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Uma Madrid de verdade
Todo mundo sabe que a final da Champions League deste ano será entre Real Madrid e Atlético de Madrid, dois antigos rivais da mesma cidade. Porém, poucos sabem que essa será a primeira vez, em toda história da competição, que a final será composta por dois times da mesma cidade, criando assim um verdadeiro dérbi na final.
A final não terá o glamour de um Bayern de Munique, ou a polêmica de um José Mourinho. O Barcelona nem sequer chegou perto de brigar pela final. O Real Madrid, do melhor jogador do mundo, já fora mais favorito em outros tempos e, por isso, era dado como favas contadas contra o poderoso Bayern. Já o Atlético de Madrid, tão ignorado pelos madridistas (e grande parte do mundo), chegou à final quebrando todos os paradigmas.
Mas é só por isso que o clássico é tão simbólico, tão especial, para a final da Champions? Não, é muito mais do que isso.
Em toda história, Real Madrid e Atlético de Madrid se enfrentaram em 252 partidas oficiais, sendo que há uma ampla vantagem madridista (134x62). Porém, os dois se enfrentaram em apenas cinco finais, e, pasmem, com vantagem esmagadora dos Colchoneros (4x1). Apesar disso, mesmo se enfrentado tantas vezes, esta será apenas a segunda vez que os dois se enfrentarão em um campo neutro. Na única vez que isso aconteceu, o Real Madrid venceu a partida por 2x1, em 1959, na cidade de Zaragoza.
O Real Madrid, apesar de ser mais caro - e ter mais lastro - que o Atlético de Madrid, passará por uma situação inusitada: apenas 5 jogadores do elenco já disputaram uma final de liga européia (Casillas, Xabi Alonso, Pepe, Cristiano Ronaldo e Arbeloa). Desses cinco, Casillas é o que mais jogou finais (quatro partidas), e é seguido de perto por Xabi Alonso (três partidas), que será desfalque contra o Atlético de Madrid devido à suspensão pelo terceiro cartão amarelo. Já pelo lado do Atlético de Madrid são 14 jogadores que já estiveram em alguma final de competição européia.
Mas, ao contrário do campo, o Real Madrid não sofrerá com a inexperiência no seu banco de reservas. Carlo Ancelotti disputará sua quarta final, igualando o recorde de Miguel Muñoz, Marcello Lippi e Alex Ferguson. Simeone se juntará a Luis Carniglia, Fernando Riera, Helenio Herrera, Otto Gloria, JC Lorenzo e Hector Cúper como apenas o sétimo treinador não-europeu à comandar um finalista de Champions League.
Enquanto o Real Madrid busca a tão desejada "la décima", o Atlético de Madrid pode ser o décimo campeão invicto da Champions League. Caso perca a partida nos pênaltis, o clube pode ser o primeiro vice-campeão invicto. Porém, o Atléti possui uma curiosidade à seu favor: Godín, zagueiro uruguaio, nunca perdeu uma final de partida única em sua carreira.
O Madrid jogou 14 vezes contra rivais espanhóis em competições europeias, sendo que foram 7 vitórias, 4 empates e 3 derrotas (uma para o Atlético). O Atlético também jogou 14 vezes contra rivais do mesmo país em competições europeias, sendo que venceu 7 vezes, empatou 3 vezes e perdeu 4 vezes (duas para o Real Madrid). Se serve de consolo, o Atlético de Madrid não perde para um espanhol numa competição europeia desde 2004 (Villareal 2x0). Os Galáticos nunca venceram uma partida oficial em Lisboa, enquanto os Colchoneros só jogaram uma vez, onde conseguiu conquistar um empate.
Mas será que isso torna a grande final mais simbólica? Não, não é isso.
O grande ponto dessa final é o balanço que se faz da trajetória dessas duas equipes madrilenhas ao longo da história. O Madrid é um ano mais velho que o Atlético, e ambos surgiram humildemente após conferências de estudantes de outras cidades. Apesar do começo similar, o destino alterou o rumo da vida das duas equipes.
O Madrid virou Real depois de uma intervenção do rei Alfonso XIII, que deu esse título ao clube que mais gostava na capital. Com tal alcunha tudo ficou mais fácil para o coirmão do Atlético, que teve que se desdobrar para sobreviver. Antes de ser coroado, o Real Madrid era uma equipe competitiva mesmo sem todo o dinheiro e pompa que viria a ganhar posteriormente.
Antes de ser Atlético de Madrid, o clube fora conhecido como Athletic Madrid (alusão ao Athletic Bilbao), Athletic Aviación e Atlético Aviación. Com clara influência inglesa, o clube da capital sofria com a perseguição nacionalista, especialmente durante o regime do generalíssimo Francisco Franco. As alternâncias de nome se davam porque o general não suportava que espanhol adotasse neologismo. Barcelona, Athletic Bilbao e outros clubes, que para piorar viviam fora da capital, sofreram com isso.
Enquanto o Real Madrid ganhava notoriedade com a realeza, o Atlético de Madrid sobrevivia com a fidelidade de seus torcedores, muitos deles da classe operária de Madrid. Inevitavelmente, o Real Madrid tornou-se uma potência mundial muito devido aos privilégios da coroa, mas, existem outros casos na própria Espanha de outros "Reais" que não vingaram potencialmente. Portanto, o Madrid (como os torcedores realmente chamam o clube) não é apenas um clube abonado, ele lutou também.
O tempo foi se passando e o Atlético de Madrid ficava cada vez mais para trás, se endividando junto com a classe média da capital. Vez ou outra o clube conquistava um troféu, revelava um jogador (dentre eles o genial Luis Aragonés) e até figurava numa final de Champions League (1974, quando perdeu por 4x1 para o Bayern de Munique). Mas era difícil sobreviver, e um rebaixamento assolou a vida do torcedor Colchonero.
Os dois sempre foram arquirrivais, mas, após a vertiginosa queda do Atlético de Madrid ao longo dos anos, os torcedores do Real Madrid simplesmente ignoraram a presença do coirmão da capital. Existe coisa pior para um torcedor do que ver o seu time ser ignorado por um rival? Não! No Brasil, algo semelhante acontecera com Santos e Botafogo, em seus respectivos estados, em relação ao Corinthians e ao Flamengo. Para piorar a situação do Atlético fora atribuído ao clube a pecha de "El Pupa" (o café-com-leite), pois o clube era incapaz de desempenhar uma temporada digna. Muitos torcedores jovens do Atlético viraram a casaca e começaram a torcer para o Madrid, pois a ânsia por um título era maior do que a fidelidade. Aos poucos, o Atlético de Madrid se tornava "o clube do meu avô". Isso dói, meu amigo. O Superclássico, que hoje é entre Real Madrid e Barcelona, antes era Real Madrid e Atlético de Madrid.
O ódio e rancor apodrecia o coração e a esperança do torcedor Colchonero. Colchonero, aliás, é uma apelido dado pelos madridistas, em tom jocoso, pois o uniforme do Atlético era semelhante aos colchões dado ao povo desprovido de dinheiro pelo regime. É comum você enxergar faixas ao redor do Vicente Calderón estampando o movimento "anti-madridista". Hoje, a rivalidade é gigantesca apenas no coração do torcedor atleticano.
O Real Madrid muitas vezes paga pelo ódio dos outros torcedores por ser um clube extremamente rico e poderoso. Um clube não se mantém dessa maneira por tanto tempo sem ter muito trabalho e grandeza. Os Galáticos são poderosos graças ao seu esforço, que às vezes fica em segundo plano devido à arrogância de pessoas distintas e não do clube. Se algum clube sonha em ser potência, o exemplo a ser seguido é o Real Madrid.
Nos últimos 10 anos o Atlético de Madrid se reestruturou muito, chegando a conquistar dois títulos continentais e, recentemente, uma liga espanhola. Simeone fez o plantel entender a dor do Colchonero, criando na equipe uma alma peleadora, difícil de ser batida. Taticamente estruturado, o Atlético busca, mais uma vez, na base da alma vencer o seu maior rival estando no seu maior momento desde 40 anos atrás.
Ancelotti fez do Real Madrid um time menos arrogante e mais tático do que era antes, especialmente durante o reinado de José Mourinho. Muito bem montado, o Madrid possui um sistema defensivo seguro e um contra-ataque espetacular. Sem contar, é claro, com Cristiano Ronaldo, um grandíssimo jogador.
Nessa final simbólica vencerá aquele que tiver o coração mais quente.
A final não terá o glamour de um Bayern de Munique, ou a polêmica de um José Mourinho. O Barcelona nem sequer chegou perto de brigar pela final. O Real Madrid, do melhor jogador do mundo, já fora mais favorito em outros tempos e, por isso, era dado como favas contadas contra o poderoso Bayern. Já o Atlético de Madrid, tão ignorado pelos madridistas (e grande parte do mundo), chegou à final quebrando todos os paradigmas.
Mas é só por isso que o clássico é tão simbólico, tão especial, para a final da Champions? Não, é muito mais do que isso.
Em toda história, Real Madrid e Atlético de Madrid se enfrentaram em 252 partidas oficiais, sendo que há uma ampla vantagem madridista (134x62). Porém, os dois se enfrentaram em apenas cinco finais, e, pasmem, com vantagem esmagadora dos Colchoneros (4x1). Apesar disso, mesmo se enfrentado tantas vezes, esta será apenas a segunda vez que os dois se enfrentarão em um campo neutro. Na única vez que isso aconteceu, o Real Madrid venceu a partida por 2x1, em 1959, na cidade de Zaragoza.
O Real Madrid, apesar de ser mais caro - e ter mais lastro - que o Atlético de Madrid, passará por uma situação inusitada: apenas 5 jogadores do elenco já disputaram uma final de liga européia (Casillas, Xabi Alonso, Pepe, Cristiano Ronaldo e Arbeloa). Desses cinco, Casillas é o que mais jogou finais (quatro partidas), e é seguido de perto por Xabi Alonso (três partidas), que será desfalque contra o Atlético de Madrid devido à suspensão pelo terceiro cartão amarelo. Já pelo lado do Atlético de Madrid são 14 jogadores que já estiveram em alguma final de competição européia.
Mas, ao contrário do campo, o Real Madrid não sofrerá com a inexperiência no seu banco de reservas. Carlo Ancelotti disputará sua quarta final, igualando o recorde de Miguel Muñoz, Marcello Lippi e Alex Ferguson. Simeone se juntará a Luis Carniglia, Fernando Riera, Helenio Herrera, Otto Gloria, JC Lorenzo e Hector Cúper como apenas o sétimo treinador não-europeu à comandar um finalista de Champions League.
Enquanto o Real Madrid busca a tão desejada "la décima", o Atlético de Madrid pode ser o décimo campeão invicto da Champions League. Caso perca a partida nos pênaltis, o clube pode ser o primeiro vice-campeão invicto. Porém, o Atléti possui uma curiosidade à seu favor: Godín, zagueiro uruguaio, nunca perdeu uma final de partida única em sua carreira.
O Madrid jogou 14 vezes contra rivais espanhóis em competições europeias, sendo que foram 7 vitórias, 4 empates e 3 derrotas (uma para o Atlético). O Atlético também jogou 14 vezes contra rivais do mesmo país em competições europeias, sendo que venceu 7 vezes, empatou 3 vezes e perdeu 4 vezes (duas para o Real Madrid). Se serve de consolo, o Atlético de Madrid não perde para um espanhol numa competição europeia desde 2004 (Villareal 2x0). Os Galáticos nunca venceram uma partida oficial em Lisboa, enquanto os Colchoneros só jogaram uma vez, onde conseguiu conquistar um empate.
Mas será que isso torna a grande final mais simbólica? Não, não é isso.
O grande ponto dessa final é o balanço que se faz da trajetória dessas duas equipes madrilenhas ao longo da história. O Madrid é um ano mais velho que o Atlético, e ambos surgiram humildemente após conferências de estudantes de outras cidades. Apesar do começo similar, o destino alterou o rumo da vida das duas equipes.
O Madrid virou Real depois de uma intervenção do rei Alfonso XIII, que deu esse título ao clube que mais gostava na capital. Com tal alcunha tudo ficou mais fácil para o coirmão do Atlético, que teve que se desdobrar para sobreviver. Antes de ser coroado, o Real Madrid era uma equipe competitiva mesmo sem todo o dinheiro e pompa que viria a ganhar posteriormente.
Antes de ser Atlético de Madrid, o clube fora conhecido como Athletic Madrid (alusão ao Athletic Bilbao), Athletic Aviación e Atlético Aviación. Com clara influência inglesa, o clube da capital sofria com a perseguição nacionalista, especialmente durante o regime do generalíssimo Francisco Franco. As alternâncias de nome se davam porque o general não suportava que espanhol adotasse neologismo. Barcelona, Athletic Bilbao e outros clubes, que para piorar viviam fora da capital, sofreram com isso.
Enquanto o Real Madrid ganhava notoriedade com a realeza, o Atlético de Madrid sobrevivia com a fidelidade de seus torcedores, muitos deles da classe operária de Madrid. Inevitavelmente, o Real Madrid tornou-se uma potência mundial muito devido aos privilégios da coroa, mas, existem outros casos na própria Espanha de outros "Reais" que não vingaram potencialmente. Portanto, o Madrid (como os torcedores realmente chamam o clube) não é apenas um clube abonado, ele lutou também.
O tempo foi se passando e o Atlético de Madrid ficava cada vez mais para trás, se endividando junto com a classe média da capital. Vez ou outra o clube conquistava um troféu, revelava um jogador (dentre eles o genial Luis Aragonés) e até figurava numa final de Champions League (1974, quando perdeu por 4x1 para o Bayern de Munique). Mas era difícil sobreviver, e um rebaixamento assolou a vida do torcedor Colchonero.
Os dois sempre foram arquirrivais, mas, após a vertiginosa queda do Atlético de Madrid ao longo dos anos, os torcedores do Real Madrid simplesmente ignoraram a presença do coirmão da capital. Existe coisa pior para um torcedor do que ver o seu time ser ignorado por um rival? Não! No Brasil, algo semelhante acontecera com Santos e Botafogo, em seus respectivos estados, em relação ao Corinthians e ao Flamengo. Para piorar a situação do Atlético fora atribuído ao clube a pecha de "El Pupa" (o café-com-leite), pois o clube era incapaz de desempenhar uma temporada digna. Muitos torcedores jovens do Atlético viraram a casaca e começaram a torcer para o Madrid, pois a ânsia por um título era maior do que a fidelidade. Aos poucos, o Atlético de Madrid se tornava "o clube do meu avô". Isso dói, meu amigo. O Superclássico, que hoje é entre Real Madrid e Barcelona, antes era Real Madrid e Atlético de Madrid.
O ódio e rancor apodrecia o coração e a esperança do torcedor Colchonero. Colchonero, aliás, é uma apelido dado pelos madridistas, em tom jocoso, pois o uniforme do Atlético era semelhante aos colchões dado ao povo desprovido de dinheiro pelo regime. É comum você enxergar faixas ao redor do Vicente Calderón estampando o movimento "anti-madridista". Hoje, a rivalidade é gigantesca apenas no coração do torcedor atleticano.
O Real Madrid muitas vezes paga pelo ódio dos outros torcedores por ser um clube extremamente rico e poderoso. Um clube não se mantém dessa maneira por tanto tempo sem ter muito trabalho e grandeza. Os Galáticos são poderosos graças ao seu esforço, que às vezes fica em segundo plano devido à arrogância de pessoas distintas e não do clube. Se algum clube sonha em ser potência, o exemplo a ser seguido é o Real Madrid.
Nos últimos 10 anos o Atlético de Madrid se reestruturou muito, chegando a conquistar dois títulos continentais e, recentemente, uma liga espanhola. Simeone fez o plantel entender a dor do Colchonero, criando na equipe uma alma peleadora, difícil de ser batida. Taticamente estruturado, o Atlético busca, mais uma vez, na base da alma vencer o seu maior rival estando no seu maior momento desde 40 anos atrás.
Ancelotti fez do Real Madrid um time menos arrogante e mais tático do que era antes, especialmente durante o reinado de José Mourinho. Muito bem montado, o Madrid possui um sistema defensivo seguro e um contra-ataque espetacular. Sem contar, é claro, com Cristiano Ronaldo, um grandíssimo jogador.
Nessa final simbólica vencerá aquele que tiver o coração mais quente.
23.5.14
Postado Por: TramaFC
Meu malvado favorito
Nunca um título adaptado de um filme infantil fora tão adequado para uma realidade. O dia 25 de maio de 2013 fora um dia em que se confundira a ficção com a vida real.
De vilão à herói, o holandês Arjen Robben deu ao Bayern de Munique a sua quinta taça da Champions League. Agora, os bávaros estão empatados em número de taças com o Liverpool. Porém, por muito pouco, o destino não quis que Robben reescrevesse a sua história de vilania.
Um exercício de memória: Robben cometera um erro na final da Champions League de 2009/2010, contra a Inter de Milão, quando perdera a bola no meio-campo, e no lance seguinte a equipe italiana encontrou o caminho do segundo gol. Robben tornara a falhar em outra decisão, no mesmo ano, só que em outra magnitude. O atacante da seleção holandesa perdeu inúmeras oportunidades cara-a-cara contra Casillas, na decisão da Copa do Mundo de 2010, contra a Espanha. O final todos sabem: Iniesta marcou o gol salvador da Espanha na prorrogação. Se não bastasse a fama que estava adquirindo, Robben fez questão de instaurá-la em 2012. Na decisão da Champions League de 2011/2012, o holandês repetiu o mesmo repertório de erros contra a Espanha, porém, com um agravante. Robben perdeu um pênalti na prorrogação da final contra o Chelsea, em Munique. O resultado? Chelsea foi campeão nos pênaltis em plena Allianz Arena.
Em uma das melhores finais de todos os tempos, com ritmo alucinante e muita técnica de ambos os lados, o destaque era mais uma vez Arjen Robben. Como dito antes, o holandês, por muito pouco, não repetiu os mesmos erros de outrora, na final de ontem, contra o Borussia Dortmund.
Os erros do holandês nessa final foram bem parecidos com os da final contra a Espanha. A diferença era de que Weidenfeller estava fechando o gol em vez de Casillas. O ritmo se manteve até os 43 minutos do segundo tempo quando tudo mudou.
Esqueçamos as amareladas do holandês e foquemos na habilidade do jogador. Robben é craque. Ele dribla em alta velocidade, muda de rota e arremata a bola com a perna esquerda de uma maneira absurda! Aposto que muitos de vocês se lembram de vários gols do atacante quando ele costurou a defesa pela ponta e cortou pro meio e chutou. A jogada é manjada, mas é muito difícil de parar.
Robben tinha perdido a sua vaga de titular na ponta-direita do Bayern para Toni Kroos após o desastre da última decisão contra o Chelsea. Kroos era titular absoluto do Bayern até o jogo de ida contra a Juventus, pelas quartas-de-finais, em Munique, quando a equipe venceu por 2x0. O alemão sofreu uma lesão no joelho e teve que operar. Robben, o malvado, voltou a ser titular.
Quando o Bayern avançou para as semi-finais e viu que pegaria o Barcelona, Robben já estava garantido como titular para o enfrentamento. Apesar do óbvio declínio catalão, o Bayern atropelou o Barça e ensacou um 7x0 no placar agregado tendo Robben como principal jogador nas duas partidas.
Chegando à final contra o rival Borussia Dortmund, um timaço - e o único time sabia parar a máquina bávara -, Robben voltara a ser protagonista. O primeiro tempo fora todo aurinegro, com participação essencial de Manuel Neuer. Porém, o Bayern contava com a agudez do vilão da última edição para chegar ao ataque. Numa dessas chegadas, Robben perdera um gol idêntico, cara-a-cara com Weidenfeller, como acontecera em 2010, contra o Casillas.
No segundo tempo Robben manteve o ritmo criando sempre uma ameaça constante para defesa do Dortmund. O domínio era vermelho, mas o placar ainda apontava a igualdade de 1x1. A lembrança do gol perdido, e dos inúmeros chutes perigosos, chamava a atenção para a fama do jogador.
No entanto, ao 43 minutos do segundo tempo, em uma bola esticada da defesa, Ribery matou a bola no peito, deixou-a deslizar pelo corpo e tocou de letra para o atacante que entrava em disparada pelo meio. Esse atacante era o Robben.
Nesse vácuo entre o passe fantástico do francês para o holandês, memórias recentes devem ter tomado a atenção de todos que viam o jogo. Robben, a bola e o goleiro, mais uma vez. Tinha como piorar a vida do Robben? O vilão confirmaria a sua sina?
O que aconteceu foi a redenção de um homem tachado de vilão. Robben, com uma classe que lhe convém, anotou o gol que derrubou a Muralha Amarela do Borussia Dortmund. Atônito, o holandês corria para todos os lados durante a comemoração. Assim que Nicola Rizzoli assoprou pela última vez o seu apito, o ex-vilão tornou-se herói.
Muricy Ramalho costuma dizer que a bola pune. O treinador brasileiro tem toda a razão, mas, a bola também faz justiça. Uma justiça tardia com um grande jogador de futebol, que se ajoelhou e ficou olhando para as próprias mãos. Incrédulo.
Uma justiça, também tardia, com um grande clube de futebol.
Uma justiça, também tardia, com um grande clube de futebol.
O Bayern de Munique junta-se ao Real Madrid, ao Milan e ao Liverpool como um dos principais vencedores do principal torneio continental de futebol no mundo. Falta muito para igualar o número de taças do Real Madrid, porém, uma coisa é certa: o Bayern é o melhor time do mundo.
Essa hegemonia, depois de tantos vices recentes, é fruto de um trabalho duro. O time bávaro conseguiu montar uma equipe que alia jogadores alemães, que foram formados na base, com jogadores estrangeiros que chegaram para fomentar o sistema tático. Com o conhecimento abundante de futebol por parte de Jupp Heynckes, que infelizmente vai se aposentar, o Bayern demonstra um futebol absurdamente dominante.
O Bayern erra muito pouco, joga em velocidade, toca a bola, sempre chuta com perigo e roda o time quando nada dá certo. É muita intensidade e muita paciência. O Bayern em campo parece com uma cobra. É um time predador que calcula com perfeição todos os seus movimentos. Isso é resultado de uma equipe treinada à exaustão, com jogadores de técnica elevadíssima.
Por tudo que envolveu a saga bávara na competição, o destino de Robben, a classe como joga, e o torcedor que sofreu ao perder um título em casa, nada mais justo do que uma final digna de ficção. Claro, em especial para Robben, o malvado favorito de todos os bávaros.
26.5.13
Postado Por: TramaFC
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A melhor liga nacional do mundo na melhor final de clubes do mundo
Todo mundo já sabe que a final da Champions League desse ano é entre Borussia Dortmund e Bayern de Munique. Porém, existe um mundo por trás dessa final. Um mundo estritamente germânico e que atende pelo nome de Bundesliga.
No ano em que completa 50 anos, a Bundesliga emplacou um feito notável na história do futebol europeu: colocou dois clubes alemães na final da Champions League pela primeira vez. Em seu cinquentenário, a liga alemã conseguiu se destacar de novo no cenário futebolístico.
No entanto, não é a data comemorativa, ou a final inédita que credencia a Bundesliga como o melhor campeonato nacional do planeta. Uma série de fatores positivos e culturais implicam na afirmação e na consolidação dos alemães.
O fator primordial para o sucesso da Bundesliga foi o reconhecimento do passado e a realização de um ideal. Para que isso acontecesse, foi preciso muita dedicação, precisão, determinação, paciência e disciplina, marcas do futebol alemão em si, segundo Bobby Moore.
Claro que somente isso não garante sucesso no futebol moderno. Marius Neuhaus, cientista político e especialista sobre a Bundesliga, afirma que a identificação cultural do alemão com a sua região é extremamente forte. Além disso, um fator global também interferiu nesse processo: a Segunda Guerra Mundial. Devido à grande depressão alemã ocasionada pela derrota na Segunda Guerra, o futebol virou uma escapatória da realidade. O alemão é fissurado por futebol, e ele morre pelo time que torce.
Sabendo que o futebol é muito mais do que uma paixão, os alemães revitalizaram a sua liga com base em conceitos administrativos modernos. Dentre todas as principais ligas europeias, a Bundesliga é a única que não possui dívida com o fisco. A Premier League, La Liga e Calcio Serie A, estão cada vez mais afundados na crise europeia.
Além de não possuir dívidas com a Federação Alemã de Futebol, a Bundesliga não permite que os clubes de futebol se endividem. O famoso fair play financeiro que Michel Platini, presidente da UEFA, quer implantar em toda Europa, já existe há mais de uma década na Alemanha. Caso algum clube esteja devendo, a determinada equipe é rebaixada de divisão até que ela se reestruture e consiga o acesso, por meio da competição, e volte para o lugar de origem (ou para a primeira divisão).
Outro fator importantíssimo para o crescimento da receita e da igualdade dos clubes alemães é com relação à cota de televisão. A Bundesliga sentenciou que todos os clubes tem que receber a mesma fatia do dinheiro pela transmissão, e que TODOS clubes tem o direito de ter a sua partida televisionada para todo país ao menos uma vez por rodada. Isso mesmo, na Alemanha não importa se o time tem pouca ou muita torcida, ele vai aparecer ao menos uma vez na televisão (tanto na TV aberta quanto na TV fechada).
É quase inconcebível imaginar que isso aconteça no Brasil, onde existe um monopólio de Corinthians e Flamengo, em todas as rodadas, e em todos os canais.
Graças à igualdade nas cotas e com a grande exposição do clube na televisão, as agremiações alemãs trabalham fortemente com o marketing para conquistar mais torcedores, mais sócios e mais dinheiro. Por ser tão justa com os clubes, a Bundesliga acaba que incitando-os à usar o marketing como um meio legítimo para angariar mais dinheiro, e assim ter vantagem na compra de jogadores. Simples, honesto e preciso. Algo que o Bayern de Munique explora com maestria.
"A maioria dos clubes da Premier League e da La Liga teriam que declarar falência na Alemanha. É uma combinação com o status econômico do país, e a Alemanha está liderando a Europa nesse momento de crise", conta Marius.
Aliás, na Alemanha é raro ver um clube despejar cifras exorbitantes em jogadores. Desde a remodelação, quando os alemães perceberam que eles não eram mais uma potência temerosa no âmbito mundial do esporte bretão, os germânicos decidiram investir nas categorias de base. Todo o lucro que cada clube consegue com as cotas, com a federação, com o marketing, vão, em sua grande parte, para a infraestrutura da academia de jovens.
Essa preocupação com os jovens jogadores reflete na seleção. Hoje, a Alemanha é a única seleção párea, talvez superior, à Espanha. Com futebol ofensivo, pragmático e compacto, a equipe de Joaquim Low é um resultado caseiro. Por exemplo, no último jogo oficial da Alemanha, contra o Cazaquistão, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, em que ela venceu por 4x1, apenas dois jogadores, de todos os que foram relacionados para a partida, não atuavam por clubes alemães: Sami Khedira e Mesut Ozil, ambos do Real Madrid. Lembrando que 90% dos jogadores da equipe principal da Alemanha já passaram pelas divisões de base da seleção nacional.
Somando todos os fatores já apresentados, existe um que é a marca registrada da Bundesliga: o público. Os torcedores, razão maior do futebol, são tratados de maneira especial na Alemanha. Desde o início deste século, o campeonato alemão é insuperável na média de público. O líder de arrecadação e de público na Europa é o finalista desta edição da Champions League: o Borussia Dortmund.
Os estádios alemães são a combinação perfeita de conforto, segurança e modernidade, sem tirar a vibração e a pressão impulsionada pelos torcedores. Dentro das arenas, é obrigatório ter um local reservado para os mais fanáticos, pois os clubes sabem que os donos são os torcedores e não os dirigentes ou patrocinadores. É comum uma agremiação alemã eleger um torcedor/assessor responsável pela comunicação entre a diretoria e os torcedores da arquibancada. Esse feedback entre torcida e direção possibilita que o clube agrade e melhore as questões exigidas pelos fãs.
Os mosaicos, bandeiras e adereços, tão presentes nas festas protagonizadas pelos torcedores alemães, são resultado de paixão, fanatismo e organização entre clube e torcida. O laço que une o clube, os fãs e os jogadores é muito estreito. Franck Ribery, ponta do Bayern, apesar de francês, sempre comemora os seus gols no meio da "geral" bávara. Sebastian Kehl, um dos jogadores mais experientes do Borussia Dortmund, puxa o coro da Muralha Amarela (a maior geral da Europa, com 25 mil lugares atrás do gol visitante) com um megafone.
Detalhe: desse numeroso e suntuoso aglomerado rebanho de torcedores alemães, 40% são mulheres! Sim, o futebol é tão forte, tão cultuado na Alemanha, que esse número grande de moças no estádio evidencia o quanto é trabalhado a marca, a receita e o público na Bundesliga.
Dito isso, em meio à tantos êxitos alcançados pelos germânicos na reconstrução do seu futebol, a filosofia alemã virou referência no mundo da bola. O resultado será acompanhado neste sábado, quando o Bayern de Munique, símbolo maior desse profissionalismo alemão, enfrentará o conterrâneo de Dortmund, o Borussia, que renasceu das cinzas (e de uma dívida de mais de 200 milhões de euros) graças ao uso correto das receitas.
O Bayern vai para a sua quarta final de Champions League desde a entrada do século XXI, sendo que das últimas três o clube só conquistou uma, na temporada 2000/2001, contra o Valencia. O clube bávaro, referência no futebol europeu por ter a melhor saúde financeira dentre os gigantes europeus, é favorito por ter um plantel com mais opções de qualidade. Os principais destaques do time (Phillip Lahm, Bastian Schweinsteiger e Thomas Muller) são pratas da casa misturados com jogadores de alto nível que foram comprados antes do ápice (Manuel Neuer, Dante, Franck Ribery, Arjen Robben e Mario Mandzukic). Por ter perdido a final da temporada passada para o Chelsea, em casa, o Bayern tem uma segunda chance para amenizar a decepção que ainda mora no coração de cada bávaro vivo.
O Borussia Dortmund, que conquistou a Europa apenas uma vez, em 1996/1997, contra a Juventus, encara agora a sua segunda final na história. Como dito antes, o Borussia conseguiu sobreviver à falência em 2003, quando teve que vender o seu estádio, o Westfalenstadion, para uma empresa privada, e fazer acordos para o pagamento de sua dívida milionária. Além disso, o BVB (como é conhecido o Borussia Dortmund) contou com um empréstimo de 2 milhões de euros do Bayern de Munique. Isso mesmo, dois rivais fervorosos. Irônico? Nem um pouco! O Borussia se reergueu e sanou todas as dívidas que tinha. Depois de conseguir eliminar o maior encosto de sua vida, o time da cidade de Dortmund recomprou o seu estádio e apostou na fórmula caseira de revelar jogadores. Além de revelar, o Borussia utilizou-se do scouting de jogadores desconhecidos e com potencial, caso do Shinji Kagawa (que foi vendido ao Manchester United por 26 milhões de euros, sendo que o japonês fora comprado pelo Borussia por 120 mil dólares do Cerezo Osaka), Felipe Santana, Robert Lewandowski, Lukasz Piszczek e Jakub "Kuba" Blaszczykowski. Das últimas três edições da Bundesliga, o BVB conquistou duas, e hoje está na final da Champions League. Um renascimento épico.
Portanto, a final desta Champions League entre Borussia Dortmund e Bayern de Munique vai muito além da "orelhuda" (apelido da taça). No canto vermelho, o Bayern de Munique, um clube gigantesco, potente e inovador. No canto amarelo, o Borussia Dortmund, um gigante alemão que por muito pouco não pereceu, e agora desfruta de seu trabalho duro e do profissionalismo. Juup Heynckes contra Jurgen Klopp, o primeiro se despede do futebol, enquanto o segundo se consolida como um treinador estrategista e motivador. Duas torcidas alucinantes vão duelar num show à parte dentro das arquibancadas. Mario Gotze, vendido pelo Borussia Dortmund ao Bayern de Munique, não joga. Enquanto isso, Franck Ribery briga com Jerome Boateng na comemoração do título da Bundesliga. Em Wembley, os dois clubes de melhor campanha desta edição da Champions League vão disputar o troféu, não só de rei da Europa, mas também o troféu de rei da Bundesliga, atualmente a melhor liga nacional do mundo.
Claro que somente isso não garante sucesso no futebol moderno. Marius Neuhaus, cientista político e especialista sobre a Bundesliga, afirma que a identificação cultural do alemão com a sua região é extremamente forte. Além disso, um fator global também interferiu nesse processo: a Segunda Guerra Mundial. Devido à grande depressão alemã ocasionada pela derrota na Segunda Guerra, o futebol virou uma escapatória da realidade. O alemão é fissurado por futebol, e ele morre pelo time que torce.
Sabendo que o futebol é muito mais do que uma paixão, os alemães revitalizaram a sua liga com base em conceitos administrativos modernos. Dentre todas as principais ligas europeias, a Bundesliga é a única que não possui dívida com o fisco. A Premier League, La Liga e Calcio Serie A, estão cada vez mais afundados na crise europeia.
Além de não possuir dívidas com a Federação Alemã de Futebol, a Bundesliga não permite que os clubes de futebol se endividem. O famoso fair play financeiro que Michel Platini, presidente da UEFA, quer implantar em toda Europa, já existe há mais de uma década na Alemanha. Caso algum clube esteja devendo, a determinada equipe é rebaixada de divisão até que ela se reestruture e consiga o acesso, por meio da competição, e volte para o lugar de origem (ou para a primeira divisão).
Outro fator importantíssimo para o crescimento da receita e da igualdade dos clubes alemães é com relação à cota de televisão. A Bundesliga sentenciou que todos os clubes tem que receber a mesma fatia do dinheiro pela transmissão, e que TODOS clubes tem o direito de ter a sua partida televisionada para todo país ao menos uma vez por rodada. Isso mesmo, na Alemanha não importa se o time tem pouca ou muita torcida, ele vai aparecer ao menos uma vez na televisão (tanto na TV aberta quanto na TV fechada).
É quase inconcebível imaginar que isso aconteça no Brasil, onde existe um monopólio de Corinthians e Flamengo, em todas as rodadas, e em todos os canais.
Graças à igualdade nas cotas e com a grande exposição do clube na televisão, as agremiações alemãs trabalham fortemente com o marketing para conquistar mais torcedores, mais sócios e mais dinheiro. Por ser tão justa com os clubes, a Bundesliga acaba que incitando-os à usar o marketing como um meio legítimo para angariar mais dinheiro, e assim ter vantagem na compra de jogadores. Simples, honesto e preciso. Algo que o Bayern de Munique explora com maestria.
"A maioria dos clubes da Premier League e da La Liga teriam que declarar falência na Alemanha. É uma combinação com o status econômico do país, e a Alemanha está liderando a Europa nesse momento de crise", conta Marius.
Aliás, na Alemanha é raro ver um clube despejar cifras exorbitantes em jogadores. Desde a remodelação, quando os alemães perceberam que eles não eram mais uma potência temerosa no âmbito mundial do esporte bretão, os germânicos decidiram investir nas categorias de base. Todo o lucro que cada clube consegue com as cotas, com a federação, com o marketing, vão, em sua grande parte, para a infraestrutura da academia de jovens.
Essa preocupação com os jovens jogadores reflete na seleção. Hoje, a Alemanha é a única seleção párea, talvez superior, à Espanha. Com futebol ofensivo, pragmático e compacto, a equipe de Joaquim Low é um resultado caseiro. Por exemplo, no último jogo oficial da Alemanha, contra o Cazaquistão, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, em que ela venceu por 4x1, apenas dois jogadores, de todos os que foram relacionados para a partida, não atuavam por clubes alemães: Sami Khedira e Mesut Ozil, ambos do Real Madrid. Lembrando que 90% dos jogadores da equipe principal da Alemanha já passaram pelas divisões de base da seleção nacional.
Somando todos os fatores já apresentados, existe um que é a marca registrada da Bundesliga: o público. Os torcedores, razão maior do futebol, são tratados de maneira especial na Alemanha. Desde o início deste século, o campeonato alemão é insuperável na média de público. O líder de arrecadação e de público na Europa é o finalista desta edição da Champions League: o Borussia Dortmund.
Os estádios alemães são a combinação perfeita de conforto, segurança e modernidade, sem tirar a vibração e a pressão impulsionada pelos torcedores. Dentro das arenas, é obrigatório ter um local reservado para os mais fanáticos, pois os clubes sabem que os donos são os torcedores e não os dirigentes ou patrocinadores. É comum uma agremiação alemã eleger um torcedor/assessor responsável pela comunicação entre a diretoria e os torcedores da arquibancada. Esse feedback entre torcida e direção possibilita que o clube agrade e melhore as questões exigidas pelos fãs.
Os mosaicos, bandeiras e adereços, tão presentes nas festas protagonizadas pelos torcedores alemães, são resultado de paixão, fanatismo e organização entre clube e torcida. O laço que une o clube, os fãs e os jogadores é muito estreito. Franck Ribery, ponta do Bayern, apesar de francês, sempre comemora os seus gols no meio da "geral" bávara. Sebastian Kehl, um dos jogadores mais experientes do Borussia Dortmund, puxa o coro da Muralha Amarela (a maior geral da Europa, com 25 mil lugares atrás do gol visitante) com um megafone.
Detalhe: desse numeroso e suntuoso aglomerado rebanho de torcedores alemães, 40% são mulheres! Sim, o futebol é tão forte, tão cultuado na Alemanha, que esse número grande de moças no estádio evidencia o quanto é trabalhado a marca, a receita e o público na Bundesliga.
Dito isso, em meio à tantos êxitos alcançados pelos germânicos na reconstrução do seu futebol, a filosofia alemã virou referência no mundo da bola. O resultado será acompanhado neste sábado, quando o Bayern de Munique, símbolo maior desse profissionalismo alemão, enfrentará o conterrâneo de Dortmund, o Borussia, que renasceu das cinzas (e de uma dívida de mais de 200 milhões de euros) graças ao uso correto das receitas.
O Bayern vai para a sua quarta final de Champions League desde a entrada do século XXI, sendo que das últimas três o clube só conquistou uma, na temporada 2000/2001, contra o Valencia. O clube bávaro, referência no futebol europeu por ter a melhor saúde financeira dentre os gigantes europeus, é favorito por ter um plantel com mais opções de qualidade. Os principais destaques do time (Phillip Lahm, Bastian Schweinsteiger e Thomas Muller) são pratas da casa misturados com jogadores de alto nível que foram comprados antes do ápice (Manuel Neuer, Dante, Franck Ribery, Arjen Robben e Mario Mandzukic). Por ter perdido a final da temporada passada para o Chelsea, em casa, o Bayern tem uma segunda chance para amenizar a decepção que ainda mora no coração de cada bávaro vivo.
O Borussia Dortmund, que conquistou a Europa apenas uma vez, em 1996/1997, contra a Juventus, encara agora a sua segunda final na história. Como dito antes, o Borussia conseguiu sobreviver à falência em 2003, quando teve que vender o seu estádio, o Westfalenstadion, para uma empresa privada, e fazer acordos para o pagamento de sua dívida milionária. Além disso, o BVB (como é conhecido o Borussia Dortmund) contou com um empréstimo de 2 milhões de euros do Bayern de Munique. Isso mesmo, dois rivais fervorosos. Irônico? Nem um pouco! O Borussia se reergueu e sanou todas as dívidas que tinha. Depois de conseguir eliminar o maior encosto de sua vida, o time da cidade de Dortmund recomprou o seu estádio e apostou na fórmula caseira de revelar jogadores. Além de revelar, o Borussia utilizou-se do scouting de jogadores desconhecidos e com potencial, caso do Shinji Kagawa (que foi vendido ao Manchester United por 26 milhões de euros, sendo que o japonês fora comprado pelo Borussia por 120 mil dólares do Cerezo Osaka), Felipe Santana, Robert Lewandowski, Lukasz Piszczek e Jakub "Kuba" Blaszczykowski. Das últimas três edições da Bundesliga, o BVB conquistou duas, e hoje está na final da Champions League. Um renascimento épico.
Portanto, a final desta Champions League entre Borussia Dortmund e Bayern de Munique vai muito além da "orelhuda" (apelido da taça). No canto vermelho, o Bayern de Munique, um clube gigantesco, potente e inovador. No canto amarelo, o Borussia Dortmund, um gigante alemão que por muito pouco não pereceu, e agora desfruta de seu trabalho duro e do profissionalismo. Juup Heynckes contra Jurgen Klopp, o primeiro se despede do futebol, enquanto o segundo se consolida como um treinador estrategista e motivador. Duas torcidas alucinantes vão duelar num show à parte dentro das arquibancadas. Mario Gotze, vendido pelo Borussia Dortmund ao Bayern de Munique, não joga. Enquanto isso, Franck Ribery briga com Jerome Boateng na comemoração do título da Bundesliga. Em Wembley, os dois clubes de melhor campanha desta edição da Champions League vão disputar o troféu, não só de rei da Europa, mas também o troféu de rei da Bundesliga, atualmente a melhor liga nacional do mundo.
25.5.13
Postado Por: TramaFC
O hedonismo turco pelo time do palácio
Você já ouviu falar do Palácio de Gálata? Não?! Mas aposto que você conhece o Galatasaray, certo? Pois é, Galatasaray significa, ao pé da letra, Palácio de Gálata. Inclusive, o palácio já não existe mais, assim como o nome Gálata.
O time do bairro de Galatasaray (ou Gálata, quando os genoveses ainda eram maioria por lá), é muito conhecido pelos brasileiros e, claro, pelos europeus. Fundado em 1905, a equipe turca é o clube de maior expressão num país marcado pelo extremismo, pela honra e pela juventude. O Galatasaray, ou Cimbom para os torcedores, fora fundado por estudantes do Liceu de Galatasaray, que ficava em frente a uma praça que levava o nome da escola.
A origem do apelido Cimbom é desconhecida dos próprios torcedores do clube turco. Algumas hipóteses sobre a sua origem divagam por toda Istambul. Uma das mais curiosas remete-se a um jogador inglês chamado Jim, que em turco é Cim. Jim teria marcado os dois gols da vitória do Cimbom contra o Fenerbahce por 2x0, e após a partida o inglês fora entrevistado por um jornalista, que perguntou: "Jim, como foi?". Como o jogador não sabia falar turco, ele respondeu em inglês: "Você sabe, foi como... CIM... BOM... BOM...", em referência aos dois gols anotados. Desde então, o torcedores adoram a entrevista e adotaram a alcunha e passaram a gritar pelo clube no estádio como Cimbom. Um dos momentos mais sublimes do clube é exatamente quando a UltrAslan, o grupo Ultra do Galatasaray, puxa o coro de Cim bom bom.
A origem do apelido Cimbom é desconhecida dos próprios torcedores do clube turco. Algumas hipóteses sobre a sua origem divagam por toda Istambul. Uma das mais curiosas remete-se a um jogador inglês chamado Jim, que em turco é Cim. Jim teria marcado os dois gols da vitória do Cimbom contra o Fenerbahce por 2x0, e após a partida o inglês fora entrevistado por um jornalista, que perguntou: "Jim, como foi?". Como o jogador não sabia falar turco, ele respondeu em inglês: "Você sabe, foi como... CIM... BOM... BOM...", em referência aos dois gols anotados. Desde então, o torcedores adoram a entrevista e adotaram a alcunha e passaram a gritar pelo clube no estádio como Cimbom. Um dos momentos mais sublimes do clube é exatamente quando a UltrAslan, o grupo Ultra do Galatasaray, puxa o coro de Cim bom bom.
Por ser um clube de origens nobres e por se situar na parte européia de Istambul, a cidade mais populosa da Turquia, o Galatasaray é uma equipe bastante odiada na terra do berço Otomano. Parte desse ódio é causado pelo currículo vitorioso do clube. O Galatasaray possui 18 campeonatos turcos, 12 Supertaças da Turquia, 10 Taças da Turquia, 1 Europa League e 1 Supertaça Européia.
O Cimbom tem o Fenerbahce, time da parte asiática de Istambul, como o seu maior rival. Numa escala um pouco menor de rivalidade, vem o Besiktas, proveniente da parte central de Istambul.
O Cimbom tem o Fenerbahce, time da parte asiática de Istambul, como o seu maior rival. Numa escala um pouco menor de rivalidade, vem o Besiktas, proveniente da parte central de Istambul.
Apesar de ter sido fundado por pessoas cultas de um liceu francês, o Galatasaray, assim como a maioria dos turcos, tem uma obsessão pela honra. Aliás, a honra possivelmente tornam os turcos os mais fanáticos por seus respectivos clubes. O resultado de toda essa honra são os famosos Ultras (é quase parecido com as torcidas organizadas daqui, porém, muito mais fanáticos).
O grupo de Ultras do Galatasaray, a UltrAslan, que tem um leão como símbolo, dita a moda dentro e fora do estádio. Os Ultras são tão populares e amados que a UltrAslan virou uma marca de roupa que rivaliza, na Turquia, com a Gucci, Armani e outras marcas famosas. Esses Ultras são temidos em toda Europa pelo seu fanatismo e admirados pela sua devoção.
A dedicação desses torcedores extrapola a racionalidade, criando um estado de hedonismo. O hedonismo é uma doutrina moral criada pelos gregos que prega o prazer acima de qualquer coisa.
A UltrAslan protagoniza coreografias mirabolantes em quase todos os jogos. No entanto, partidas de rivalidade, ou contra clubes estrangeiros (especialmente os ingleses), chamam mais a atenção pelo show protagonizado pelos fanáticos.
Uma dessas "peças" é o famoso Welcome To Hell (bem-vindo ao inferno), que consiste numa meticulosa sucessão de movimentos e alegorias distintas. Primeiramente as luzes do estádio se apagam, os torcedores acendem seus sinalizadores (ou piscas), e num truque de luzes, a figura de um capeta enorme surge no gramado. Nisso, escuta-se uma multidão extremamente barulhenta urrando e levantando um mosaico gigante da UltrAslan atrás de um dos gols. Na arquibancada do centro, um bandeirão enorme é estendido com alguma mensagem de apoio aos jogadores, que ao saírem do túnel do vestiário vão se deparar com o bandeirão. Depois desse espetáculo todo, a torcida fica em silêncio, empunham os seus cachecóis e antes da bola rolar eles entoam o temível Cim Bom Bom e giram os cachecóis sem parar.
Pra efeito de causa, os torcedores do Galatasaray detêm o recorde mundial de maior barulho num estádio esportivo. Em 2011, os torcedores do Gala bateram o recorde dos torcedores do Besiktas e chegaram aos impressionantes 131.76 decibéis.
Porém, existe uma mancha nessa linda história de amor desses torcedores. Antes do primeiro jogo das semi-finais da antiga Copa da UEFA, hoje chamada de Europa League, entre Galatasaray e Leeds United-ING, houve uma das maiores tragédias do futebol moderno. Uma série de eventos catastróficos, desde arremessos de cadeiras até a briga de civis locais com os ingleses, culminou na morte de dois torcedores do Leeds.
Os dois garotos que morreram não estavam envolvidos em nenhum desses incidentes, porém, eles foram pegos por um torcedor do Galatasaray que estava furioso com a falta de respeito do restante dos torcedores do Leeds. Não deu outra, num país que cultua o poder da faca, dois jovens foram mortos após vários golpes fatais de uma faca empunhada por um torcedor do Cimbom. Os turcos afirmam até hoje que esse episódio só aconteceu em decorrência de uma das maiores ofensas que pode fazer à um turco: mostrar a bunda e rasgar a bandeira turca.
Desde o fatídico episódio, o clube turco entrou em sua pior fase financeira. A situação chegou ao ponto do Galatasaray ter lançado uma nota de falência. Porém, os mesmos torcedores que causaram aquele episódio de violência, foram ao resgate do clube. Liderados pela UltrAslan, os torcedores do Galatasaray, com a ajuda de alguns mercadores e empresários torcedores do clube, juntaram uma quantia de dinheiro mais do que suficiente para dar ao clube e assim livrá-lo da temida falência.
Hoje, o Galatasaray vive uma situação completamente diferente do que a de dez anos atrás. Com uma economia forte, o Cimbom se modernizou e inaugurou em 2011 o Turk Telecom Arena, um estádio com capacidade para 53 mil torcedores. Além da bela arena, o Galatasaray dispõe de um belo esquadrão de futebol, que atualmente conta com Drogba, Sneijder, Muslera e Yilmaz.
Na semana passada, precisamente no duelo contra o Schalke 04, em Gelsenkirschen-ALE, pela partida de volta das oitavas-de-final da Champions League, o Galatasaray venceu os alemães por 3x2 e conquistou a vaga para às quartas-de-final, onde enfrentará o Real Madrid. Porém, além da bela partida do clube turco, o que chamou a atenção foi a legião de torcedores turcos que invadiram a Alemanha.
Tudo bem, é fato que os turcos na Alemanha são como os mexicanos nos Estados Unidos, mas além do vigoroso número de torcedores do Cimbom na Veltins Arena, houve um fato curioso digno desse hedonismo dos fãs do Galatasaray.
Segundo Horst Heldt, diretor esportivo do Schalke, torcedores sem ingresso do Galatasaray tentaram cavar um túnel com as próprias MÃOS, literalmente, para tentar entrar na surdina e acompanhar o seu amado clube.
Após a partida, os fãs que viram de perto essa classificação do clube turco rumaram para o aeroporto de Gelsenkirschen e ascenderam sinalizadores para demonstrar todo o seu orgulho no embarque dos jogadores. No desembarque em Istambul, milhares de outros torcedores do Galatasaray já esperavam os herois no aeroporto para saudá-los com seus cantos de guerra mais famosos.
Se você pensa que o amor dos torcedores do Galatasaray se resume apenas às partidas de futebol da equipe, você se enganou terrivelmente. Não importa o esporte, a UltrAslan sempre vai levar uma legião pro ginásio, estádio ou piscina (!).
Se o amor pelo clube já é algo lindo, ser hedonista por ele chega a dar inveja. Os torcedores do time do Palácio de Gálata realmente vivem essa doutrina.
Torcedores do Galatasaray fazendo um mosaico em 3D, na partida contra o Fenerbahce, na Turk Telecom Arena, em 22.04.2012.
Vídeo que demonstra as façanhas dessa torcida maravilhosa do Galatasaray. Inclusive o dia da quebra do record de decibéis.
Por último, um vídeo que mostra o "Welcome to Hell", realizado pelos fanáticos da UltrAslan.
O grupo de Ultras do Galatasaray, a UltrAslan, que tem um leão como símbolo, dita a moda dentro e fora do estádio. Os Ultras são tão populares e amados que a UltrAslan virou uma marca de roupa que rivaliza, na Turquia, com a Gucci, Armani e outras marcas famosas. Esses Ultras são temidos em toda Europa pelo seu fanatismo e admirados pela sua devoção.
A dedicação desses torcedores extrapola a racionalidade, criando um estado de hedonismo. O hedonismo é uma doutrina moral criada pelos gregos que prega o prazer acima de qualquer coisa.
A UltrAslan protagoniza coreografias mirabolantes em quase todos os jogos. No entanto, partidas de rivalidade, ou contra clubes estrangeiros (especialmente os ingleses), chamam mais a atenção pelo show protagonizado pelos fanáticos.
Uma dessas "peças" é o famoso Welcome To Hell (bem-vindo ao inferno), que consiste numa meticulosa sucessão de movimentos e alegorias distintas. Primeiramente as luzes do estádio se apagam, os torcedores acendem seus sinalizadores (ou piscas), e num truque de luzes, a figura de um capeta enorme surge no gramado. Nisso, escuta-se uma multidão extremamente barulhenta urrando e levantando um mosaico gigante da UltrAslan atrás de um dos gols. Na arquibancada do centro, um bandeirão enorme é estendido com alguma mensagem de apoio aos jogadores, que ao saírem do túnel do vestiário vão se deparar com o bandeirão. Depois desse espetáculo todo, a torcida fica em silêncio, empunham os seus cachecóis e antes da bola rolar eles entoam o temível Cim Bom Bom e giram os cachecóis sem parar.
Pra efeito de causa, os torcedores do Galatasaray detêm o recorde mundial de maior barulho num estádio esportivo. Em 2011, os torcedores do Gala bateram o recorde dos torcedores do Besiktas e chegaram aos impressionantes 131.76 decibéis.
Porém, existe uma mancha nessa linda história de amor desses torcedores. Antes do primeiro jogo das semi-finais da antiga Copa da UEFA, hoje chamada de Europa League, entre Galatasaray e Leeds United-ING, houve uma das maiores tragédias do futebol moderno. Uma série de eventos catastróficos, desde arremessos de cadeiras até a briga de civis locais com os ingleses, culminou na morte de dois torcedores do Leeds.
Os dois garotos que morreram não estavam envolvidos em nenhum desses incidentes, porém, eles foram pegos por um torcedor do Galatasaray que estava furioso com a falta de respeito do restante dos torcedores do Leeds. Não deu outra, num país que cultua o poder da faca, dois jovens foram mortos após vários golpes fatais de uma faca empunhada por um torcedor do Cimbom. Os turcos afirmam até hoje que esse episódio só aconteceu em decorrência de uma das maiores ofensas que pode fazer à um turco: mostrar a bunda e rasgar a bandeira turca.
Desde o fatídico episódio, o clube turco entrou em sua pior fase financeira. A situação chegou ao ponto do Galatasaray ter lançado uma nota de falência. Porém, os mesmos torcedores que causaram aquele episódio de violência, foram ao resgate do clube. Liderados pela UltrAslan, os torcedores do Galatasaray, com a ajuda de alguns mercadores e empresários torcedores do clube, juntaram uma quantia de dinheiro mais do que suficiente para dar ao clube e assim livrá-lo da temida falência.
Hoje, o Galatasaray vive uma situação completamente diferente do que a de dez anos atrás. Com uma economia forte, o Cimbom se modernizou e inaugurou em 2011 o Turk Telecom Arena, um estádio com capacidade para 53 mil torcedores. Além da bela arena, o Galatasaray dispõe de um belo esquadrão de futebol, que atualmente conta com Drogba, Sneijder, Muslera e Yilmaz.
Na semana passada, precisamente no duelo contra o Schalke 04, em Gelsenkirschen-ALE, pela partida de volta das oitavas-de-final da Champions League, o Galatasaray venceu os alemães por 3x2 e conquistou a vaga para às quartas-de-final, onde enfrentará o Real Madrid. Porém, além da bela partida do clube turco, o que chamou a atenção foi a legião de torcedores turcos que invadiram a Alemanha.
Tudo bem, é fato que os turcos na Alemanha são como os mexicanos nos Estados Unidos, mas além do vigoroso número de torcedores do Cimbom na Veltins Arena, houve um fato curioso digno desse hedonismo dos fãs do Galatasaray.
Segundo Horst Heldt, diretor esportivo do Schalke, torcedores sem ingresso do Galatasaray tentaram cavar um túnel com as próprias MÃOS, literalmente, para tentar entrar na surdina e acompanhar o seu amado clube.
Após a partida, os fãs que viram de perto essa classificação do clube turco rumaram para o aeroporto de Gelsenkirschen e ascenderam sinalizadores para demonstrar todo o seu orgulho no embarque dos jogadores. No desembarque em Istambul, milhares de outros torcedores do Galatasaray já esperavam os herois no aeroporto para saudá-los com seus cantos de guerra mais famosos.
Se você pensa que o amor dos torcedores do Galatasaray se resume apenas às partidas de futebol da equipe, você se enganou terrivelmente. Não importa o esporte, a UltrAslan sempre vai levar uma legião pro ginásio, estádio ou piscina (!).
Se o amor pelo clube já é algo lindo, ser hedonista por ele chega a dar inveja. Os torcedores do time do Palácio de Gálata realmente vivem essa doutrina.
18.3.13
Postado Por: TramaFC
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O renascimento do Calcio
Há duas temporadas veio uma notícia que evidenciava a decadência do futebol italiano, o popular Calcio. Devido ao fraco desempenho da Azzurra, seleção nacional, e dos clubes italianos em competições como Champions League e UEFA Champions League (atualmente Liga Europa), o Calcio perdeu uma vaga para a ascendente (e contundente) Bundesliga. No ranking da UEFA, a Alemanha superou a Itália e acabou tirando-lhes uma vaga para as competições internacionais.
A decisão da UEFA foi acertada, porém, essa decisão mexeu com o brio dos italianos. O orgulho de uma nação sobre um esporte em que outrora era temida já deixou de existir há algum tempo. Vários fatores contribuíram para essa derrocada do Calcio, no entanto, dois são bem claros.
O primeiro fator, e talvez mais importante, é a grande dívida dos clubes italianos com bancos e jogadores. Nos anos 90, o Calcio era o campeonato mais importante do planeta. Nele havia o Milan dos holandeses Rijkaard, Van Basten e Gullit, a Juventus de Nedved e Zidane, a Internazionale do Ronaldo e a Roma do Totti e Batistuta. Os diretores desses clubes esbanjavam dinheiro em contratações, e muitas delas vinham a granel, ocasionando no déficit bancário.
O segundo fator, que é uma consequência do primeiro, foi a desvalorização dos jogadores italianos. A gastança na contratações de jogadores fez com que abertura do mercado para os estrangeiros fosse completamente absurda. Graças a esse fenômeno, deixou-se de lado a valorização do mercado nacional, restando apenas jogadores italianos com idade bastante avançada.
O duro golpe no ego italiano, que é muito forte diga-se de passagem, foi sentido já na temporada passada quando a Juventus conquistou o Calcio de maneira invicta. A Velha Senhora, com um time recheado de jogadores italianos e uma maneira muito clara de se jogar futebol, faturou o troféu merecidamente num campeonato marcado pelo cerceamento à alguns gigantes, caso da Inter e da Roma que obtiveram desempenhos pífios.
No entanto, como o futebol é algo inexplicável, a Azzurra conseguiu chegar até a final da Eurocopa, contra a Espanha, num dos maiores momentos de turbulência de sua história. Uma das primeiras coisas que aprendi quando criança foi que nós jamais devemos duvidar de seleções como a do Brasil, Alemanha e, especialmente, a da ITÁLIA. Talvez seja o espírito gladiador, ou talvez seja o peso da camisa, mas jamais, em hipótese alguma, duvido do que os italianos são capazes de fazer no futebol.
A partir de então, o futebol italiano cravou suas esperanças novamente em suas raízes futebolísticas, em sua tradição de grandes jogadores. Ficou nítido para os italianos de que algo precisava ser feito para mudar o desastre que eles mesmo tinham criado.
O que ficou claro nesta temporada do Calcio fora a percepção dos italianos de que eles já não podem mais arcar com grandes nomes e assim gastar o dinheiro que não têm. Clubes como Juventus, Napoli e Lazio perceberam antes dos demais que era necessário apostar em jogadores jovens e baratos visando um lucro futuro. Tal perspicácia deu aos três clubes o primeiro, segundo e terceiro lugares no topo da Serie A até o momento.
A Juventus, campeã da temporada passada, apostou mais nos jogadores desconhecidos das grandes praças (Bonucci, Marchisio, Giaccherini, Vidal, Lichsteiner e Matri, por exemplo) do que em medalhões. A única exceção foi Andrea Pirlo, um gênio do futebol que estava em baixa no Milan, que encaixou como uma luva e renasceu no time de Turim. Além dos desconhecidos e do Pirlo, a Juve contratou bons e novos valores para o seu elenco, caso do vigoroso volante Kwadwo Asamoah (24 anos e ex-Udinese), do promissor Paul Pogba (19 anos e ex-Manchester United) e do potente volante/lateral Mauricio Isla (24 anos e ex-Udinese). Para fechar o ciclo, a Juventus apostou mais uma vez no talento de Sebastian Giovinco, apontado desde 2006 como o novo Roberto Baggio, que fora recontratado do Parma.
O Napoli, que ascendeu junto com a Juventus em 2006/2007 da Serie B, vem realizando um trabalho de reconstrução da marca desde então. Até a temporada de 2009/2010, o Napoli oscilava entre a 6ª e 10ª colocação, e partir de 2010/2011, quando conseguiu terminar na honrosa 3ª colocação, ficou evidente o ótimo trabalho napolitano com seu plantel que pouco mudou desde o acesso. O marco para essa mudança foi a contratação do excelente atacante Edinson Cavani, que veio do Palermo após o uruguaio ter dado um show no Sulamericano Sub-20 de 2008. Além do atacante uruguaio, o argentino Lavezzi (atualmente no PSG) contribuiu fortemente para que os napolitanos. Mas atendo-se ao plantel atual, existe um jogador que pouco chama atenção da mídia, mas que tem uma importância colossal para o ex-time de Maradona: Marek Hamsik, eslovaco de 25 anos. Hamsik joga em todas as posições do meio-de-campo. Outros componentes desse forte time são: Maggio, Zuñiga (destaque do Nacional-COL na Libertadores de 2008), Inler e o jovem Insigne, cuja categoria se equivale à sua sorte.
Já a Lazio, time de extrema-direita da capital da Bota, conquistou o seu último Scudetto em 1999/2000 num time que ainda jogavam Nedved, Mendieta e Inzagghi. Desde então, a Águia da Capital alçou vôos modestos até a temporada retrasada quando conseguiu a 4ª colocação. A Lazio, assim como o Napoli, pouco mexeu no seu plantel durante esse período. Aliado aos "senattores" (como são chamados os jogadores de bastante tempo de casa) Mauri, Radu, Brocchi, Floccari e do craque Cristian Ledesma, os novatos Hernanes, Fernandez, Kozak, Ciani e Konko, ditam o ritmo do time. Se pararmos para analisar friamente o time da Lazio, nota-se que o time possui muitos jogadores experientes e até mesmo os novatos não são tão novos assim. Porém, o que encorpou mesmo o time da capital foram as contratações cirúrgicas de alguns jogadores desvalorizados e "velhos", casos do excelente centroavante Miroslav Klose, e do francês Louis Saha, ambos com 34 anos. Outro ponto de destaque fora a contratação do bósnio Senad Lulic, 27 anos, que foi contratado a pedido do treinador Vladimir Petkovic (que recebe apenas £$ 80 mil e faz um trabalho fantástico) após terem trabalhado juntos no Young Boys-SUI.
Além desses três clubes citados, outros times estão dando o que falar por terem se adaptado à nova realidade do Calcio. Um desses clubes é a Fiorentina, time comandado por Vicenzo Montella (aquele mesmo que jogou na Roma) e que pratica um futebol atrevido, que por muitas vezes não é atribuído ao estilo italiano de jogar futebol. O time é muito jovem e possui ótimas promessas como Stephan Jovetic, Juan Cuadrado e Adem Ljajic. O time de Firenzi contratou o excelente Guiseppe Rossi, ex-Villareal, nessa janela de inverno e promete brigar de igual para igual contra os três primeiros. A Viola encontra-se na 6ª posição, atrás de Inter e Milan, 4° e 5° colocados respectivamente.
Neste sábado, inicia-se a rodada 24 da Serie A, que promete ser a mais exuberante (tanto é que serviu de inspiração para esse post) dos últimos anos. O primeiro jogo da rodada é simplesmente o confronto entre a líder Juventus contra a Fiorentina, às 15h. Depois, às 17h25, Lazio e Napoli se enfrentam no Olimpico de Roma.
Sem querer desmerecer os jogos de domingo, mas esses dois embates são imperdíveis justamente pela proximidade da Juventus para o Napoli, que é de três pontos, do Napoli para a Lazio, que é de seis pontos, e da Lazio para a Fiorentina, que é de quatro pontos. Os eternos rivais Inter e Milan, que possuem os mesmos 40 pontos, enfrentam Chievo (12°) e Cagliari (16°) respectivamente, no domingo, e podem finalmente encabeçar uma luta pela UCL.
Portanto, durante a rodada 24 do Calcio poderemos ter uma mudança desde o primeiro colocado até o quinto colocado da tabela. Juntando todos os fatores que implicaram nessa nova mentalidade italiana, nesse futebol agradável de se ver e nessa disputa acirradíssima pelo Scudetto, Champions League e Liga Europa, podemos dizer que finalmente estão tratando o Calcio com o devido respeito com o qual eu sempre tive desde criança. Grazie, inflazione!
9.2.13
Postado Por: TramaFC
