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Uma seleção de eliminados

Suécia, Dinamarca, Ucrânia, Sérvia, Polônia, República Tcheca, País de Gales, Turquia, Eslováquia, Eslovênia, Islândia, Montenegro, Venezuela, Peru, Senegal e etc, tem algo em comum, certo? Todas essas seleções ficarão de fora da Copa de 2014.

Entretanto, muitas dessas seleções possuem jogadores de alto nível e que vão fazer falta no mundial. Alguns deles, como o Ibrahimovic, Bale, Lewandowski e Petr Cech, logo são lembrados quando falamos das ausências. Porém, existem mais jogadores de qualidade e que não disputarão a Copa no Brasil do que se pode imaginar. A maioria desses renegados vêm, obviamente, da Europa.

No entanto, imagine se fosse possível criar uma "federação" de craques que foram eliminados na fase qualificatória para que eles tivessem a oportunidade de disputar a Copa do Mundo. Seria lindo ver Ibrahimovic, Lewandowski e Bale, que dificilmente vão ter oportunidades futuras de jogar uma competição dessa magnitude, jogando aqui no Brasil.

A propósito,  Bale e Lewandowski têm a grande chance de se tornarem versões atualizadas de outros craques, tipo o Giggs, conterrâneo de Bale, ou como o Di Stéfano e o George Best, que eram reconhecidamente grandes jogadores, e que nunca tiveram a chance de disputar um Mundial.

Em 2014, cada um dos 32 países que se classificaram para a Copa vão exibir a lista dos 23 convocados que vão desembarcar em terras brasilis. Seguindo essa premissa, além do sonho de ver esses "esquecidos", vamos convocar a seleção dos eliminados:

Goleiros: Petr Cech (Chelsea/República Tcheca), Samir Handanovic (Inter de Milão/Eslovênia) e Andreas Isaksson (Kasimpasa/Suécia).

Laterais: Lukasz Piszczek (Borussia Dortmund/Polônia), David Alaba (Bayern de Munique/Áustria), Aleksandar Kolarov (Manchester City/Sérvia) e Branislav Ivanovic (Chelsea/Sérvia).

Zagueiros: Neven Subotic (Borussia Dortmund/Sérvia), Nemanja Vidic (Manchester United/Sérvia), Fernando Amorebieta (Fulham/Venezuela) e Martin Skrtel (Liverpool/Eslováquia).

Meias: Nuri Sahin (Borussia Dortmund/Turquia), Josip Ilicic (Fiorentina/Eslovênia), Marek Hamsik (Napoli/Eslováquia), Arda Turan (Atlético Madrid/Turquia), Christian Eriksen (Tottenham/Dinamarca), Gylfi Sigurdsson (Tottenham/Islândia) e Gareth Bale (Real Madrid/País de Gales).

Atacantes: Zlatan Ibrahimovic (PSG/Suécia), Robert Lewandowski (Borussia Dortmund/Polônia), Stephan Jovetic (Manchester City/Montenegro), Papiss Cissé (Newcastle/Senegal) e Demba Ba (Chelsea/Senegal).


Escalação: O time ideal jogaria no 4-4-2, apesar da vocação ofensiva dos jogadores que "sobraram". O esquema seria formado por Cech, Vidic, Subotic, Piszczek e Kolarov; Nuri Sahin, Ilicic, Hamsik e Bale; Ibrahimovic e Lewandowski. Mesmo atuando como um ponta no Real Madrid, Bale está mais do que acostumado a jogar como meia-esquerda (o galês passou a maior parte de sua carreira nessa posição enquanto fora jogador do Tottenham). Além disso, Ibrahimovic e Lewandowski seriam incumbidos de uma movimentação constante para que Bale e Hamsik adentrem a grande área. 


Na formação tática do 4-4-2, o posicionamento de Ibrahimovic é o ás do baralho. O sueco jogaria mais recuado, bem ao estilo dos antigos pontas-de-lança da década de 1970/80.


Jogando num 4-3-3, onde o time ficaria ainda mais ofensivo, os renegados seriam dispostos de outra maneira, porém, com os mesmos jogadores da formação anterior. A mudança do 4-4-2 para o 4-3-3 é bastante sutil, e poderia ser uma saída exemplar para que o time fique mais ofensivo sem ao menos ter que substituir alguém. Seriam apenas três mudanças: Hamsik sai da ponta-direita e centraliza, enquanto o Ibrahimovic sai do lado esquerdo e abre um flanco na direita, dando opção para que Bale se aproxime mais do ataque no lado esquerdo. 
Na formação tática do 4-3-3, os volantes ficam um pouco mais recuados enquanto os laterais e o meia Hamsik teriam mais liberdade.

No entanto, se você prefere uma formação mais conservadora, e ao mesmo tempo incisiva, o time também pode jogar no famigerado 4-2-3-1. Porém, essa tática requer algumas mudanças para que o time não fique muito "kamikaze". A primeira seria a substituição de Pizszcek por um lateral mais contido na defesa, como é o caso do Ivanovic, além da entrada de Alaba, que tem mais poder de marcação e força física para apoiar ao ataque do que o Kolarov. No meio, teríamos a entrada de mais um meio-campista e a saída de um atacante, que nesse caso seria o Lewandowski (seria até bom para que o Ibrahimovic tivesse uma sombra de características semelhantes sentada no banco de reservas). E esse meia teria de ser um jogador de mobilidade pelas laterais, como é o caso do turco Arda Turan, que está desempenhando uma temporada espetacular pelo Atlético Madrid.

Na formação tática do 4-2-3-1, nota-se que o time fica mais distribuído no campinho.  A participação dos volantes nessa formação tática seria o truque secreto, pois nenhum deles dá chutão. Além deles, a interação entre Hamsik e Ibra pode dar muito certo, pois o eslovaco também sabe jogar de atacante.

Avaliando todas as possibilidades táticas e o plantel, nota-se que os renegados pela Copa seriam adversários fortíssimos (talvez a seleção mais forte). No entanto, a equipe sofreria com dois fatores preponderantes: a falta de um lateral-direito mais gabaritado e um volante mais pegador. De todos os times que ficaram de fora (e que tiveram a chance de emplacar algum jogador), nenhum possuía um jogador que se destacasse nessas posições. É logico que essas duas qualidades que estão em falta são questões de estilo, mas, numa Copa do Mundo é sempre necessário ter uma ampla gama de características.


Ordem dos países que cederiam jogadores:
Sérvia: 4 jogadores (Ivanovic, Kolarov, Subotic e Vidic)
Suécia: 2 jogadores (Isaksson e Ibrahimovic)
Eslovênia: 2 jogadores (Handanovic e Ilicic)
Eslováquia: 2 jogadores (Skrtel e Hamsik)
Polônia: 2 jogadores (Piszczek e Lewandowski)
Turquia: 2 jogadores (Sahin e Turan)
Senegal: 2 jogadores (Cissé e Demba Ba)
Dinamarca: 1 jogador (Eriksen)
República Tcheca: 1 jogador (Cech)
Montenegro: 1 jogador (Jovetic)
Venezuela: 1 jogador (Amorebieta)
Áustria: 1 jogador (Alaba)
Islândia: 1 jogador (Sigurdsson)
País de Gales: 1 jogador (Bale)

Curiosamente, o país que mais cederia jogadores (Sérvia) para a seleção dos renegados, apesar de todos eles serem de um mesmo setor, sequer conseguiu se classificar para a repescagem. Além da Sérvia, países como Eslovênia, Eslováquia, Áustria, Dinamarca, Polônia, Turquia, República Tcheca, Montenegro e País de Gales, também falharam ao chegar perto da repescagem.


Renegados pelos renegados:
A lista de bons jogadores que ficariam de fora da Copa é tão grande que alguns nomes de certa fama ficaram de fora, por exemplo: Dimitar Berbatov (Fulham/Bulgária), Daniel Agger (Liverpool/Dinamarca), Mirko Vucinic (Juventus/Montenegro), Jakub Blaszczykowski "Kuba" (Borussia Dortmund/Polônia), Wojciech Szczesny (Arsenal/Polônia), John Riise (Fulham/Noruega), Hamit Altintop (Galatasaray/Turquia), Burak Yilmaz (Galatasaray/Turquia), Adrian Mutu (Ajaccio/Romênia), Viktor Fischer (Ajax/Dinamarca), Andriy Yarmolenko (Dynamo Kiev/Ucrânia), Yevhen Konoplyanka (Dnipro/Ucrânia), Anatoliy Tymoshchuk (Zenit/Ucrânia), Eidur Gudjohnsen (Club Brugge/Islândia), Kolbeinn Sigthórsson (Ajax/Islãndia), Niklas Moisander (Ajax/Finlândia), Thulani Serero (Ajax/África do Sul), Steven Pienaar (Everton/África do Sul), Emmanuel Adebayor (Tottenham/Togo), Momo Sissoko (PSG/Mali), Oscar Cardozo (Benfica/Paraguai), Juan Arango (Borussia Monchengladbach/Venezuela), Jefferson Farfán (Schalke 04/Peru), Claudio Pizarro (Bayern de Munique/Peru), Mohamed Aboutrika (Al Ahly/ Egito) e Moussa Sow (Fenerbahce/Senegal).

Muito além do tricampeonato

Frank de Boer, Dennis Bergkamp e Marc Overmars. Parece que o assunto é o Ajax da década de 1990, certo? Nem tanto! Os fãs da Laranja Mecânica também guardam esses três nomes no coração e na memória. No entanto, a memória pode ser refrescada vendo esses três craques ajudando o Ajax novamente, porém, fora de campo.

O lendário ex-zagueiro holandês e ícone do Ajax, Frank de Boer, é o atual treinador da equipe que conquistou o tricampeonato da Eredivisie neste domingo (6), e responsável direto pelo modo despojado de jogar e pela nova fase do maior clube holandês. Zagueiro de muita técnica, de Boer assumiu o Ajax na temporada 2010/2011, após início inconstante do seu predecessor, Martin Jol.

Já o magnifico ex-atacante do Ajax, Arsenal e seleção holandesa, Dennis Bergkamp, é o auxiliar-técnico da equipe que o revelou. Bergkamp está no Ajax desde 2011, e assumiu o cargo após um pedido de Frank de Boer. Enquanto jogadores, Bergkamp e de Boer jogaram juntos por cinco anos e conquistaram apenas três títulos juntos: Eredivisie (1989/90), Taça da Holanda (1992/93) e Europa League (1991/92).

Revelado pelo Go Ahead Eagles, e contratado pelo Ajax em 1992, onde fora ídolo até sair para o Arsenal em 1997, Marc Overmars era um insinuante e habilidoso ponta-esquerda dos tempos áureos do clube holandês na década de 1990. Hoje, Overmars é o diretor-esportivo do clube (assumiu o cargo de Louis Van Gaal, ex-técnico do Ajax, Holanda e Bayern de Munique).

Entretanto, a maior contribuição do trio para o clube que lhes projetou para o futebol mundial não foi justamente o peso de seus nomes, e sim o seu conhecimento tático sobre o jogo. De Boer, como citado anteriormente, assumiu o Ajax com uma temporada em andamento. Porém, antes de ser convidado para assumir o cargo de manager, Frank era o treinador do Ajax B. Ou seja, a maioria dos jogadores que hoje são titulares do Ajax já passaram pela mão do ex-zagueiro. Casos como o de Christian Eriksen, Siem de Jong e Daley Blind. Bergkamp fora auxiliar-técnico de Bert van Marwijk na seleção holandesa e treinador do Ajax Sub-19 antes de aceitar o convite de de Boer. Já Marc Overmars entrou pra diretoria nessa temporada com a missão de ampliar ainda mais a filosofia noventista que tanto deu certo.

Sabendo do elenco que tinha em mãos, e sabendo também das condições financeiras do clube, a diretoria do Ajax não exitou em promover um iconoclasta para ser um "Guardiola 2" de um gigante à deriva. De Boer sabia que precisava chacoalhar o gigante holandês. E o fez.

Assim que assumiu a equipe, de Boer disse que resgataria o futebol de outrora com muito afinco. Aos poucos o Ajax foi se despedindo do futebol monocromático que praticava antes de Frank de Boer para o futebol audacioso que vemos em campo hoje. A missão era clara: reimplantar o estilo clássico holandês de jogar futebol, que fora perpetuado pelo próprio Ajax de Johan Cruyff, e utilizando jovens talentos.

O que mais chama atenção nesse Ajax tricampeão (a última vez que isso aconteceu foi na década de 1990, com Frank de Boer como capitão), é o quão rápido as coisas estão andando por lá. De Boer conseguiu transformar um elenco, que tem média de 22 anos de idade, numa máquina onde todos os jogadores do meio para a frente sabem jogar em alto nível. Esse resultado aconteceu em apenas três temporadas.

Os trunfos do Ajax, além do triunvirato, são as duplas de armadores que possui: Christian Eriksen e Siem de Jong. O primeiro é dinamarquês e tem apenas 21 anos. O segundo é holandês e tem 24 anos. Eriksen é o jogador que mais deu assistências na temporada: 16. De Jong é o que mais fez gols pelo Ajax: 12. Existem rumores de que Eriksen pode trocar o Ajax pelo PSG, Barcelona ou Manchester City. Enquanto isso, de Jong é especulado no Manchester United e no Arsenal.

Falando em transferências, eis o motivo da grande decadência do futebol dos Joden (Judeus). Graças à Lei Bosman, que desmantelou o estrangeirismo entre os jogadores da União Europeia, muitos clubes com orçamento maior que do Ajax recorrem ao plantel holandês para se reforçar.

Alguns exemplos dessa debandada de jogadores são: Wesley Sneijder, Rafael van der Vaart, Luis Suarez, Marten Stekelenburg, Klaas-Jan Huntelaar, Thomas Vermaelen, Gregory van der Wiel, Jan Vertonghen e Urby Emanuelson. Infelizmente, devido à forte concorrência com os petrodólares e do dinheiro de estatais soviéticas, o Ajax virou coadjuvante na Europa - e por um período de seis anos, entre 2004 e 2010, também na Holanda-, como não era de costume em 1995, data de seu último brilho continental.

À margem desse problema, o Ajax encontra a sua salvação nas citadas jovens promessas. Muitos desses jogadores chegam de suas filiais na Africa do Sul e no Suriname. Além das filiais, o clube holandês realiza torneios com o nome do patrocinador master para ampliar o seu scouting de jogadores de outros países (especialmente da região escandinava). Papel esse que Marc Overmars realiza com maestria.

Percebendo que não tem como lutar contra o sistema, os Judeus resolveram elaborar uma saída que lhes garantisse uma sobrevivência no futebol. O clube revela muitos jogadores, e depois os vendem por um alto preço para gerar lucro. Esse dinheiro é utilizado para se reforçar pontualmente e também para sanar os déficits da temporada.

Orbitando nesse contexto, Frank de Boer e Dennis Bergkamp vão construindo uma equipe competitiva nacionalmente, e franco atiradora continentalmente. O Ajax, hoje, é um clube que joga pra frente, atacando o máximo que pode e defendendo em bloco.

De Boer montou o seu time no multifacetado 4-2-3-1, que vira 4-4-2 em situações de contenção, e um 4-3-3 quando o gol é obrigação. Com velocidade, o foco da equipe se sobrepõe no dinamarquês Eriksen pela meia-direita (no 4-4-2 ele fecha como terceiro homem de meio campo, num losango. No 4-3-3 ele é o único armador), de Jong fica centralizado, com liberdade para penetrar na defesa adversária, e Viktor Fischer fecha na meia-esquerda. Sigthórsson, único atacante de área, faz a parede, apesar de ser um jogador de porte físico moderado.

O papel de Viktor Fischer, jovem dinamarquês de 18 anos, começou a chamar a atenção nessa temporada devido à sua grande habilidade com a bola nos pés e de sua velocidade de raciocínio. O jeito de jogar de Viktor Fischer lembra muito o jeito de Marc Overmars na década de 1990.

Ofensivamente o Ajax é potente, porém, defensivamente o clube chega a desejar. O título desta temporada só não veio antes devido à despreocupação com a marcação. Chega a ser irônico um time que é comandado por um zagueiro, que fora excelente no passado, tomar tantos gols por erros de marcação. A promissora dupla de zaga do Ajax, Toby Alderweireld e Niklas Moisander, é consistente. O detalhe é que os gols sofridos pelo time são somados pela desatenção dos laterais, que apoiam muito, ao desguarnecimento pela lentidão dos zagueiros quando saem no combate (muitas vezes em desvantagem). Ricardo van Rhijn e Daley Blind (filho do lendário Danny Blind, do próprio Ajax, na década de 1990) são ótimos apoiadores e que possuem um pulmão invejável. No entanto, a falta de marcação dos dois jogadores acaba deixando a dupla de zaga com as calças na mão.

O próximo desafio de Frank de Boer, Dennis Bergkamp e Marc Overmars é desempenhar um papel de destaque na Champions League. Nesta temporada, o clube tem a desculpa de ter caído no grupo da morte, que contava com Borussia Dortmund (finalista), Real Madrid (semi-finalista) e Manchester City. Porém, nas duas últimas edições o clube não conseguiu sair da fase de grupos (coincidentemente sempre ficando com o terceiro posto). Talvez o grande problema dessa equipe na Champions seja a juventude e a falta de tarimba da maioria dos jogadores.

Mas, uma coisa é certa: de passado o Ajax entende. E foi no passado que o clube foi buscar a sua salvação. Porém, ao invés de repetir os erros crassos de contratar jogadores "gastos" dos clubes de maior poder financeiro, e de pagar uma fortuna em jogadores meia-bocas, os Joden encontraram em Frank de Boer, Dennis Bergkamp e Marc Overmars, um trio lendário da casa, para retomar as glórias de outrora, sem perder a sua característica.

Seria tudo mais fácil se os três pudessem entrar em campo, mas pelo andar da carruagem, coisas boas podem retornar ao clube que não cansa de vencer.

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