiveram na Guerra dos Bálcãs servindo o grupo paramilitar durante a década de 1990. No entanto, é bastante irônico o caminho que alguns torcedores do Estrela Vermelha seguiram, já que o clube fora fundado por um grupo anti-fascista durante a Segunda Guerra Mundial. O Partizan, por sua vez, fora fundado pelo exército militar comunista sérvio quatro meses após a fundação do Estrela Vermelha. Apesar de o comunismo ter imperado na Iugoslávia no período pós-Segunda Guerra, o Partizan e os seus torcedores, mais precisamente durante a década de 1980 e 1990, tinham um posicionamento extremista e muitas vezes racista e homofóbico, fomentado pelos dogmas da Igreja Ortodoxa Sérvia, já que os torcedores do Estrela Vermelha eram mais miscigenados do que os torcedores do Partizan, que são em grande maioria de pele branca. É bastante comum você ouvir os torcedores do Partizan se referindo aos torcedores do Estrela Vermelha como "ciganos", o que é algo imperdoável entre os sérvios. O curioso rumo que muitos desses torcedores tomaram após a fundação das duas equipes deixou em xeque uma discussão antiga na Europa sobre a linha tênue que existia entre o comunismo e governos centralizadores em países com inclinação de direita. Por mais que eles digam o contrário, que não são nem de direita e nem de esquerda, existe um ódio muito grande entre as etnias dos países de origem iugoslavas.


Betis (direita)

Habitualmente chamados de Heliopolitanos por sua própria gente (Heliópolis é a morada dos deuses e seus servos adoradores do sol, gente rica e poderosa), o Betis de Balompié, da cidade de Sevilha, localizado na Andaluzia, tem uma relação muito promíscua com as políticas socioculturais espanholas. Sem admitir que seja inclinada a alguma causa, o Betis e seus diretores, ao longo dos anos, sempre sustentaram e incentivaram os seus torcedores mais hardcores. Esses torcedores, antigamente conhecidos como Supporters Sur, chegaram a ter mil torcedores filiados, dentre trabalhadores comuns até diretores do alto escalação no clube, que espalhavam pela Espanha toda a ideologia de seu grupo. O clube Verdiblanco é bastante questionado na Espanha por não definir e tomar atitudes com relação ao seu grupo de torcedores que influenciam o restante no estádio Benito Villamarín. A Supporters Sur, desde sua fundação, sempre externou que era um grupo com visões políticas de direita (conservadora e tradicionalista), algo que já causou problemas para o clube. Como dito antes, os aficionados pelo Betis se chamam de Heliopolitanos por causa de sua nobreza e do passado romano na região da Andaluzia, que povoaram a região e a chamaram de bética (daí vem o nome do clube). O clube, que já declarou falência antes, tinha a fama de gastar tudo aquilo que não tinha para montar equipes fortes e recheadas de medalhões. Esse tipo de política afundou o Betis, que virou um ioiô entre a primeira e segunda divisão na Espanha. Sobre os torcedores, que, ao contrário do clube, não tem medo de externar a sua visão política, eles já causaram problemas contra jogadores do próprio clube e de outras agremiações. Um dos casos mais clássicos é do zagueiro Paulão, revelado no Atlético-MG, e com passagens por clubes de Portugal. Paulão é negro e era titular do clube nas últimas três temporadas, algo que irritava essa porção de torcedores do clube. Em 2013/14, quando o clube estava lutando contra o rebaixamento, Paulão foi "eleito" o vilão da péssima campanha da equipe, tendo sido obrigado a aguentar injúrias raciais da sua própria torcida. Cédric Mabwati, que chegou no clube por UM EURO, fora um dos destaques da equipe dentro de campo, mas fora dele sofria muito com a falta de educação dos torcedores. A passividade dos cartolas e o comportamento soberbo e conservador dos heliopolitanos fazem com que outras equipes tenham raiva do clube, em geral.


Hellas Verona (extrema-direita)

Verona, uma das cidades mais belas e românticas da história da humanidade, esconde um grupo obscuro e condenável. Não, o Hellas Verona não é um time abominável, apenas os seus torcedores, que obviamente são de Verona. Assim como toda ideologia, ela possui um lado bom e um lado ruim. Como já fora dito na abertura dessa postagem, clubes de direita e suas ramificações tendem a ser muito tradicionais e importantes para o desenvolvimento do esporte em seu país. O Hellas Verona, devido a sua torcida, carrega uma bandeira que, originalmente, pudesse não ter sido intencional. Em 1996, num dérbi contra o Chievo, os Ultras do Hellas, a Brigate Gialloblu fez uma "peça" na qual o ator principal fora pendurado pelo nariz. Era um jogador do Chievo? Não. Era um jogador do Hellas? Não. Era quem, então? Um jogador negro que estava em negociação com o clube. Tratava-se de Maickel Ferrier que estava em negociações avançadas com o Hellas, porém, devido aos seus torcedores, o clube e o jogador decidiram abortar a negociação quando Ferrier ficara sabendo do ato. Se não bastasse, havia uma faixa escrita "Negro, fora daqui!". Suley Muntari, volante do Milan, já foi alvo de atos racistas de torcedores "normais" do Hellas, já que o clube teve o seu principal grupo Ultra, a Gialloblu, dissolvida por ordem judicial. É muito comum você encontrar cruzes celtas e suásticas nas arquibancadas do estádio municipal de Verona. Esses símbolos representam a "pureza" e o "orgulho" de seus credos e etnias. No entanto, um detalhe no passado do Hellas chama a atenção. A Brigate Gialloblu, antes de se tornar numa esfera difusora de ódio, era um grupo de extrema-esquerda! Era comum enxergar no estádio frases de Dante Alighieri, ao invés de suásticas. Todavia, essa mudança repentina de ideologia foi responsável pela criação de um terceiro time na cidade de Verona, o Virtus. Fundados por torcedores revoltados com o posicionamento dos principais torcedores do Hellas, o Virtus é um clube com fortes ligações com a esquerda. A ascensão dos clubes sulistas, como o Napoli, por exemplo, causaram um ódio muito grande nos habitantes da cidade que fica na região nordeste da Itália, local onde se concentra a maior parte dos elitistas italianos. Um dos cânticos mais comuns da torcida do Hellas Verona é "Vesúvio, caia sobre eles", uma referência ao vulcão localizado no Golfo de Nápoles. A conivência por parte das administrações do Hellas ao longo dos anos permite que seja imputada uma má fama sobre o clube graças aos atos dos torcedores e de suas Ultras. Cruel, devido à importância que esse clube tem no futebol italiano.


A infame coreografia dos torcedores extremistas do Hellas sobre a contratação de Ferrier


Não poderia faltar a saudação nazista, que é comum entre os fãs. Detalhe, esses homens na foto são torcedores casuais.


Espanyol (direita)

Há muito tempo a Catalunha tenta a sua separação do território espanhol devido a grande disparidade entre as culturas. No futebol, como vocês podem perceber, não é muito diferente. No caldeirão cultural que é o futebol espanhol, o Espanyol e seus torcedores fazem o papel do "agente duplo". Apesar do forte desejo de independência de grande parte dos catalães, os torcedores do Espanyol evitam ao máximo entrar numa disputa em que o Barcelona comprou contra o governo espanhol. Durante o Franquismo, o clube de Sarriá era acusado de ser cúmplice do ditador, que lutou com todas as suas armas para que a Catalunha jamais chegasse perto da independência. Por causa disso, é bastante comum você escutar por aquelas bandas que o Espanyol era favorecido pelo governo espanhol. Até meados da década de 1980, o governo controlava quais partidas seriam transmitidas no país. Se você não fosse ao estádio e quisesse acompanhar o futebol pela TV, você praticamente só assistiria aos jogos do Real Madrid. Na Catalunha havia um pouco mais de variedade, pois quando não eram transmitidos os jogos do clube merengue, o clube que era escolhido para ser exibido na televisão era o Espanyol. No entanto, isso é fichinha se você pensar que em 1918 o PRÓPRIO clube assinou uma petição contra a independência da Catalunha, algo que deixou a população e os torcedores do Barcelona em fúria. Considerados pelo Barcelona e algumas outras equipes catalãs (Sabadell, L'Hospitalet e Lleida, por exemplo) como o "inimigo infiltrado", torcedores e diretoria do Espanyol resolveram "se fechar" para se proteger da raiva de outros clubes e torcedores. Cansados do desdém e da exclusão que sofrera por causa de suas decisões no passado, os torcedores do Espanyol criaram um certo código entre si, que acabou expondo o quanto eles poderiam ser autoritários e conservadores, especialmente quando o assunto é etnia. O Espanyol também é considerado um clube fascista pelos catalães por serem, desde a sua fundação, bastante ligados com a coroa espanhola, que até já dera um título real ao clube no passado. Como em toda monarquia, a Espanha sempre fora centralizadora e, para atingir as classes mais desfavorecidas, utilizava o futebol como um meio de difusão. O nome Espanyol, inclusive, é considerado pelos catalães mais extremistas como uma clara e evidente provocação ao povo da Catalunha. Em 1923, um torcedor famoso do Espanyol criou a Peña Desportiva Ibérica, que visava espalhar pelas arquibancadas do antigo Sarriá o "espanholismo", o "anti-catalão" e o anti-Barcelona, além de tentarem difundir os princípios de nacionalidade no futebol (respeito a hierarquia e aceitação da desigualdade social). Ainda é dito na Catalunha que o líder da Peña era um "notório fascista" e que o grupo que ele havia criado fora sustentado pelo próprio clube. Mesmo com o suposto apoio do ditador, e, supostamente, incendiado pela Peña, o Espanyol não fora capaz de se modernizar, como fizera o Barcelona, que surfou na onda da prosperidade da região da Catalunha, que juntamente com o País Basco, foram as principais áreas de grande desenvolvimento na Espanha entre as décadas de 1950 e 1960. Hoje, o Espanyol continua lutando pela sobrevivência as duras penas, enquanto o Barcelona... Bom, o Barcelona vocês já sabem. Uma rivalidade que era absurda por motivos ideológicos ainda existe, porém, hoje em menor escala.


Millwall (direita)

Esse é um dos raros casos de um time cujas relações e atitudes são reconhecidas como de direita, mas que não é de fato um time grande. Na Inglaterra, devido às sanções e punições por cânticos e etc, é muito difícil você distinguir o comportamento de uma agremiação/torcida baseado em algum partido ou ideologia. Entretanto, um clube se destaca pela intolerância e pelo culto tradicionalismo, tanto hierárquico quanto religioso e étnico. O Millwall, clube que ficou bastante conhecido pelo filme "Green Street Hooligans", é um clube do sudeste de Londres, mais precisamente em New Cross, e que é clube muito mais famoso por seus torcedores do que pelos seus feitos no gramado. Frequentemente relacionado ao hooliganismo, os torcedores do Millwall carregam o mote "nobody like us, we don't care" e fazem questão de brigar com todo mundo, sem exceções, e também fazem questão de impor sua filosofia contra os outros, independente de estarem certos ou não. Toda essa selvageria acaba implicando no pensamento que muitos na Inglaterra classificam como "narrow-minded" (mente pequena), já que "ninguém gosta deles", eles fazem questão de serem rudes e desrespeitosos com todo mundo. A diretoria do clube muitas vezes fez vista grossa para os ataques e disparates dos torcedores nos jogos no Den, estádio dos Lions. Com a permissão da diretoria, muitos hooligans espalharam o terror dentro (cobram os jogadores até nas casas deles) e fora do clube. Atualmente, devido às imposições da FA, os diretores do Millwall procuram extinguir cada vez mais os hooligans, além de tentarem conscientizar os torcedores comuns no estádio e, também, fora dele com projetos sociais.


Spartak de Moscou e Lokomotiv (direita)

A Rússia é um país bem complicado de se entender. Graças ao seu gigantesco tamanho, o país tem espaço suficiente para a intolerância racial, o preconceito sexual e religioso. Tudo isso é encarado com uma naturalidade absurda, já que existe uma desigualdade social muito latente e escalas hierárquicas que são respeitadas quase que militarmente. Já falamos sobre o Zenit, mas ainda há espaço para mais dois clubes russos. O Spartak Moscow, clube de maior tradição na Rússia e maior torcida, sempre fora gerido de maneira conservadora, sem abrir muitas brechas, e que, infelizmente, possui uma torcida intolerante nas questões raciais e religiosas. Os torcedores do Spartak já foram banidos de jogos como visitante por várias rodadas no campeonato russo devido à faixas com dizeres de baixo calão contra jogadores e torcedores muçulmanos, jogadores negros e faixas condenando homossexuais ao redor do país. Já o Lokomotiv, outro grande clube do país que também é gerido por políticos conservadores de Moscou, não ficam atrás em nenhum quesito. Os fãs desse clube, inclusive, ficaram famosos em toda Europa, recentemente, por causa de uma bandeira que agradecia o West Brom por ter contratado o atacante nigeriano Peter Odemwingie. A bandeira consistia especificamente num "Thank You West Brom" com uma banana desenhada no meio (veja abaixo). Odemwingie, filho de uma uzbeque com um pai nigeriano, sofreu horrores enquanto atuou pelo clube moscovita. O Lokomotiv, apesar de ser grande e tradicional, sempre teve em suas raízes uma ligação muito estreita com o partido nazista da capital, cujas opiniões são fortes e influentes até hoje. Alguns diretores do Spartak e o Lokomotiv usam os clubes como trampolim para conseguirem cargos no governo. O idealismo de supremacia branca e nacionalista são dogmas, como mencionado antes, que não são combatidos na sociedade russa, haja vista as declarações do presidente Vladimir Putin, por exemplo. Apesar da abertura do mercado, que possibilitou que os clubes russos contratassem jogadores estrangeiros para qualificar o elenco, muitos torcedores e jogadores russos não viram com bons olhos a quantidade de "intrusos" em sua pátria justamente pela diferença cultural entre eles.


O "agradecimento" da torcida do Lokomotiv ao West Brom por terem comprado o Odemwingie

{ 18 comentáriosComentário }

  1. Muito bom, e sobre os times de esquerda, fará?

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    1. Olá, Daniel! Sim, nós faremos um post sobre os clubes de esquerda o mais breve possível. Enquanto isso, acompanhe de perto as nossas publicações! Para maiores informações, curta a nossa página no Facebook: https://www.facebook.com/tramafutebolclube

      Abraço!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. No aguardo pelos times de esquerda ;) abraço.

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  4. Olá, poderia me informar quais o times e torcidas que são conservadores e anti comunistas?

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  5. No aguardo de um post sobre os clubes de esquerda e de orientação socialista.

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  6. No aguardo de um post sobre os clubes de esquerda e de orientação socialista.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Clubes de Direitas são Sacpitalistas e clubes de esquerda são Comunistas.

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  9. Clubes de Direitas são Sacpitalistas e clubes de esquerda são Comunistas.

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  10. é interessante o post pra quem gosta de política e futebol. Mas é claramente super tendencioso à esquerda. Tratando a direita como conservadora atrelada ao fascismo, sendo que são coisas opostas. Mas quando eu abri esse post já esprava isso...

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    1. O engraçado é taxar a direita e os conservadores de quererem ver os pobres mais pobres, sendo que é a ideologia de esquerda que causa isso.

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  11. Sempre com uma visão errada com a direita a taxando de hierarquizada e que gosta de ver o povo na desigualdade, o fascismo é inerente ao conservadorismo/monarquia, essas torcidas tem bancadas de 3° via ou viveram na pele as políticas socialistas na prática.

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  12. Até agora nada de um sobre os times de esquerda?

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  13. VIÉS ESQUERDIZANTE DA MATÉRIA, ESQUERDOU DEMAIS!

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  14. Entendi o que o post quis dizer, mas não vale aplicar isso aos diad de hoje, ter isso como fundação ou no início, tudo bem, mas isso não quer dizer que é a ideologia atual desses clubes, ainda mais que alguns tiveram essa influênciq alguns anos depois de fundação. E só uma observação, Estrela Vermelha de direita? Além disso sem contar que o Atlético de Bilbão tem uma torcida violenta e xenófoba ultimamente (torcida organizada).

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