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O fenômeno "El Niño"
Segundo a meteorologia, os fenômenos "El Niño" são alterações significativas de curta duração na distribuição de temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico, que reflete profundamente no clima. O "El Niño" acontece irregularmente em intervalos de 2 a 7 anos, os ventos sopram com menos força em todo o centro do Oceano Pacífico, resultando numa diminuição da ressurgência de águas profundas e na acumulação de água mais quente que a normal na costa oeste da América do Sul e na diminuição na população de peixes.
Você provavelmente lembra dessa matéria quando tinha que estudar para a prova de geografia no ensino fundamental e, provavelmente, deve estar se perguntando o que isso tem a ver com futebol. Os mais sagazes e viciados em futebol já devem ter sacado ou lembrado do nosso querido Fernando "El Niño" Torres, que voltou para o Atlético de Madrid, que, assim como o fenômeno meteorológico, é um caso bastante peculiar.
Como todos sabem, a carreira do atacante espanhol não está muito boa atualmente. Esse pequeno eufemismo foi mais em respeito à carreira do jogador do que a realidade condiz, pois a verdade é que a fase do "El Niño" é realmente péssima. Nessa temporada, antes de ser repassado por empréstimo do Milan para o Atlético de Madrid, Torres possuía apenas UM gol em DEZ jogos realizados com a camisa rossonera (o certo seria rossoneri, mas como já é comum no Brasil essa grafia, vamos lá). Aos 30 anos de idade, o espanhol encontra-se num dilema, pois, ao contrário do apelido, ele já não é mais nenhum menino e as chances de reencontrar a glória vão ficando cada vez mais escassas.
No entanto, o que levou o menino prodígio do Atlético de Madrid a chegar nesse patamar tão inócuo? Será que ele nos enganou perfeitamente por quase uma década com grandes atuações com as camisas de Atlético de Madrid e Liverpool? A mudança repentina na carreira do jogador só não é mais cruel do que as piadas que ele sofre atualmente dos torcedores rivais (e às vezes até daqueles que deveriam o apoiar).
Entretanto, teve um momento importante que serviu como um divisor de água na carreira do atacante espanhol: a transferência do Liverpool para o Chelsea, na temporada de 2010/2011, por 58 milhões de euros (20 milhões a mais do que o Liverpool pagou para tirar o jogador do Atlético de Madrid, na temporada de 2007/08), no mercado de verão da Europa. Na época, a transferência do Torres era considerada a maior da história do futebol inglês, justificada pela excelente fase do jogador que vinha de quatro temporadas espetaculares com o Liverpool, sendo, em alguns momentos, mais importante até do que o Gerrard, lenda viva dos Reds. As cifras assustadoras depositadas na contratação do jogador só não foram maiores do que o choque causado pela decisão do jogador em trocar de clube na Inglaterra. Torres fora cortejado por inúmeras equipes, inclusive o Real Madrid, enquanto vivia um caso de amor de platônico com o Liverpool. Ele fora terceiro colocado nas Bolas de Ouro da France Football, FIFA (não eram unificadas na época) e World Soccer, em 2008, além de ser o artilheiro da seleção espanhola (na época), campeão do mundo com a Fúria em 2010, na África do Sul, artilheiro da Premier League em 2007/08, jogador mais jovem a vestir a braçadeira de capitão do Atlético de Madrid, com 19 anos, em 2001, e vários outros recordes e títulos coletivos com a seleção espanhola, Atlético de Madrid e Liverpool. Tudo foi pelo ralo no Chelsea. Justamente quando o patamar havia sido elevado.
Torres tinha tudo para ser um dos grandes atacantes do futebol mundial atualmente. Por mais ou menos 8 anos, o espanhol, em grande fase, demonstrava muita velocidade, vigor físico, precisão nas finalizações, dribles certeiros e cabeceamento perfeito (como era legal ver o Torres cabecear as lindas bolas invertidas pelo maestro Steven Gerrard). A pressão exercida devido ao alto valor investido na contratação do espanhol foi nociva para o desempenho do atacante, que nem de longe desempenhou o mesmo papel de outrora com a camisa azul do Chelsea. Após quatro temporadas e meia com os Blues, Fernando Torres atuou em 117 partidas e marcou apenas 46 gols, média fraquíssima para um jogador desse calibre.
No entanto, zueira se instaurou na carreira de Torres não apenas por causa do seu fracasso no clube londrino, mas também porque existia uma grande rivalidade entre Liverpool e Chelsea na época em que ele fora contratado pelo time de azul. Desde que fora contratado pelo Liverpool até o dia em que ele trocou os Reds pelos Blues, Liverpool e Chelsea se enfrentaram inúmeras vezes, especialmente na Liga dos Campeões, com jogos épicos e resultados surpreendentes. Além disso, adicione a raiva que todos os torcedores ingleses têm pelo dinheiro de Roman Abramovich, dono do Chelsea, e o sucesso retumbante do sucessor do "El Niño" no Liverpool, o espetacular Luís Suarez, que atuou em 125 partidas pelos Reds e marcou 82 gols. Vale lembrar que tanto Torres quanto Suarez chegaram ao mesmo tempo em suas respectivas equipes e saíram coincidentemente na mesma janela de transferências. Outro detalhe importante fora a estréia de Fernando Torres, contra o próprio Liverpool, em Stamford Bridge, casa do Chelsea, numa partida em que o adversário dominou o dono da casa e saiu vencedor pelo placar de 1x0.
Desastres acompanharam a vida do "El Niño" nos anos subsequentes desde a transferência para o Chelsea, como a perda da titularidade na seleção espanhola (ficou de fora de algumas convocações, mas acabou sendo convocado para o Mundial no Brasil, em 2014), por exemplo. Todos os elementos radioativos que compunham a conturbada mudança de ares do jogador acabaram infectando aquele que um dia foi um espetacular definidor de jogadas e partidas. Torres foi do céu ao inferno quando aceitou receber mais para sair do Liverpool para ganhar mais títulos e, desde então, nunca mais foi o mesmo. A falta de confiança era nítida.
Você provavelmente lembra dessa matéria quando tinha que estudar para a prova de geografia no ensino fundamental e, provavelmente, deve estar se perguntando o que isso tem a ver com futebol. Os mais sagazes e viciados em futebol já devem ter sacado ou lembrado do nosso querido Fernando "El Niño" Torres, que voltou para o Atlético de Madrid, que, assim como o fenômeno meteorológico, é um caso bastante peculiar.
Como todos sabem, a carreira do atacante espanhol não está muito boa atualmente. Esse pequeno eufemismo foi mais em respeito à carreira do jogador do que a realidade condiz, pois a verdade é que a fase do "El Niño" é realmente péssima. Nessa temporada, antes de ser repassado por empréstimo do Milan para o Atlético de Madrid, Torres possuía apenas UM gol em DEZ jogos realizados com a camisa rossonera (o certo seria rossoneri, mas como já é comum no Brasil essa grafia, vamos lá). Aos 30 anos de idade, o espanhol encontra-se num dilema, pois, ao contrário do apelido, ele já não é mais nenhum menino e as chances de reencontrar a glória vão ficando cada vez mais escassas.
No entanto, o que levou o menino prodígio do Atlético de Madrid a chegar nesse patamar tão inócuo? Será que ele nos enganou perfeitamente por quase uma década com grandes atuações com as camisas de Atlético de Madrid e Liverpool? A mudança repentina na carreira do jogador só não é mais cruel do que as piadas que ele sofre atualmente dos torcedores rivais (e às vezes até daqueles que deveriam o apoiar).
Entretanto, teve um momento importante que serviu como um divisor de água na carreira do atacante espanhol: a transferência do Liverpool para o Chelsea, na temporada de 2010/2011, por 58 milhões de euros (20 milhões a mais do que o Liverpool pagou para tirar o jogador do Atlético de Madrid, na temporada de 2007/08), no mercado de verão da Europa. Na época, a transferência do Torres era considerada a maior da história do futebol inglês, justificada pela excelente fase do jogador que vinha de quatro temporadas espetaculares com o Liverpool, sendo, em alguns momentos, mais importante até do que o Gerrard, lenda viva dos Reds. As cifras assustadoras depositadas na contratação do jogador só não foram maiores do que o choque causado pela decisão do jogador em trocar de clube na Inglaterra. Torres fora cortejado por inúmeras equipes, inclusive o Real Madrid, enquanto vivia um caso de amor de platônico com o Liverpool. Ele fora terceiro colocado nas Bolas de Ouro da France Football, FIFA (não eram unificadas na época) e World Soccer, em 2008, além de ser o artilheiro da seleção espanhola (na época), campeão do mundo com a Fúria em 2010, na África do Sul, artilheiro da Premier League em 2007/08, jogador mais jovem a vestir a braçadeira de capitão do Atlético de Madrid, com 19 anos, em 2001, e vários outros recordes e títulos coletivos com a seleção espanhola, Atlético de Madrid e Liverpool. Tudo foi pelo ralo no Chelsea. Justamente quando o patamar havia sido elevado.
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| Essa foi a última vez em que Fernando Torres foi visto como um grande atacante do futebol internacional. |
No entanto, zueira se instaurou na carreira de Torres não apenas por causa do seu fracasso no clube londrino, mas também porque existia uma grande rivalidade entre Liverpool e Chelsea na época em que ele fora contratado pelo time de azul. Desde que fora contratado pelo Liverpool até o dia em que ele trocou os Reds pelos Blues, Liverpool e Chelsea se enfrentaram inúmeras vezes, especialmente na Liga dos Campeões, com jogos épicos e resultados surpreendentes. Além disso, adicione a raiva que todos os torcedores ingleses têm pelo dinheiro de Roman Abramovich, dono do Chelsea, e o sucesso retumbante do sucessor do "El Niño" no Liverpool, o espetacular Luís Suarez, que atuou em 125 partidas pelos Reds e marcou 82 gols. Vale lembrar que tanto Torres quanto Suarez chegaram ao mesmo tempo em suas respectivas equipes e saíram coincidentemente na mesma janela de transferências. Outro detalhe importante fora a estréia de Fernando Torres, contra o próprio Liverpool, em Stamford Bridge, casa do Chelsea, numa partida em que o adversário dominou o dono da casa e saiu vencedor pelo placar de 1x0.
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| Muito se fala na Inglaterra que um dos motivos do insucesso do espanhol pelo Chelsea foi uma praga rogada pelos torcedores do Liverpool contra o atacante. Parece que funcionou... |
Desastres acompanharam a vida do "El Niño" nos anos subsequentes desde a transferência para o Chelsea, como a perda da titularidade na seleção espanhola (ficou de fora de algumas convocações, mas acabou sendo convocado para o Mundial no Brasil, em 2014), por exemplo. Todos os elementos radioativos que compunham a conturbada mudança de ares do jogador acabaram infectando aquele que um dia foi um espetacular definidor de jogadas e partidas. Torres foi do céu ao inferno quando aceitou receber mais para sair do Liverpool para ganhar mais títulos e, desde então, nunca mais foi o mesmo. A falta de confiança era nítida.
Todavia, a sorte voltou a sorrir novamente para o lado de Fernando Torres. Cansados devido ao baixo rendimento do atacante em campo, o Milan aceitou a proposta do Atlético de Madrid, clube de coração do "El Niño", para liberar o jogador por empréstimo de um ano e meio em troca do italiano Alessio Cerci, que não se adaptou ao clube espanhol. Torres, que sempre transpareceu uma imagem gélida tanto para marcar gols quanto para com Chelsea e Milan, algo completamente diferente dos tempos em que era Colchonero, quando comemorava e participava com uma vontade louvável. Aliás, esse caso é bastante parecido com o do Alexandre Pato, atualmente no São Paulo.
Após sete anos e meio, "El Niño" está de volta ao Vicente Calderón, onde é ídolo e talvez um dos únicos lugares do mundo onde ele ainda é extremamente respeitado. Herói na campanha do acesso do Atlético de Madrid na segunda divisão, na temporada 2001/2002, quando conquistou o título para os Colchoneros, Torres receberá mais uma chance para voltar a ser aquele grande jogador que atuou em altíssimo nível por Atlético de Madrid e Liverpool por quase uma década. A negociação, a primeira instância, parece um tiro no pé do clube Colchonero, que já conta com o ótimo Mario Mandzukic, ex-Bayern de Munique, como camisa 9. O croata se adaptou rapidamente ao estilo de jogo do Simeone no Atléti, além de estar marcando muitos gols pelo clube. Contudo, sua boa fase fez acender um sinal de alerta no clube, pois o Manchester City pretende contratá-lo para substituir os inúmeros atacantes lesionados nessa temporada. São muitos detalhes envolvendo a troca do Torres e a opção do jogador, mas uma coisa é certa: todo o apoio que o Niño receberá de volta à sua casa pode transformar a carreira desse "ex-grande centroavante em atividade", e espera-se que a péssima fase do atacante tenha encontrado um fim depois que os bons ventos futebolísticos se tornaram escassos, assim como acontece com o fenômeno meteorológico que recebe o mesmo apelido que o espanhol.
Após sete anos e meio, "El Niño" está de volta ao Vicente Calderón, onde é ídolo e talvez um dos únicos lugares do mundo onde ele ainda é extremamente respeitado. Herói na campanha do acesso do Atlético de Madrid na segunda divisão, na temporada 2001/2002, quando conquistou o título para os Colchoneros, Torres receberá mais uma chance para voltar a ser aquele grande jogador que atuou em altíssimo nível por Atlético de Madrid e Liverpool por quase uma década. A negociação, a primeira instância, parece um tiro no pé do clube Colchonero, que já conta com o ótimo Mario Mandzukic, ex-Bayern de Munique, como camisa 9. O croata se adaptou rapidamente ao estilo de jogo do Simeone no Atléti, além de estar marcando muitos gols pelo clube. Contudo, sua boa fase fez acender um sinal de alerta no clube, pois o Manchester City pretende contratá-lo para substituir os inúmeros atacantes lesionados nessa temporada. São muitos detalhes envolvendo a troca do Torres e a opção do jogador, mas uma coisa é certa: todo o apoio que o Niño receberá de volta à sua casa pode transformar a carreira desse "ex-grande centroavante em atividade", e espera-se que a péssima fase do atacante tenha encontrado um fim depois que os bons ventos futebolísticos se tornaram escassos, assim como acontece com o fenômeno meteorológico que recebe o mesmo apelido que o espanhol.
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| Torres, jovem e capitão do seu time de coração, nos tempos áureos no Atlético de Madrid. Será que ele volta a ser o que era antes? |
29.12.14
Postado Por: TramaFC
A melhor liga nacional do mundo na melhor final de clubes do mundo
Todo mundo já sabe que a final da Champions League desse ano é entre Borussia Dortmund e Bayern de Munique. Porém, existe um mundo por trás dessa final. Um mundo estritamente germânico e que atende pelo nome de Bundesliga.
No ano em que completa 50 anos, a Bundesliga emplacou um feito notável na história do futebol europeu: colocou dois clubes alemães na final da Champions League pela primeira vez. Em seu cinquentenário, a liga alemã conseguiu se destacar de novo no cenário futebolístico.
No entanto, não é a data comemorativa, ou a final inédita que credencia a Bundesliga como o melhor campeonato nacional do planeta. Uma série de fatores positivos e culturais implicam na afirmação e na consolidação dos alemães.
O fator primordial para o sucesso da Bundesliga foi o reconhecimento do passado e a realização de um ideal. Para que isso acontecesse, foi preciso muita dedicação, precisão, determinação, paciência e disciplina, marcas do futebol alemão em si, segundo Bobby Moore.
Claro que somente isso não garante sucesso no futebol moderno. Marius Neuhaus, cientista político e especialista sobre a Bundesliga, afirma que a identificação cultural do alemão com a sua região é extremamente forte. Além disso, um fator global também interferiu nesse processo: a Segunda Guerra Mundial. Devido à grande depressão alemã ocasionada pela derrota na Segunda Guerra, o futebol virou uma escapatória da realidade. O alemão é fissurado por futebol, e ele morre pelo time que torce.
Sabendo que o futebol é muito mais do que uma paixão, os alemães revitalizaram a sua liga com base em conceitos administrativos modernos. Dentre todas as principais ligas europeias, a Bundesliga é a única que não possui dívida com o fisco. A Premier League, La Liga e Calcio Serie A, estão cada vez mais afundados na crise europeia.
Além de não possuir dívidas com a Federação Alemã de Futebol, a Bundesliga não permite que os clubes de futebol se endividem. O famoso fair play financeiro que Michel Platini, presidente da UEFA, quer implantar em toda Europa, já existe há mais de uma década na Alemanha. Caso algum clube esteja devendo, a determinada equipe é rebaixada de divisão até que ela se reestruture e consiga o acesso, por meio da competição, e volte para o lugar de origem (ou para a primeira divisão).
Outro fator importantíssimo para o crescimento da receita e da igualdade dos clubes alemães é com relação à cota de televisão. A Bundesliga sentenciou que todos os clubes tem que receber a mesma fatia do dinheiro pela transmissão, e que TODOS clubes tem o direito de ter a sua partida televisionada para todo país ao menos uma vez por rodada. Isso mesmo, na Alemanha não importa se o time tem pouca ou muita torcida, ele vai aparecer ao menos uma vez na televisão (tanto na TV aberta quanto na TV fechada).
É quase inconcebível imaginar que isso aconteça no Brasil, onde existe um monopólio de Corinthians e Flamengo, em todas as rodadas, e em todos os canais.
Graças à igualdade nas cotas e com a grande exposição do clube na televisão, as agremiações alemãs trabalham fortemente com o marketing para conquistar mais torcedores, mais sócios e mais dinheiro. Por ser tão justa com os clubes, a Bundesliga acaba que incitando-os à usar o marketing como um meio legítimo para angariar mais dinheiro, e assim ter vantagem na compra de jogadores. Simples, honesto e preciso. Algo que o Bayern de Munique explora com maestria.
"A maioria dos clubes da Premier League e da La Liga teriam que declarar falência na Alemanha. É uma combinação com o status econômico do país, e a Alemanha está liderando a Europa nesse momento de crise", conta Marius.
Aliás, na Alemanha é raro ver um clube despejar cifras exorbitantes em jogadores. Desde a remodelação, quando os alemães perceberam que eles não eram mais uma potência temerosa no âmbito mundial do esporte bretão, os germânicos decidiram investir nas categorias de base. Todo o lucro que cada clube consegue com as cotas, com a federação, com o marketing, vão, em sua grande parte, para a infraestrutura da academia de jovens.
Essa preocupação com os jovens jogadores reflete na seleção. Hoje, a Alemanha é a única seleção párea, talvez superior, à Espanha. Com futebol ofensivo, pragmático e compacto, a equipe de Joaquim Low é um resultado caseiro. Por exemplo, no último jogo oficial da Alemanha, contra o Cazaquistão, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, em que ela venceu por 4x1, apenas dois jogadores, de todos os que foram relacionados para a partida, não atuavam por clubes alemães: Sami Khedira e Mesut Ozil, ambos do Real Madrid. Lembrando que 90% dos jogadores da equipe principal da Alemanha já passaram pelas divisões de base da seleção nacional.
Somando todos os fatores já apresentados, existe um que é a marca registrada da Bundesliga: o público. Os torcedores, razão maior do futebol, são tratados de maneira especial na Alemanha. Desde o início deste século, o campeonato alemão é insuperável na média de público. O líder de arrecadação e de público na Europa é o finalista desta edição da Champions League: o Borussia Dortmund.
Os estádios alemães são a combinação perfeita de conforto, segurança e modernidade, sem tirar a vibração e a pressão impulsionada pelos torcedores. Dentro das arenas, é obrigatório ter um local reservado para os mais fanáticos, pois os clubes sabem que os donos são os torcedores e não os dirigentes ou patrocinadores. É comum uma agremiação alemã eleger um torcedor/assessor responsável pela comunicação entre a diretoria e os torcedores da arquibancada. Esse feedback entre torcida e direção possibilita que o clube agrade e melhore as questões exigidas pelos fãs.
Os mosaicos, bandeiras e adereços, tão presentes nas festas protagonizadas pelos torcedores alemães, são resultado de paixão, fanatismo e organização entre clube e torcida. O laço que une o clube, os fãs e os jogadores é muito estreito. Franck Ribery, ponta do Bayern, apesar de francês, sempre comemora os seus gols no meio da "geral" bávara. Sebastian Kehl, um dos jogadores mais experientes do Borussia Dortmund, puxa o coro da Muralha Amarela (a maior geral da Europa, com 25 mil lugares atrás do gol visitante) com um megafone.
Detalhe: desse numeroso e suntuoso aglomerado rebanho de torcedores alemães, 40% são mulheres! Sim, o futebol é tão forte, tão cultuado na Alemanha, que esse número grande de moças no estádio evidencia o quanto é trabalhado a marca, a receita e o público na Bundesliga.
Dito isso, em meio à tantos êxitos alcançados pelos germânicos na reconstrução do seu futebol, a filosofia alemã virou referência no mundo da bola. O resultado será acompanhado neste sábado, quando o Bayern de Munique, símbolo maior desse profissionalismo alemão, enfrentará o conterrâneo de Dortmund, o Borussia, que renasceu das cinzas (e de uma dívida de mais de 200 milhões de euros) graças ao uso correto das receitas.
O Bayern vai para a sua quarta final de Champions League desde a entrada do século XXI, sendo que das últimas três o clube só conquistou uma, na temporada 2000/2001, contra o Valencia. O clube bávaro, referência no futebol europeu por ter a melhor saúde financeira dentre os gigantes europeus, é favorito por ter um plantel com mais opções de qualidade. Os principais destaques do time (Phillip Lahm, Bastian Schweinsteiger e Thomas Muller) são pratas da casa misturados com jogadores de alto nível que foram comprados antes do ápice (Manuel Neuer, Dante, Franck Ribery, Arjen Robben e Mario Mandzukic). Por ter perdido a final da temporada passada para o Chelsea, em casa, o Bayern tem uma segunda chance para amenizar a decepção que ainda mora no coração de cada bávaro vivo.
O Borussia Dortmund, que conquistou a Europa apenas uma vez, em 1996/1997, contra a Juventus, encara agora a sua segunda final na história. Como dito antes, o Borussia conseguiu sobreviver à falência em 2003, quando teve que vender o seu estádio, o Westfalenstadion, para uma empresa privada, e fazer acordos para o pagamento de sua dívida milionária. Além disso, o BVB (como é conhecido o Borussia Dortmund) contou com um empréstimo de 2 milhões de euros do Bayern de Munique. Isso mesmo, dois rivais fervorosos. Irônico? Nem um pouco! O Borussia se reergueu e sanou todas as dívidas que tinha. Depois de conseguir eliminar o maior encosto de sua vida, o time da cidade de Dortmund recomprou o seu estádio e apostou na fórmula caseira de revelar jogadores. Além de revelar, o Borussia utilizou-se do scouting de jogadores desconhecidos e com potencial, caso do Shinji Kagawa (que foi vendido ao Manchester United por 26 milhões de euros, sendo que o japonês fora comprado pelo Borussia por 120 mil dólares do Cerezo Osaka), Felipe Santana, Robert Lewandowski, Lukasz Piszczek e Jakub "Kuba" Blaszczykowski. Das últimas três edições da Bundesliga, o BVB conquistou duas, e hoje está na final da Champions League. Um renascimento épico.
Portanto, a final desta Champions League entre Borussia Dortmund e Bayern de Munique vai muito além da "orelhuda" (apelido da taça). No canto vermelho, o Bayern de Munique, um clube gigantesco, potente e inovador. No canto amarelo, o Borussia Dortmund, um gigante alemão que por muito pouco não pereceu, e agora desfruta de seu trabalho duro e do profissionalismo. Juup Heynckes contra Jurgen Klopp, o primeiro se despede do futebol, enquanto o segundo se consolida como um treinador estrategista e motivador. Duas torcidas alucinantes vão duelar num show à parte dentro das arquibancadas. Mario Gotze, vendido pelo Borussia Dortmund ao Bayern de Munique, não joga. Enquanto isso, Franck Ribery briga com Jerome Boateng na comemoração do título da Bundesliga. Em Wembley, os dois clubes de melhor campanha desta edição da Champions League vão disputar o troféu, não só de rei da Europa, mas também o troféu de rei da Bundesliga, atualmente a melhor liga nacional do mundo.
Claro que somente isso não garante sucesso no futebol moderno. Marius Neuhaus, cientista político e especialista sobre a Bundesliga, afirma que a identificação cultural do alemão com a sua região é extremamente forte. Além disso, um fator global também interferiu nesse processo: a Segunda Guerra Mundial. Devido à grande depressão alemã ocasionada pela derrota na Segunda Guerra, o futebol virou uma escapatória da realidade. O alemão é fissurado por futebol, e ele morre pelo time que torce.
Sabendo que o futebol é muito mais do que uma paixão, os alemães revitalizaram a sua liga com base em conceitos administrativos modernos. Dentre todas as principais ligas europeias, a Bundesliga é a única que não possui dívida com o fisco. A Premier League, La Liga e Calcio Serie A, estão cada vez mais afundados na crise europeia.
Além de não possuir dívidas com a Federação Alemã de Futebol, a Bundesliga não permite que os clubes de futebol se endividem. O famoso fair play financeiro que Michel Platini, presidente da UEFA, quer implantar em toda Europa, já existe há mais de uma década na Alemanha. Caso algum clube esteja devendo, a determinada equipe é rebaixada de divisão até que ela se reestruture e consiga o acesso, por meio da competição, e volte para o lugar de origem (ou para a primeira divisão).
Outro fator importantíssimo para o crescimento da receita e da igualdade dos clubes alemães é com relação à cota de televisão. A Bundesliga sentenciou que todos os clubes tem que receber a mesma fatia do dinheiro pela transmissão, e que TODOS clubes tem o direito de ter a sua partida televisionada para todo país ao menos uma vez por rodada. Isso mesmo, na Alemanha não importa se o time tem pouca ou muita torcida, ele vai aparecer ao menos uma vez na televisão (tanto na TV aberta quanto na TV fechada).
É quase inconcebível imaginar que isso aconteça no Brasil, onde existe um monopólio de Corinthians e Flamengo, em todas as rodadas, e em todos os canais.
Graças à igualdade nas cotas e com a grande exposição do clube na televisão, as agremiações alemãs trabalham fortemente com o marketing para conquistar mais torcedores, mais sócios e mais dinheiro. Por ser tão justa com os clubes, a Bundesliga acaba que incitando-os à usar o marketing como um meio legítimo para angariar mais dinheiro, e assim ter vantagem na compra de jogadores. Simples, honesto e preciso. Algo que o Bayern de Munique explora com maestria.
"A maioria dos clubes da Premier League e da La Liga teriam que declarar falência na Alemanha. É uma combinação com o status econômico do país, e a Alemanha está liderando a Europa nesse momento de crise", conta Marius.
Aliás, na Alemanha é raro ver um clube despejar cifras exorbitantes em jogadores. Desde a remodelação, quando os alemães perceberam que eles não eram mais uma potência temerosa no âmbito mundial do esporte bretão, os germânicos decidiram investir nas categorias de base. Todo o lucro que cada clube consegue com as cotas, com a federação, com o marketing, vão, em sua grande parte, para a infraestrutura da academia de jovens.
Essa preocupação com os jovens jogadores reflete na seleção. Hoje, a Alemanha é a única seleção párea, talvez superior, à Espanha. Com futebol ofensivo, pragmático e compacto, a equipe de Joaquim Low é um resultado caseiro. Por exemplo, no último jogo oficial da Alemanha, contra o Cazaquistão, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, em que ela venceu por 4x1, apenas dois jogadores, de todos os que foram relacionados para a partida, não atuavam por clubes alemães: Sami Khedira e Mesut Ozil, ambos do Real Madrid. Lembrando que 90% dos jogadores da equipe principal da Alemanha já passaram pelas divisões de base da seleção nacional.
Somando todos os fatores já apresentados, existe um que é a marca registrada da Bundesliga: o público. Os torcedores, razão maior do futebol, são tratados de maneira especial na Alemanha. Desde o início deste século, o campeonato alemão é insuperável na média de público. O líder de arrecadação e de público na Europa é o finalista desta edição da Champions League: o Borussia Dortmund.
Os estádios alemães são a combinação perfeita de conforto, segurança e modernidade, sem tirar a vibração e a pressão impulsionada pelos torcedores. Dentro das arenas, é obrigatório ter um local reservado para os mais fanáticos, pois os clubes sabem que os donos são os torcedores e não os dirigentes ou patrocinadores. É comum uma agremiação alemã eleger um torcedor/assessor responsável pela comunicação entre a diretoria e os torcedores da arquibancada. Esse feedback entre torcida e direção possibilita que o clube agrade e melhore as questões exigidas pelos fãs.
Os mosaicos, bandeiras e adereços, tão presentes nas festas protagonizadas pelos torcedores alemães, são resultado de paixão, fanatismo e organização entre clube e torcida. O laço que une o clube, os fãs e os jogadores é muito estreito. Franck Ribery, ponta do Bayern, apesar de francês, sempre comemora os seus gols no meio da "geral" bávara. Sebastian Kehl, um dos jogadores mais experientes do Borussia Dortmund, puxa o coro da Muralha Amarela (a maior geral da Europa, com 25 mil lugares atrás do gol visitante) com um megafone.
Detalhe: desse numeroso e suntuoso aglomerado rebanho de torcedores alemães, 40% são mulheres! Sim, o futebol é tão forte, tão cultuado na Alemanha, que esse número grande de moças no estádio evidencia o quanto é trabalhado a marca, a receita e o público na Bundesliga.
Dito isso, em meio à tantos êxitos alcançados pelos germânicos na reconstrução do seu futebol, a filosofia alemã virou referência no mundo da bola. O resultado será acompanhado neste sábado, quando o Bayern de Munique, símbolo maior desse profissionalismo alemão, enfrentará o conterrâneo de Dortmund, o Borussia, que renasceu das cinzas (e de uma dívida de mais de 200 milhões de euros) graças ao uso correto das receitas.
O Bayern vai para a sua quarta final de Champions League desde a entrada do século XXI, sendo que das últimas três o clube só conquistou uma, na temporada 2000/2001, contra o Valencia. O clube bávaro, referência no futebol europeu por ter a melhor saúde financeira dentre os gigantes europeus, é favorito por ter um plantel com mais opções de qualidade. Os principais destaques do time (Phillip Lahm, Bastian Schweinsteiger e Thomas Muller) são pratas da casa misturados com jogadores de alto nível que foram comprados antes do ápice (Manuel Neuer, Dante, Franck Ribery, Arjen Robben e Mario Mandzukic). Por ter perdido a final da temporada passada para o Chelsea, em casa, o Bayern tem uma segunda chance para amenizar a decepção que ainda mora no coração de cada bávaro vivo.
O Borussia Dortmund, que conquistou a Europa apenas uma vez, em 1996/1997, contra a Juventus, encara agora a sua segunda final na história. Como dito antes, o Borussia conseguiu sobreviver à falência em 2003, quando teve que vender o seu estádio, o Westfalenstadion, para uma empresa privada, e fazer acordos para o pagamento de sua dívida milionária. Além disso, o BVB (como é conhecido o Borussia Dortmund) contou com um empréstimo de 2 milhões de euros do Bayern de Munique. Isso mesmo, dois rivais fervorosos. Irônico? Nem um pouco! O Borussia se reergueu e sanou todas as dívidas que tinha. Depois de conseguir eliminar o maior encosto de sua vida, o time da cidade de Dortmund recomprou o seu estádio e apostou na fórmula caseira de revelar jogadores. Além de revelar, o Borussia utilizou-se do scouting de jogadores desconhecidos e com potencial, caso do Shinji Kagawa (que foi vendido ao Manchester United por 26 milhões de euros, sendo que o japonês fora comprado pelo Borussia por 120 mil dólares do Cerezo Osaka), Felipe Santana, Robert Lewandowski, Lukasz Piszczek e Jakub "Kuba" Blaszczykowski. Das últimas três edições da Bundesliga, o BVB conquistou duas, e hoje está na final da Champions League. Um renascimento épico.
Portanto, a final desta Champions League entre Borussia Dortmund e Bayern de Munique vai muito além da "orelhuda" (apelido da taça). No canto vermelho, o Bayern de Munique, um clube gigantesco, potente e inovador. No canto amarelo, o Borussia Dortmund, um gigante alemão que por muito pouco não pereceu, e agora desfruta de seu trabalho duro e do profissionalismo. Juup Heynckes contra Jurgen Klopp, o primeiro se despede do futebol, enquanto o segundo se consolida como um treinador estrategista e motivador. Duas torcidas alucinantes vão duelar num show à parte dentro das arquibancadas. Mario Gotze, vendido pelo Borussia Dortmund ao Bayern de Munique, não joga. Enquanto isso, Franck Ribery briga com Jerome Boateng na comemoração do título da Bundesliga. Em Wembley, os dois clubes de melhor campanha desta edição da Champions League vão disputar o troféu, não só de rei da Europa, mas também o troféu de rei da Bundesliga, atualmente a melhor liga nacional do mundo.
25.5.13
Postado Por: TramaFC
O legado escocês de Sir Alex Ferguson
A primeira notícia que recebi na manhã de quarta-feira, 8 de maio, me deixou completamente perplexo. De cara achei que fosse brincadeira da televisão, mas não era. Sir Alex Ferguson, um grande ídolo, declarou que vai se aposentar ao final desta temporada.
Confesso que já briguei muitas vezes com o Sir Alex. A maioria dessas vezes foram por causa das escolhas do escocês que eu julgava muito estúpidas no momento. Não entendia como Wesley Brown era titular na lateral-direita (jogou até a final da Champions League de 2007/2008 contra o Chelsea), enquanto Gary Neville amargurava o banco depois de tudo que ele já tinha feito pelo clube. Não entendia como John O'Shea, jogador polivalente, porém muito caneludo, jogava frequentemente com ele. Não gostava das constantes alterações de posição dos jogadores. Já o chamei de louco, de esclerosado e de idiota.
Entretanto, ao final da temporada sempre tinha um troféu à espera do genial Alex Ferguson. E eu tinha que engolir tudo aquilo que eu reclamava. As minhas reclamações até que faziam sentido (Brown e O'Shea estão penando para serem titulares no Sunderland, atualmente), mas de algum jeito Fergie sempre conseguia usufruir desses jogadores limitados, algo que talvez nem eles soubessem que podiam fazer.
Esse era Sir Alex Ferguson, um gênio estrategista que conseguia jogar com qualquer peça. Um homem que eu aprendi a respeitar e admirar. Afinal, quem nesse mundo consegue se manter no cargo de treinador numa equipe mundialmente conhecida por longínquos 27 anos? Não existe, e duvido que vá existir.
Para se ter noção da grandeza desse treinador, Ferguson conquistou 48 títulos oficiais em toda a sua carreira! Se Fergie fosse um time da Premier League, ele seria a TERCEIRA "equipe" com mais títulos. O treinador do Manchester United só ficaria atrás dos próprios Red Devils e do Liverpool.
Ampliando esse panorama para toda Europa, clubes como Valencia, Atlético de Madrid, Athletic Bilbao, Napoli, Roma, Lazio, Borussia Dortmund, Schalke 04 e Hamburgo, por exemplo, levariam uma surra de títulos do velho escocês.
Ferguson também já deu algumas escorregadas durante essa jornada gloriosa. Manucho, Bebé, Dong Fangzhuo, Mikael Silvestre, Bojan Djordjic e Danny Nardielo são algumas delas. Os dois primeiros nomes quase fritaram a reputação do treinador escocês, que foi investigado por supostamente favorecer o empresário desses dois jogadores.
Apesar de algumas escorregadelas, Sir Alex está acima de todos os treinadores de clubes no mundo. Não existe alguém comparável ao mestre escocês. Ele conquistou 13 títulos da liga inglesa, sendo que todos foram pela Premier League, que é a fase moderna do campeonato inglês, e que fora fundada em 1992. Conquistou duas Champions League (impossível não se recordar do 2x1, de virada, contra Bayern de Munique, no Camp Nou, em 1999, nos dois minutos de acréscimo). Tem dois Mundiais de Clube (Palmeiras/99 e LDU/2008). Cinco FA Cups. Quatro Copas da Liga. Duas Supercopa Europeia (uma pelo Aberdeen e uma pelo Manchester United). Dez Supercopa da Inglaterra. Três Scottish Premier League (todas pelo Aberdeen) e quatro Copas da Liga Escocesa (todas pelo Aberdeen). E olha que esses foram apenas os mais notáveis!
Ferguson também conquistou prêmios individuas, como: 11 vezes eleito o melhor treinador da Premier League e três vezes o Manager of the Year (pela LMA).
No entanto, o que mais impressionou em Sir Alex não foram os frutos colhidos por ótimos times, ou pelos times medianos. Muito menos por ter feito jogadores limitados jogarem bem. O maior mérito do lendário manager era sua capacidade de reciclagem.
Aos seus 71 anos, Ferguson se renovara incontáveis vezes. Apesar de ter recriado a famosa "duas linhas de quatro", o Sir sempre, sempre mesmo, tinha carta na manga. Um às do futebol. A maior desses ases, claramente, fora a versatilidade dos jogadores. Praticamente todos os jogadores do Manchester United sempre souberam desempenhar mais de uma função enquanto foram treinados por Ferguson.
Alguém pode-se se lembrar do "Boring Manchester (Manchester Chato)", que fora campeão duas vezes com Sir Alex ganhando na base do 1x0. Ferguson mesclava como poucos o seu time, e priorizava cada jogo. Todas as partidas tinham o seu valor diferente. E por isso, era quase impossível pegá-lo de desprevenido. Às vezes era necessário ser "chato", e ganhar, ou ser impecável, e convencer.
David Moyes, e o legado: um dia após o anúncio da aposentadoria de Alex Ferguson, a diretoria do Manchester United anunciou o treinador do Everton, David Moyes, como o seu novo manager.
Conterrâneo de Ferguson, David Moyes desempenhou ótimos trabalhos no clube azul de Liverpool durante onze anos. Com elencos modestos, o Everton sempre fora bem armado e posicionado pelo promissor treinador.
A escolha de Moyes pelo Manchester United era uma bola que vinha sendo cantada há algumas temporadas, quando ja se começava a especular a aposentadoria de Alex Ferguson. Com apenas 50 anos de idade, Moyes fora eleito três vezes pela LMA (League Manager Association) Manager of the Year, em 2003, 2005 e 2009.
Porém, agora num patamar muito mais elevado, chegou a hora de David Moyes mostrar ao mundo de que ele não passa de um treinador com potencial. Com dinheiro em caixa, um elenco vitorioso e uma pressão por continuidade, é que se verá todo o potencial do escocês.
No Everton, Moyes ficara famoso por montar equipes agressivas e técnicas. Nesta temporada, até certo ponto, o Everton brigou valentemente por uma vaga na Champions League. Porém, com algumas lesões importantes, o clube terminará a sua participação com a sexta posição, uma colocação acima do seu arquirrival, o Liverpool.
Desde a temporada 2001/2002 no Everton, Moyes ficou apenas três vezes fora do dez melhores colocados da EPL (2001/2002, 2003/2004 e 2005/2006). Na temporada de 2004/2005, David Moyes colocou o Everton em sua melhor posição na tabela durante esses onze anos, que fora a quarta colocação. Os outros trabalhos de Moyes sempre foram bons, como o quinto lugar de 2008/2009 e a sexta posição nas temporadas de 2007/2008, 2006/2007 e 2002/2003.
O cartel de trabalho de Moyes é bastante sugestivo. Basta agora saber se ele será capaz de manter o legado mega vitorioso do seu conterrâneo, e inserir o seu nome como um treinador de classe mundial. A hipótese é de que David Moyes vá conseguir. Especialmente se depender da nacionalidade!
Apesar de algumas escorregadelas, Sir Alex está acima de todos os treinadores de clubes no mundo. Não existe alguém comparável ao mestre escocês. Ele conquistou 13 títulos da liga inglesa, sendo que todos foram pela Premier League, que é a fase moderna do campeonato inglês, e que fora fundada em 1992. Conquistou duas Champions League (impossível não se recordar do 2x1, de virada, contra Bayern de Munique, no Camp Nou, em 1999, nos dois minutos de acréscimo). Tem dois Mundiais de Clube (Palmeiras/99 e LDU/2008). Cinco FA Cups. Quatro Copas da Liga. Duas Supercopa Europeia (uma pelo Aberdeen e uma pelo Manchester United). Dez Supercopa da Inglaterra. Três Scottish Premier League (todas pelo Aberdeen) e quatro Copas da Liga Escocesa (todas pelo Aberdeen). E olha que esses foram apenas os mais notáveis!
Ferguson também conquistou prêmios individuas, como: 11 vezes eleito o melhor treinador da Premier League e três vezes o Manager of the Year (pela LMA).
No entanto, o que mais impressionou em Sir Alex não foram os frutos colhidos por ótimos times, ou pelos times medianos. Muito menos por ter feito jogadores limitados jogarem bem. O maior mérito do lendário manager era sua capacidade de reciclagem.
Aos seus 71 anos, Ferguson se renovara incontáveis vezes. Apesar de ter recriado a famosa "duas linhas de quatro", o Sir sempre, sempre mesmo, tinha carta na manga. Um às do futebol. A maior desses ases, claramente, fora a versatilidade dos jogadores. Praticamente todos os jogadores do Manchester United sempre souberam desempenhar mais de uma função enquanto foram treinados por Ferguson.
Alguém pode-se se lembrar do "Boring Manchester (Manchester Chato)", que fora campeão duas vezes com Sir Alex ganhando na base do 1x0. Ferguson mesclava como poucos o seu time, e priorizava cada jogo. Todas as partidas tinham o seu valor diferente. E por isso, era quase impossível pegá-lo de desprevenido. Às vezes era necessário ser "chato", e ganhar, ou ser impecável, e convencer.
David Moyes, e o legado: um dia após o anúncio da aposentadoria de Alex Ferguson, a diretoria do Manchester United anunciou o treinador do Everton, David Moyes, como o seu novo manager.
Conterrâneo de Ferguson, David Moyes desempenhou ótimos trabalhos no clube azul de Liverpool durante onze anos. Com elencos modestos, o Everton sempre fora bem armado e posicionado pelo promissor treinador.
A escolha de Moyes pelo Manchester United era uma bola que vinha sendo cantada há algumas temporadas, quando ja se começava a especular a aposentadoria de Alex Ferguson. Com apenas 50 anos de idade, Moyes fora eleito três vezes pela LMA (League Manager Association) Manager of the Year, em 2003, 2005 e 2009.
Porém, agora num patamar muito mais elevado, chegou a hora de David Moyes mostrar ao mundo de que ele não passa de um treinador com potencial. Com dinheiro em caixa, um elenco vitorioso e uma pressão por continuidade, é que se verá todo o potencial do escocês.
No Everton, Moyes ficara famoso por montar equipes agressivas e técnicas. Nesta temporada, até certo ponto, o Everton brigou valentemente por uma vaga na Champions League. Porém, com algumas lesões importantes, o clube terminará a sua participação com a sexta posição, uma colocação acima do seu arquirrival, o Liverpool.
Desde a temporada 2001/2002 no Everton, Moyes ficou apenas três vezes fora do dez melhores colocados da EPL (2001/2002, 2003/2004 e 2005/2006). Na temporada de 2004/2005, David Moyes colocou o Everton em sua melhor posição na tabela durante esses onze anos, que fora a quarta colocação. Os outros trabalhos de Moyes sempre foram bons, como o quinto lugar de 2008/2009 e a sexta posição nas temporadas de 2007/2008, 2006/2007 e 2002/2003.
O cartel de trabalho de Moyes é bastante sugestivo. Basta agora saber se ele será capaz de manter o legado mega vitorioso do seu conterrâneo, e inserir o seu nome como um treinador de classe mundial. A hipótese é de que David Moyes vá conseguir. Especialmente se depender da nacionalidade!
18.5.13
Postado Por: TramaFC
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Gareth Bale: o substituto de Ryan Giggs
O ano era 2007, mais precisamente no dia 25 de maio, quando Sir Alex Ferguson sentenciou: "O Tottenham fez um dos negócios mais rentáveis da história". O lendário manager do Manchester United estava falando sobre Gareth Bale, jovem promessa do Southampton, que era motivo de disputa entre o time de Ferguson e o Tottenham, que acabou o contratando por 10 milhões de libras.
Bale, natural de Cardiff, é mais um daqueles grandes jogadores que jamais jogarão uma Copa do Mundo. Mesmo não achando que uma Copa do Mundo seja um parâmetro pra julgar a habilidade e a importância de um jogador, seria mais do que justo vê-lo entre os "melhores".
O caso de Bale nos remete ao do seu conterrâneo, Ryan Giggs, que é um dos maiores jogadores de todos os tempos e nunca foi à uma Copa do Mundo. Injusto, porém, essa lacuna não diminui a lenda que é Ryan Giggs. A coincidência com Giggs não pára apenas na nacionalidade. Bale também joga pelo lado esquerdo do gramado, além de ser rápido, driblador, técnico e canhoto, assim como Ryan Giggs foi na maior parte de sua vida.
Outro jogador que Bale vem sendo constantemente comparado é Cristiano Ronaldo. Existem muitas similaridades entre os dois jogadores, como a força e a capacidade de driblar em alta velocidade, porém, não adianta. Bale é a cara do Giggs em seu ápice. Porém, esse burburinho veio à tona pelos números do jogador. Bale tem a impressionante média de 0.67 gols/jogo, sendo a 3ª melhor média da Premier League (atrás de Luiz Suárez e Robin Van Persie que têm 0.78 e 0.68, respectivamente), e com 24 partidas disputadas, número menor do que as partidas disputadas por Luiz Suárez (27) e Van Persie (28).
Além desse número assombroso, Bale tem 16 gols na tabela de artilheiros, cinco a menos que Luiz Suárez, o artilheiro, e três a menos que Van Persie, o vice-artilheiro. Na Europa League, o desempenho de Gareth diminui um pouco: 2 gols apenas.
Pela seleção de Gales, nas Eliminatórias da Copa do Mundo (UEFA) 2014, Bale é o artilheiro do time com três gols, e é o sétimo na tabela de artilharia. Considerando que o Grupo A, onde se encontra o País de Gales, seja um grupo bem equilibrado, além da fragilidade da seleção galesa, esse número do ponta galês desperta uma atenção maior.
Entretanto, apesar dos números mostrarem o poderio ofensivo de Gareth Bale, a história do camisa 11 dos Spurs começou bem diferente do que a dos seus concorrentes pela artilharia (e também pelo prêmio de melhor jogador da liga).
Bale começou como lateral-esquerdo, no Southampton, em 2006 e com apenas 16 anos de idade. O galês é o segundo jogador mais novo à estrear com a camisa dos Saints, atrás de Theo Walcott, alguns dias mais novo, e que atualmente defende o rival Arsenal. Bale sempre fora muito técnico pra jogar na lateral, um dos motivos pela tardia ascensão entre os goleadores, pois na Inglaterra os laterais são obrigados a marcar antes de fazer qualquer outra coisa em campo.
Mesmo com esse empecilho da lateral, era notório dentro do Southampton o valor de Bale. No entanto, vale ressaltar a clareza dos scouts do Tottenham nesse caso, pois o risco era muito grande ao contratar um jogador que atuava numa posição que não lhe condizia. O Southampton, que no inicio endureceu a venda do craque, teve que ceder após a tentadora oferta do clube londrino. Os Saints estavam na Championship (segunda divisão) e estavam correndo risco de falência.
Bale chegou com pompas em White Hart Lane, após várias declarações de Sir Alex Ferguson, que tentou em vão a sua contratação, e pelas cifras nele depositadas. O início foi um pouco tímido, tanto é que Bale chegou a atuar como lateral-esquerdo por três temporadas no clube, além de revezar a vaga de titular com o Gilberto, ex-Cruzeiro e Grêmio. Bale, de fato, só foi conquistar a vaga de titular absoluto na ala esquerda quando Harry Redknapp assumiu o comando do Tottenham, no final de 2008.
Redknapp, após presenciar tantas subidas desenfreadas do seu ala esquerdo, resolveu adiantá-lo uma posição a frente no esquema tático, quando passou a jogar de meia-esquerda. Foi no 4-4-2, com a velha linha de quatro inglesa no meio-campo, que Gareth Bale virou um astro em Londres.
Não durou mais do que uma temporada para que Bale se acostumasse com a responsabilidade de "marcar menos". Jogando com mais liberdade, o galês começava a desfilar todo o seu repertório com dribles rápidos e verdadeiros canhões de perna esquerda. A redenção veio em 2009/2010, após grande campanha na Premier League que credenciou os Spurs com uma vaga na Champions League de 2010/2011.
Após passar facilmente pela primeira fase, o Tottenham chegou a fase de grupos da UCL como possível candidato ao segundo posto num grupo que tinha a Inter de Milão, que era comandada por Rafael Benitez. Aliás, foram os jogos contra a Inter de Milão que consagraram a ascendência de Bale, que deixou os londrinos em primeiro lugar no grupo.
No primeiro jogo contra os italianos, o Tottenham perdeu por 4x3 numa partida que ficou marcada por uma quase reação histórica. A Inter tinha terminado o primeiro tempo vencendo a partida por 4x0 após inúmeras confusões e um pênalti "esquisito" logo aos 13 minutos do começo da partida. Na volta do intervalo, os Spurs imprimiram uma velocidade descomunal ao jogo e anotaram três gols, e esses três tentos foram anotados por Bale.
Na segunda partida, em White Hart Lane, o jogo ficou conhecido pelo vareio de Bale encima de Maicon, na época titular também da seleção. Os Spurs venceram por 3x1, mas inversamente proporcional a partida no Giuseppe Meazza. Dessa vez Bale não marcou três vezes, ele deu as três assistências dos gols marcados por Van der Vaart, Peter Crouch e Roman Pavlyuchenko. No final da partida, em uníssono, os fãs do clube londrino gritavam a plenos pulmões: "Taxi for Maicon!".
Desde então o sucesso de Bale foi só aumentando até chegar nos dias de hoje, onde o galês já é uma realidade. Um craque. Também vale ressaltar a importância do atual treinador dos Spurs, André Villas-Boas, que deu mais liberdade ao craque.
Atualmente o Tottenham joga no 4-2-3-1, com Bale bem aberto pela esquerda e com muita liberdade para atacar. Dependendo da situação, Villas-Boas adianta Bale para o ataque, onde Bale atua como um digno ponta-esquerda. É nesse esquema que o camisa 11 do Tottenham vem pegando fogo.
Porém, quem está "sofrendo" com esse sucesso todo é o torcedor do Tottenham. Desde a UCL de três temporadas atrás que o nome de Bale é especulado em clubes como Barcelona, Real Madrid e recentemente o PSG.
Daniel Levy, dono do clube inglês, disse nessa semana que vai fazer uma oferta inimaginável ao galês. Segundo os jornais ingleses, o Tottenham estaria disposto a dobrar o salário do jogador que recebe 75 mil libras semanais (R$ 225 mil) para 130 mil libras semanais (R$ 390 mil). Independente do futuro do craque galês, é muito bom vê-lo jogar. A facilidade de driblar, correr com a bola, puxar contra-ataques, chutar ferozmente e, sobretudo, marcar gols, me faz acreditar que Gareth Bale é o melhor jogador da Premier League 2012/2013.
Por jogar num clube que é ofensivo por natureza e por contar com um treinador inteligentíssimo, considero que não é o momento certo para o Bale sair do Tottenham Hotspur. Uma transferência para o Barcelona ou Real Madrid é quase inevitável, assim como é inevitável dizer que Gareth Bale, com 23 anos, já substitui Ryan Giggs, a lenda, de maneira sublime.
5.3.13
Postado Por: TramaFC
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