Postado Por : Caio Nascimento 5.3.13

O ano era 2007, mais precisamente no dia 25 de maio, quando Sir Alex Ferguson sentenciou: "O Tottenham fez um dos negócios mais rentáveis da história". O lendário manager do Manchester United estava falando sobre Gareth Bale, jovem promessa do Southampton, que era motivo de disputa entre o time de Ferguson e o Tottenham, que acabou o contratando por 10 milhões de libras.

Bale, natural de Cardiff, é mais um daqueles grandes jogadores que jamais jogarão uma Copa do Mundo. Mesmo não achando que uma Copa do Mundo seja um parâmetro pra julgar a habilidade e a importância de um jogador, seria mais do que justo vê-lo entre os "melhores".

O caso de Bale nos remete ao do seu conterrâneo, Ryan Giggs, que é um dos maiores jogadores de todos os tempos e nunca foi à uma Copa do Mundo. Injusto, porém, essa lacuna não diminui a lenda que é Ryan Giggs. A coincidência com Giggs não pára apenas na nacionalidade. Bale também joga pelo lado esquerdo do gramado, além de ser rápido, driblador, técnico e canhoto, assim como Ryan Giggs foi na maior parte de sua vida.

Outro jogador que Bale vem sendo constantemente comparado é Cristiano Ronaldo. Existem muitas similaridades entre os dois jogadores, como a força e a capacidade de driblar em alta velocidade, porém, não adianta. Bale é a cara do Giggs em seu ápice. Porém, esse burburinho veio à tona pelos números do jogador. Bale tem a impressionante média de 0.67 gols/jogo, sendo a 3ª melhor média da Premier League (atrás de Luiz Suárez e Robin Van Persie que têm 0.78 e 0.68, respectivamente), e com 24 partidas disputadas, número menor do que as partidas disputadas por Luiz Suárez (27) e Van Persie (28).

Além desse número assombroso, Bale tem 16 gols na tabela de artilheiros, cinco a menos que Luiz Suárez, o artilheiro, e três a menos que Van Persie, o vice-artilheiro. Na Europa League, o desempenho de Gareth diminui um pouco: 2 gols apenas.

Pela seleção de Gales, nas Eliminatórias da Copa do Mundo (UEFA) 2014, Bale é o artilheiro do time com três gols, e é o sétimo na tabela de artilharia. Considerando que o Grupo A, onde se encontra o País de Gales, seja um grupo bem equilibrado, além da fragilidade da seleção galesa, esse número do ponta galês desperta uma atenção maior.

Entretanto, apesar dos números mostrarem o poderio ofensivo de Gareth Bale, a história do camisa 11 dos Spurs começou bem diferente do que a dos seus concorrentes pela artilharia (e também pelo prêmio de melhor jogador da liga).

Bale começou como lateral-esquerdo, no Southampton, em 2006 e com apenas 16 anos de idade. O galês é o segundo jogador mais novo à estrear com a camisa dos Saints, atrás de Theo Walcott, alguns dias mais novo, e que atualmente defende o rival Arsenal. Bale sempre fora muito técnico pra jogar na lateral, um dos motivos pela tardia ascensão entre os goleadores, pois na Inglaterra os laterais são obrigados a marcar antes de fazer qualquer outra coisa em campo.

Mesmo com esse empecilho da lateral, era notório dentro do Southampton o valor de Bale. No entanto, vale ressaltar a clareza dos scouts do Tottenham nesse caso, pois o risco era muito grande ao contratar um jogador que atuava numa posição que não lhe condizia. O Southampton, que no inicio endureceu a venda do craque, teve que ceder após a tentadora oferta do clube londrino. Os Saints estavam na Championship (segunda divisão) e estavam correndo risco de falência.

Bale chegou com pompas em White Hart Lane, após várias declarações de Sir Alex Ferguson, que tentou em vão a sua contratação, e pelas cifras nele depositadas. O início foi um pouco tímido, tanto é que Bale chegou a atuar como lateral-esquerdo por três temporadas no clube, além de revezar a vaga de titular com o Gilberto, ex-Cruzeiro e Grêmio. Bale, de fato, só foi conquistar a vaga de titular absoluto na ala esquerda quando Harry Redknapp assumiu o comando do Tottenham, no final de 2008.

Redknapp, após presenciar tantas subidas desenfreadas do seu ala esquerdo, resolveu adiantá-lo uma posição a frente no esquema tático, quando passou a jogar de meia-esquerda. Foi no 4-4-2, com a velha linha de quatro inglesa no meio-campo, que Gareth Bale virou um astro em Londres.

Não durou mais do que uma temporada para que Bale se acostumasse com a responsabilidade de "marcar menos". Jogando com mais liberdade, o galês começava a desfilar todo o seu repertório com dribles rápidos e verdadeiros canhões de perna esquerda. A redenção veio em 2009/2010, após grande campanha na Premier League que credenciou os Spurs com uma vaga na Champions League de 2010/2011.

Após passar facilmente pela primeira fase, o Tottenham chegou a fase de grupos da UCL como possível candidato ao segundo posto num grupo que tinha a Inter de Milão, que era comandada por Rafael Benitez. Aliás, foram os jogos contra a Inter de Milão que consagraram a ascendência de Bale, que deixou os londrinos em primeiro lugar no grupo.

No primeiro jogo contra os italianos, o Tottenham perdeu por 4x3 numa partida que ficou marcada por uma quase reação histórica. A Inter tinha terminado o primeiro tempo vencendo a partida por 4x0 após inúmeras confusões e um pênalti "esquisito" logo aos 13 minutos do começo da partida. Na volta do intervalo, os Spurs imprimiram uma velocidade descomunal ao jogo e anotaram três gols, e esses três tentos foram anotados por Bale.

Na segunda partida, em White Hart Lane, o jogo ficou conhecido pelo vareio de Bale encima de Maicon, na época titular também da seleção. Os Spurs venceram por 3x1, mas inversamente proporcional a partida no Giuseppe Meazza. Dessa vez Bale não marcou três vezes, ele deu as três assistências dos gols marcados por Van der Vaart, Peter Crouch e Roman Pavlyuchenko. No final da partida, em uníssono, os fãs do clube londrino gritavam a plenos pulmões: "Taxi for Maicon!".

Desde então o sucesso de Bale foi só aumentando até chegar nos dias de hoje, onde o galês já é uma realidade. Um craque. Também vale ressaltar a importância do atual treinador dos Spurs, André Villas-Boas, que deu mais liberdade ao craque.

Atualmente o Tottenham joga no 4-2-3-1, com Bale bem aberto pela esquerda e com muita liberdade para atacar. Dependendo da situação, Villas-Boas adianta Bale para o ataque, onde Bale atua como um digno ponta-esquerda. É nesse esquema que o camisa 11 do Tottenham vem pegando fogo.

Porém, quem está "sofrendo" com esse sucesso todo é o torcedor do Tottenham. Desde a UCL de três temporadas atrás que o nome de Bale é especulado em clubes como Barcelona, Real Madrid e recentemente o PSG.

Daniel Levy, dono do clube inglês, disse nessa semana que vai fazer uma oferta inimaginável ao galês. Segundo os jornais ingleses, o Tottenham estaria disposto a dobrar o salário do jogador que recebe 75 mil libras semanais (R$ 225 mil) para 130 mil libras semanais (R$ 390 mil). Independente do futuro do craque galês, é muito bom vê-lo jogar. A facilidade de driblar, correr com a bola, puxar contra-ataques, chutar ferozmente e, sobretudo, marcar gols, me faz acreditar que Gareth Bale é o melhor jogador da Premier League 2012/2013.

Por jogar num clube que é ofensivo por natureza e por contar com um treinador inteligentíssimo, considero que não é o momento certo para o Bale sair do Tottenham Hotspur. Uma transferência para o Barcelona ou Real Madrid é quase inevitável, assim como é inevitável dizer que Gareth Bale, com 23 anos, já substitui Ryan Giggs, a lenda, de maneira sublime.

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