Postado Por : Caio Nascimento 5.2.15

A temporada 2014/2015 do Patriots começou claudicante, com uma derrota estranha para o Miami Dolphins por 33x20, fora de casa, quando o time levou a virada na volta do intervalo e não fez uma pontuação sequer no segundo tempo. Depois disso, o Patriots venceu duas partidas seguidas, ainda jogando mal, até enfrentar o Kansas City Chiefs, quando foi massacrado no Arrowhead Stadium, por 41x14, numa péssima jornada de Tom Brady e Bill Belichick. Pois é, uma das maiores duplas da história da NFL foi responsável pelo momento mais crítico da franquia em anos. Foi depois desse confronto que começaram a sentenciar o fim da dinastia do Patriots, além de aposentarem precocemente Tom Brady e Bill Belichick.

A paulada foi tão grande e dolorosa que os torcedores ficaram em choque, algo nunca visto antes, mesmo a maioria sabendo que essa temporada seria de renovação para a franquia. Parecia que finalmente o time mais odiado da NFL estava fadado  ao desastre. E qual foi o resultado desse pânico todo? O Patriots engatou SETE vitórias seguidas, sendo a maioria dessas vitórias por 40 ou mais pontos, transformando "a dinastia que havia acabado" no quarto melhor pontuador geral da competição. A gana e o ódio estavam visíveis nos olhos e no comportamento dos jogadores do Patriots.

Aos poucos, a linha ofensiva (OL) ia melhorando, a defesa ficava cada vez mais agressiva e perigosa na secundária e o ataque aparecia cada vez mais incisivo. Entretanto, havia um jogador que estava ainda mais em "modo fúria". Quem mais sofreu, e sofreu calado, foi o mitológico quarterback de New England. De repente, até o Colin Kaepernick parecia ser, aos olhos dos especialistas, mais quarterback do que o multi-campeão camisa 12 do Patriots. A necessidade que a mídia tem em criar e derrubar ídolos fez com que o QB saísse da sua zona de conforto, que ousasse mais. Todavia, o oportunismo e o sensacionalismo foram benéficos para o Patriots, que usou todo esse burburinho negativo a seu favor. Todos que acompanham a NFL há algum tempo sabem que quando Tom Brady joga no "modo fúria" não existe adversário que consiga pará-lo, vide o Denver Broncos, Cincinnati Bengals e Indianapolis Colts, que começaram as suas campanhas bem melhores do que o Patriots, e que eram cotados para estarem no lugar do New England Patriots, mas que foram completamente dominados e massacrados quando enfrentaram Tom Brady e os seus amigos. O massacre no Kansas serviu para acender a fogueira de competitividade que estava esmerilhando na gélida New England.

O Patriots terminou a temporada regular com 12 vitórias, quatro derrotas e nenhum empate, além de ter terminado a fase com o quarto melhor ataque da NFL. O time estava afiado e preparado para os combates dos playoffs, apesar de todo pessimismo dos torcedores. O primeiro deles, aliás, foi o mais temido de todos: o Baltimore Ravens, um pesadelo na vida de qualquer fã do Patriots. Joe Flacco estava imaculado nos playoffs, com números espetaculares e recordes estabelecidos, mas toda a pompa do QB não foi párea contra uma atuação espetacular dos donos da casa. O Patriots esteve duas vezes atrás no placar por 14 pontos e numa das vezes que revertera o placar, e uma faceta fora revelada ao mundo: as trick plays do Patriots. O famoso passe para trás do Brady para o Edelman que, em seguida, lançou para o Amendola totalmente livre para anotar o touchdown foi a grande jogada da partida e, por muito pouco, não foi a jogada do ano. Ao final da partida, Joe Flacco, que estava "on fire" fora interceptado pelo strong safety Duron Harmon, que pouco aparecera na temporada até então, ato que selou a classificação da equipe de New England para mais uma final de conferência.

No final de semana seguinte, o Patriots recebeu em sua casa o Indianapolis Colts para decidir quem iria para o Super Bowl. O resultado você já sabe: um massacre homérico. No entanto, horas depois da partida veio a notícia de que 11 das 12 bolas usadas no primeiro tempo da partida contra o Colts estavam murchas. A notícia caiu como uma bomba no colo de uma franquia que paga pela má fama até hoje por um incidente ocorrido há muito tempo atrás, o Spy Gate. Batizado de "Império do Mal", essa história toda era tudo o que o Patriots menos precisava no momento. Nem mesmo com o "apoio" do conceituadíssimo Sports Science, que apresentou provas críveis de que era impossível existir qualquer tipo de vantagem a favor do Patriots com a quantidade de ar perdido nas 11 bolas, além de terem apontado para o frio como um dos principais fatores para que a bola murchasse um pouco, serviu para acalmar os críticos. Alguns outros detalhes também passaram despercebidos nesse imbróglio todo. A partida só foi tomar ares de goleada no segundo tempo, quando o problema já estava resolvido, já que a soma da pontuação do terceiro e quarto período era de 28x0 para o Patriots. Foi no primeiro tempo do duelo que Tom Brady fora interceptado pela defesa do Colts, cenário que permitiu aos visitantes anotarem um touchdown logo em seguida. Por último, o grande nome da partida fora o running back LaGarrette Blount, que anotou quatro touchdowns correndo, um tipo de jogada onde o peso da bola não inflige em nada no desempenho do atleta. Ou seja, esse erro infantil, que deve ser investigado mais afundo, de nada influenciou no resultado do jogo.

Após duas semanas, o grande dia chegou para os torcedores de Patriots e Seahawks. De um lado a desconfiança, do outro a confiança exagerada. Era perceptível o medo e a apreensão entre os torcedores do New England Patriots, enquanto a Legion of Boom estava completamente agitada para o duelo. O cenário parecia um filme dirigido pelo Martin Scorsese, onde o Patriots era o protagonista miserável e o Seahawks era o antagonista bonitão, bem parecido com "Os Infiltrados".

O Super Bowl XLIX foi, sem dúvida alguma, o mais emocionante dessa década. O Patriots começou muito bem o jogo, evitando o óbvio que eram os passes em profundidade, tática que foi bem aproveitada até um pequeno erro de cálculo de Tom Brady, que forçou um passe na end zone e fora interceptado. Apesar do erro incomum do QB, o Patriots manteve a resiliência e abriu o placar no segundo quarto. Como um verdadeiro antagonista chato, o Seahawks empatou logo em seguida, pouco antes do Patriots retomar as rédeas da partida e depois perdê-la de novo. Após o efervescente show da Katy Perry no intervalo, o Seahawks voltou arrasador, engolindo o Patriots no terceiro quarto, onde anotou 10 pontos contra uma defesa que vinha jogando bem, mas que pecava na cobertura na secundária, que fora o seu trunfo até então, e lugar onde jazia Chris Matthews, inócuo durante toda temporada, mas mortal no jogo que mais importava no ano. Com pouco mais de 10 minutos no relógio, um estádio completamente hostil e um time pela frente que estava com uma sorte do tamanho do Arizona, aquele pessimismo que era latente entre os torcedores patriotas ficou gigantesco. Pessimismo esse que só não foi mais gigantesco que a atuação de Tom Brady, o maior quarterback dos Super Bowls. No dia em que foi maior que o seu ídolo, Joe Montana, ele liderou o Patriots para uma virada de 10 pontos de desvantagem, alterando o placar para 28x24. No entanto, o estupendo QB teve que dividir os louros da vitória com aquele herói improvável que eu citei anteriormente. Mais improvável que o Harmon contra o Ravens. Um herói digno desse grande jogo: Malcom Butler. O cornerback, que pouco participou da campanha do Patriots, interceptou o passe de Russell Wilson, numa chamada que ninguém entendeu, onde o correto seria correr com a besta na linha de uma jarda para a end zone. A interceptação de Butler foi mais simbólica ainda por causa da recepção inacreditável do wide receiver Jermaine Kearse, cuja bola caiu no seu colo após quase ser desviada pelo próprio Butler. Nesse momento, veio a cabeça do torcedor do Patriots o lance do Tyree e do Manningham pelo Giants, ambos nas duas últimas vezes em que o New England esteve presente no Super Bowl. Butler, que se você prestar bastante atenção, esteve envolvido em todas as jogadas importantes no último quarto de jogo. 


O ápice do Super Bowl XLIX
Merecidamente, o cornerback ofuscou o passe do Edelman contra o Ravens, o touchdown do Develin contra o Colts, a partida perfeita do Vereen na final, o braço mecânico do Gronkowski e os clutches do tão criticado Danny Amendola durante os playoffs. Foi tudo muito surpreendente. E o final dessa história não foi como num filme do Scorsese, onde o protagonista miserável morre. O final foi uma redenção ao estilo western americano. Butler, que sequer havia interceptado uma bola, virou o grande herói dessa grandiosa franquia, apesar do esforço descomunal de uma defesa que apareceu na hora mais crítica do ano. A tão criticada defesa conseguiu parar o Seattle nas quatro últimas campanhas do Super Bowl (punt, punt, punt e pick). Contundo, essa grande equipe, que muitos desvalorizaram, não seria nada se fosse pela genialidade do Bill Belichick. Quem pensaria em usar o Edelman, que fora QB no College, contra o Ravens nos playoffs? Quem seria louco em usar a OL como trunfo para marcar touchdowns? Por que raios ele não pediu tempo no último drive do Seahawsk, que estava a mercê de marcar um touchdown que poderia acabar com o sonho do tetra? Um louco como o Bielsa, porém vencedor. Ele sabe muito bem como funciona o jogo. Ele respira o jogo. Se havia um cara nesse mundo capaz de transformar o Patriots, esse cara era o carrancudo Bill.

Você querendo ou não, erro tático do Darrell Bevell ou não, "deflate gate" ou não, a história do campeão teve um final glorioso. O New England Patriots mostrou que a dinastia, enquanto Tom Brady e Bill Belichick estiverem por lá, estará longe de acabar. O tetracampeão do Super Bowl mostrou que o imediatismo custa caro para alguns analistas, e que isso serve de combustível para uma máquina que estava emperrada. Daqui uns 10 anos, quando a dinastia de fato acabar, e a raiva por ela diminuir, o mundo vai reconhecer a genialidade da dupla Brady-Belichick, e todos vão sentir muito a falta deles.


A imagem mais bonita para o torcedor do Patriots

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