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O fenômeno "El Niño"

Segundo a meteorologia, os fenômenos "El Niño" são alterações significativas de curta duração na distribuição de temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico, que reflete profundamente no clima. O "El Niño" acontece irregularmente em intervalos de 2 a 7 anos, os ventos sopram com menos força em todo o centro do Oceano Pacífico, resultando numa diminuição da ressurgência de águas profundas e na acumulação de água mais quente que a normal na costa oeste da América do Sul e na diminuição na população de peixes.

Você provavelmente lembra dessa matéria quando tinha que estudar para a prova de geografia no ensino fundamental e, provavelmente, deve estar se perguntando o que isso tem a ver com futebol. Os mais sagazes e viciados em futebol já devem ter sacado ou lembrado do nosso querido Fernando "El Niño" Torres, que voltou para o Atlético de Madrid, que, assim como o fenômeno meteorológico, é um caso bastante peculiar.

Como todos sabem, a carreira do atacante espanhol não está muito boa atualmente. Esse pequeno eufemismo foi mais em respeito à carreira do jogador do que a realidade condiz, pois a verdade é que a fase do "El Niño" é realmente péssima. Nessa temporada, antes de ser repassado por empréstimo do Milan para o Atlético de Madrid, Torres possuía apenas UM gol em DEZ jogos realizados com a camisa rossonera (o certo seria rossoneri, mas como já é comum no Brasil essa grafia, vamos lá). Aos 30 anos de idade, o espanhol encontra-se num dilema, pois, ao contrário do apelido, ele já não é mais nenhum menino e as chances de reencontrar a glória vão ficando cada vez mais escassas.

No entanto, o que levou o menino prodígio do Atlético de Madrid a chegar nesse patamar tão inócuo? Será que ele nos enganou perfeitamente por quase uma década com grandes atuações com as camisas de Atlético de Madrid e Liverpool? A mudança repentina na carreira do jogador só não é mais cruel do que as piadas que ele sofre atualmente dos torcedores rivais (e às vezes até daqueles que deveriam o apoiar).

Entretanto, teve um momento importante que serviu como um divisor de água na carreira do atacante espanhol: a transferência do Liverpool para o Chelsea, na temporada de 2010/2011, por 58 milhões de euros (20 milhões a mais do que o Liverpool pagou para tirar o jogador do Atlético de Madrid, na temporada de 2007/08), no mercado de verão da Europa. Na época, a transferência do Torres era considerada a maior da história do futebol inglês, justificada pela excelente fase do jogador que vinha de quatro temporadas espetaculares com o Liverpool, sendo, em alguns momentos, mais importante até do que o Gerrard, lenda viva dos Reds. As cifras assustadoras depositadas na contratação do jogador só não foram maiores do que o choque causado pela decisão do jogador em trocar de clube na Inglaterra. Torres fora cortejado por inúmeras equipes, inclusive o Real Madrid, enquanto vivia um caso de amor de platônico com o Liverpool. Ele fora terceiro colocado nas Bolas de Ouro da France Football, FIFA (não eram unificadas na época) e World Soccer, em 2008, além de ser o artilheiro da seleção espanhola (na época), campeão do mundo com a Fúria em 2010, na África do Sul, artilheiro da Premier League em 2007/08, jogador mais jovem a vestir a braçadeira de capitão do Atlético de Madrid, com 19 anos, em 2001, e vários outros recordes e títulos coletivos com a seleção espanhola, Atlético de Madrid e Liverpool. Tudo foi pelo ralo no Chelsea. Justamente quando o patamar havia sido elevado.


Essa foi a última vez em que Fernando Torres foi visto como um grande atacante do futebol internacional.
Torres tinha tudo para ser um dos grandes atacantes do futebol mundial atualmente. Por mais ou menos 8 anos, o espanhol, em grande fase, demonstrava muita velocidade, vigor físico, precisão nas finalizações, dribles certeiros e cabeceamento perfeito (como era legal ver o Torres cabecear as lindas bolas invertidas pelo maestro Steven Gerrard). A pressão exercida devido ao alto valor investido na contratação do espanhol foi nociva para o desempenho do atacante, que nem de longe desempenhou o mesmo papel de outrora com a camisa azul do Chelsea. Após quatro temporadas e meia com os Blues, Fernando Torres atuou em 117 partidas e marcou apenas 46 gols, média fraquíssima para um jogador desse calibre.

No entanto, zueira se instaurou na carreira de Torres não apenas por causa do seu fracasso no clube londrino, mas também porque existia uma grande rivalidade  entre Liverpool e Chelsea na época em que ele fora contratado pelo time de azul. Desde que fora contratado pelo Liverpool até o dia em que ele trocou os Reds pelos Blues, Liverpool e Chelsea se enfrentaram inúmeras vezes, especialmente na Liga dos Campeões, com jogos épicos e resultados surpreendentes. Além disso, adicione a raiva que todos os torcedores ingleses têm pelo dinheiro de Roman Abramovich, dono do Chelsea, e o sucesso retumbante do sucessor do "El Niño" no Liverpool, o espetacular Luís Suarez, que atuou em 125 partidas pelos Reds e marcou 82 gols. Vale lembrar que tanto Torres quanto Suarez chegaram ao mesmo tempo em suas respectivas equipes e saíram coincidentemente na mesma janela de transferências. Outro detalhe importante fora a estréia de Fernando Torres, contra o próprio Liverpool, em Stamford Bridge, casa do Chelsea, numa partida em que o adversário dominou o dono da casa e saiu vencedor pelo placar de 1x0.


Muito se fala na Inglaterra que um dos motivos do insucesso do espanhol pelo Chelsea foi uma praga rogada pelos torcedores do Liverpool contra o atacante. Parece que funcionou...

Desastres acompanharam a vida do "El Niño" nos anos subsequentes desde a transferência para o Chelsea, como a perda da titularidade na seleção espanhola (ficou de fora de algumas convocações, mas acabou sendo convocado para o Mundial no Brasil, em 2014), por exemplo. Todos os elementos radioativos que compunham a conturbada mudança de ares do jogador acabaram infectando aquele que um dia foi um espetacular definidor de jogadas e partidas. Torres foi do céu ao inferno quando aceitou receber mais para sair do Liverpool para ganhar mais títulos e, desde então, nunca mais foi o mesmo. A falta de confiança era nítida.

Todavia, a sorte voltou a sorrir novamente para o lado de Fernando Torres. Cansados devido ao baixo rendimento do atacante em campo, o Milan aceitou a proposta do Atlético de Madrid, clube de coração do "El Niño", para liberar o jogador por empréstimo de um ano e meio em troca do italiano Alessio Cerci, que não se adaptou ao clube espanhol. Torres, que sempre transpareceu uma imagem gélida tanto para marcar gols quanto para com Chelsea e Milan, algo completamente diferente dos tempos em que era Colchonero, quando comemorava e participava com uma vontade louvável. Aliás, esse caso é bastante parecido com o do Alexandre Pato, atualmente no São Paulo.

Após sete anos e meio, "El Niño" está de volta ao Vicente Calderón, onde é ídolo e talvez um dos únicos lugares do mundo onde ele ainda é extremamente respeitado. Herói na campanha do acesso do Atlético de Madrid na segunda divisão, na temporada 2001/2002, quando conquistou o título para os Colchoneros, Torres receberá mais uma chance para voltar a ser aquele grande jogador que atuou em altíssimo nível por Atlético de Madrid e Liverpool por quase uma década. A negociação, a primeira instância, parece um tiro no pé do clube Colchonero, que já conta com o ótimo Mario Mandzukic, ex-Bayern de Munique, como camisa 9. O croata se adaptou rapidamente ao estilo de jogo do Simeone no Atléti, além de estar marcando muitos gols pelo clube. Contudo, sua boa fase fez acender um sinal de alerta no clube, pois o Manchester City pretende contratá-lo para substituir os inúmeros atacantes lesionados nessa temporada. São muitos detalhes envolvendo a troca do Torres e a opção do jogador, mas uma coisa é certa: todo o apoio que o Niño receberá de volta à sua casa pode transformar a carreira desse "ex-grande centroavante em atividade", e espera-se que a péssima fase do atacante tenha encontrado um fim depois que os bons ventos futebolísticos se tornaram escassos, assim como acontece com o fenômeno meteorológico que recebe o mesmo apelido que o espanhol.


Torres, jovem e capitão do seu time de coração, nos tempos áureos no Atlético de Madrid. Será que ele volta a ser o que era antes?

Você teve o que mereceu

A culpa não é do estardalhaço que foi feito sobre a lesão que tirou o Neymar da partida contra a Alemanha. Muito menos do Zuñiga. A culpa não é do Thiago Silva, que foi juvenil demais ao chutar a bola no gol após o apito do juiz contra a Colômbia. A culpa não é da Dilma. Muito menos depois do "É Tóis". A culpa não é do Bernard. A culpa não é das estrelas também. Afinal, o que menos tinha nessa seleção contra a Alemanha era uma estrela.

No dia 30 de junho de 2002, o futebol brasileiro erguia seu último caneco após vencer a Alemanha por 2x0 na Copa da Coréia/Japão. Entretanto, essa data reserva dois acontecimentos distintos que infligiram diretamente na maior derrota da história do futebol brasileiro, no dia 8 de julho de 2014, doze anos após o pentacampeonato.

Mesmo antes de começar o campeonato mundial de seleções de 2002, os alemães já maturavam a ideia de revolucionar o futebol que estava sendo praticado por sua seleção. Cansados de depender da força física e da habilidade de um ou outro jogador, os responsáveis pelo futebol alemão sentenciaram que independente do resultado da Mannschaft no continente asiático haveria uma mudança de filosofia. O resultado adverso contra o Brasil na final foi aquele puxãozinho necessário para qualquer tipo de mudança. E ela veio.

Ainda sobre o dia 30 de junho de 2002, ressalta-se que o Brasil penou para classificar-se para o Mundial. O Brasil terminou em TERCEIRO lugar nas eliminatórias daquela Copa, atrás do EQUADOR e empatado com o PARAGUAI, quarto colocado. Vale lembrar que durante toda a "preparação", o Brasil teve Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão como treinadores (falharam copiosamente em tudo que tentaram fazer). Luís Felipe Scolari só foi tomar as rédeas faltando alguns jogos para o fim das eliminatórias e com o Brasil correndo risco de ficar de fora do Mundial. A única coisa que o treinador poderia fazer na ocasião era dar moral ao time (talvez sua única qualidade enquanto treinador de futebol), e foi o que ele fez. Esse sufoco seria o suficiente para colocar a mão na consciência e remodelar o futebol no Brasil, certo? Que nada, foi nas coxas mesmo. O Brasil não era favorito ao título, mas ao menos tinha Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho, Cafu e Roberto Carlos para segurar o rojão. Com várias ajudas da arbitragem e com uma moral que foi crescendo ao longo da Copa (normal quando se trata de uma seleção pesada quanto era a do Brasil) o título acabou ficando conosco.

O que era inimaginável acabou acontecendo no futebol brasileiro. Instaurou-se subitamente no imaginário do brasileiro que a raça e a superação eram essenciais e mais importantes que, vejam só, a TÉCNICA e a TÁTICA, artigos que ajudaram o Brasil a ser o que ele deixou de ser hoje. Esse pensamento foi envenenando o futebol brasileiro de tal forma que times que jogavam pra frente, com jogadores alegres, eram tachados de irresponsáveis e que seriam incapazes de ganhar algo.

O título de 2002 não ocasionou a derrocada do futebol brasileiro, a raça e a superação fazem parte do futebol, mas você não pode tratá-las como prioridade. A cartilha básica do futebol sempre mostrou que o time que joga bem, que entende o jogo e se adapta à ele, vence com frequência. O Brasil entendeu errado.

De 2002 pra cá, a Alemanha revitalizou seu futebol criando academias de futebol, incentivando o aprimoramento dos fundamentos básicos nas categorias de base para desenvolver jogadores habilidosos, insinuantes e técnicos. Todos os jogadores alemães que enfrentaram o Brasil sabiam exatamente o que fazer em campo, pois eles tem conhecimento técnico sobre o jogo.

A visão tática também mudou com os treinadores que deixaram de explorar exclusivamente a força física. O maior desejo do alemão era jogar bonito igual o Brasil e, espertamente, eles perceberam que isso é questão de treino e planejamento. O resultado disso tudo foi o massacre no Mineirão, no dia 8 de julho de 2014.

Enquanto o mundo inteiro evoluía no futebol, o Brasil, em sua arrogância, estagnou achando que a camisa seria a sua salvação, que a raça - que todos tanto adoram - seria capaz de salvar o parco futebol que já era jogado no Brasil há, mais ou menos, 15 anos. O futebol ultrapassado, insignificante e sórdido perpetuado por um treinador igualmente obsoleto, que ganhou uma Copa quando os favoritos ao título caíram precocemente contra seleções fortes.

A arrogância começou com Carlos Alberto Parreira e Felipão, que já davam como certo o título tupiniquim e que fora consumado com o slogan patético no ônibus da CBF que dizia "Preparem-se! O hexa está chegando". Enquanto isso, seleções superiores a seleção brasileira usavam slogans de verdade, de orgulho, como o da própria Alemanha (Um país, um time e um sonho), dos hermanos (Não somos um time, somos um país) e da Holanda (Homens de verdade vestem laranja) só para ficar entre as equipes que se classificaram para a semi-final.

O slogan fica irrisório quando se olha para a campanha verde-amarela, que dependeu exclusivamente do Neymar para se classificar na fase de grupos. Depois, nas oitavas e quartas-de-final, contra duas ótimas seleções dessa nova safra de um futebol taticamente moderno, o Brasil sofreu demais e passou graças ao respeito demasiado de ambas pela camisa pentacampeã do mundo. Contra a Alemanha, uma seleção igualmente pesada, a técnica e a tática superaram qualquer arrogância e devaneio brasileiro. E agora ficou escancarado que o futebol brasileiro necessita de uma mudança tão rápida quanto os 5 gols que a Alemanha ensacou nas redes de Julio César.

O povo brasileiro não merecia tal humilhação que sofrera contra a Alemanha, porém, ela possui uma parcela de culpa nesse cenário futebolístico brasileiro. A cultura do futebol em nosso país é tosca, bem infantil. É lógico que existem milhares de torcedores brasileiros apaixonados por futebol, que respiram e enxergam os meandros do jogo de forma diferente da maioria. No entanto, o brasileiro "comum" não gosta de torcer, ele gosta de vencer. O torcedor "comum" exige raça ao invés de técnica antes mesmo do jogo começar. O torcedor "comum" abandona o estádio quando o time está sendo goleado. O torcedor "comum" não gosta de cantar e apoiar seu time/seleção. Foi isso que fez o Brasil perder para a Alemanha? Não, mas também não ajudou a melhorar o emocional dos jogadores, os menos culpados pela derrota.

A catástrofe pode, e deve, aposentar uma geração de "Felipões" e sargentões que são taxados como grandes treinadores num país que era notabilizado pela alegria e despojamento na maneira como pratica o futebol. Táticas manjadas e antigas como chuveirinho constante e sistemas que dependem de um único jogador precisam ser banidas do futebol brasileiro. Seja o Bielsismo, Tiki-taka, futebol total e etc. Não importa o conceito, o que importa é que o Brasil precisa jogar bola, ao invés de esperar por um lampejo de talento ou por um momento de superação.

A CBF, maior vilã pelo escárnio que é o futebol brasileiro, precisa ser sitiada, demolida, reconstruída e curada desses sangue-sugas que tanto exploraram, de maneira negativa (chegaram ao ponto de barrar o Cafu no vestiário da seleção e liberaram o Luciano Huck num treinamento da mesma), o caquético futebol nacional. Uma liga forte, com incetivos aos jovens jogadores e TREINADORES, além da adoção de um fair play financeiro. Isso demora, mas é mais do que necessária para um cenário apocalíptico que estamos vivendo. A filosofia tem que mudar. Se nós copiamos tantas coisas ruins de outros países, porque não copiar uma coisa tão bem-feita quanto a dos alemães? Por que não admitir que está tudo errado? Por que não mudar? Se a Argentina mudou, por que não nós? Perder faz parte, mas perder jogando bola é muito melhor. Raça é legal, mas é muito melhor ganhar jogando bem.

Esse grande machucado na história do futebol brasileiro foi feito por uma seleção que teve que cicatrizar suas grandes feridas, que inclusive perdeu uma semi-final em casa, na Copa de 2006. Ela melhorou, aprimorou suas capacidades, tanto técnica quanto filosófica, e hoje é exemplo para um país destruído. Eles, inclusive, tiveram clemência por uma país que eles adoram (é só você acompanhar todo o noticiário que envolve os alemães), com pedidos sinceros de desculpas pelo estrago que fizeram na seleção e com um povo, que em grande escala, ama a melhor invenção do homem.


A maior derrota brasileira em Copas do Mundo.

Além da sapatada, o Brasil viu a Alemanha quebrar três recordes relacionados seus: Klose ultrapassou Ronaldo como o maior artilheiro em Copas do Mundo. A Alemanha ultrapassou o Brasil como melhor ataque em Copas. A Alemanha ultrapassou o Brasil em finais de Copas do Mundo.



A ascensão do soccer

Ao contrário do que muitos imaginavam, a Copa do Mundo no Brasil está servindo para abrir os olhos dos brasileiros para fatos que se consumavam enquanto a população teimava em ignorar.

Um desses fatos que chamou atenção foi a compra de ingressos para os jogos da Copa. Um país, cuja existência perturba metade da população brasileira, foi responsável por comprar mais de 185 mil ingressos para a Copa, sendo que ao todo mais de 90 mil torcedores desembarcaram em terras brasilis para acompanhar sua seleção. Não, não é a Argentina.

Os Estados Unidos ignoraram o futebol por tanto tempo que outros países mais habituados à bola redonda começaram a desdenhar da capacidade americana de gostar do esporte-rei. Como o futebol é o esporte mais praticado e famoso no mundo, era questão de tempo que a febre chegasse na terra da bola oval. E ela chegou.

No final da década de 1970, Pelé deu o primeiro passo para que a bola redonda quicasse nos gramados americanos quando trocou o Santos pelo New York Cosmos com a pretensão de que, juntamente com Beckenbauer e Chinaglia (e posteriormente Carlos Alberto Torres), pudesse promover o esporte no país. A aventura durou pouco e não fora bem aceita pelos americanos, que relutavam fortemente contra o esporte que era taxado de "anti-patriota". Naquela época, por mais estrelas que os americanos importassem de outros clubes, pouco adiantaria já que a relutância era tremenda contra algo marcado na cultura de outros países. Vale dizer anteriormente os norte-americanos eram muito mais patriotas do que agora (muito se atribuiu à ignorância e falta de estudo, especialmente em regiões cuja escolaridade não era boa).

Entretanto, alguns entusiastas do futebol não desistiram da terra do Tio Sam para o futebol. A Copa de 1994 é o grande exemplo de como uma cultura pode ser alterada quando o patriotismo é revertido. Como a Copa era na casa deles, os americanos se sentiram na obrigação de fazer um bom papel, ou ao menos torcer pela seleção deles. Como o futebol estava apenas engatinhando por lá, seleções como Alemanha e Brasil caíram no gosto dos ianques. E esse foi o estopim para que uma nova cultura fosse implantada nos EUA, mesmo que bem timidamente.

Disputando Copas do Mundo ininterruptamente desde 1990, na Itália, os Estados Unidos foram evoluindo no futebol graças a importação de treinadores brasileiros, holandeses, alemães e italianos para as categorias de base. Como muitos dos "antigos" americanos já estavam velhos demais para reclamar em 1994, uma nova geração de torcedores foi crescendo por lá e, paralelamente, outro fenômeno foi se intensificando no cenário americano.

As grandes ligas americanas (MLB, NBA e NFL) passaram por uma revolução brutal desde suas criações até o final da década de 1990. O beisebol, que um dia já foi chamado de "o passatempo favorito dos americanos", caiu em desgraça depois de tantas denúncias de dopping, manipulação de resultados e descalabro com o dinheiro (o abismo financeiro entre New York Yankees com o restante das equipes era bizarro, não tinha graça), fazendo com que muitos jovens perdessem o gosto pelo jogo. A NBA também sofreu com a diminuição de popularidade por causa do dopping e do predomínio de Los Angeles Lakers e Boston Celtics nas finais (quando não era um o campeão era o outro). Sobrou apenas para a NFL, que deixou de ser o terceiro para ser o primeiro graças à uma visão financeira e esportiva de igualdade (as posições no draft, teto salarial e controle excessivo no anti-dopping). Uma invenção americana, a franquia, também contribuiu para o insucesso da MLB e NBA em relação à NFL, que é muito mais rigorosa com isso. Hoje, o passatempo do americano é o futebol americano.

Como a globalização é massiva, e aquele projeto que se iniciou em 1994, os jovens americanos começaram a praticar mais o futebol da bola redonda em escolinhas de futebol. O crescimento ainda é desigual por lá, porém, existem cidades onde a interação é muito mais intensa, como Seattle por exemplo. Eles perderam o seu maior orgulho no começo dessa década, o Seattle SuperSonics (time de basquete), para Oklahoma (virou o Thunder) por motivos políticos da NBA, justamente na época em que o "soccer" estava ficando em evidência nos EUA. Hoje, existe um ódio supremo por lá com a NBA e todos os fãs do basquete dessa cidade se voltaram para as outras duas equipes da cidade, o Seattle Seahawks (time de futebol americano, atual campeão do Super Bowl) e Seattle Sounders (tricampeão da Taça dos Estados Unidos - 2009, 2010 e 2011), que jogam no estádio mais barulhento do mundo (o pessoal de Seattle ultrapassou a barreira do som TRÊS VEZES em 2013, sendo duas vezes com o Seahawks e uma com o Sounders). Ainda impera entre os americanos o desejo de torcer por aquilo que vale a pena, pois como é dá natureza deles de só torcer para aquilo que tem chance de vencer, mas também é da cultura do americano gostar de esportes, de serem extremamente competitivos e orgulhosos. Quando eles perceberam que havia algo de bom acontecendo no futebol deles, o apoio começou a aumentar e aumentar sem parar. Atualmente, a MLS (Major League of Soccer - liga americana) tem uma média de público bastante superior a do Brasileirão.

Pesquisas revelaram que o "soccer" já está empatado com o beisebol e já ultrapassou o hóquei na preferência dos americanos. Entre os jovens, o "soccer" já é superior ao beisebol, sendo que a venda de camisas oficiais nos EUA é superior as que são vendidas no Brasil e Argentina juntas. O jogo entre Estados Unidos e Portugal, no domingo passado, bateu o recorde de audiência no ano da TV americana, superando até a média das finais da NBA entre Miami Heat e San Antonio Spurs. Mais de 24 MILHÕES de televisores ligados na partida que terminou empatada por 2x2 e mais de 500 MIL STREAMINGS na internet foram rastreados de cidades americanas. Em 2010, mais americanos assistiram a final entre Espanha e Holanda (24.3 milhões) do que a final da MLB entre Texas Rangers e San Francisco Giants (15 milhões), lembrando que naquela Copa os EUA foram eliminados por Gana nas oitavas-de-final.

Aliados à um bom futebol mostrado pelos americanos, com bastante toque de bola e compreensão tática, a presença maciça de americanos no Brasil para ver essa boa seleção de Klinsmann pode ser explicada pela preferência da juventude americana (que está de férias) por um esporte mais emocionante e imprevisível (e mais justo em relação beisebol e ao basquete). Times como Lakers, Celtics, Raiders, Yankees e Trailblazers foram perdendo espaço para Los Angeles Galaxy, Seattle Sounders, Sporting KC, Portland Timbers e Real Salt Lake, que desenvolveram um bom futebol e um belíssimo apoio das arquibancadas. Torcedores fanáticos dos Sounders e Timbers levaram os americanos a criar os AMERICANS OUTLAWS (Americanos Fora-da-lei) para apoiar a seleção, com gritos de guerra e mosaicos.

Em alguns lugares dos EUA a atmosfera durante um jogo da seleção pode ser facilmente confundida com a dos tempos do Dream Team de Michael Jordan e cia durante o auge do basquete, ou até com uma final de conferência no futebol americano. No entanto, parques, bares, escolas, ginásios e centros comunitários armam telões, fecham ruas e até as decoram para assistir os ianques desbravando uma terra que eles admiram muito (no futebol). Parece com a gente, não? Durante a semana, antes da partida contra a Alemanha, foi veiculada uma notícia de que os americanos pediram ao Obama que declarasse feriado nacional para que todos pudessem acompanhar a partida, já que o fuso horário para algumas cidades americanas chegaria a 4 ou 5 horas de diferença para o horário oficial do jogo, que foi às 13:00. Apesar do Obama ser fã declarado do esporte, o presidente resolveu não declarar feriado nacional, o que não impediu que muitos americanos parassem o que estavam fazendo para assistir o duelo que classificou a seleção novamente para a segunda fase da competição mais importante entre confederações do mundo.

Poucos países que possuem uma liga profissional de futebol evoluíram tanto e transformaram uma nação como o futebol fez nos Estados Unidos durante as últimas duas décadas. É claro que, apesar da nítida evolução, existam pessoas nos EUA que não veem com bons olhos um esporte que pode terminar sem gols ou, pior, num empate. Na visão do americano provinciano que ainda não "comprou" o esporte, esses são os motivos para o "soccer" não derrubar de vez outros esportes, cuja probabilidade de terminar sem uma pontuação, ou num empate, é quase zero. Parece bobo para nós, habituados a torcer por um 0x0 salvador, acreditar que isso seja uma justificativa de uma pessoa patriota.

Entretanto, os americanos adotaram o futebol como um esporte digno de se torcer. Vai ser comum à partir de agora vermos americanos chorando com um empate (se for sem gols, pior ainda), é assim jeito deles. É claro que muitos torcem pela vitória, mas, apesar de ser alvo de críticas, o patriotismo faz com que muitos expectadores da seleção norte-americana torçam para Dempsey e cia sem ao menos serem fãs de verdade do esporte, pois trata-se do país deles que está lá jogando numa terra completamente diferente da qual eles amam muito. E muitos desses críticos, sem perceberem, acabam pegando gosto pela bola redonda, tornando-se fãs do melhor jogo do mundo. Muitas celebridades americanas contribuem para que americanos normais comecem a gostar de futebol (veja no link dois parágrafos acima), fato como as visitas de Leonardo di Caprio e Kobe Bryant ao Brasil durante o torneio ajudam a promover o esporte por lá, até o apoio de outros que estão nos EUA como Bruce Springsteen (que até cornetou o Luís Suárez pela mordida), LeBron James, Josh Duhamel, Brad Pitt e Jimmy Fallon endossam esse novo ideal.


Se você não quer acreditar (ou gostar), prepare-se, pois os ianques estão chegando (no futebol).



Mais de 20 mil americanos foram ao Grant Park, em Chicago, para assistir EUA x Alemanha.

































Muitos parques foram tomados por torcedores em Washington.


























O mesmo apoio acontecem na Filadélfia, uma das cidades mais patriotas dos EUA.























Até o basquete parou para ver os EUA jogando contra a Alemanha. Essa foto é do Barclays Center, NY, onde aconteceu o draft da NBA na quinta-feira.


Não podia faltar ele, né? Segundo o Obama, "essa foi a maior partida que nós já jogamos".


















Uma seleção destruída pela guerra

Os amantes do futebol provavelmente devem sentir falta de uma seleção que marcou as décadas de 1980, 1990 e no começo dos anos 2000. A seleção a qual me refiro era chamada de "brasileiros do Leste Europeu" graças à grande habilidade de seus jogadores. Essa seleção, apesar da grande aptidão técnica, não existe mais devido a Guerra dos Bálcãs que separou a Iugoslávia em seis países (Sérvia, Croácia, Eslovênia, Macedônia, Montenegro e Bósnia-Herzegovina) e duas províncias autônomas (Kosovo e Vojvodina).

A Iugoslávia fora uma das seleções mais competitivas e temidas do futebol durante toda a sua existência. Apesar de seu primeiro jogo oficial, no dia 28 de agosto de 1920, nas Olimpíadas de Antuérpia, os "Plavis" (azuis, em sérvio) terem sofrido uma goleada implacável da Tchecoslováquia por 7x1, o futebol se desenvolveu velozmente nos Bálcãs.

Em sua história, a Iugoslávia disputou oito Copas do Mundo (Uruguai-1930, Brasil-1950, Suíça-1954, Suécia-1958, Chile-1962, Alemanha-1974, Espanha-1982, Itália-1990 e França-1998). As melhores colocações da temida seleção fora o terceiro lugar em 1930 e o quarto lugar em 1962. Já na Eurocopa, a Iugoslávia participou de cinco edições (França-1960, Itália-1968, Iugoslávia-1976, França-1984 e Bélgica/Holanda-2000). As melhores colocações foram os vice-campeonatos de 1960 e 1968.

Entretanto, a melhor campanha internacional da Iugoslávia deu-se nas competições amadoras do futebol, tais quais os jogos olímpicos e os campeonatos de base. Os Plavis foram campeões olímpicos de 1960, em Roma, ao derrotar a Dinamarca por 3x1 (01/1º Galic-IUG, 10/1º Matous-IUG, 05/2º Nielsen-DIN e 27/2º Kostic-IUG). Além dessa campanha, a Iugoslávia conquistou três medalhas de prata (Inglaterra-1948, Finlândia-1952 e Austrália-1956) e uma medalha de bronze (Estados Unidos-1984).

No entanto, o título que mais marcou a geração iugoslava fora o modesto Campeonato Mundial Sub-20, no Chile. A Iugoslávia derrotou a Alemanha Ocidental, nos pênaltis, por 5x4, após empatar no tempo regulamentar por 1x1 (Boban e Witeczek). Porém, o que mais chamou a atenção foi a geração de ouro do Leste Europeu. Nessa equipe atuaram grandes estrelas como: Zvominir Boban, Robert Prosinecki, Davor Suker, Predrag Mijatovic, Robert Jarni e Igor Stimac. O treinador do elenco campeão, e que encantou o mundo no Chile, era Mirko Josic, que gostou tanto do país que assinou com o Colo Colo logo após vencer a competição (conquistou dois campeonatos chilenos e uma Libertadores da América). Dos 18 jogadores que venceram o Mundial Sub-20, quatro já estavam na equipe iugoslava que disputou a Copa do Mundo, na Itália-1990, e cinco destes 18 estavam na Copa do Mundo de 1998, na França, com a seleção da Croácia.

Porém, apesar do grande estardalhaço que esse grupo de jogadores talentosos gerou, algo a mais estava para acontecer e que iria interromper o brilho desses jogadores: a guerra. A Iugoslávia era uma região pequena para uma enorme pluralidade étnica. A raça e o credo eram os motivos que sempre resultavam em conflitos armados mesmo quando o país estava unificado. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Republica Federativa da Iugoslávia havia se dissolvido antes de voltar com todos os seis países. Depois do final da Segunda Guerra, a Iugoslávia voltou graças à força da milícia do Marechal croata Josip Tito, que ao unificar a Iugoslávia implantou no país um regime comunista.

Em 1992, a Iugoslávia se dissolveu de vez após a morte do marechal Tito, que era acusado de ser nazista, assim como os sérvios chamam os croatas. Tito sabia da dificuldade que era governar um país que vivia sempre em ebulição, tanto é que certa vez ele disse: "Seis repúblicas, cinco etnias, quatro línguas, três religiões, dois alfabetos e um partido". A partir de então, a Iugoslávia não contava mais com a Croácia e a Eslovênia em seu território. Nesse ano, a Iugoslávia fora banida da Euro justamente por causa da Guerra dos Bálcãs.

A guerra refletiu fortemente no futebol, tanto é que o desempenho da Iugoslávia, sem a Croácia, decaiu muito. O resultado disso foi o ótimo desempenho da Croácia na Copa do Mundo, na França-1998, quando conquistou o terceiro lugar ao derrotar a Holanda por 2x1 (13/1º Prosinecki-CRO, 21/1º Zenden-HOL e 35/1º Suker-CRO), e a eliminação precoce da Iugoslávia, diante da Holanda, nas oitavas-de-final, por 2x1 (38/1º Bergkamp, 3/2º Komljenovic e 45/2º Davids).

A última partida oficial da Iugoslávia, antes do desmembramento da Bósnia e da Macedônia, fora na Euro-2000, onde ela perdera, nas quartas-de-final, mais uma vez para a Holanda, só que por 6x1 (24'38/1º Kluivert-HOL, 6/2º Govedarica-IUG, 9/2º Kluivert-HOL, 33/2º Overmars-HOL, 45/2º Milosevic-IUG, 46/2º Overmars-HOL). Apesar da eliminação, Savo Milosevic fora o artilheiro desta edição com seis gols (Milosevic é o jogador com mais aparições na Iugoslávia com 101 jogos. Stjepan Bobek é o artilheiro com 38 gols). A última aparição da Iugoslávia, antes de  dissipar-se por completo em 2006, e então virar Sérvia e Montenegro, fora num amistoso contra a França, em 2002, no qual perdera por 3x0.

Desde o desmembramento total da Iugoslávia em 2006, a Sérvia disputou o Mundial de 2006 com Montenegro (Montenegro, ainda que sozinha, não conquistou nada) e o Mundial de 2010. A Croácia, mais prolífica, participou de quatro Eurocopas (Inglaterra-1996, Portugal-2004, Suíça/Áustria-2008 e Polônia/Ucrânia-2012) e três Copas do Mundo (França-1998, Coréia do Sul/Japão-2002 e Alemanha-2006). A tímida Eslovênia, que vinha se encontrando no futebol nos últimos anos, participou de duas Copas do Mundo (Coréia do Sul/Japão-2002 e África do Sul-2010) e de uma Eurocopa (Bélgica/Holanda-2000). Enquanto isso, Bósnia e Macedônia ainda não conseguiram caminhar com as próprias pernas.

Como seria a Iugoslávia para a Copa do Mundo no Brasil?
Caso não houvesse a Guerra dos Bálcãs, a Iugoslávia, assim como em outrora, poderia ter uma das melhores seleções do mundo. Considerando que cada uma das seis nações que compunham a antiga Iugoslávia cedessem ao menos dois jogadores cada, e partindo da premissa de que só se pode levar 23 jogadores para um Mundial, além de contar apenas com jogadores que participam/participaram das Eliminatórias para o Mundial de 2014, no Brasil, eu convocaria os seguintes atletas:

Goleiros: Samir Handanovic (Eslovênia/Internazionale), Stipe Pletikosa (Croácia/Rostov-RUS) e Asmir Begovic (Bósnia/Stoke City).
Laterais: Darijo Srna (Croácia/Shakhtar Donetsk), Branislav Ivanovic (Sérvia/Chelsea), Aleksandar Kolarov (Sérvia/Manchester City) e Goran Popov (Macedônia/West Bromwich).
Zagueiros: Nemanja Vidic (Sérvia/Manchester United), Neven Subotic (Sérvia/Borussia Dortmund), Matija Nastasic (Sérvia/Manchester City) e Stefan Savic (Montenegro/Fiorentina).
Volantes: Josip Ilicic (Eslovênia/Palermo) e Jasmin Kurtic (Eslovênia/Palermo)
Meias: Luka Modric (Croácia/Real Madrid), Ivan Rakitic (Croácia/Sevilla), Miralem Pjanic (Bósnia/Roma), Senad Lulic (Bósnia/Lazio) e Sejad Salihovic (Bósnia/Hoffenheim)
Atacantes: Stevan Jovetic (Montenegro/Fiorentina), Mirko Vucinic (Montenegro/Juventus), Goran Pandev (Macedônia/Napoli), Mario Mandzukic (Croácia/Bayern de Munique) e Edin Dzeko (Bósnia/Manchester City).

A minha escalação predileta seria o 4-2-3-1, utilizando dois ponteiros abertos, e com os seguintes titulares: Handanovic, Srna, Vidic, Subotic (Ivanovic) e Kolarov; Ilicic, Pjanic (Rakitic), Jovetic, Modric e Vucinic; Mandzukic (Dzeko). Outra alternativa seria o 4-4-2, com um losango no meio-campo para cadenciar mais o jogo: Handanovic, Srna, Vidic, Subotic e Kolarov; Ilicic, Pjanic, Rakitic e Modric; Jovetic e Mandzukic (Dzeko). Graças à ótima campanha da quase classificada Montenegro, o treinador da equipe seria o ex-jogador montenegrino, Branko Brnovic.

Dos 23 jogadores "convocados", Croácia, Sérvia e Bósnia cederiam cinco jogadores cada. Montenegro e Eslovênia cederiam três e a Macedônia cederia apenas dois jogadores. Das seis seleções, apenas duas estão praticamente garantidas no Mundial tupiniquim: Bósnia e Montenegro. A Croácia possui ótimas chances de se classificar, mas depende da sua disputa particular contra a Bélgica para saber qual seleção será a líder do Grupo A, assegurando a vaga direta, e quem terá de jogar a repescagem por ter ficado com o segundo lugar do grupo. Sérvia, Eslovênia e Macedônia já estão eliminadas.

A conclusão que pode-se tirar disso tudo é que a guerra e o ódio étnico conseguiram estragar o futebol mais uma vez. Se no passado a Iugoslávia, que ainda engatinhava, era temida, imagina como seria hoje, quando a maioria de seus craques atuam nos grandes palcos do futebol europeu? Uma pena que essa grande seleção só vai ficar na imaginação.

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