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O fenômeno "El Niño"

Segundo a meteorologia, os fenômenos "El Niño" são alterações significativas de curta duração na distribuição de temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico, que reflete profundamente no clima. O "El Niño" acontece irregularmente em intervalos de 2 a 7 anos, os ventos sopram com menos força em todo o centro do Oceano Pacífico, resultando numa diminuição da ressurgência de águas profundas e na acumulação de água mais quente que a normal na costa oeste da América do Sul e na diminuição na população de peixes.

Você provavelmente lembra dessa matéria quando tinha que estudar para a prova de geografia no ensino fundamental e, provavelmente, deve estar se perguntando o que isso tem a ver com futebol. Os mais sagazes e viciados em futebol já devem ter sacado ou lembrado do nosso querido Fernando "El Niño" Torres, que voltou para o Atlético de Madrid, que, assim como o fenômeno meteorológico, é um caso bastante peculiar.

Como todos sabem, a carreira do atacante espanhol não está muito boa atualmente. Esse pequeno eufemismo foi mais em respeito à carreira do jogador do que a realidade condiz, pois a verdade é que a fase do "El Niño" é realmente péssima. Nessa temporada, antes de ser repassado por empréstimo do Milan para o Atlético de Madrid, Torres possuía apenas UM gol em DEZ jogos realizados com a camisa rossonera (o certo seria rossoneri, mas como já é comum no Brasil essa grafia, vamos lá). Aos 30 anos de idade, o espanhol encontra-se num dilema, pois, ao contrário do apelido, ele já não é mais nenhum menino e as chances de reencontrar a glória vão ficando cada vez mais escassas.

No entanto, o que levou o menino prodígio do Atlético de Madrid a chegar nesse patamar tão inócuo? Será que ele nos enganou perfeitamente por quase uma década com grandes atuações com as camisas de Atlético de Madrid e Liverpool? A mudança repentina na carreira do jogador só não é mais cruel do que as piadas que ele sofre atualmente dos torcedores rivais (e às vezes até daqueles que deveriam o apoiar).

Entretanto, teve um momento importante que serviu como um divisor de água na carreira do atacante espanhol: a transferência do Liverpool para o Chelsea, na temporada de 2010/2011, por 58 milhões de euros (20 milhões a mais do que o Liverpool pagou para tirar o jogador do Atlético de Madrid, na temporada de 2007/08), no mercado de verão da Europa. Na época, a transferência do Torres era considerada a maior da história do futebol inglês, justificada pela excelente fase do jogador que vinha de quatro temporadas espetaculares com o Liverpool, sendo, em alguns momentos, mais importante até do que o Gerrard, lenda viva dos Reds. As cifras assustadoras depositadas na contratação do jogador só não foram maiores do que o choque causado pela decisão do jogador em trocar de clube na Inglaterra. Torres fora cortejado por inúmeras equipes, inclusive o Real Madrid, enquanto vivia um caso de amor de platônico com o Liverpool. Ele fora terceiro colocado nas Bolas de Ouro da France Football, FIFA (não eram unificadas na época) e World Soccer, em 2008, além de ser o artilheiro da seleção espanhola (na época), campeão do mundo com a Fúria em 2010, na África do Sul, artilheiro da Premier League em 2007/08, jogador mais jovem a vestir a braçadeira de capitão do Atlético de Madrid, com 19 anos, em 2001, e vários outros recordes e títulos coletivos com a seleção espanhola, Atlético de Madrid e Liverpool. Tudo foi pelo ralo no Chelsea. Justamente quando o patamar havia sido elevado.


Essa foi a última vez em que Fernando Torres foi visto como um grande atacante do futebol internacional.
Torres tinha tudo para ser um dos grandes atacantes do futebol mundial atualmente. Por mais ou menos 8 anos, o espanhol, em grande fase, demonstrava muita velocidade, vigor físico, precisão nas finalizações, dribles certeiros e cabeceamento perfeito (como era legal ver o Torres cabecear as lindas bolas invertidas pelo maestro Steven Gerrard). A pressão exercida devido ao alto valor investido na contratação do espanhol foi nociva para o desempenho do atacante, que nem de longe desempenhou o mesmo papel de outrora com a camisa azul do Chelsea. Após quatro temporadas e meia com os Blues, Fernando Torres atuou em 117 partidas e marcou apenas 46 gols, média fraquíssima para um jogador desse calibre.

No entanto, zueira se instaurou na carreira de Torres não apenas por causa do seu fracasso no clube londrino, mas também porque existia uma grande rivalidade  entre Liverpool e Chelsea na época em que ele fora contratado pelo time de azul. Desde que fora contratado pelo Liverpool até o dia em que ele trocou os Reds pelos Blues, Liverpool e Chelsea se enfrentaram inúmeras vezes, especialmente na Liga dos Campeões, com jogos épicos e resultados surpreendentes. Além disso, adicione a raiva que todos os torcedores ingleses têm pelo dinheiro de Roman Abramovich, dono do Chelsea, e o sucesso retumbante do sucessor do "El Niño" no Liverpool, o espetacular Luís Suarez, que atuou em 125 partidas pelos Reds e marcou 82 gols. Vale lembrar que tanto Torres quanto Suarez chegaram ao mesmo tempo em suas respectivas equipes e saíram coincidentemente na mesma janela de transferências. Outro detalhe importante fora a estréia de Fernando Torres, contra o próprio Liverpool, em Stamford Bridge, casa do Chelsea, numa partida em que o adversário dominou o dono da casa e saiu vencedor pelo placar de 1x0.


Muito se fala na Inglaterra que um dos motivos do insucesso do espanhol pelo Chelsea foi uma praga rogada pelos torcedores do Liverpool contra o atacante. Parece que funcionou...

Desastres acompanharam a vida do "El Niño" nos anos subsequentes desde a transferência para o Chelsea, como a perda da titularidade na seleção espanhola (ficou de fora de algumas convocações, mas acabou sendo convocado para o Mundial no Brasil, em 2014), por exemplo. Todos os elementos radioativos que compunham a conturbada mudança de ares do jogador acabaram infectando aquele que um dia foi um espetacular definidor de jogadas e partidas. Torres foi do céu ao inferno quando aceitou receber mais para sair do Liverpool para ganhar mais títulos e, desde então, nunca mais foi o mesmo. A falta de confiança era nítida.

Todavia, a sorte voltou a sorrir novamente para o lado de Fernando Torres. Cansados devido ao baixo rendimento do atacante em campo, o Milan aceitou a proposta do Atlético de Madrid, clube de coração do "El Niño", para liberar o jogador por empréstimo de um ano e meio em troca do italiano Alessio Cerci, que não se adaptou ao clube espanhol. Torres, que sempre transpareceu uma imagem gélida tanto para marcar gols quanto para com Chelsea e Milan, algo completamente diferente dos tempos em que era Colchonero, quando comemorava e participava com uma vontade louvável. Aliás, esse caso é bastante parecido com o do Alexandre Pato, atualmente no São Paulo.

Após sete anos e meio, "El Niño" está de volta ao Vicente Calderón, onde é ídolo e talvez um dos únicos lugares do mundo onde ele ainda é extremamente respeitado. Herói na campanha do acesso do Atlético de Madrid na segunda divisão, na temporada 2001/2002, quando conquistou o título para os Colchoneros, Torres receberá mais uma chance para voltar a ser aquele grande jogador que atuou em altíssimo nível por Atlético de Madrid e Liverpool por quase uma década. A negociação, a primeira instância, parece um tiro no pé do clube Colchonero, que já conta com o ótimo Mario Mandzukic, ex-Bayern de Munique, como camisa 9. O croata se adaptou rapidamente ao estilo de jogo do Simeone no Atléti, além de estar marcando muitos gols pelo clube. Contudo, sua boa fase fez acender um sinal de alerta no clube, pois o Manchester City pretende contratá-lo para substituir os inúmeros atacantes lesionados nessa temporada. São muitos detalhes envolvendo a troca do Torres e a opção do jogador, mas uma coisa é certa: todo o apoio que o Niño receberá de volta à sua casa pode transformar a carreira desse "ex-grande centroavante em atividade", e espera-se que a péssima fase do atacante tenha encontrado um fim depois que os bons ventos futebolísticos se tornaram escassos, assim como acontece com o fenômeno meteorológico que recebe o mesmo apelido que o espanhol.


Torres, jovem e capitão do seu time de coração, nos tempos áureos no Atlético de Madrid. Será que ele volta a ser o que era antes?

A Copa do Mundo em pedaços - Grupos D, E e F

Continuação da primeira parte, que você pode acompanhar aqui.

Grupo D












Jogador-chave: Wayne Rooney. O raçudo atacante do Manchester United é a grande esperança dos Three Lions para a Copa devido a juventude de seus atacantes. Rooney, que nem é tão velho velho assim (tem apenas 28 anos), foi um dos poucos que se salvaram na desastrosa temporada dos Diabos Vermelhos. Pela seleção, Rooney terá um papel diferente do qual está acostumado no United, que é ser responsável pela criação de jogadas.

Preocupação: setor ofensivo. O setor ofensivo da seleção inglesa é muito bom, porém, existe um grande problema que pode transformar uma arma em um fardo: a falta de criação. O meio-campo inglês é composto por Gerrard, Henderson, Sterling, Rooney e Welbeck, que resulta em dois volantes e três homens responsáveis pela armação - sendo que Sterling e Welbeck jogam pelas pontas. O problema disso tudo é que Rooney não possui os atributos necessários para ser um armador de fato. Seria mais interessante avançar o Gerrard para essa posição, ou tentar confiar em Wilshere, um garoto que muito se espera e que pouco corresponde.

Aposta: Luke Shaw. O jovem lateral-esquerdo de 18 anos fez uma temporada tão fantástica pelo Southampton que seu desempenho fora definitivo para que Roy Hodgson optasse por sua convocação ao invés de chamar o experiente Ashley Cole. Rápido, habilidoso e seguro na marcação, Shaw é a grande aposta dos Three Lions para o futuro. Talvez ele receba poucas oportunidades de ser titular durante a Copa, mas caso Hodgson precise do Baines no meio-campo para auxiliar na criação, Shaw deverá entrar e dar conta do recado.

Ficaram de fora: Ashley Cole, Michael Carrick, Aaron Lennon e Joleon Lescott. Como dito antes, Ashley Cole ficou de fora devido à ascensão muito rápida de Luke Shaw e, adicionando uma temporada fraca pelo Chelsea, culminou na desconvocação do jogador. Aaron Lennon, que viveu altos e baixos (mais baixos) pelo Tottenham, viu o seu lugar ser preenchido por Raheem Sterling, grande promessa do Liverpool e esperança inglesa nessa Copa. Lescott, que era constantemente convocado por Hodgson, ficou de fora devido as fracas atuações pelo Manchester City na fase mais aguda do campeonato inglês. No entanto, a grande decepção e surpresa da convocação inglesa para a Copa foi Michael Carrick. O excelente volante do Manchester United ficou de fora por opção tática de Hodgson, que não deu muitas explicações do porquê ele preferiu deixar o grande volante dos Diabos vermelhos de fora. Carrick teria um papel essencial nessa seleção inglesa, que apesar de jovem, necessita muito de rodagem.

Curiosidades:
- Rickie Lambert, atacante do Southampton que vai assinar pelo Liverpool oficialmente depois da Copa, tem uma das histórias mais bonitas de superação deste Mundial. Lambert era jogador das categorias de base do seu futuro clube, o Liverpool, quando tinha 15 anos. Por ironia do destino, Lambert foi dispensado do Liverpool, time pelo qual torce até hoje. Ainda jovem, Lambert foi parar no Blackpool, onde recebeu poucas chances de atuar até ser dispensado. O atacante inglês ficou QUATRO MESES livre no mercado e, durante esse período, o jogador teve que trabalhar numa fábrica que engarrafava beterrabas até assim com um clube da terceira divisão inglesa. Após anos lutando, Lambert assinou com o Southampton, clube onde virou ídolo. Fato curioso sobre Lambert: desde que assinou pelos Saints, em 2009, ele nunca perdeu um pênalti.]
- O único jogador do elenco da Three Lions que não atua em solo inglês é o goleiro reserva Fraser Forster, que joga no Celtic.
- O campeão inglês, Manchester City, cedeu apenas dois jogadores para a seleção inglesa (Joe Hart e James Milner).
- Apesar de ter inventado o futebol, os ingleses nem sempre se dão muito bem com o esporte. A seleção inglesa participou de 14 mundiais, sendo que ela ficou de fora de todos os mundias até a parada ocasionada pela Segunda Guerra. Depois de 1950, os ingleses deixaram de disputar o Mundial de 1974, 1978 e 1994.



Jogador-chave: Andrea Pirlo. Gênio do futebol que será o grande responsável pelo orquestramento da Azzurra. Mesmo com 35 anos, Pirlo parece cada vez mais elegante e técnico, ostentando passes milimétricos e visão de jogo ímpar. A única coisa que joga contra a Itália e o Pirlo é a idade avançada do meio-campista.

Preocupação: Defesa. Quem diria que um dia viveríamos tempo suficiente para cornetar a defesa italiana. Mestres na defesa, a Itália sofre com a baixa de jogadores importantes no setor e com as peças de reposição que não são confiáveis. Criscito e Ranocchia estão fora por causa de lesões. Bonucci e Barzagli estão baleados, apesar do último ter participado de mais partidas nos amistosos. Paletta, que fora convocado às pressas para servir uma seleção que não é sua, já que o zagueiro é argentino de nascimento, não é nem um pouco confiável e costuma entregar. Se não bastasse, Chiellini não vive um bom momento e Buffon está machucado.

Aposta: Lorenzo Insigne. O atacante do Napoli é uma versão mais jovem de outro jogador do elenco da Azzurra, o atacante Antonio Cassano. Lorenzo Insigne é rápido, habilidoso e cheio de personalidade, característica que já chamava a atenção quando atuava pelo Pescara, ao lado de Verratti.

Ficaram de fora: Alessandro Florenzi, Emanuele Giaccherini, Pablo Osvaldo, Mattia Destro e Giuseppe Rossi. A Itália vive uma situação completamente diferente dos últimos anos. Com uma defesa contestada, foi difícil achar jogadores bons e confiáveis para preencher a posição. No entanto, o ataque, que nem sempre foi a grande especialidade italiana, deixou vários nomes pelo caminho. Florenzi é um meia que ataca e defende com muita propriedade, porém, seu nome foi desconsiderado em razão da grande quantidade de nomes "pesados" no setor italiano. Giaccherini perdeu a sua vaga para Insigne, o que é perfeitamente compreensível já que o jogador do Napoli é mais habilidoso e inteligente. Já o trio formado por Osvaldo, Destro e Rossi causou polêmica devido às escolhas de Prandelli. Dois nomes eram certezas: Balotelli e Immobile (artilheiro do Calcio) eram escolhas incontestáveis já que a temporada dos dois fora muito forte. Osvaldo conseguiu sua transferência para a Juventus visando uma vaga na Azzurra, mas Prandelli preferiu levar jogadores que estavam em maior atividade em seus clubes, logo seu nome fora excluído de vez. Destro alternou a temporada como reserva e depois titular da Roma, que abocanhou o segundo lugar do Calcio. Se Destro tivesse uma regularidade maior a sua vaga poderia ter vindo no lugar do Cerci. No entanto, a opção de não levar Giuseppe Rossi causou um verdadeiro tumulto. Forjado para ser o grande nome do ataque italiano, Rossi se contundira pouco tempo antes da Itália iniciar seus preparos para a Copa. Segundo o jogador, suas condições de jogo eram perfeitamente normais, porém, Prandelli não teria confiado piamente em sua recuperação e optou por levar o veterano Cassano em seu lugar.

Curiosidades:
- Após terminar sua recuperação, Buffon deve igualar o recorde de Carbajal e Matthaus de participações em Copas (5 edições).
- Chiellini escreveu um livro sobre um grande ídolo italiano: Gaetano Scirea (Existe um anjo branco e preto. Meu mestre se chama Scirea).
- Pela primeira vez, a Itália, após várias edições de Copas, participará de um Mundial sem um jogador da Inter de Milão.
- A Itália é a segunda seleção que mais participou de Mundiais. Atrás apenas do Brasil, a Itália só não disputou o Mundial de 1958, na Suécia.
- Sem um representante desde 1994, nesta edição o Torino emplacou três convocados (Matteo Darmian, Alessio Cerci e Ciro Immobile).
- Antes extremamente patriota, a Azzurra hoje conta com três "estrangeiros" no elenco: Gabriel Paletta, Thiago Motta e Mario Balotelli. Os dois primeiros, inclusive, chegaram a defender a Argentina e o Brasil nas categorias de base, respectivamente. Já Balotelli é ganês de nascimento, mas fora adotado por um casal italiano quando ainda era bem pequeno.












Jogador-chave: Luís Suárez. Após temporada monstruosa pelo Liverpool, onde disputou 33 partidas e fez 31 gols, Luísito Suárez é o grande nome da Charrua. Ao lado de Cavani, o atacante do Liverpool precisa se manter saudável para que possa causar estrago e terror nas defesas adversárias.

Preocupação: média de idade elevada. O jeito de jogar já é manjado por todo mundo, porém, como se faz para parar o coração uruguaio? Simples, forçar jogadas de vitalidade. A defesa celeste está bastante envelhecida, assim como o meio-campo. Lugano, capitão do Uruguai, está sem clube, sem joelho e com 35 anos, requisitos que podem enterrar não só o zagueiro como todo o time uruguaio.

Aposta: Gastón Ramirez. Destaque na belíssima campanha do Southampton durante a Premier League deste ano, Gastón Ramirez é um dos poucos jogadores uruguaios com menos de 25 anos de idade. Titular em solo inglês, Ramirez busca sua afirmação com a camisa celeste. Com ótima visão de jogo e dotado de bom passe e chute de longa distância, o meia possui todas as características clássicas de um jogador dessa posição feito no Uruguai.

Ficaram de fora: Alejandro Silva e Sebá Fernández. O ala do Lanús foi a grande decepção na convocação de Oscar Tabarez, que preferiu levar o experiente Jorge Fucile. Já Sebá Fernández ficou de fora justamente porque Tabárez confia piamente na recuperação de Luís Suárez.

Curiosidades:
- Arévalo Rios não sabe usar e muito menos tem um computador em sua casa.
- Crístian Rodríguez tem um dos apelidos mais originais desta Copa: El Cebola. Motivo? Seus dribles são tão bons que fazem os adversários chorarem de medo. Então tá, né?
- Dentre os 23 convocados por Tabárez, apenas um jogador atua no Uruguai e, ainda assim, por empréstimo: Sebástian Coates, que atualmente defende as cores tricolores do Nacional está atuando na equipe uruguaia por empréstimo do Liverpool.












Jogador-chave: Keylor Navas. O goleirão de 27 anos do Levante foi um dos principais destaques da posição no campeonato espanhol desta temporada. Navas não é um gigante (tem apenas 1,86m), mas ele é capaz de se transformar numa verdadeira muralha. Além de ter uma ótima colocação, o costarriquenho possui reflexos apurados e uma excepcional saída de bola.

Preocupação: porte físico. Os costarriquenhos são muito leves, o que pode ser um problema quando Los Ticos forem enfrentar alguma equipe que chegue mais junto.

Aposta: Joel Campbell. Rápido, muito rápido! O jovem jogador do Arsenal, que estava emprestado ao Olympiacos nessa temporada, é um corisco e deve aprontar muito para cima dos adversários pesadões da Costa Rica. Além disso, Campbell é bom no arremate.

Ficou de fora: Álvaro Saborío. Todos os jogadores que se contundiram foram excluídos de prontidão, porém, Saborío é um ícone costarriquenho. Maior artilheiro dos Ticos, Saborío nunca atuou num grande centro, mas ele sempre deu conta do recado quando exigido.


Grupo E












Jogador-chave: Karim Benzema. O centroavante do Real Madrid é um dos homens de frente mais completos desse Mundial. Benzema começou como ponta no Lyon, porém, após constatarem que o seu faro de gol e o seu porte físico eram mais úteis perto da área do que na beirada do gramado, o francês, que é filho de argelinos, começou a destruir tudo.

Preocupação: laterais. Evra está em um fim de ciclo e o Debuchy não é lá muito confiável. As opções no banco de reservas não animam muito, pois Bacary Sagna (direita) e Lucas Digne (esquerda) não fizeram por onde quando tiveram suas oportunidades. O lateral-direito, inclusive, já foi alvo de protesto dos torcedores franceses para que não fosse titular durante as eliminatórias.

Aposta: Antoine Griezmann. O jovem ponta-esquerda da Real Sociedad vem chamando a atenção dos gigantes europeus graças à sua grande habilidade com a perna esquerda. Griezmann, que nunca jogou no futebol francês, é extremamente habilidoso e muito parecido com Ribery, pois ele não só consegue driblar em alta velocidade como também possui visão de jogo apurada, além do ótimo chute de longe. Deve ser a alternativa para substituir o papel de Ribery, que fora cortado.

Ficou de fora: Samir Nasri. Deschamps declarou que Nasri nunca se destacou o suficiente pelos Bleus e, baseando-se nessa premissa, resolveu deixar o meia do Manchester City de fora. Nasri é muito habilidoso, enjoado e organizador de jogadas, porém, o seu papel pode ser desempenhado com a mesma categoria pelo Valbuena, meia do Olympique de Marselha.

Curiosidades:
- A França foi a seleção que menos pontuou dentre as classificadas para a repescagem da UEFA.
- Pogba saiu muito jovem do Manchester United por brigar muito com Alex Ferguson. Durante uma dessas discussões com o lendário treinador escocês, Pogba recebeu o apelido de Nelson Mandela por não temer uma repreensão de alguém com mais poder do que ele.
- Varane, jovem zagueiro francês, quase não assinou pelo Real Madrid quando tinha 18 anos. Na oportunidade, Varane estava ESTUDANDO para um teste que lhe permitiria ingressar na faculdade quando simplesmente ZIDANE ligou em sua casa para convidá-lo a jogar pelo Real. Varane chegou a dizer à Zidane que estava muito ocupado estudando para se preocupar com uma transferência.
- Existem mais jogadores franceses convocados que atuam na Premier League do que na liga francesa. Ao todo são 10 jogadores franceses "ingleses" contra 8 jogadores franceses "de verdade".










Jogador-chave: Shaqiri. Baixinho, porém invocado. Shaqiri é rápido, driblador e forte. Atualmente jogando pelo Bayern, o meia-atacante gosta muito de resolver as coisas sozinho, porém, o seu individualismo é responsável por seu status no clube bávaro, que o usa somente quando a situação requer profundidade. Na Suíça, Shaqiri possui outro status, o de salvador.

Preocupação: um criador de jogadas confiável. Apesar de ser o camisa 10 da seleção, Granit Xhaka está mais para um trequartista/ponta-de-lança do que meia de criação. O jogador do Borussia Monchengladbach peca nesse quesito, mas sua força na chegada dentro da pequena área é notável. Caso o gargalo aperte, a Suíça pode sofrer já que o mais próximo que ela tem nessa função é o Xhaka.

Aposta: Ricardo Rodriguez. O jovem lateral-esquerdo do Wolfsburg é muito potente em tudo que faz na beirada do campo. Bom na marcação e preciso nos cruzamentos, Ricardo Rodriguez tem um ás na manga que o faz ser um dos laterais sub-21 mais desejados na Europa: um canhão de perna esquerda. Parece com algum lateral brasileiro, não acham?

Ficaram de fora: Eren Derdiyok e Pajtim Kasami. Derdiyok era o principal atacante da Suíça até meados das eliminatórias, porém, devido uma seca brutal de gols o jogador perdeu não apenas a titularidade como perdeu uma vaga na equipe. Já o volante Kasami, que caiu junto com o Fulham, perdeu espaço por opção do treinador.

Curiosidades:
- A Suíça continua sendo a única seleção que fora capaz de ser eliminada de uma Copa do Mundo sem tomar gols (2006, na Alemanha).
- Shaqiri nasceu em Kosovo, mas é descendente de albaneses e morou perto da França.
- Ricardo Rodriguez tem outros dois irmãos que jogam futebol profissionalmente. O mais velho, Roberto, é meia do St. Gallen e o mais novo, Francisco, atua pelo Zurich, time que revelou Ricardo.
- Benaglio é embaixador de uma campanha contra o ciberbullying.
- Até 2012, Fabian Schar, zagueiro do Basel, atuava na segunda divisão suíça e trabalhava como bancário para conseguir viver.
- Josip Drmic é filho de croatas, porém, o jovem atacante renegou suas origens e optou por defender a Suíça. Entretanto, Drmic não passou no teste para obter a cidadania suíça. O jogador ficou "sem país" por 2 anos.












Jogador-chave: Antonio Valencia. Extremamente contestado no Manchester United, Antonio Valencia é uma das esperanças equatorianas. O meia joga pela ponta direita e deve ser o principal assistente dos atacantes.

Preocupação: goleiro. Nenhum dos três goleiros do Equador são confiáveis. Porém, o goleiro titular, Alexander Dominguez, conseguiu a vaga apenas por ser alto. Todavia, Dominguez é muito fraco, o popular "mão-de-alface", e quase nunca ganha uma disputa aérea apesar de sua envergadura.

Aposta: Carlos Gruezo. Revelação do Stuttgart, o jovem meia equatoriano é bastante habilidoso. Bancado como titular pelo treinador, Gruezo pode pecar pela inexperiência, já que no Stuttgart ele raramente é escalado em entre os 11 iniciais.

Ficaram de fora: Joffre Guerrón, Fidel Martinez e Junior Sornoza. Famoso por destruir o Fluminense na final da Libertadores de 2008, Joffre Guerrón está fora desta Copa por causa do pouco futebol que vem jogando. Já Fidel Martinez, que fez uma belíssima Libertadores pelo Tijuana no ano passado, ficou de fora porque Reinaldo Rueda tem mais confiança no jovem Gruezo. O mesmo pode-se dizer sobre Junior Sornoza, que atua pelo Independiente Del Valle, cuja boa campanha nessa temporada chamou atenção de vários clubes argentinos.

Curiosidades:
- Em meio a tantas opções estrangeiras e famosas, o Emelec é a equipe que mais cedeu jogadores para seleção.
- Enner Valencia, homem gol do Pachuca, ordenhava vacas e vendia leite na pista para conseguir dinheiro para comprar uma chuteira.
- Christian Noboa, volante de categoria do Dinamo Moscou, ficou quase um mês gripado por ter comido neve.













Jogador-chave: Maynor Figueroa. Rápido e forte, o lateral do Hull City deve ser a única grande opção do treinador hondurenho.

Preocupação: violência e falta de habilidade. Será que Honduras conseguirá terminar uma partida dessa Copa do Mundo sem nenhuma expulsão? Outra coisa, a pouca criatividade dos caribenhos residem num jogador jovem e sem estrada.

Aposta: Andy Najar. O jogador jovem e sem estrada é Andy Najar, que atua pelo Anderlecht-BEL. Najar apresenta categoria e intimidade com a bola. Mas, todos sabem que uma andorinha só não faz verão.

Ficaram de fora: David Suazo e Alan Lallin. Suazo decidiu se aposentar na reta final de preparação da seleção hondurenha. Já Lallin ficou de fora por opção.

Curiosidades:
- Por incrível que pareça, essa é a terceira Copa de Honduras.
- Óscar Boniek Garcia, meia da seleção, ganhou o sobrenome "Boniek" por causa de seu pai, que era jogador da seleção olímpica de Honduras que chegou a enfrentar o original polonês. Caso não se chamasse Boniek, Óscar se chamaria JAIRZINHO.
- Costly, principal jogador do ataque hondurenho, ficou 6 meses fora do futebol porque não conseguiu se transferir do futebol americano para o europeu.
- Luís Fernando Suárez, treinador da seleção de Honduras, não aceita que seus jogadores usem bonés. 



Grupo F












Jogador-chave: Lionel Messi. Não preciso explicar, certo? A única coisa que deixa em dúvida sobre o super astro argentino é a sua condição mental, pois Messi até hoje nunca foi bem em uma Copa do Mundo.

Preocupação: defesa. Apesar de não ter sofrido um gol sequer durante os amistosos, a defesa argentina é a grande preocupação para Alejandro Sabella, que possui muito jogadores low profile e pouca bagagem.

Aposta: Marcos Rojo. Mesmo tendo uma defesa inconstante e pesada, Marcos Rojo é a grande aposta argentina nessa experiente seleção portenha. Capaz de jogar tanto na zaga quanto na lateral-esquerda, Rojo é especulado no Barcelona.

Ficaram de fora: Gino Peruzzi, Nicolás Burdisso, Eduardo Salvio, Javier Pastore, Éver Banega, Erik Lamela, Carlos Tevez e Mauro Icardi. Sabella convocou uma seleção muito forte no ataque e bem fraca na defesa. Entretanto, sobram-se opções numa possível convocação e uma delas é Gino Peruzzi, que é lateral-direito e zagueiro, além do experiente Burdisso que é a grande surpresa que ficou de fora nessa defesa jovem e inexperiente que Sabella levou. O meio-campo argentino gerou muitas surpresas e polêmicas (uma delas se refere à Messi, que teria palpitado na convocação de Sabella), ainda mais pelas ausências de Salvio, Pastore e Banega. O primeiro teve uma temporada inesquecível pelo Benfica, enquanto o segundo pouco jogou pelo PSG e o terceiro, em menor escala, também não agradou muito mesmo tendo feito boas partidas pelo Newells. Duas apostas argentinas perderam espaço nessa convocação devido a grande concorrência contra grandes nomes. Lamela, que aos poucos vai buscando a titularidade no Tottenham, e Mauro Icardi se consolidou como o grande nome da Inter para o ataque no futuro. A única pergunta que ainda não foi respondida remete à Tevez, que foi o artilheiro do Calcio e simplesmente fora ignorado por Sabella. Eu levaria o Apache no lugar do Lavezzi.

Curiosidades:
- Sabe quem é o Chiquito? Por esse nome você não deve saber, mas se eu te contar que esse cara é o Sergio Romero, goleiro titular da albiceleste, tudo fará mais sentido. Confira os principais apelidos dos jogadores argentinos: Fernando Gago (La Pintita - O galã), Angel Di María (El Fideo - é um tipo de macarrão fininho), Maxi Rodríguez (La Fiera - A Fera), Javier Mascherano (El Jefecito - O chefezinho), Gonzalo Higuai (Pipita - gíria para chamar alguém de narigudo), Sergio Aguero (Kun - era um personagem de desenho animado), Lionel Messi (La Pulga - A Pulga), Rodrigo Palacio (La Joya - A Joia), Ezequiel Lavezzi (Pocho - Fruta Podre) e Alejandro Sabella (Pachorra - O Calmo).
- Mascherano estreou como profissional na seleção argentina antes de estrear como profissional no River Plate.
- Alejandro Sabella foi um dos primeiros jogadores latinos a jogar na Premier League. Em 1978, Sabella fora contratado pelo Sheffield, que inicialmente queria trazer um tal de Diego Maradona.













Jogador-chave: Edin Dzeko. O bom centroavante do Manchester City é o grande nome da estreante em Copas. Dzeko será o responsável por anotar os gols dos bósnios, que necessitarão de uma Copa inspirada do atacante.

Preocupação: defesa. Apesar de ter em Spahic sua pedra fundamental, a seleção da Bósnia é muito lenta e bastante fraca tecnicamente.

Aposta: Miralem Pjanic. O espetacular meio-campista da Roma não é nenhum moleque, já que ele tem 24 anos. Entretanto, o orquestrador da Bósnia terá uma grande chance de abocanhar um contrato com um gigante europeu caso faça uma Copa digna do que se espera dele.

Ficou de fora: Adnan Zahirovic. O jovem atacante do Bochum ficou de fora da seleção porque se machucou muito durante a temporada e quase nem participou da temporada da segunda divisão alemã. Entretanto, Zahirovic é muito cotado na Europa.

Curiosidades:
- O pai de Pjanic foi "refém" de um clube da terceira divisão da Iugoslávia. Na época, o pai de Pjanic queria sair do clube para outro por causa da guerra.
- Dzeko é o maior artilheiro da história da Bósnia, porém, nem sendo o maior astro da equipe lhe dá credenciais para fugir da zoeira. Em seu país, Dzeko é conhecido como "o Poste de Luz".
- Asmir Begovic já marcou um gol de dentro da sua pequena área numa partida pelo Stoke City.
- Tino-Sven Susic é sobrinho do treinador Seset Susic. Sua convocação foi extremamente contestada porque Susic é reserva no Hajduk Split, da Croácia.
- Hajrovic, até certo tempo atrás, era jogador da Suíça. Após muitas críticas, o ponta do Galatasaray mudou de ideia e resolveu firmar seus serviços a favor da Bósnia.











Jogador-chave: Reza Ghoochannejhad. Ainda bem que ele prefere ser chamado de Reza, já que o seu sobrenome é quase impronunciável. O centroavante iraniano é rápido e possui um excelente cabeceio.

Preocupação: porte físico. A condição física dos comandados por Carlos Queiroz é muito questionada. Se não bastasse, a média de altura da seleção é uma das mais baixas da Copa.

Aposta: Ehsan Hajsafi. O jovem meia da seleção iraniana é um excelente chutador de média distância. Com sua perna esquerda, Safi costuma dar trabalho aos goleiros com seus petardos. 

Ficaram de fora: Gholamreza Rezaei e Mojtaba Jabari. Dois jogadores experientes que foram usados por Queiroz durante a disputa das eliminatórias, mas que foram descartados por questões técnicas e físicas.

Curiosidades:
- Ashkan Dejagah, um dos jogadores mais conhecidos do Irã, não é unanimidade em seu país. Motivo? Tatuagens. Pintar a pele no Irã é proibido e, graças à audácia, Dejagah é sempre obrigado a jogar de mangas longas quando usa o uniforme iraniano.
- Daniel Davari, goleiro reserva do Irã, quase não viajou para o Brasil por motivos burocráticos. Davari possui dois passaportes, um islâmico e outro alemão.













Jogador-chave: Vincent Enyeama. O elástico goleiro da Nigéria deve ser o grande destaque dessa renovada seleção. Apesar de ser baixinho para um goleiro (1,80m), Enyeama possui um senso de colocação espetacular.

Preocupação: organização tática. Assim como todas as seleções africanas, a Nigéria sofre muito com a sua pífia organização tática. Sem saber muitas vezes o que fazer em campo, a Nigéria se torna uma presa fácil quando o adversário consegue anular sua única arma de verdade: a velocidade.

Aposta: Ogenyi Onazi. O jovem volante da Lazio é incansável na marcação. Onazi promete fazer uma dupla intransponível juntamente com Obi Mikel, vangloriado volante do Chelsea.

Ficaram de fora: John Utaka, Sunday Mba, Victor Obinna, Ikechukwu Uche, Obafemi Martins e Ideye Brown. Todos esses atacantes foram essenciais para a Nigéria, além da maioria jogar em grandes ligas. Entretanto, após várias disputadas com a federação do país, esses jogadores foram "esquecidos" pelo treinador Stephan Keshi. Chamado de "O Chefão", Keshi costuma fazer sua "família" assim como o treinador da seleção brasileira.

Curiosidades:
- Onazi já interrompeu um assalto em Roma. O volante correu atrás de um batedor de carteiras que tinha roubado uma mulher e devolveu o objetivo a dona.
- Enyeama pode ser um grande goleiro, porém, seus companheiros de clube no Lille procuram ficar um pouco longe do Pastor. Enyeama vive tentando converter seus colegas para a igreja.

O legado escocês de Sir Alex Ferguson

A primeira notícia que recebi na manhã de quarta-feira, 8 de maio, me deixou completamente perplexo. De cara achei que fosse brincadeira da televisão, mas não era. Sir Alex Ferguson, um grande ídolo, declarou que vai se aposentar ao final desta temporada.

Confesso que já briguei muitas vezes com o Sir Alex. A maioria dessas vezes foram por causa das escolhas do escocês que eu julgava muito estúpidas no momento. Não entendia como Wesley Brown era titular na lateral-direita (jogou até a final da Champions League de 2007/2008 contra o Chelsea), enquanto Gary Neville amargurava o banco depois de tudo que ele já tinha feito pelo clube. Não entendia como John O'Shea, jogador polivalente, porém muito caneludo, jogava frequentemente com ele. Não gostava das constantes alterações de posição dos jogadores. Já o chamei de louco, de esclerosado e de idiota.

Entretanto, ao final da temporada sempre tinha um troféu à espera do genial Alex Ferguson. E eu tinha que engolir tudo aquilo que eu reclamava. As minhas reclamações até que faziam sentido (Brown e O'Shea estão penando para serem titulares no Sunderland, atualmente), mas de algum jeito Fergie sempre conseguia usufruir desses jogadores limitados, algo que talvez nem eles soubessem que podiam fazer.

Esse era Sir Alex Ferguson, um gênio estrategista que conseguia jogar com qualquer peça. Um homem que eu aprendi a respeitar e admirar. Afinal, quem nesse mundo consegue se manter no cargo de treinador numa equipe mundialmente conhecida por longínquos 27 anos? Não existe, e duvido que vá existir.

Para se ter noção da grandeza desse treinador, Ferguson conquistou 48 títulos oficiais em toda a sua carreira! Se Fergie fosse um time da Premier League, ele seria a TERCEIRA "equipe" com mais títulos. O treinador do Manchester United só ficaria atrás dos próprios Red Devils e do Liverpool.

Ampliando esse panorama para toda Europa, clubes como Valencia, Atlético de Madrid,  Athletic Bilbao, Napoli, Roma, Lazio, Borussia Dortmund, Schalke 04 e Hamburgo, por exemplo, levariam uma surra de títulos do velho escocês.

Ferguson também já deu algumas escorregadas durante essa jornada gloriosa. Manucho, Bebé, Dong Fangzhuo, Mikael Silvestre, Bojan Djordjic e Danny Nardielo são algumas delas. Os dois primeiros nomes quase fritaram a reputação do treinador escocês, que foi investigado por supostamente favorecer o empresário desses dois jogadores.

Apesar de algumas escorregadelas, Sir Alex está acima de todos os treinadores de clubes no mundo. Não existe alguém comparável ao mestre escocês. Ele conquistou 13 títulos da liga inglesa, sendo que todos foram pela Premier League, que é a fase moderna do campeonato inglês, e que fora fundada em 1992. Conquistou duas Champions League (impossível não se recordar do 2x1, de virada, contra Bayern de Munique, no Camp Nou, em 1999, nos dois minutos de acréscimo). Tem dois Mundiais de Clube (Palmeiras/99 e LDU/2008). Cinco FA Cups. Quatro Copas da Liga. Duas Supercopa Europeia (uma pelo Aberdeen e uma pelo Manchester United). Dez Supercopa da Inglaterra. Três Scottish Premier League (todas pelo Aberdeen) e quatro Copas da Liga Escocesa (todas pelo Aberdeen). E olha que esses foram apenas os mais notáveis!

Ferguson também conquistou prêmios individuas, como: 11 vezes eleito o melhor treinador da Premier League e três vezes o Manager of the Year (pela LMA).

No entanto, o que mais impressionou em Sir Alex não foram os frutos colhidos por ótimos times, ou pelos times medianos. Muito menos por ter feito jogadores limitados jogarem bem. O maior mérito do lendário manager era sua capacidade de reciclagem.

Aos seus 71 anos, Ferguson se renovara incontáveis vezes. Apesar de ter recriado a famosa "duas linhas de quatro", o Sir sempre, sempre mesmo, tinha carta na manga. Um às do futebol. A maior desses ases, claramente, fora a versatilidade dos jogadores. Praticamente todos os jogadores do Manchester United sempre souberam desempenhar mais de uma função enquanto foram treinados por Ferguson.

Alguém pode-se se lembrar do "Boring Manchester (Manchester Chato)", que fora campeão duas vezes com Sir Alex ganhando na base do 1x0. Ferguson mesclava como poucos o seu time, e priorizava cada jogo. Todas as partidas tinham o seu valor diferente. E por isso, era quase impossível pegá-lo de desprevenido. Às vezes era necessário ser "chato", e ganhar, ou ser impecável, e convencer.

David Moyes, e o legado: um dia após o anúncio da aposentadoria de Alex Ferguson, a diretoria do Manchester United anunciou o  treinador do Everton, David Moyes, como o seu novo manager.

Conterrâneo de Ferguson, David Moyes desempenhou ótimos trabalhos no clube azul de Liverpool durante onze anos. Com elencos modestos, o Everton sempre fora bem armado e posicionado pelo promissor treinador.

A escolha de Moyes pelo Manchester United era uma bola que vinha sendo cantada há algumas temporadas, quando ja se começava a especular a aposentadoria de Alex Ferguson. Com apenas 50 anos de idade, Moyes fora eleito três vezes pela LMA (League Manager Association) Manager of the Year, em 2003, 2005 e 2009.

Porém, agora num patamar muito mais elevado, chegou a hora de David Moyes mostrar ao mundo de que ele não passa de um treinador com potencial. Com dinheiro em caixa, um elenco vitorioso e uma pressão por continuidade, é que se verá todo o potencial do escocês.

No Everton, Moyes ficara famoso por montar equipes agressivas e técnicas. Nesta temporada, até certo ponto, o Everton brigou valentemente por uma vaga na Champions League. Porém, com algumas lesões importantes, o clube terminará a sua participação com a sexta posição, uma colocação acima do seu arquirrival, o Liverpool.

Desde a temporada 2001/2002 no Everton, Moyes ficou apenas três vezes fora do dez melhores colocados da EPL (2001/2002, 2003/2004 e 2005/2006). Na temporada de 2004/2005, David Moyes colocou o Everton em sua melhor posição na tabela durante esses onze anos, que fora a quarta colocação. Os outros trabalhos de Moyes sempre foram bons, como o quinto lugar de 2008/2009 e a sexta posição nas temporadas de 2007/2008, 2006/2007 e 2002/2003.

O cartel de trabalho de Moyes é bastante sugestivo. Basta agora saber se ele será capaz de manter o legado mega vitorioso do seu conterrâneo, e inserir o seu nome como um treinador de classe mundial. A hipótese é de que David Moyes vá conseguir. Especialmente se depender da nacionalidade!

Gareth Bale: o substituto de Ryan Giggs

O ano era 2007, mais precisamente no dia 25 de maio, quando Sir Alex Ferguson sentenciou: "O Tottenham fez um dos negócios mais rentáveis da história". O lendário manager do Manchester United estava falando sobre Gareth Bale, jovem promessa do Southampton, que era motivo de disputa entre o time de Ferguson e o Tottenham, que acabou o contratando por 10 milhões de libras.

Bale, natural de Cardiff, é mais um daqueles grandes jogadores que jamais jogarão uma Copa do Mundo. Mesmo não achando que uma Copa do Mundo seja um parâmetro pra julgar a habilidade e a importância de um jogador, seria mais do que justo vê-lo entre os "melhores".

O caso de Bale nos remete ao do seu conterrâneo, Ryan Giggs, que é um dos maiores jogadores de todos os tempos e nunca foi à uma Copa do Mundo. Injusto, porém, essa lacuna não diminui a lenda que é Ryan Giggs. A coincidência com Giggs não pára apenas na nacionalidade. Bale também joga pelo lado esquerdo do gramado, além de ser rápido, driblador, técnico e canhoto, assim como Ryan Giggs foi na maior parte de sua vida.

Outro jogador que Bale vem sendo constantemente comparado é Cristiano Ronaldo. Existem muitas similaridades entre os dois jogadores, como a força e a capacidade de driblar em alta velocidade, porém, não adianta. Bale é a cara do Giggs em seu ápice. Porém, esse burburinho veio à tona pelos números do jogador. Bale tem a impressionante média de 0.67 gols/jogo, sendo a 3ª melhor média da Premier League (atrás de Luiz Suárez e Robin Van Persie que têm 0.78 e 0.68, respectivamente), e com 24 partidas disputadas, número menor do que as partidas disputadas por Luiz Suárez (27) e Van Persie (28).

Além desse número assombroso, Bale tem 16 gols na tabela de artilheiros, cinco a menos que Luiz Suárez, o artilheiro, e três a menos que Van Persie, o vice-artilheiro. Na Europa League, o desempenho de Gareth diminui um pouco: 2 gols apenas.

Pela seleção de Gales, nas Eliminatórias da Copa do Mundo (UEFA) 2014, Bale é o artilheiro do time com três gols, e é o sétimo na tabela de artilharia. Considerando que o Grupo A, onde se encontra o País de Gales, seja um grupo bem equilibrado, além da fragilidade da seleção galesa, esse número do ponta galês desperta uma atenção maior.

Entretanto, apesar dos números mostrarem o poderio ofensivo de Gareth Bale, a história do camisa 11 dos Spurs começou bem diferente do que a dos seus concorrentes pela artilharia (e também pelo prêmio de melhor jogador da liga).

Bale começou como lateral-esquerdo, no Southampton, em 2006 e com apenas 16 anos de idade. O galês é o segundo jogador mais novo à estrear com a camisa dos Saints, atrás de Theo Walcott, alguns dias mais novo, e que atualmente defende o rival Arsenal. Bale sempre fora muito técnico pra jogar na lateral, um dos motivos pela tardia ascensão entre os goleadores, pois na Inglaterra os laterais são obrigados a marcar antes de fazer qualquer outra coisa em campo.

Mesmo com esse empecilho da lateral, era notório dentro do Southampton o valor de Bale. No entanto, vale ressaltar a clareza dos scouts do Tottenham nesse caso, pois o risco era muito grande ao contratar um jogador que atuava numa posição que não lhe condizia. O Southampton, que no inicio endureceu a venda do craque, teve que ceder após a tentadora oferta do clube londrino. Os Saints estavam na Championship (segunda divisão) e estavam correndo risco de falência.

Bale chegou com pompas em White Hart Lane, após várias declarações de Sir Alex Ferguson, que tentou em vão a sua contratação, e pelas cifras nele depositadas. O início foi um pouco tímido, tanto é que Bale chegou a atuar como lateral-esquerdo por três temporadas no clube, além de revezar a vaga de titular com o Gilberto, ex-Cruzeiro e Grêmio. Bale, de fato, só foi conquistar a vaga de titular absoluto na ala esquerda quando Harry Redknapp assumiu o comando do Tottenham, no final de 2008.

Redknapp, após presenciar tantas subidas desenfreadas do seu ala esquerdo, resolveu adiantá-lo uma posição a frente no esquema tático, quando passou a jogar de meia-esquerda. Foi no 4-4-2, com a velha linha de quatro inglesa no meio-campo, que Gareth Bale virou um astro em Londres.

Não durou mais do que uma temporada para que Bale se acostumasse com a responsabilidade de "marcar menos". Jogando com mais liberdade, o galês começava a desfilar todo o seu repertório com dribles rápidos e verdadeiros canhões de perna esquerda. A redenção veio em 2009/2010, após grande campanha na Premier League que credenciou os Spurs com uma vaga na Champions League de 2010/2011.

Após passar facilmente pela primeira fase, o Tottenham chegou a fase de grupos da UCL como possível candidato ao segundo posto num grupo que tinha a Inter de Milão, que era comandada por Rafael Benitez. Aliás, foram os jogos contra a Inter de Milão que consagraram a ascendência de Bale, que deixou os londrinos em primeiro lugar no grupo.

No primeiro jogo contra os italianos, o Tottenham perdeu por 4x3 numa partida que ficou marcada por uma quase reação histórica. A Inter tinha terminado o primeiro tempo vencendo a partida por 4x0 após inúmeras confusões e um pênalti "esquisito" logo aos 13 minutos do começo da partida. Na volta do intervalo, os Spurs imprimiram uma velocidade descomunal ao jogo e anotaram três gols, e esses três tentos foram anotados por Bale.

Na segunda partida, em White Hart Lane, o jogo ficou conhecido pelo vareio de Bale encima de Maicon, na época titular também da seleção. Os Spurs venceram por 3x1, mas inversamente proporcional a partida no Giuseppe Meazza. Dessa vez Bale não marcou três vezes, ele deu as três assistências dos gols marcados por Van der Vaart, Peter Crouch e Roman Pavlyuchenko. No final da partida, em uníssono, os fãs do clube londrino gritavam a plenos pulmões: "Taxi for Maicon!".

Desde então o sucesso de Bale foi só aumentando até chegar nos dias de hoje, onde o galês já é uma realidade. Um craque. Também vale ressaltar a importância do atual treinador dos Spurs, André Villas-Boas, que deu mais liberdade ao craque.

Atualmente o Tottenham joga no 4-2-3-1, com Bale bem aberto pela esquerda e com muita liberdade para atacar. Dependendo da situação, Villas-Boas adianta Bale para o ataque, onde Bale atua como um digno ponta-esquerda. É nesse esquema que o camisa 11 do Tottenham vem pegando fogo.

Porém, quem está "sofrendo" com esse sucesso todo é o torcedor do Tottenham. Desde a UCL de três temporadas atrás que o nome de Bale é especulado em clubes como Barcelona, Real Madrid e recentemente o PSG.

Daniel Levy, dono do clube inglês, disse nessa semana que vai fazer uma oferta inimaginável ao galês. Segundo os jornais ingleses, o Tottenham estaria disposto a dobrar o salário do jogador que recebe 75 mil libras semanais (R$ 225 mil) para 130 mil libras semanais (R$ 390 mil). Independente do futuro do craque galês, é muito bom vê-lo jogar. A facilidade de driblar, correr com a bola, puxar contra-ataques, chutar ferozmente e, sobretudo, marcar gols, me faz acreditar que Gareth Bale é o melhor jogador da Premier League 2012/2013.

Por jogar num clube que é ofensivo por natureza e por contar com um treinador inteligentíssimo, considero que não é o momento certo para o Bale sair do Tottenham Hotspur. Uma transferência para o Barcelona ou Real Madrid é quase inevitável, assim como é inevitável dizer que Gareth Bale, com 23 anos, já substitui Ryan Giggs, a lenda, de maneira sublime.

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