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A redenção da dinastia que não acabou

A temporada 2014/2015 do Patriots começou claudicante, com uma derrota estranha para o Miami Dolphins por 33x20, fora de casa, quando o time levou a virada na volta do intervalo e não fez uma pontuação sequer no segundo tempo. Depois disso, o Patriots venceu duas partidas seguidas, ainda jogando mal, até enfrentar o Kansas City Chiefs, quando foi massacrado no Arrowhead Stadium, por 41x14, numa péssima jornada de Tom Brady e Bill Belichick. Pois é, uma das maiores duplas da história da NFL foi responsável pelo momento mais crítico da franquia em anos. Foi depois desse confronto que começaram a sentenciar o fim da dinastia do Patriots, além de aposentarem precocemente Tom Brady e Bill Belichick.

A paulada foi tão grande e dolorosa que os torcedores ficaram em choque, algo nunca visto antes, mesmo a maioria sabendo que essa temporada seria de renovação para a franquia. Parecia que finalmente o time mais odiado da NFL estava fadado  ao desastre. E qual foi o resultado desse pânico todo? O Patriots engatou SETE vitórias seguidas, sendo a maioria dessas vitórias por 40 ou mais pontos, transformando "a dinastia que havia acabado" no quarto melhor pontuador geral da competição. A gana e o ódio estavam visíveis nos olhos e no comportamento dos jogadores do Patriots.

Aos poucos, a linha ofensiva (OL) ia melhorando, a defesa ficava cada vez mais agressiva e perigosa na secundária e o ataque aparecia cada vez mais incisivo. Entretanto, havia um jogador que estava ainda mais em "modo fúria". Quem mais sofreu, e sofreu calado, foi o mitológico quarterback de New England. De repente, até o Colin Kaepernick parecia ser, aos olhos dos especialistas, mais quarterback do que o multi-campeão camisa 12 do Patriots. A necessidade que a mídia tem em criar e derrubar ídolos fez com que o QB saísse da sua zona de conforto, que ousasse mais. Todavia, o oportunismo e o sensacionalismo foram benéficos para o Patriots, que usou todo esse burburinho negativo a seu favor. Todos que acompanham a NFL há algum tempo sabem que quando Tom Brady joga no "modo fúria" não existe adversário que consiga pará-lo, vide o Denver Broncos, Cincinnati Bengals e Indianapolis Colts, que começaram as suas campanhas bem melhores do que o Patriots, e que eram cotados para estarem no lugar do New England Patriots, mas que foram completamente dominados e massacrados quando enfrentaram Tom Brady e os seus amigos. O massacre no Kansas serviu para acender a fogueira de competitividade que estava esmerilhando na gélida New England.

O Patriots terminou a temporada regular com 12 vitórias, quatro derrotas e nenhum empate, além de ter terminado a fase com o quarto melhor ataque da NFL. O time estava afiado e preparado para os combates dos playoffs, apesar de todo pessimismo dos torcedores. O primeiro deles, aliás, foi o mais temido de todos: o Baltimore Ravens, um pesadelo na vida de qualquer fã do Patriots. Joe Flacco estava imaculado nos playoffs, com números espetaculares e recordes estabelecidos, mas toda a pompa do QB não foi párea contra uma atuação espetacular dos donos da casa. O Patriots esteve duas vezes atrás no placar por 14 pontos e numa das vezes que revertera o placar, e uma faceta fora revelada ao mundo: as trick plays do Patriots. O famoso passe para trás do Brady para o Edelman que, em seguida, lançou para o Amendola totalmente livre para anotar o touchdown foi a grande jogada da partida e, por muito pouco, não foi a jogada do ano. Ao final da partida, Joe Flacco, que estava "on fire" fora interceptado pelo strong safety Duron Harmon, que pouco aparecera na temporada até então, ato que selou a classificação da equipe de New England para mais uma final de conferência.

No final de semana seguinte, o Patriots recebeu em sua casa o Indianapolis Colts para decidir quem iria para o Super Bowl. O resultado você já sabe: um massacre homérico. No entanto, horas depois da partida veio a notícia de que 11 das 12 bolas usadas no primeiro tempo da partida contra o Colts estavam murchas. A notícia caiu como uma bomba no colo de uma franquia que paga pela má fama até hoje por um incidente ocorrido há muito tempo atrás, o Spy Gate. Batizado de "Império do Mal", essa história toda era tudo o que o Patriots menos precisava no momento. Nem mesmo com o "apoio" do conceituadíssimo Sports Science, que apresentou provas críveis de que era impossível existir qualquer tipo de vantagem a favor do Patriots com a quantidade de ar perdido nas 11 bolas, além de terem apontado para o frio como um dos principais fatores para que a bola murchasse um pouco, serviu para acalmar os críticos. Alguns outros detalhes também passaram despercebidos nesse imbróglio todo. A partida só foi tomar ares de goleada no segundo tempo, quando o problema já estava resolvido, já que a soma da pontuação do terceiro e quarto período era de 28x0 para o Patriots. Foi no primeiro tempo do duelo que Tom Brady fora interceptado pela defesa do Colts, cenário que permitiu aos visitantes anotarem um touchdown logo em seguida. Por último, o grande nome da partida fora o running back LaGarrette Blount, que anotou quatro touchdowns correndo, um tipo de jogada onde o peso da bola não inflige em nada no desempenho do atleta. Ou seja, esse erro infantil, que deve ser investigado mais afundo, de nada influenciou no resultado do jogo.

Após duas semanas, o grande dia chegou para os torcedores de Patriots e Seahawks. De um lado a desconfiança, do outro a confiança exagerada. Era perceptível o medo e a apreensão entre os torcedores do New England Patriots, enquanto a Legion of Boom estava completamente agitada para o duelo. O cenário parecia um filme dirigido pelo Martin Scorsese, onde o Patriots era o protagonista miserável e o Seahawks era o antagonista bonitão, bem parecido com "Os Infiltrados".

O Super Bowl XLIX foi, sem dúvida alguma, o mais emocionante dessa década. O Patriots começou muito bem o jogo, evitando o óbvio que eram os passes em profundidade, tática que foi bem aproveitada até um pequeno erro de cálculo de Tom Brady, que forçou um passe na end zone e fora interceptado. Apesar do erro incomum do QB, o Patriots manteve a resiliência e abriu o placar no segundo quarto. Como um verdadeiro antagonista chato, o Seahawks empatou logo em seguida, pouco antes do Patriots retomar as rédeas da partida e depois perdê-la de novo. Após o efervescente show da Katy Perry no intervalo, o Seahawks voltou arrasador, engolindo o Patriots no terceiro quarto, onde anotou 10 pontos contra uma defesa que vinha jogando bem, mas que pecava na cobertura na secundária, que fora o seu trunfo até então, e lugar onde jazia Chris Matthews, inócuo durante toda temporada, mas mortal no jogo que mais importava no ano. Com pouco mais de 10 minutos no relógio, um estádio completamente hostil e um time pela frente que estava com uma sorte do tamanho do Arizona, aquele pessimismo que era latente entre os torcedores patriotas ficou gigantesco. Pessimismo esse que só não foi mais gigantesco que a atuação de Tom Brady, o maior quarterback dos Super Bowls. No dia em que foi maior que o seu ídolo, Joe Montana, ele liderou o Patriots para uma virada de 10 pontos de desvantagem, alterando o placar para 28x24. No entanto, o estupendo QB teve que dividir os louros da vitória com aquele herói improvável que eu citei anteriormente. Mais improvável que o Harmon contra o Ravens. Um herói digno desse grande jogo: Malcom Butler. O cornerback, que pouco participou da campanha do Patriots, interceptou o passe de Russell Wilson, numa chamada que ninguém entendeu, onde o correto seria correr com a besta na linha de uma jarda para a end zone. A interceptação de Butler foi mais simbólica ainda por causa da recepção inacreditável do wide receiver Jermaine Kearse, cuja bola caiu no seu colo após quase ser desviada pelo próprio Butler. Nesse momento, veio a cabeça do torcedor do Patriots o lance do Tyree e do Manningham pelo Giants, ambos nas duas últimas vezes em que o New England esteve presente no Super Bowl. Butler, que se você prestar bastante atenção, esteve envolvido em todas as jogadas importantes no último quarto de jogo. 


O ápice do Super Bowl XLIX
Merecidamente, o cornerback ofuscou o passe do Edelman contra o Ravens, o touchdown do Develin contra o Colts, a partida perfeita do Vereen na final, o braço mecânico do Gronkowski e os clutches do tão criticado Danny Amendola durante os playoffs. Foi tudo muito surpreendente. E o final dessa história não foi como num filme do Scorsese, onde o protagonista miserável morre. O final foi uma redenção ao estilo western americano. Butler, que sequer havia interceptado uma bola, virou o grande herói dessa grandiosa franquia, apesar do esforço descomunal de uma defesa que apareceu na hora mais crítica do ano. A tão criticada defesa conseguiu parar o Seattle nas quatro últimas campanhas do Super Bowl (punt, punt, punt e pick). Contundo, essa grande equipe, que muitos desvalorizaram, não seria nada se fosse pela genialidade do Bill Belichick. Quem pensaria em usar o Edelman, que fora QB no College, contra o Ravens nos playoffs? Quem seria louco em usar a OL como trunfo para marcar touchdowns? Por que raios ele não pediu tempo no último drive do Seahawsk, que estava a mercê de marcar um touchdown que poderia acabar com o sonho do tetra? Um louco como o Bielsa, porém vencedor. Ele sabe muito bem como funciona o jogo. Ele respira o jogo. Se havia um cara nesse mundo capaz de transformar o Patriots, esse cara era o carrancudo Bill.

Você querendo ou não, erro tático do Darrell Bevell ou não, "deflate gate" ou não, a história do campeão teve um final glorioso. O New England Patriots mostrou que a dinastia, enquanto Tom Brady e Bill Belichick estiverem por lá, estará longe de acabar. O tetracampeão do Super Bowl mostrou que o imediatismo custa caro para alguns analistas, e que isso serve de combustível para uma máquina que estava emperrada. Daqui uns 10 anos, quando a dinastia de fato acabar, e a raiva por ela diminuir, o mundo vai reconhecer a genialidade da dupla Brady-Belichick, e todos vão sentir muito a falta deles.


A imagem mais bonita para o torcedor do Patriots

Guia básico para entender a NFL parte 2 (NFC)

NFC EAST (Dallas Cowboys, New York Giants, Philadelphia Eagles, Washington Redskins)















Nome: Dallas Cowboys
Fundação: 1960
Estádio: AT&T Stadium
Apelido: America's Team
Ordem cronológica: 1960 - presente
Super Bowls: 1971 (VI), 1977 (XII), 1992 (XXVII), 1993 (XXVIII) e 1995 (XXX)
Conferências: 1970, 1971, 1975, 1977, 1978, 1992, 1993 e 1995
Divisões: 1970, 1971, 1972, 1973, 1976, 1977, 1978, 1979, 1981, 1985, 1992, 1993, 1995, 1996, 1998, 2007 e 2009
Rivais: Washington Redskins, New York Giants, Philadelphia Eagles e Arizona Cardinals.
Ídolos: Bob Lilly (DT), Emmitt Smith (RB), Randy White (DT), Mel Renfro (RS), Chuck Howley (LB), Lee Roy Jordan (LB), Ed (DE), Tony Dorsett (RB), Cornell Green (DS), Michael Irvin (WR), Roger Staubach (QB), Ralph Neely (OT), Troy Aikman (QB), Jethro Pugh (DT), Dave Edwards (LB), Cliff Harris (FS), Drew Pearson (WR) e Bob Hayes (WR/PR)
Destaques: Tony Romo (QB), DeMarco Murray (RB), Dez Bryant (WR), Jason Witten (TE), Terrence Williams (WR), Gavin Escobar (TE), Barry Church (FS), Rolando McCain (MLB), J.J. Wilcox (SS), Justin Durant (OLB), Sterling Moore (DB), Bruce Carter (OLB), Henry Melton (DT), George Selvie (DE) e Kyle Wilber (OLB).
Resumo: Há quase 20 anos sem chegar num Super Bowl, que já vencera cinco vezes, o Dallas Cowboys deverá contar com uma temporada mais amena e tranquila com relação as outras. Motivo? Os americanos cansaram de forçar a barra com o time mais popular do país, sendo que por muitos anos a forçada de barra era descomunal com as equipes formadas durante esses 20 anos de hiato. Com um "time menos polêmico" e sem grandes preocupações com Tony Romo, os caubóis também contam com uma poderosa arma para voltar aos playoffs com mais força. E qual arma seria essa? DeMarco Murray, um monstro na arte de correr com a bola. Ele é explosivo, quebra tackles e finta com muita facilidade. Os mais maldosos diriam que Murray é o grande motivo para que Tony Romo tenha poucos turnovers com relação a temporada passada, já que não é muito difícil entregar as bolas nos braços do running back. Entretanto, a confiança que Murray passou para o time texano reflete na tranquilidade que Romo tem para lançar a bola ultimamente. Dez Bryant, que sempre foi um wide receiver de alto nível, está aproveitando muito bem as chances. Além dele, Terrence Williams, que está em seu segundo ano na liga, já anotou mais TDs atualmente do que durante a temporada passada inteira. Outro alvo que Romo sempre busca é o sempre confiável Jason Witten, uma sumidade entre os tight ends ativos. Apesar do corpanzil avantajado, Witten tem muita ginga nos pés e sabe muito bem procurar espaços durante a corrida. No entanto, se o ataque corresponde à altura do time, o mesmo não se pode dizer da defesa. A saída de DeMarcus Ware (DE) foi um tremendo baque para a defesa, que pouco consegue parar o jogo corrido dos adversários. Já no jogo aéreo a realidade é um pouco melhor, considerando que a secundária do Dallas é muito boa em forçar turnovers.













Nome: New York Giants
Fundação: 1925
Estádio: MetLife Stadium
Apelido: Big Blue
Ordem cronológica: 1925 - presente
Super Bowls: 1986 (XXI), 1990 (XXV), 2007 (XLII) e 2011 (XLVI)
Conferências: 1986, 1990, 2000, 2007 e 2011
Divisões: 1986, 1989, 1990, 1997, 2000, 2005, 2008 e 2011
Rivais: Philadelphia Eagles, Washington Redskins, Dallas Cowboys, San Francisco 49rs, New York Jets e New England Patriots
Ídolos: Lawrence Taylor (OLB), Rosey Brown (OL), Emlen Tummel (S), Harry Carson (LB), Mel Hein (OL), Michael Strahan (DE), Sam Huff (LB), Frank Gifford (HB/WR), Y.A. Tittle (QB), Andy Robustelli (DE), Arnold Weinmeister (DT), Charlie Conerly (QB), Tiki Barber (RB), Tuffy Leemans (FB/HB), Phil Simms (QB), Joe Morrison (WR) e Eli Manning (QB)
Destaques: Eli Manning (QB), Rashad Jennings (RB), Andre Williams (RB), Rueben Randle (WR), Larry Donnell (TE), Victor Cruz (WR), Daniel Fells (TE), Odell Beckham (WR), Jason Pierre-Paul (DE), Jacquian Williams (OLB), Antrel Rolle (SS), Trumaine McBride (CB), Mathias Kiwanuka (DE), Damontre Moore (DE), Robert Ayers (DE) e Johnathan Hankins (DT)
Resumo: O Big Blue é a grande incógnita dentre os três principais postulantes nessa divisão, já que os Redskins não conseguem se resolver tanto dentro de campo quanto fora dele. Apesar de ninguém dizer o contrário, parecia que Eli Manning estava sob o efeito de alguma magia negra desde a temporada passada. Muitas interceptações assombravam o mundinho do já bitolado quarterback de Nova York. Victor Cruz, principal nome do ataque dos Giants, começou a temporada claudicantemente por causa de uma contusão. Com isso, o trio de jovens recebedores dos Giants apareceu na hora que o time mais precisava. Randle (WR), Beckham (WR) e Donnell (TE) estão dando conta do recado, além de darem mais movimentação para Eli Manning, que ansiava tanto por isso. Porém, quem mais chama a atenção negativamente nessa fraca temporada dos nova-iorquinos é a defesa, que não corresponde nem de perto com o otimismo que ela dava aos torcedores do Azulão. Você pode atribuir N fatores para o fraco desempenho da linha defensiva, mas nada é mais sintomático que a idade avançada de muitos dos principais jogadores defensivos dos Giants. Correr atrás de moleques não é nada fácil, meus caros.














Nome: Philadelphia Eagles
Fundação: 1933
Estádio: Lincoln Financial Field
Apelido: Bird Gang
Ordem cronológica: Philadelphia Eagles (1933-1942), Philadelphia/Pittsburgh Steagles (1943) Philadelphia Eagles (1944-presente)
Super Bowls: 0
Conferências: 1980 e 2004
Divisões: 1980, 1988, 2001, 2002, 2003, 2004, 2006, 2010 e 2013
Rivais: New York Giants, Washington Redskins, Dallas Cowboys, Pittsburgh Steelers, Green Bay Packers e New England Patriots
Ídolos: Reggie White (DE), Chuck Bednarik (LB), Steve Van Buren (RB), Brian Dawkins (S), Pete Pihos (TE), Brian Westbrook (RB), Wilbert Montgomery (RB), Bob Brown (OT), Bill Bergey (LB), Norm Van Brocklin (QB), Harold Carmichael (WR), Donovan McNabb (QB), Randall Cunningham (QB), Tra Thomas (OT), Jon Runyan (OT) e Trent Cole (DE)
Destaques: Nick Foles (QB), LeSean McCoy (RB), Darren Sproles (RB), Jeremy Maclin (WR), Riley Cooper (WR), Jordan Matthews (WR), Zach Ertz (TE), James Casey (TE), Chris Polk (RB), DeMeco Ryans (ILB), Nate Allen (SS), Bradley Fletcher (CB), Fletcher Cox (DE), Connor Barwin (OLB), Brandon Graham (LB), Trent Cole (OLB) e Vinny Curry (DE)
Resumo: Se o Philadelphia Eagles fosse um time brasileiro, o time, no caso, seria o Internacional. O motivo? O clube colorado sempre monta elencos com grandes jogadores, as famosas contratações de aeroporto, assim como faz (fazia) a franquia da Philadelphia. Coincidentemente, essa relação pode ser feita porque a fase "gastadora" das duas equipes começou na mesma época, no início dos anos 2000. Porém, após anos gastando o salary cap com jogadores caros durante a free agency, os Eagles decidiram maneirar na gastança e começaram a dar oportunidades aos jogadores mais novos e jogadores encostados, ou em baixa, em outras franquias (caso de Darren Sproles). Com isso, baseado nos recentes resultados e nos resultados da pré-temporada, os Eagles podem, no mínimo, conseguir uma vaga nos playoffs. Apesar de terem perdido o grande DeSean Jackson para o rival Washington Redskins, os Eagles conseguiram manter uma boa média de pontuação com os seus wide receivers, especialmente com Jeremy Maclin. Já na defesa, os Eagles não sofreram nenhuma baixa considerável. Com jogadores pesados e táticos, a DL da franquia é uma das mais agressivas e perigosas de toda a liga, ocasionando fumbles e interceptações corriqueiramente em seus adversários. Somando a todos esses elementos, ainda temos o temível estádio Lincoln Financial Field, que é um verdadeiro caldeirão para os adversários.















Nome: Washington Redskins
Fundação: 1932
Estádio: FedEx Field
Apelido: The Skins
Ordem cronológica: Boston Braves (1932), Boston Redskins (1933-1936), Washington Redskins (1937-presente)
Super Bowls: 1982 (XVII), 1987 (XXII) e 1991 (XXVI)
Conferências: 1972, 1982, 1983, 1987 e 1991
Divisões: 1972, 1983, 1984, 1987, 1991, 1999 e 2012
Rivais: Dallas Cowboys, New York Giants e Philadelphia Eagles
Ídolos: Sammy Baugh (QB/DB/P), John Riggins (RB), Art Monk (WR), Darrell Green (CB), Joe Theismann (QB), Sam Huff (LB), Joe Jacoby (OL), Sonny Jurgenson (QB), Charles Mann (DE), Russ Grimm (TE), Ken Harvey (LB), Dexter Manley (DE), Larry Brown (RB), Ken Houston (DB), Clinton Portis (RB), Jeff Bostic (OL) e Chris Samuels (LT)
Destaques: Robert Griffin III (QB), Kirk Cousins (QB), Alfred Morris (RB), Pierre Garcon (WR), DeSean Jackson (WR), Niles Paul (TE), Andre Roberts (WR), Darrel Young (FB), Keenan Robinson (ILB), Ryan Kerrigan (OLB), Ryan Clark (FS), Bashaud Breeland (CB), Perry Riley (ILB), Jason Hatcher (DE), Frank Kearse (DT) e DeAngelo Hall (CB)
Resumo: Geralmente o que define um time de futebol americano é o seu quarterback, certo? Pois é, e se eu dissesse que os Redskins nunca tiveram uma "identidade" nessa posição? Durante sua história, os Redskins ficaram famosos por draftar ou contratar QBs burocráticos e cautelosos, bem ao estilo "low profile", e que dariam bons frutos a franquia. O último, e talvez o único quarterback de Washington que ficou famoso foi Joe Theismann, que apesar da breve carreira no esporte, conseguiu liderar os Redskins como uma verdadeira estrela da sua posição. Atualmente, Washington não conta com um grande QB para liderar sua esquadra para a vitória. Robert Griffin III, ou simplesmente RGIII, convive com intermináveis lesões que atrapalham o seu desenvolvimento. Após manobra mirabolante dos dirigentes para draftá-lo, RGIII respondeu a curto prazo e se destacou com vários passes longos e corridas inacreditáveis. No entanto, o QB principal está indisponível e os seus dois reservas são fraquíssimos (Kirk Cousins e Colt McCoy). Sua ótima e jovem linha defensiva, que faz lembrar os tempos áureos daquele time supercampeão na década de 1980, também é constantemente assombrada pelas lesões (DeAngelo Hall, por exemplo), mas sua solidez pode ser o porto seguro que os Skins tanto precisam. 


NFC NORTH (Green Bay Packers, Chicago Bears, Minnesota Vikings e Detroit Lions)











Nome: Green Bay Packers
Fundação: 1919
Estádio: Lambeau Field
Apelido: The Pack ou Bays
Ordem cronológica: 1919 - presente
Super Bowls: 1966 (I), 1967 (II), 1996 (XXXI) e 2010 (XLV)
Conferências: 1960, 1961, 1962, 1965, 1966, 1967, 1996, 1997 e 2010
Divisões: 1967, 1972, 1995, 1996, 1997, 2002, 2003, 2004, 2007, 2011, 2012 e 2013
Rivais: Chicago Bears, Minnesota Vikings e Detroit Lions
Ídolos: Gale Gillingham (G), LeRoy Butler (S), Aaron Rodgers (QB), Clark Hinkle (FB), Arnie Herber (QB), Jim Ringo (C), Sterling Sharpe (WR), James Lofton (WR), Henry Jordan (DT), Jerry Kramer (RG), Reggie White (DE), Willie Davies (DE), Paul Hornung (HB), Willie Wood (S), Jim Taylor (FB), Herb Adderley (CB), Ray Nitschke (MLB), Forrest Gregg (RT), Brett Favre (QB), Bart Starr (QB) e Don Hutson (WR)
Destaques: Aaron Rodgers (QB), Eddie Lacy (RB), James Starks (RB), Jordy Nelson (WR), Randall Cobb (WR), Davante Adams (WR), Andrew Quarless (TE), Morgan Burnett (SS), A.J. Hawk (ILB), Julius Peppers (OLB), Mike Daniels (DE), Clay Matthews (OLB), Mike Neal (OLB), Nick Perry (OLB), Sam Shields (CB) e Casey Hayward (CB).
Resumo: O futebol brasileiro possui várias regras varzeanas e folclóricas. Uma delas, e talvez a mais famosa (e que se mais se assemelha à realidade), é de que a camisa ganha jogo. Poucos times na NFL são tão tradicionais e fortes como o Green Bay Packers. Apesar de não estar numa de suas grandes temporadas, os comandados de Aaron Rodgers são capazes de tudo, mesmo com poucos jogadores renomados e muita juventude. A defesa continua sólida como um mármore, mesmo com alguns jogadores sofrendo lesões durante a temporada. Clay Matthews, Nick Perry e A.J. Hawk são três dos melhores linebackers que qualquer treinador sonharia em ter, e que agora conta com o auxílio do excelente e veteraníssimo Julius Peppers, ex-Bears. O ataque de Green Bay poderia passar despercebido na maioria das vezes, em qualquer outra equipe, caso ela não fosse liderada por um quarterback de alto nível como é o Aaron Rodgers. Esse grande jogador é capaz de transformar um simples picadinho de carne da sobra do churrasco do final de semana num filé mignon à parmegiana. Jogadores como Randall Cobb, Davante Adams e Andrew Quarless agradecem até hoje pela sorte de terem um QB tão prolífico e genial em seu comando.












Nome: Chicago Bears
Fundação: 1919
Estádio: Soldier Field
Apelido: Da Bears ou The Monsters of the Midway
Ordem cronológica: Decatur Staleys (1919-1920), Chicago Staleys (1921) e Chicago Bears (1922-presente)
Super Bowls: 1985 (XX)
Conferências: 1985 e 2006
Divisões: 1984, 1985, 1986, 1987, 1988, 1990, 2000, 2005, 2006 e 2010
Rivais: Green Bay Packers, Minnesota Vikings, Detroit Lions, Arizona Cardinals, Cleveland Brows, San Francisco 49rs e New York Giants
Ídolos: Brian Urlacher (LB), Paddy Driscoll (QB), George Musso (G), Joe Stydahar (LT), Richard Dent (DE), Sid Luckman (QB), Mike Singletary (LB), Bronco Nagurski (FB), George Connor (DT), Bill George (LB), Bulldog Turner (LB), Red Grange (DB), Doug Atkins (DE), Mike Ditka (TE/HC), Gale Sayers (RB), George Halas (HC), Dick Butkus (LB) e Walter Payton (RB)
Destaques: Jay Cutler (QB), Matt Forte (RB), Martellus Bennett (TE), Alshon Jeffery (WR), Brandon Marshall (WR), Santonio Holmes (WR), Ryan Mundy (SS), Kyle Fuller (CB), Willie Young (DE), Jared Allen (DE), Jeremiah Ratliff (DT), Stephen Paea (DT), Shea McClellin (OLB), Ego Ferguson (DT) e Chris Conte (FS)
Resumo: Um poço de experiência. É assim que podemos definir um time que conta com Martellus Bennett, Brandon Marshall, Santonio Holmes, Jared Allen e Matt Forte como principais estrelas para mais uma temporada de muita NFL. Após momentos conturbados de negociações com o grande e revolucionário Brian Urlacher, ex-linebacker, durante a pré-temporada (fato que ocasionou na aposentadoria do jogador), os Bears procuraram manter a mesma filosofia do ano passado, que é de cultivar a experiência em posições que exigem personalidade dentro de campo. Pulando para uma área cinzenta, polêmica e extremamente importante, a posição mais desejada por todos os jovens americanos, a de quarterback, temos o irregular Jay Cutler, que, apesar de já não ser tão jovem, até hoje sofre com a desconfiança dos torcedores e também da mídia. Com um porte físico perfeito para a posição, Cutler deixa a desejar na visão de jogo, sendo muitas vezes interceptado em jogadas absurdas e inexplicáveis. No entanto, quando Cutler acerta o passe muitos desses são lindos e precisos. Por isso, a única coisa que o torcedor dos Bears pode fazer nesse momento é esperar que, mesmo estando com 31 anos de idade, o Cutler amadureça e vire o grande quarterback que se espera.















Nome: Minnesota Vikings
Fundação: 1961
Estádio: TCF Bank Stadium
Apelido: The Viks, Purple Pride e The Purple People Eaters
Ordem cronológica: 1961-presente
Super Bowls: 0
Conferências: 1969, 1973, 1974 e 1976
Divisões: 1970, 1971, 1973, 1974, 1975, 1976, 1977, 1978, 1980, 1989, 1992, 1994, 1998, 2000, 2008 e 2009
Rivais: Green Bay Packers, Chicago Bears e Detroit Lions
Ídolos: Matt Blair (LB), Mick Tingelhoff (C), Scott Studwell (MLB), Anthony Carter (WR), Jared Allen (DE), Jim Marshall (DE), Paul Krause (S), Chris Doleman (DE), John Randle (DT), Chuck Foreman (RB), Randall McDaniel (G), Cris Carter (WR), Ron Yary (T), Carl Eller (DE), Randy Moss (WR), Alan Page (DT), Frank Tarkenton (QB) e Adrian Peterson (RB)
Destaques: Matt Cassel (QB), Teddy Bridgewater (QB), Matt Asiata (RB), Greg Jennings (WR), Jarius Wright (WR), Cordarrelle Patterson (WR), Kyle Rudolph (TE), Anthony Barr (OLB), Jasper Brinkley (MLB), Harrison Smith (FS), Everson Griffen (DE), Chad Greenway (OLB), Tom Johnson (DT), Linval Joseph (DT), Sharrif Floyd (DT) e Josh Robinson (CB) 
Resumo: Tudo acontece com o Minnesota Vikings! O clube da gélida cidade americana é uma das franquias mais azaradas dos esportes americanos. Se não bastasse o grande episódio de 1998, quando os Vikings perdeu na prorrogação após Gary Anderson, kicker que não havia errado um PAT e um field goal durante a temporada regular, perder o field gol que daria a vitória ao clube e o levaria ao Super Bowl quinta vez. Recentemente, os Vikings encontraram um running back espetacular, que teve números excepcionais e recordes quebrados na temporada passada, mas que, para essa temporada, vai ficar assistindo o jovem Matt Asiata substituí-lo de maneira justa. Adrian Peterson, um dos maiores running backs da nova geração, está sendo acusado de ter espancado o seu filho mais jovem. O incidente caiu como um meteoro na cabeça dos torcedores dos Viks, que ficaram desamparados sem o seu principal jogador. O time é bastante frágil, que conta alguns jogadores jovens que até demonstram certo futuro, mas, que devido a essa grande nuvem de frustração que paira sobre a franquia, muitos deles ficam escondidos por lá.












Nome: Detroit Lions
Fundação: 1929
Estádio: Ford Field
Ordem cronológica: Portsmouth Spartans (1929-1933) e Detroit Lions (1933-presente)
Super Bowls: 0
Conferências: 0
Divisões: 1983, 1991 e 1993
Rivais: Minnesota Vikings, Green Bay Packers, Chicago Bears, San Francisco 49rs, Tampa Bay Buccaneers, Los Angeles Rams (extinto), Chicago Cardinals (extinto), Baltimore Colts (hoje é Indianapolis) e Cleveland Browns.
Ídolos: Alex Wojciechowicz (C/LB), Chris Spielman (LB), Charlie Sanders (TE), Dutch Clark (QB), Lou Creekmur (G), Yale Lary (P/PR/DB), Jason Hanson (K), Dick Lane (DB), Herman Moore (WR), Alex Karras (DT), Jack Christiansen (CB), Doak Walker (RB), Lem Barney (CB), Calvin Johnson (WR), Bobby Layne (QB), Joe Schmidt (LB) e Barry Sanders (RB)
Destaques: Matthew Stafford (QB), Joique Bell (RB), Reggie Bush (RB), Golden Tate (WR), Calvin Johnson (WR), Eric Ebron (TE), DeAndre Levy (OLB), Darius Slay (CB), Tahir Whitehead (OLB), Glover Quin (FS), James Ihedigbo (SS), Ndamukong Suh (DT), Ezekiel Ansah (DE), Stephen Tulloch (MLB), George Johnson (DE), Nick Fairley (DT) e C.J. Mosley (DT)
Resumo: Se achar uma agremiação nos esportes americanos que nunca venceu um campeonato mundial já é difícil, imagina procurar por uma franquia que sequer venceu uma final de conferência num dos torneios mais igualitários como a NFL. O Detroit Lions é uma das franquias mais antigas do futebol americano, e, apesar da longevidade, até hoje não conseguiu chegar perto do gostinho de ser campeão de algo importante. Após anos e anos se aclimatando na gélida parte de baixo da divisão (e da tabela geral), os Lions se aproveitaram das boas colocações nos drafts para conseguir montar uma equipe muito forte. O principal nome da franquia é o gigantesco WR Calvin Johnson, que seria estrela em qualquer outra equipe melhor organizada. Apesar da envergadura assustadora, Johnson não é apenas uma opção para os passes em profundidade. O wide receiver também é muito bom na corrida e nas rotas para tornar-se opção para o quarterback Matt Stafford. Na mesma posição, só que do lado oposto de Calvin Johnson, encontra-se outra ótima opção de passe para Stafford, o pequeno Golden Tate. Apesar do tamanho relativamente pequeno, se formos comparar com o Megatron, Tate é extremamente rápido, ágil e flexível, sendo capaz de fazer verdadeiras acrobacias para capturar a bola. No jogo terrestre, os Lions contam com a juventude de Joique Bell e a experiência de Reggie Bush, cuja alternância deve gerar muitos TDs. Entretanto, o crème de la crème dos Lions é a sua feroz defesa que é capaz de tacklear até você aí no conforto do seu sofá. Whitehead e Tulloch são linebackers sedentos por sangue de quarterback, enquanto a DL, povoada pelos excelentes Ansah, Johnson, Fairley, Suh e C.J. Mosley são capazes de derrubar até a Muralha da China. No entanto, duas coisas podem atrapalhar, e muito, a trajetória dos Lions nessa temporada: as lesões e a falta de costume em vencer campeonatos.




NFC SOUTH (New Orleans Saints, Atlanta Falcons, Carolina Panthers e Tampa Bay Buccaneers)
















Nome: New Orleans Saints
Fundação: 1967
Estádio: Mercedes-Benz Superdome
Apelido: Black and Gold (ou Noir-et-Or, em francês) ou The Bayou Boys
Ordem cronológica: 1967-presente
Super Bowls: 2009 (XLIV)
Conferências: 2009
Divisões: 2006, 2009 e 2011
Rivais: Atlanta Falcons, Tampa Bay Buccaneers, Carolina Panthers, Philadelphia Eagles, Dallas Cowboys, Minnesota Vikings e San Francisco 49rs
Ídolos: Morten Anderson (K), Stan Brock (T), Willie Roaf (T), Jerry Fontenot (C), Jim Dombrowski (G/T), Jahri Evans (G), Henry Childs (TE), Danny Abramowicz (WR), Joe Horn (WR), Eric Martin (WR), Robert Meachem (WR), Devery Henderson (WR), Lorenzo Neal (FB), Deuce McAllister (RB), Bobby Hebert (QB) e Drew Brees (QB)
Destaques: Drew Brees (QB), Jimmy Graham (TE), Pierre Thomas (RB), Mark Ingram (RB), Brandin Cooks (WR), Marques Colston (WR), Robert Meachem (WR), Curtis Lofton (MLB), Corey White (CB), Kenny Vaccaro (SS), Junior Galette (OLB), Cameron Jordan (DE), Parys Haralson (OLB), Keenan Lewis (CB), Khiry Robinson (RB) e Shane Graham (K)
Resumo: Irregularidade, esse é o grande problema do ainda bom time do New Orleans Saints. Há três, quatro anos atrás seria difícil imaginar que um time tão engenhoso e tão gostoso de se ver jogar, como era o New Orleans Saints, fosse tornar numa equipe pragmática de hoje. Querido por muitos brasileiros graças aos poderes mágicos de Drew Brees, os Saints estão passando pela transição daquele timaço, campeão do Super Bowl de 2009, para uma equipe menos glamourosa, para não dizer modesta. Entretanto, alguns pilares daquela conquista, que na época eram apostas, hoje são exemplos para jogadores mais jovens. Marques Colston e Robert Meachum, dois WRs que foram campeões em 2009, são modelos para Brandin Cooks, recém-draftado pelos Saints. Porém, a opção mais segura de ataque continua sendo um dos principais tight ends da NFL, o excelente Jimmy Graham, apesar de Mark Ingram, vencedor do Heissman Trophy há quatro anos atrás, estar aos poucos pegando a confiança que tinha no College. Como a modificação veio em doses paliativas, o Saints não tem muito do que se queixar, mas querer exigir uma performance de alto nível atrapalharia o trabalho de reconstrução de Sean Payton. Aquela defesa insana e incansável, que produzia turnovers com a mesma facilidade que Volkswagen produz o Gol, hoje também não é a mesma de outrora, apesar de ainda contar com ótimos jogadores em cada setor. Lofton, Galette e Haralson continuam dando consistência como linebackers e Cameron Jordan continua sendo um dos melhores defensive ends da liga.















Nome: Atlanta Falcons
Fundação: 1965
Estádio: Georgia Dome
Apelido: The Dirty Birds
Ordem cronológica: 1965-presente
Super Bowls: 0
Conferências: 1998
Divisões: 1980, 1998, 2004, 2010 e 2012
Rivais: New Orleans Saints, Carolina Panthers e Tampa Bay Buccaneers
Ídolos: Tony Gonzalez (TE) Roddy White (WR), Jim Mitchell (TE), Terrence Mathis (WR), Michael Vick (QB), William Andrews (WR), Tommy Nobis (LB), Rolland Lawrence (CB), Steve Bartkowski (QB), Keith Brooking (LB), Greg Brezina (LB), Bob Whitfield (LT), Jesse Tuggle (LB), Claude Humphrey (DE), Jeff Van Note (C) e Mike Kenn (LT)
Destaques: Matt Ryan (QB), Steven Jackson (RB), Davonta Freeman (RB), Antone Smith (RB), Julio Jones (WR), Roddy White (WR), Devin Hester (WR), Levine Toilolo (TE), Paul Worrilow (ILB), Kemal Ishmael (SS), Robert Alford (CB), William Moore (SS), Jonathan Massaquoi (OLB), Desmond Trufant (CB), Osi Umenyiora (DE) e Corey Peters (DT)
Resumo: Se os Saints são irregulares, os Falcons, seu grande rival, é extremamente imprevisível. Capazes de golear equipes tradicionais, os Falcons são incrivelmente capazes de perder de virada para uma equipe esfacelada por desfalques, ou até para o último colocado da divisão. Sem Tony Gonzalez, o maior tight end da história, o time de Atlanta ainda conta com um ataque capaz de causar inveja até a mais completa equipe da NFL. Por contar com nomes do calibre de Steven Jackson, Julio Jones, Roddy White e Devin Hester, é moralmente obrigatório que os Falcons sempre briguem pelo título da conferência. No entanto, a realidade da franquia não é bem assim. Com um quarterback nota 6,5 como é o Matt Ryan, aliado à uma linha defensiva extremamente mole, fica difícil acertar qualquer alvo, por mais qualificado que ele seja. Se não bastasse esse problema, a defesa dos Falcons também causa arrepios na espinha do torcedor no Georgia Dome. Apesar de contar com Desmond Trufant, que é um baita cornerback, todos os outros jogadores já passaram por melhores épocas. Uma dica: não aposte nos Falcons!




Nome: Carolina Panthers
Fundação: 1993
Estádio: Bank of America Stadium
Ordem cronológica: 1993-presente
Super Bowls: 0
Conferências: 2003
Divisões: 2003, 2008 e 2013
Rivais: New Orleans Saints, Atlanta Falcons e Tampa Bay Buccaneers
Ídolos: Mike Minter (S), Kevin Greene (LB), Stephen Davis (RB), Wesley Walls (TE), John Kasay (K), Jake Delhomme (QB), Julius Peppers (DE), Muhsin Muhammad (WR), Steve Smith (WR) e Sam Mills (LB)
Destaques: Cam Newton (QB), Jonathan Stewart (RB), DeAngelo Williams (RB), Greg Olsen (TE), Kelvin Benjamin (WR), Jerricho Cotchery (WR), Jason Avant (WR), Luke Kuechly (MLB), Antoine Cason (CB), Thomas Davis (OLB), Melvin White (CB), Roman Harper (SS), Thomas DeCoud (FS), Dwan Edwards (DT), Charles Johnson (DE) e Mario Addison (DE)
Resumo: Pode não parecer, mas os Panthers tem uma excelente equipe! Acostumado em ser apenas um figurante, o time de Charlotte começou a montar o seu império pela defesa, sendo ela uma das melhores da NFL atualmente. A jovem dupla de linebackers dos Panthers tem tudo para ser uma das maiores da história, já que Luke Kuechly e Thomas Davis têm combustível suficiente para queimar por mais uns 12 anos de futebol profissional. Com dois cornerbacks especialistas em interceptar passes, Cason e White, e uma secundária protegida por dois jogadoraços na posição de safety (strong safety e free safety), Harper e DeCoud, resta apenas o valioso trabalho de parar o ataque terrestre na base do muque. Para essa função, os Panthers contam com Mario Addison, especialista em fumbles, Charles Johnson e Dwan Edwards. Parece ser difícil passar por eles, mas não é tão impossível. O truque é abusar das big plays (passes longos). Falando nisso, um dos tópicos mais abordados nos Panthers não são as big plays das quais eles sofrem, mas sim pelas quais o Cam Newton, quarterback, lança. Newton é um armário, gigante e robusto. Por ser muito forte, e alto, o quarterback de Carolina abusa da força e da altura no passe, ocasionando um alto índice de passes errados. Continuando no ataque, para essa temporada a franquia resolveu inovar na composição dos recebedores. A primeira novidade foi a dispensa do lendário Steve Smith, que saiu brigado com a diretoria pela falta de reconhecimento. Para repor esse grande desfalque, os Panthers contrataram Jerricho Cotchery (ex-Steelers) e Jason Avant (ex-Eagles), na free agency, além de terem selecionado o excelente Kelvin Benjamin no draft. Se não bastasse esse arsenal de três ótimos recebedores, os Panthers contam com um dos melhores melhores tight ends da liga, o constante Greg Olsen. Caso opte por correr com a bola, os Panthers tanto podem usar o próprio Cam Newton para disparar em frenesi quanto podem usar dois bons running backs, o Stewart e o DeAngelo Williams. Assim como a defesa tem um defeito particular, o ataque dos Panthers também conta com seus problemas. Um deles é o próprio Cam Newton, que continua sendo muito irregular, apesar do notável talento. No entanto, o segundo problema do ataque reside justamente na proteção ao Cam Newton, que é bastante falha, que praticamente o obriga a correr em situações de blitz.















Nome: Tampa Bay Buccaneers
Fundação: 1976
Estádio: Raymond James Stadium
Apelido: The Bucs
Ordem cronológica: 1976-presente
Super Bowls: 2002 (XXXVII)
Conferências: 2002
Divisões: 1979, 1981, 1999, 2002, 2005 e 2007
Rivais: New Orleans Saints, Atlanta Falcons e Carolina Panthers
Ídolos: Hugh Green (LB), Mark Carrier (WR), John Lynch (S), Simeon Rice (DE), Keyshawn Johnson (WR), Mike Alstott (FB), Doug Williams (QB), Anthony McFarland (DT), Kenyatta Walker (OT), Warrick Dunn (RB), Brad Johnson (QB), Ronde Barber (CB), Lee Roy Selmon (DE), Hardy Nickerson (LB), Warren Sapp (DT) e Derrick Brooks (LB)
Destaques: Mike Glennon (QB), Bobby Rainey (RB), Vincent Jackson (WR), Mike Evans (WR), Louis Murphy (WR), Lavonte David (OLB), Mark Barron (SS), Alterraun Verner (CB), Clinton McDonald (DT), Gerald McCoy (DT), William Gholston (DE), Michael Johnson (DE), Danny Lansanah (OLB) e Johnthan Banks (CB)
Resumo: Sem quarterback, sem opções ofensivas e uma defesa que sofre com contusões, apesar de ser boa na indução de turnovers. Pois é, não é fácil torcer pros Buccaneers, o desastre é uma constância por lá. Historicamente, os Bucs não são uma "franquia de quarterbacks". Por isso, o fato conviver com Mike Glennon, segundo-anista, seja tranquilo para a franquia. O mesmo pode-se dizer do ataque, que conta apenas com o lendário Vincent Jackson, que saiu de San Diego há três anos para liderar e ser a única opção confiável no ataque de Tampa. A defesa, que consegue forçar muitos erros nos adversários, constantemente fica desfalcada pelas lesões de jogadores importantes. Com todos esses problemas fica difícil montar uma equipe minimamente decente.



NFC WEST (Seattle Seahawks, San Francisco 49rs, Arizona Cardinals e Saint Louis Rams)








Nome: Seattle Seahawks
Fundação: 1974
Estádio: CenturyLink Field
Apelido: The Hawks e Legion of Boom
Ordem cronológica: 1974-presente
Super Bowls: 2013 (XLVIII)
Conferências: 2005 e 2013
Divisões: 2004, 2005, 2006, 2007, 2010 e 2013
Rivais: San Francisco 49rs, Pittsburgh Steelers, St. Louis Rams e Denver Broncos
Ídolos: Dave Krieg (QB), Curt Warner (RB), Jacob Green (DE), Matt Hasselbeck (QB), Shaun Alexander (RB), Kenny Easley (SS), Jim Zorn (QB), Cortez Kennedy (DT), Richard Sherman (CB), Marshawn Lynch (RB), Steven Hauschka (K), Zach Miller (TE), Steve Largent (WR) e Walter Jones (LT)
Destaques: Russell Wilson (QB), Marshawn Lynch (RB), Doug Baldwin (WR), Jermaine Kearse (WR), Zach Miller (TE), Steven Hauschka (K), Richard Sherman (CB), Kam Chancellor (SS), K.J. Wright (OLB), Bob Wagner (MLB), Byron Maxwell (CB), Earl Thomas (FS), Malcolm Smith (LB), Michael Bennett (DE), Kevin Williams (DT), Derrick Coleman (FB)
Resumo: A super defesa que garantiu o primeiro Super Bowl da cidade mais barulhenta dos Estados Unidos continuará a amedrontar os adversários do Seattle. Apesar do desfalque de Brandon Browner, que vai jogar pelo Patriots nessa temporada, a espinha dorsal é a mesma. Como toda boa equipe da NFL precisa de uma defesa sólida e agressiva, os Seahawks estarão bem servidos, mais uma vez, com Richard Sherman, Kam Chancellor, Earl Thomas e Bob Wagner, que são estupendos. Todavia, apesar de contar com uma baita time defensivo, o mesmo não dá para dizer do ataque de Seattle, que antes de perder o Percy Harvin para os Jets, já tinha poucas opções ofensivas para uma temporada. O grande destaque desse precário setor dos Seahawks é o imparável running back Marshawn Lynch, que recentemente reclamou de receber muitas bolas para correr. Os recebedores da equipe são minimamente decentes, ou até regulares. Para se dar bem nessa temporada, os atuais campeões vão precisar muito de uma alternância nas opções de ataque, já que a defesa não vai conseguir segurar a barra toda sozinha.











Nome: San Francisco 49rs
Fundação: 1946
Estádio: Levi's Stadium
Apelido: Niners
Ordem cronológica: 1946-presente
Super Bowls: 1981 (XVI), 1984 (XIX), 1988 (XXIII), 1989 (XXIV) e 1994 (XXIX)
Conferências: 1981, 1984, 1988, 1989, 1994 e 2012
Divisões: 1970, 1971, 1972, 1981, 1983, 1984, 1986, 1987, 1988, 1989, 1990, 1992, 1993, 1994, 1995, 1997, 2002, 2011 e 2012 
Rivais: St. Louis Rams, Arizona Cardinals, Seattle Seahawks, Dallas Cowboys, New York Giants, Green Bay Packers, Oakland Raiders e San Diego Chargers.
Ídolos: John Brodie (QB), Dwight Clark (WR), Y.A. Tittle (QB), R.C. Owens (WR), Bruce Taylor (CB), Frank Gore (RB), Patrick Willis (LB), Roger Craig (RB), Wendell Tyler (RB), Vernon Davis (TE), Joe Perry (RB), Deion Sanders (CB), John Taylor (WR), Charles Haley (DE), Hugh McElhenny (RB), Terrell Owens (WR), Ronnie Lott (CB), Steve Young (QB), Joe Montana (QB) e Jerry Rice (WR) 
Destaques: Colin Kaepernick (QB), Frank Gore (RB), Anquan Bolden (WR), Michael Crabtree (WR), Vernon Davis (TE), Steve Johnson (WR), Antoine Bethea (SS), Patrick Willis (ILB), Michael Wilhoite (ILB), Perrish Cox (CB), Eric Reid (FS), Dontae Johnson (DB), Chris Culliver (CB), Dan Skuta (OLB), Justin Smith (DE), Ahmad Brooks (OLB) e Aldon Smith (LB)
Resumo: No papel, os Niners teriam a obrigação de ser o melhor time da NFL. No entanto, a realidade é muito distante da realidade, já que por alguma situação maior, os 49rs não conseguem emplacar na temporada. Com uma defesa sólida, composta por ótimos tackleadores e interceptadores, o time de San Francisco é sempre uma ameaça para quarterbacks sonhadores e inconstantes. Porém, a linha defensiva dos Niners convive com muitas contusões e problemas fora dos gramados, caso específico de Aldon Smith. Diferentemente do seu rival de divisão, o Seattle Seahawks, os 49rs possuem mais opções de ataque, algumas delas badaladas, mas que até agora não vingaram. Um desses problemas seria o quarterback Colin Kaepernick, que apesar de ser muito atlético e malabarista, é muito inconstante. Kaep erra muitos passes fáceis e abusa das corridas, sem paciência para ficar dentro do pocket e assim pensar numa maneira melhor de distribuir a jogada. Outro desses problemas é o principal wide receiver Anquan Boldin, veterano jogador, que até hoje não despontou bem nos Niners. O pouco que sobra pra se fazer no ataque californiano vem do outro wide receiver, o Michael Crabtree, e do running back Frank Gore, que é capaz de furar qualquer defesa.
















Nome: Arizona Cardinals
Fundação: 1898
Estádio: University of Phoenix Stadium
Apelido: The Cards e Bird Gang
Ordem cronológica: Morgan Athletic Club, Racine Normals e Racine Cardinals (1898-1906), Racine Cardinals (1913-1919), Chicago Cardinals (1920-1943), Card-Pitt (1944), Chicago Cardinals (1945-1959), St. Louis Cardinals (1960-1987), Phoenix Cardinals (1988-1993) e Arizona Cardinals (1994-presente)
Super Bowls: 0
Conferências: 2008
Divisões: 1974, 1975, 2008 e 2009
Rivais: Dallas Cowboys, Chicago Bears, San Francisco 49rs, St. Louis Rams e Seattle Seahawks
Ídolos: Jake Plummer (QB), Roy Green (WR), Darnell Dockett (DE), Simeon Rice (DE), Adrian Wilson (S), Larry Centers (FB), Pat Tillman (S), Anquan Boldin (WR), Aeneas Williams (CB), Kurt Warner (QB) e Larry Fitzgerald (WR).
Destaques: Carson Palmer (QB), Larry Fitzgerald (WR), Andre Ellington (RB), Stepfan Taylor (RB), Michael Floyd (WR), John Brown (WR), Ted Ginn (WR), John Carlson (TE), Tony Jefferson (SS), Rashad Johnson (FS), Larry Foote (MLB), Deon Bucannon (SS), Jerraud Powers (CB), Calais Campbell (DE), Alex Okafor (LB), Kenny Demens (ILB) e Sam Acho (LB)
Resumo: A franquia mais velha da NFL, e a que mais mudou de lugar, é forte candidata a ser a surpresa do ano. Depois de tanto decepcionar os seus fãs ao longo dos anos, os Cardinals conseguiram montar uma equipe muito interessante, especialmente no setor defensivo. Após se aproveitar das posições favoráveis no draft, o time de Arizona possui uma linha defensiva muito agressiva, rápida, jovem e que força muitos erros no ataque adversário. Os três safeties da equipe, Jefferson, Johnson e Bucannon (rookie), são as principais armas da defesa, que ainda conta com QUATRO linebackers de muita força e muita mobilidade. Já no ataque, que é comandado pelo veteraníssimo Carson Palmer, que por enquanto faz ótimo trabalho. No entanto, a grande estrela da franquia, apesar de contar com ótimos prospectos na defesa, reside no ataque, precisamente na posição de wide receiver, e atende pelo nome de Larry Fitzgerald. A fidelidade do excelente recebedor é comovente, já que o jogador tem 31 anos, e nunca deixou a cidade de Arizona mesmo quando recebera propostas de franquias melhores e bem sucedidas. Para não sobrecarregar o veterano Fitzgerald, Palmer conta com o potente running back Andre Ellington, que também é um ótimo retornador de punts e kickoffs. Pela primeira vez em muitos anos, o Arizona Cardinals tem chances reais de ir bem nos playoffs.













Nome: Saint-Louis Rams
Fundação: 1936
Estádio: Edward Jones Dome
Ordem cronológica: Cleveland Rams (1936-1945), Los Angeles Rams (1946-1994) e St. Louis Rams (1995-presente)
Super Bowls: 1999 (XXXIV)
Conferências: 1979, 1999 e 2001
Divisões: 1973, 1974, 1975, 1976, 1977, 1978, 1979, 1985, 1999, 2001 e 2003
Rivais: San Francisco 49rs, Arizona Cardinals e Seattle Seahawks
Ídolos: Isiah Robertson (LB), Henry Ellard (WR), Tom Mack (OG), Elroy Hirsch (RB/WR), Steven Jackson (RB), Norm Van Brocklin (QB), Orlando Pace (OT), Jackie Slater (OT), Torry Holt (WR), Jack Youngblood (DE), Merlin Olsen (DT), Eric Dickerson (RB), Kurt Warner (QB), Isaac Bruce (WR), Marshall Faulk (RB) e Deacon Jones (DE)
Destaques: Austin Davis (QB), Zac Stacy (RB), Benny Cunningham (RB), Tre Mason (RB), Jared Cook (TE), Brian Quick (WR), Lance Kendricks (TE), Kenny Britt (WR), Austin Pettis (WR), Alec Ogletree (OLB), James Laurinaitis (MLB), T.J. McDonald (SS), Rodney McLeod (FS), Janoris Jenkins (CB), E.J. Gaines (CB), Jo-Lonn Dunbar (OLB) e Aaron Donald (DT)
Resumo: Você provavelmente não vai ouvir falar muito desse time, e provavelmente você não vai se impressionar muito com os jogadores. Talvez o que te faça se apegar aos carneiros de Saint-Louis é a espetacular camisa que eles possuem. Pra não ser tão cruel com os Rams, a franquia conta com destaques da época do college, como Tre Mason, running back campeão com o Auburn, e Austin Pettis. Apesar de não possuir um nome expoente, a defesa dos Rams é boa e com alguns nomes interessantes, como Ogletree, Laurinaitis, McLeod e etc. Os Rams podem se tornar num time para o futuro, que deve demorar para chegar, mas a camisa é linda!

A ascensão do soccer

Ao contrário do que muitos imaginavam, a Copa do Mundo no Brasil está servindo para abrir os olhos dos brasileiros para fatos que se consumavam enquanto a população teimava em ignorar.

Um desses fatos que chamou atenção foi a compra de ingressos para os jogos da Copa. Um país, cuja existência perturba metade da população brasileira, foi responsável por comprar mais de 185 mil ingressos para a Copa, sendo que ao todo mais de 90 mil torcedores desembarcaram em terras brasilis para acompanhar sua seleção. Não, não é a Argentina.

Os Estados Unidos ignoraram o futebol por tanto tempo que outros países mais habituados à bola redonda começaram a desdenhar da capacidade americana de gostar do esporte-rei. Como o futebol é o esporte mais praticado e famoso no mundo, era questão de tempo que a febre chegasse na terra da bola oval. E ela chegou.

No final da década de 1970, Pelé deu o primeiro passo para que a bola redonda quicasse nos gramados americanos quando trocou o Santos pelo New York Cosmos com a pretensão de que, juntamente com Beckenbauer e Chinaglia (e posteriormente Carlos Alberto Torres), pudesse promover o esporte no país. A aventura durou pouco e não fora bem aceita pelos americanos, que relutavam fortemente contra o esporte que era taxado de "anti-patriota". Naquela época, por mais estrelas que os americanos importassem de outros clubes, pouco adiantaria já que a relutância era tremenda contra algo marcado na cultura de outros países. Vale dizer anteriormente os norte-americanos eram muito mais patriotas do que agora (muito se atribuiu à ignorância e falta de estudo, especialmente em regiões cuja escolaridade não era boa).

Entretanto, alguns entusiastas do futebol não desistiram da terra do Tio Sam para o futebol. A Copa de 1994 é o grande exemplo de como uma cultura pode ser alterada quando o patriotismo é revertido. Como a Copa era na casa deles, os americanos se sentiram na obrigação de fazer um bom papel, ou ao menos torcer pela seleção deles. Como o futebol estava apenas engatinhando por lá, seleções como Alemanha e Brasil caíram no gosto dos ianques. E esse foi o estopim para que uma nova cultura fosse implantada nos EUA, mesmo que bem timidamente.

Disputando Copas do Mundo ininterruptamente desde 1990, na Itália, os Estados Unidos foram evoluindo no futebol graças a importação de treinadores brasileiros, holandeses, alemães e italianos para as categorias de base. Como muitos dos "antigos" americanos já estavam velhos demais para reclamar em 1994, uma nova geração de torcedores foi crescendo por lá e, paralelamente, outro fenômeno foi se intensificando no cenário americano.

As grandes ligas americanas (MLB, NBA e NFL) passaram por uma revolução brutal desde suas criações até o final da década de 1990. O beisebol, que um dia já foi chamado de "o passatempo favorito dos americanos", caiu em desgraça depois de tantas denúncias de dopping, manipulação de resultados e descalabro com o dinheiro (o abismo financeiro entre New York Yankees com o restante das equipes era bizarro, não tinha graça), fazendo com que muitos jovens perdessem o gosto pelo jogo. A NBA também sofreu com a diminuição de popularidade por causa do dopping e do predomínio de Los Angeles Lakers e Boston Celtics nas finais (quando não era um o campeão era o outro). Sobrou apenas para a NFL, que deixou de ser o terceiro para ser o primeiro graças à uma visão financeira e esportiva de igualdade (as posições no draft, teto salarial e controle excessivo no anti-dopping). Uma invenção americana, a franquia, também contribuiu para o insucesso da MLB e NBA em relação à NFL, que é muito mais rigorosa com isso. Hoje, o passatempo do americano é o futebol americano.

Como a globalização é massiva, e aquele projeto que se iniciou em 1994, os jovens americanos começaram a praticar mais o futebol da bola redonda em escolinhas de futebol. O crescimento ainda é desigual por lá, porém, existem cidades onde a interação é muito mais intensa, como Seattle por exemplo. Eles perderam o seu maior orgulho no começo dessa década, o Seattle SuperSonics (time de basquete), para Oklahoma (virou o Thunder) por motivos políticos da NBA, justamente na época em que o "soccer" estava ficando em evidência nos EUA. Hoje, existe um ódio supremo por lá com a NBA e todos os fãs do basquete dessa cidade se voltaram para as outras duas equipes da cidade, o Seattle Seahawks (time de futebol americano, atual campeão do Super Bowl) e Seattle Sounders (tricampeão da Taça dos Estados Unidos - 2009, 2010 e 2011), que jogam no estádio mais barulhento do mundo (o pessoal de Seattle ultrapassou a barreira do som TRÊS VEZES em 2013, sendo duas vezes com o Seahawks e uma com o Sounders). Ainda impera entre os americanos o desejo de torcer por aquilo que vale a pena, pois como é dá natureza deles de só torcer para aquilo que tem chance de vencer, mas também é da cultura do americano gostar de esportes, de serem extremamente competitivos e orgulhosos. Quando eles perceberam que havia algo de bom acontecendo no futebol deles, o apoio começou a aumentar e aumentar sem parar. Atualmente, a MLS (Major League of Soccer - liga americana) tem uma média de público bastante superior a do Brasileirão.

Pesquisas revelaram que o "soccer" já está empatado com o beisebol e já ultrapassou o hóquei na preferência dos americanos. Entre os jovens, o "soccer" já é superior ao beisebol, sendo que a venda de camisas oficiais nos EUA é superior as que são vendidas no Brasil e Argentina juntas. O jogo entre Estados Unidos e Portugal, no domingo passado, bateu o recorde de audiência no ano da TV americana, superando até a média das finais da NBA entre Miami Heat e San Antonio Spurs. Mais de 24 MILHÕES de televisores ligados na partida que terminou empatada por 2x2 e mais de 500 MIL STREAMINGS na internet foram rastreados de cidades americanas. Em 2010, mais americanos assistiram a final entre Espanha e Holanda (24.3 milhões) do que a final da MLB entre Texas Rangers e San Francisco Giants (15 milhões), lembrando que naquela Copa os EUA foram eliminados por Gana nas oitavas-de-final.

Aliados à um bom futebol mostrado pelos americanos, com bastante toque de bola e compreensão tática, a presença maciça de americanos no Brasil para ver essa boa seleção de Klinsmann pode ser explicada pela preferência da juventude americana (que está de férias) por um esporte mais emocionante e imprevisível (e mais justo em relação beisebol e ao basquete). Times como Lakers, Celtics, Raiders, Yankees e Trailblazers foram perdendo espaço para Los Angeles Galaxy, Seattle Sounders, Sporting KC, Portland Timbers e Real Salt Lake, que desenvolveram um bom futebol e um belíssimo apoio das arquibancadas. Torcedores fanáticos dos Sounders e Timbers levaram os americanos a criar os AMERICANS OUTLAWS (Americanos Fora-da-lei) para apoiar a seleção, com gritos de guerra e mosaicos.

Em alguns lugares dos EUA a atmosfera durante um jogo da seleção pode ser facilmente confundida com a dos tempos do Dream Team de Michael Jordan e cia durante o auge do basquete, ou até com uma final de conferência no futebol americano. No entanto, parques, bares, escolas, ginásios e centros comunitários armam telões, fecham ruas e até as decoram para assistir os ianques desbravando uma terra que eles admiram muito (no futebol). Parece com a gente, não? Durante a semana, antes da partida contra a Alemanha, foi veiculada uma notícia de que os americanos pediram ao Obama que declarasse feriado nacional para que todos pudessem acompanhar a partida, já que o fuso horário para algumas cidades americanas chegaria a 4 ou 5 horas de diferença para o horário oficial do jogo, que foi às 13:00. Apesar do Obama ser fã declarado do esporte, o presidente resolveu não declarar feriado nacional, o que não impediu que muitos americanos parassem o que estavam fazendo para assistir o duelo que classificou a seleção novamente para a segunda fase da competição mais importante entre confederações do mundo.

Poucos países que possuem uma liga profissional de futebol evoluíram tanto e transformaram uma nação como o futebol fez nos Estados Unidos durante as últimas duas décadas. É claro que, apesar da nítida evolução, existam pessoas nos EUA que não veem com bons olhos um esporte que pode terminar sem gols ou, pior, num empate. Na visão do americano provinciano que ainda não "comprou" o esporte, esses são os motivos para o "soccer" não derrubar de vez outros esportes, cuja probabilidade de terminar sem uma pontuação, ou num empate, é quase zero. Parece bobo para nós, habituados a torcer por um 0x0 salvador, acreditar que isso seja uma justificativa de uma pessoa patriota.

Entretanto, os americanos adotaram o futebol como um esporte digno de se torcer. Vai ser comum à partir de agora vermos americanos chorando com um empate (se for sem gols, pior ainda), é assim jeito deles. É claro que muitos torcem pela vitória, mas, apesar de ser alvo de críticas, o patriotismo faz com que muitos expectadores da seleção norte-americana torçam para Dempsey e cia sem ao menos serem fãs de verdade do esporte, pois trata-se do país deles que está lá jogando numa terra completamente diferente da qual eles amam muito. E muitos desses críticos, sem perceberem, acabam pegando gosto pela bola redonda, tornando-se fãs do melhor jogo do mundo. Muitas celebridades americanas contribuem para que americanos normais comecem a gostar de futebol (veja no link dois parágrafos acima), fato como as visitas de Leonardo di Caprio e Kobe Bryant ao Brasil durante o torneio ajudam a promover o esporte por lá, até o apoio de outros que estão nos EUA como Bruce Springsteen (que até cornetou o Luís Suárez pela mordida), LeBron James, Josh Duhamel, Brad Pitt e Jimmy Fallon endossam esse novo ideal.


Se você não quer acreditar (ou gostar), prepare-se, pois os ianques estão chegando (no futebol).



Mais de 20 mil americanos foram ao Grant Park, em Chicago, para assistir EUA x Alemanha.

































Muitos parques foram tomados por torcedores em Washington.


























O mesmo apoio acontecem na Filadélfia, uma das cidades mais patriotas dos EUA.























Até o basquete parou para ver os EUA jogando contra a Alemanha. Essa foto é do Barclays Center, NY, onde aconteceu o draft da NBA na quinta-feira.


Não podia faltar ele, né? Segundo o Obama, "essa foi a maior partida que nós já jogamos".


















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