Postado Por : Caio Nascimento 11.1.14

E o gargalo vai apertando na NFL conforme o mata-mata vai avançando. Após uma rodada de wild card, três partidas foram decididas por três ou menos pontos, algo nunca antes visto na pós-temporada da NFL. O equilíbrio também fica evidente quando se percebe que essa foi apenas a segunda vez na história da competição em que dois jogos de playoffs foram decididos no último lance da partida.

Indianapolis Colts, New Orleans Saints, San Diego Chargers e San Francisco 49rs juntaram-se a New England Patriots, Seattle Seahawks, Denver Broncos e Carolina Panthers para disputar o Divisional Round, uma espécie de semi-final das conferências AFC e NFC.

Patriots, Seahawks, Broncos e Panthers, que folgaram na rodada de wild card por terem uma campanha superior à dos demais, decidirão os jogos em seus domínios após um inicio tenebroso para os mandantes durante os playoffs. Apenas o Indianapolis Colts, que enfrentou o Kansas City Chiefs, venceu como mandante - apesar de ter chegado bem perto da derrota. Quer saber como ficam os duelos para o Divisional Round? Aconchegue-se e veja-os abaixo:


AFC DIVISIONAL ROUND

Divisional Round 1

Indianapolis Colts (11-5-0)
New England Patriots (12-4-0)












Um dos maiores jogos da história dos playoffs da NFL, é assim que ficou conhecido o duelo entre Indianapolis Colts vs Kansas City Chiefs, na semana passada no Lucas Oil Stadium. Superando um déficit de 28 pontos, os Colts eliminaram a equipe de Kansas e agora enfrentará o seu maior rival na Divisional Round, o New England Patriots. A vitória de virada sobre os Chiefs é a segunda maior da história dos playoffs da NFL, ficando atrás apenas da partida entre Buffallo Bills e Houston Oilers (hoje Houston Texans), quando a equipe de Nova Iorque tirou uma diferença de 32 pontos, em 1993. O grande nome da vitória dos Colts foi o QB Andrew Luck, que apesar de ter sofrido três interceptações lançadas, obteve uma atuação espetacular com 488 jardas e 5 TDs totais. Outro destaque da partida fora o jovem WR T.Y. Hilton, que conseguiu impressionantes 224 jardas e 2 TDs, incluindo o foguete lançado por Andrew Luck, de 64 jardas, que o WR recepcionou e selou a virada da equipe de Indiana. Entretanto, o ar dramático que a partida tomou foi ocasionado pela fragilidade da defesa de Indianapolis, mesmo ela tendo uma média ok na NFL (20ª colocada no ranking) e jogando em casa. Apesar da moleza da defesa, Robert Mathis, linebacker dos Colts, se destacou com um fumble forçado e que fora transformado num touchdown. Ao que tudo indica, a "pane" sofrida por Indianapolis na partida contra os Chiefs, apesar da excelente apresentação de Alex Smith, será esquecida graças à sorte da ex-equipe de Peyton Manning, que contou com TRÊS contusões da equipe de Kansas City para virar o jogo.

Um time imprevisível e com uma alma guerreira, essa é a definição do que foi o New England Patriots na temporada regular da NFL. Campeão pela nona vez da AFC East, os Patriots, apesar do título, não desempenharam uma campanha de se encher os olhos como costuma fazer na temporada regular. Sofrendo com lesões de jogadores chaves desde a primeira partida do ano, a equipe de New England teve que improvisar para manter o sonho de disputar a sua sexta final de Super Bowl sob a batuta de Tom Brady (que já disputou 5 Super Bowls, um recorde na NFL). Jogadores como Rob Gronkwoski, Shane Vereen, Aaron Dobson, Kenbrell Thompkins, Logan Mankins, Steve Gregory, Danny Amendola, Will Svitek, Alfonzo Dennard, Devin McCourty, Kyle Arrington, Dane Fletcher, Brandon Spikes, Aqib Talib, Nate Solder, Rob Ninkovich, Matt Slater e Jerod Mayo se machucaram em algum ponto da campanha na temporada regular e obrigado a Bill Belichick remontar o roster. Dentre todas as contusões, as mais sentidas foram a de Rob Gronkwoski e Jerod Mayo, ambos estão fora da temporada. O tight end, que fora destaque logo em seu primeiro ano na NFL, em 2011, quebrou o braço na temporada passada e, ao retornar aos gramados nesta temporada rompeu os ligamentos do joelho após bater o recorde da franquia, onde tornou-se o jogador com mais recepções para touchdown na franquia. Jerod Mayo é o bastião da defesa dos Patriots, que sempre fora contestada, mas sempre teve no linebacker o ponto forte para forçar turnovers nos adversários. Com a volta de muito desses jogadores citados acima, Bill Belichick conseguiu dar uma cara, mesmo que remendada, aos Patriots usando muitas jogadas novas (algumas delas "suicidas") para então conquistar a segunda melhor campanha na AFC - que chegou a ser ameaçada pelo Cincinnati Bengals, na última rodada). O time de Foxborough contará, mais uma vez, com Tom Brady, o QB que mais venceu nos playoffs, para tentar chegar à final da conferência. Apesar de não estar numa temporada espetacular (Brady tem apenas 87.9 de rating, a média mais baixa das últimas cinco temporadas do QB), o marido da Gisele Bundchen prova que ainda é o rei dos Patriots, sendo que é capaz de protagonizar campanhas sólidas (55x31 contra os Steelers e 30x23 contra os Falcons) e viradas inimagináveis (34x30 contra o Denver Broncos, 30x27 contra o New Orleans Saints e 34x31 contra o Houston Texans). Nesta temporada, Tom Brady igualou o recorde de Drew Brees e chegou à 4,343 jardas conquistadas (vale lembrar que Brady conquistou muitas dessas jardas com a mão direita inchada). Além das jardas, o QB possui 25 touchdowns e apenas 11 interceptações, números bons graças à sua linha ofensiva que aprendeu a lhe defender. Mesmo tendo o 7º melhor ataque da NFL, os Patriots não possuem grandes destaques no ataque que estarão ativos para os playoffs (já que Gronkwoski está fora). No entanto, a diversidade de opções e gameplays escolhidos por Bill Belichick transformam qualquer jogador da linha ofensiva de New England numa ameaça letal. Julian Edelman (WR com 105 recepções; 1,056 jardas e 6 TDs), Danny Amendola (WR com 54 recepções, 633 jardas e 2 TDs), Shane Vereen (RB/WR, como RB tem 44 carregadas, 208 jardas e 1 TD, e como WR tem 47 recepções, 427 jardas e 3 TDs), Stevan Ridley (RB nº2 com 178 carregadas, 773 jardas e 7 TDs), LeGarrette Blount (RB nº3 com 173 carregadas, 772 jardas e 7 TDs), Aaron Dobson (WR rookie com 37 recepções, 519 jardas e 4 TDs), Kenbrell Thompkins (WR rookie com 32 recepções, 466 jardas e 4 TDs) e Brandon Bolden (RB nº4 com 55 carregadas, 271 jardas e 3 TDs) são os destaques da ofensiva de New England. Porém, Aaron Dobson estará fora da partida devido a uma contusão no pé, e Kenbrell Thompkins, que participou do treino limitado, tem o retorno questionável devido a uma contusão no quadril. Com a 26ª defesa da NFL, os Patriots progrediram bastante nesse quesito em relação à temporadas atrás, onde a linha defensiva era sempre uma das piores. A aquisição do cornerback Aqib Talib e o draft do defensive end Chandler Jones na temporada passada fizeram o patamar da contestada defesa de New England subir consideravelmente de nível. Famosos por forçarem fumbles, sacks e interceptações, os "carniceiros" dos Patriots, apesar da fragilidade no contato, tornaram-se em ótimos alimentadores para o ataque da equipe justamente por pressionar muito o adversário. Chandler Jones (DE com 79 tackles, 11.5 sacks e 1 fumble), Dont'a Hightower (outside linebacker com 97 tackles e 1.0 sack), Steve Gregory (strong safety com 79 tackles e 1.0 sack), Kyle Arrington (cornerback com 62 tackles, 2.0 sacks, 2 fumbles e 1 interceptação), Rob Ninkovich (defensive end com 91 tackles, 8.0 sacks e 2 fumbles), Chris Jones (defensive tackle com 54 tackles e 6.0 sacks), Aqib Talib (cornerback com 41 tackles, 1 fumble e 4 interceptações), Joe Vellano (DT rookie com 54 tackles e 2.0 sacks), Dane Fletcher (linebacker com 26 tackles, 2.0 sacks e 1 fumble), Tom Kelly (linebacker com 22 tackles e 2.5 sacks), Sealver Siliga (DT com 23 tackles, 3.0 sacks e 1 fumble) e Logan Ryan (cornerback com 35 tackles, 1.5 sack, 1 fumble e 5 interceptações) são responsáveis por tacklearem muito pouco os adversários (por isso a defesa é considerada "mole"), mas, em contra-partida, são extremamente eficientes ao forçarem muitos turnovers.

O campeão do Leste recebe o campeão do Sul, no Gillette Stadium, em Foxborough-NE, no sábado às 23h, para decidir quem vai à final da conferência da AFC. Patriots e Colts alimentaram uma rivalidade muito ferrenha nesse século devido a eterna disputa entre Tom Brady x Peyton Manning para saber qual é o melhor QB da história da liga. Como Manning saiu dos Colts, a rivalidade entre essas duas equipes diminuiu um pouco (mais por parte dos Patriots, já que Manning é considerado o anticristo naquelas terras), mas resquícios dessa disputa ainda migram de um lado para o outro quando o nome de ambas equipes é citado. Os Colts adquiriram uma moral muito grande após vencer o Chiefs por 45x44, em casa, e prometem dificultar a vida do seu maior rival. Já os Patriots, que continua instável devido as contusões, tem no ataque a sua maior esperança, já que no ranking da NFL o time tem a terceira melhor média de pontuação. Nos comparativos, New England só perde para Indianapolis no sistema defensivo (20ºx26º), e, nos últimos três encontros entre as duas equipes, os Patriots venceram todos os jogos. Para a partida do próximo sábado, Austin Collie, WR que atuou por muito tempo em Indianapolis, vai enfrentar sua ex-equipe. O mesmo pode-se dizer de Deion Branch, WR bicampeão da NFL com o Patriots (e MVP em 2001/02), que enfrentará o New England pela primeira vez, e de cara jogando no Gillette Stadium. O duelo entre Patriots e Colts já aconteceu outras três vezes nos playoffs, e pasmem: toda vez que esse duelo ocorre nos playoffs um deles é campeão do Super Bowl. Para que isso ocorra, os Colts entrarão com uma ligeira desvantagem nesse duelo por estarem mais cansados, jogando fora e, claro, por enfrentar Tom Brady. No entanto, nada disso impede uma vitória, ainda mais se Chuck Pagano souber explorar a fragilidade da defesa de New England. Pelo lado do mandante, que é o favorito para o duelo, fica a dúvida de como Bill Belichick vai encarar essa partida. Nos últimos jogos a equipe de New England conteve-se mais, ousou pouco e abusou das jogadas terrestres com LeGarrette Blount, que deixou de ser uma arma secreta. Por jogar em casa, onde o torcedor "exige" um time mais ofensivo, pode ser que Belichick dê mais liberdade para que Tom Brady arrisque mais de seus passes milagrosos. Esse será um teste de fogo para ambas equipes, onde Andrew Luck, jovem e audacioso, enfrentará um dos maiores QBs da história desse esporte que, apesar da inconstância, continua tirando coelhos da cartola.


Divisional Round 2


San Diego Chargers (9-7-0)
Denver Broncos (13-3-0)


Tá sentindo esse cheiro? Não? Pois saiba que esse é o cheiro do azarão passando correndo pelos playoffs. O San Diego Chargers, equipe com pior campanha dentre os classificados na AFC, desbancou por 27x10 os favoritos Cincinnati Bengals, na casa do adversário que terminara a temporada regular sem perder em seus domínios. Se não bastasse todo o prólogo que vocês já sabem sobre o drama que foi a classificação dos Chargers (clique aqui), existe outra coisa que não sai da cabeça dos torcedores da equipe californiana: a profecia. Mas que profecia é essa? Segundo a lenda, nos últimos quatro anos, o time que encarou os Eagles no primeiro jogo da equipe na Filadélfia venceu o Super Bowl. Na semana 2 desta temporada, o San Diego foi ao Lincoln Financial Field e venceu os donos da casa por 33x30. Maluco? Pode ser que sim, mas tem como dizer o contrário sobre a campanha de San Diego até agora? É óbvio que não. A fase dos Chargers é de tanta empolgação que até a defesa, muito contestada da equipe, apareceu e ajudou muito os californianos na batalha de Ohio. Donald Butler, linebacker de San Diego, foi o principal destaque da muralha montada por Mike McCoy, sendo responsável por 12 tackles e um fumble sobre o RB Giovani Bernard, quando o adversário estava dentro da red zone prestes à marcar um touchdown. Embora o desempenho monumental da defesa de San Diego tenha chamado atenção, todos os holofotes estão apontados para Phillip Rivers, quarterback e capitão da equipe que liderou com maestria o poderoso ataque californiano na gélida Cincinnati. Apesar das poucas 128 jardas e um passe para touchdown, Rivers coordenou os seus asseclas dentro de campo com uma maturidade e calmaria completamente diferente das últimas temporadas, principalmente nas jogadas terrestres, fugindo um pouco das famosas bombas lançadas pelo próprio QB. Confiante, San Diego tem boas chances de manter viva a profecia e assim seguir na competição, já que o próximo adversário costuma pisar na bola quando se depara com os Chargers.

Liderança, recordes quebrados, novos recordes estabelecidos, melhor ataque da competição e a vantagem de jogar todos os jogos em casa nos playoffs deram ao Denver Broncos o estigma de favorito ao título. Nada mais justo quando se trata de uma equipe comandada por Peyton Manning, quarterback que quebrou o recorde de touchdowns (55) e jardas passadas (5.477) em um ano. No entanto, seguindo a mesma toada de mistérios que envolve o San Diego Chargers, algo tão obscuro e tenebroso cerca o principal jogador do Denver Broncos. Peyton Manning, que ao lado de Brett Favre, é dono de uma ingrata marca nos playoffs da NFL: o QB de Denver possui apenas 9 vitórias em 20 jogos de playoffs. Como apenas ele e Favre possuem 11 derrotas na pós-temporada, essa marca pode se tornar ainda pior caso o Chargers vençam neste domingo, pois Brett Favre já se aposentou dos gramados e caberia apenas à Manning a inglória marca de 12 derrotas em playoffs. É estranho um time tão forte ser tão questionado num momento chave como é o Divisional Round. Porém, essa parcela tão gigantesca de favoritismo só é atribuída aos Broncos devido à alucinante temporada regular de Manning, e como ele carregar esse fardo nos playoffs, o medo e a incerteza estão andando de mãos dadas com o time do Colorado. Apesar disso tudo, existe o lado bom da vida para os torcedores dos Broncos, que é a campanha impecável do ataque na temporada regular. Como dito antes, Manning passou para 55 touchdowns, fez 5,477 jardas e tem um rating de 115.1 na escala da NFL. Já a equipe de Denver possui 457.3 jardas, sendo que 340.2 foram por passes, e uma média de 37.9 pontos por partida. Os números são tão altos que nenhuma equipe sequer chegou perto de igualá-los. Para que esse ataque funcione, Manning tem à sua disposição Damaryius Thomas (WR com 92 recepções; 1,430 jardas e 14 TDs), Eric Decker (WR com 87 recepções; 1,288 jardas e 11 TDs), Wes Welker (WR com 73 recepções, 778 jardas e 10 TDs), Julius Thomas (TE com 65 recepções, 788 jardas e 12 TDs), Knowshon Moreno (RB com 241 carregadas; 1,038 jardas e 10 TDs) e Montee Ball (RB com 120 carregadas, 559 jardas e 4 TDs) como opções para devastar as terras inimigas. Em contraste com o ataque está a defesa de Denver, dona de números bastante tímidos em relação ao desempenho de cada um dos componentes da linha ofensiva. Contudo, apesar de deixar a desejar, a linha defensiva tem alguns destaques, como Danny Trevathan (outside linebacker com 129 tackles, 2.0 sacks, 3 fumbles e 3 interceptações), Duke Ihenacho (strong safety com 73 tackles e 3 fumbles), Wesley Woodyard (linebacker com 84 tackles, 1.5 sack, 2 fumbles e 1 interceptação), Malik Jackson (defensive end com 42 tackles, 6.0 sacks e 1 fumble), Nate Irving (outside linebacker com 41 tackles e 1.0 sack), Shaun Phillips (defensive end com 35 tackles, 10.0 sacks, 2 fumbles e 1 interceptação), Von Miller (outside linebacker com 34 tackles, 5.0 sacks e 3 fumbles), Dominique Rodgers-Cromartie (cornerback com 31 tackles e 3 interceptações), Robert Ayers (DE com 29 tackles, 5.5 sacks e 1 fumble), Terrence Knighton (DT com 31 tackles, 3.0 sacks e 1 interceptação), Derek Wolfe (DE com 16 tackles e 4.0 sacks) e Sylvester Williams 19 tackles e 2.0 sacks). Nota-se que a defesa de Denver é bem parecida com a de New England, especialmente por tacklearem muito pouco e forçarem muitos turnovers. Para passar pela casca de banana sem tropeçar, o Denver Broncos vai ter que fazer uma partida impecável em seus dois setores (ataque e defesa) para que nenhuma zebra atravesse o Sports Authority Field novamente.

O último jogo do Divisional Round, que acontecerá na noite de domingo, às 19h30, deverá ser o mais imprevisível de todos, mas, que mesmo assim, tem um grande favorito à classificação. Apesar de todos falarem que playoffs e temporada regular são duas coisas distintas, seria completamente displicente e errado desconsiderar todos os recordes e goleadas impostas por Manning e cia durante a fase classificatória. Do outro lado existe o San Diego Chargers, que ocupa uma posição bastante confortável (se é que isso é possível, sabendo que o melhor time da competição é o seu próximo adversário no mata-mata), já que a diferença entra as duas equipes são mínimas e ainda existe o "fator extra" preocupando Peyton Manning. Denver tem o melhor ataque e o melhor passe, enquanto San Diego tem o quinto melhor ataque e o quarto melhor passe. Denver possui a 19ª defesa e o 15° melhor jogo terrestre, enquanto San Diego possui a 23ª melhor defesa e o 13° melhor jogo terrestre. Os comparativos são muito estreitos, e Denver leva vantagem em três quesitos contra um de San Diego. Além disso, existe uma contra-partida muito valiosa para a equipe da Califórnia deixar esse duelo ainda mais equilibrado. O Chargers é a única equipe que conseguiu vencer os Broncos lá no Colorado, quebrando uma sequência invicta de Denver. Portanto, para todos os meios de comparação, o Denver Broncos é sim o favorito à classificação, muito pelo fortíssimo ataque que tem, e pelo lendário QB que os comanda, mas o San Diego Chargers tem as suas armas (e profecia) que lhe garante uma boa chance de fazer história. Esse, definitivamente, não é um jogo-morto.



NFC DIVISIONAL ROUND


Divisional Round 1

New Orleans Saints (11-5-0)
Seattle Seahawks (13-3-0)











Depois de uma partida histórica contra o Philadelphia Eagles, no Lincoln Financial Field, lá na casa do adversário, mesmo sem ter uma apresentação da qual estamos acostumados - porém de praxe dos Saints nessa temporada -, o time de Nova Orleans venceu o rival por 26x24 com um field goal salvador do veterano Shane Graham. Os Saints demonstraram que a sua defesa continua confiável nos momentos difíceis, sendo que ela será extremamente necessária agora, já que o time de Nova Orleans continuará a não fazer partidas dentro do Super Dome até o Super Bowl, caso chegue, claro. Entretanto, o que era motivo de orgulho antes do encontro contra o time da Filadélfia agora se tornou num pequeno incômodo. Drew Brees, o capitão/quarterback/pedra filosofal da equipe, lançou dois passes que foram interceptados pela defesa dos Eagles, algo que não é do feitio desse excelente jogador. Além do mais, Brees terminou a partida com a dúbia marca de 250 jardas conquistadas, algo que ele normalmente consegue em apenas dois quartos de jogo, e um touchdown no cartel. Porém, não é novidade para ninguém que Drew Brees é um jogador que aparece na hora certa, no lugar certo e com o passe certo para vencer uma partida. Esse susto, apesar de ter sido uma partida de playoff fora de casa, não deve se repetir caso os Saints queiram chegar a mais uma final de conferência da NFC.

Descansados e cheios de moral, o Seattle Seahawks enfrentarão o seu maior desafio depois de longínquos vexames na temporada regular. A nova era de Seattle deve-se ao excelente time montado com vários picks de primeira rodada nos drafts anteriores devido as suas péssimas campanhas. Os Seahawks terminaram a temporada regular como campeões da NFC West, deixando o poderoso San Francisco 49rs na segunda posição. Os belíssimos desempenhos dos mandantes deste duelo devem-se à Russell Wilson, jovem QB que está apenas em sua segunda temporada, e à "besta" Marshawn Lynch, um running back capaz de perfurar até a muralha da China. Juntos, Wilson e Lynch colocaram os Seahawks na 4ª posição do ranking geral de jardas corridas com 136.8 totais. Esse ótimo número, em sua generosa parte, deve-se à Lynch, que sozinho conquistou 1,257 jardas e 12 touchdowns! Não é a toa que o chamam de "besta", o RB é dotado de uma força capaz de quebrar vários tackles e desmontar vários bloqueios na linha de scrimmage e indo parar duas, três, quatro, cinco, seis, sete jardas a frente! No entanto, o jogo corrido de Seattle também tem grande parte nos pés do próprio QB Russell Wilson, que sozinho já correu 539 jardas - um número bastante considerável se você comparar com alguns RBs de equipes tradicionais - e tem um TD anotado.  Robert Turbin, o RB nº 2 de Seattle também tem um número interessante, passando da marca centenária, com 264 jardas conquistadas com sua própria força. Esse trabalho de correr com a bola é aproveitado a exaustão pelo head coach Pete Carroll, que além dessa arma letal também conta com as 3,357 jardas e 26 touchdowns protagonizados por Russell Wilson, e que possui o admirável 101.2 pontos de rating. Porém, Pete Carroll não conta apenas com o QB e a besta para colocar os Seahawks como favoritos ao Super Bowl, o treinador ainda possui armas como Golden Tate (WR com 64 recepções, 898 jardas e 5 TDs), Doug Baldwin (WR com 50 recepções, 778 jardas e 5 TDs), Zach Miller (TE com 33 recepções, 387 jardas e 5 TDs), Jermaine Kearse (WR com 22 recepções, 346 jardas e 4 TDs) e Sidney Rice (WR com 15 recepções, 231 jardas e 3 TDs) para o ataque. Já a defesa, a melhor da NFL e tão aclamada por ser atlética, insana e cruel, possui nomes do calibre de Earl Thomas (free safety com 105 tackles, 2 fumbles e 5 interceptações), Bobby Wagner (linebacker com 120 tackles, 5.0 sacks e 2 interceptações), Kam Chancellor (strong safety com 99 tackles, 1 fumble e 3 interceptações), K.J. Wright (linebacker com 80 tackles e 1.5 sacks), Malcolm Smith (outside linebacker com 54 tackles, 1.0 sacks, 1 fumble e 2 interceptações), Bruce Irvin (outside linebacker com 40 tackles, 2.0 sacks, 1 fumble e 1 interceptação), Walter Thurmond (cornerback com 32 tackles, 1.0 sacks, 1 fumble e 1 interceptação), Cliff Avril (defensive end com 20 tackles, 8.0 sacks e 5 fumbles), Michael Bennett (defensive end com 31 tackles, 8.5 sacks e 1 fumble), Tony McDaniel (defensive tackle com 53 tackles e 2.0 sacks), Clinton McDonald (defensive tackle com 35 tackles, 5.5 sacks e 1 interceptação) e Richard Sherman (center back com 49 tackles e 8 interceptações).

Esse duelo será marcado pelo time de melhor defesa contra o segundo melhor time passando a bola. As duas equipes vivem momentos distintos, e que pode ser ilustrado pelo placar do último jogo em que eles se encontraram: 34x9 para Seattle, uma verdadeira surra. Mesmo o Saints tendo números tão bons quanto, o que faz do time dos Seahawks ser tão especial ao ponto de impor um massacre desses na temporada regular contra um time tão forte quanto, e ainda assim ter números inferiores no ataque? Seattle tem duas cartas nas mangas que podem explicar esse fenômeno: as corridas e a defesa. Como explicado acima, o jogo corrido de Seattle é eficiente ao extremo, pois tanto o seu QB quanto o seu RB são armas letais e imprevisíveis. Se formos comparar os números de jardas corridas, os Seahawks goleiam por 136.8 contra 92.1, respectivamente a 4ª e 25ª colocadas no ranking da NFL. Já a defesa, a melhor da NFL, não precisa de muita explicação porque os números no parágrafo acima falam por si só. A segurança proveniente de uma rocha, como é a defesa de Seattle, dá a garantia de que sempre haverá interceptações, sacks e fumbles no jogo, dando a impressão de que os jogadores matarão todos que estiverem com outro uniforme. Acostumados e confortados com duas armas acima da média, a linha ofensiva do Seattle não precisa ser forte (ela realmente não é), apenas eficiente. Para ter uma chance contra o Seattle, o New Orleans vai ter que depositar todas as suas fichas no ataque, que fora muito mal contra os Eagles, mas que sempre foi espetacular. Apesar de tudo estar propício para uma campanha devastadora dos Seahawks, julgando pela instabilidade emocional dos Saints, o grande nome do jogo pode ser do adversário. Drew Brees não precisa provar mais nada, pois todos sabem que ele é um QB de elite, um dos maiores de todos os tempos, mas que vem de um jogo ruim. No entanto, são nesses jogos que os gênios aparecem, ainda mais quando se tem uma equipe tão equilibrada quanto a do Saints. Sim, Seattle é a equipe favorita para esse duelo, mas os Saints irão ao CenturyLink Field como franco-atiradores. Atirar eles sabem muito bem, mas eles vão ter que contar com uma partida muito mais encantada do que na final do Super Bowl contra o Indianapolis Colts de Peyton Manning. Saints versus Seahawks será o primeiro jogo do Divisional Round, às 19h15, no sábado.


Divisional Round 2


San Francisco 49rs (12-4-0)
Carolina Panthers (12-4-0)











Depois de uma das batalhas mais duras no wild card, o San Francisco 49rs venceu o Green Bay Packers, no Lambeau Field, sob um gelo de -23º, por 23x20, pela segunda vez nos playoffs. A equipe contou com uma exibição muito consistente e boa do QB Colin Kaepernick, agora mais experiente, para derrotar os "cabeças-de-queijo", e com o field goal convertido no último instante por Phil Dawson. Mesmo sem ter feito um jogo coletivamente bom, os Niners devem-se orgulhar da já citada exibição de seu prodígio quarterback, que ainda é visto por olhares desconfiados de gente mais rigorosa, mas liderou a equipe no primeiro quarto do jogo. Porém, os Niners apresentaram o mesmo problema mencionado na publicação anterior: o ataque inoperante. Todavia, o WR Michael Crabtree colocou a equipe californiana na red zone por duas ocasiões, sendo que nas duas oportunidades San Francisco não conseguiu anotar um touchdown e acabou convertendo dois field goals. Entretanto, a super defesa dos californianos apareceu para salvar o ano de Jim Harbaugh e seus comandados, privando Aaron Rodgers e todo o ataque de Green Bay à apenas NOVE jardas no primeiro quarto. Entre reações e contra-ataques, Kaepernick mostrava segurança em seu jogo corrido (o QB salvou os 49rs em duas ocasiões, uma no terceiro período e outra no quarto, com uma corrida de 42 jardas e outra de 28 respectivamente) e com passes precisos em conversões de terceira descida. Para passar pelo próximo desafio, a equipe de San Francisco precisará mais do que nunca do ataque - e não apenas de Kaepernick e a defesa -, já que o adversário tem uma sólida defesa, quase tão imbatível quanto a do Seattle Seahawks. O veterano Anquan Boldin, que no último jogo novamente não foi bem, precisa acordar para a vida!

O Carolina Panthers, equipe mais nova dentre todos os times classificados para os playoffs, foi uma grata surpresa na temporada regular e chega credenciado nesse duelo pelo divisional round graças ao título conquistado na NFC South, onde deixou para trás o New Orleans Saints e o Atlanta Falcons, sendo que ambas equipes eram consideradas mais fortes do que o time de Charlotte. Com a segunda melhor defesa da NFL, os Panthers conquistaram a maioria de seus pontos forçando turnover e segurando o ataque adversário o mais longe possível da red zone. Apesar de ter números modestos no ataque (26º "melhor" ataque e 29ª "melhor" equipe passando a bola), o time de Carolina nos mostrou uma nova versão de Cam Newton - quarterback que ficou famoso por liderar o Auburn Tigers ao título do BCS Bowl (futebol universitário), em 2010 -, agora um jogador mais confiável e mais ativo no gameplay. Outrora lento e desajeitado, Newton despôs de bons recordes em 2013, parecendo-se mais com aquele QB famoso por correr tão bem com a bola e tirar da cartola passes longos e teleguiados nas mãos dos wide receivers e tight ends. Com 3,379 jardas conquistadas (61% delas completadas), 24 touchdowns, 6 TDs corridos e um rating de 88.8, números bem melhores do que nas duas últimas temporadas, Newton mostrou que pode ser um "franchise player" (jogador de franquia, aquele que "manda" no time) caso esteja disposto a participar mais do jogo e não cometer erros crassos. Erros, porém, que estão presentes e bem vívidos na lembrança do jovem QB, que foi interceptado 13 vezes, tomou 49 sacks e cometeu 3 fumbles. Devido à problemas pontuais no ataque poucos jogadores possuem grandes estatísticas, e aqueles que possuem números bons, são, ao menos, discretos em comparação à outras equipes. DeAngelo Williams (RB com 201 carregadas, 843 jardas e 3 TDs), Greg Olsen (TE com 73 recepções, 816 jardas e 6 TDs), Steve Smith (veterano WR com 64 recepções, 745 jardas e 4 TDs), Brandon LaFell (WR com 49 recepções, 627 jardas e 5 TDs) e Ted Ginn (WR com 36 recepções, 556 jardas e 5 TDs) são os nomes que mais se destacam na modesta linha ofensiva de Ron Riveira. No entanto, o head coach de Carolina possui excelentes nomes na linha defensiva, tais como Luke Kuechly (linebacker com 156 tackles, 2.0 sacks e 4 interceptações), Thomas Davis (outside linebacker com 123 tackles, 4.0 sacks, 1 fumble e 2 interceptações), Mike Mitchell (free safety com 67 tackles, 4.0 sacks, 2 fumbles e 4 interceptações), Captain Munnerlyn (cornerback com 73 tackles, 3.0 sacks, 1 fumble e 2 interceptações), Quintin Mikell (strong safety com 59 tackles, 3.0 sacks e 2 fumbles), Greg Hardy (defensive end com 59 tackles, 15.0 sacks e 1 fumble), Star Lotulelei (defensive tackle com 42 tackles e 3.0 sacks), Charles Johnson (defensive end com 31 tackles, 11.0 sacks e 1 fumble), Mario Addison (defensive end com 21 tackles, 2.5 sacks e 1 fumble) e Dwan Edwards (defensive tackle com 19 tackles e 3.0 sacks). Nota-se que a defesa dos Panthers é assustadoramente forte, ainda mais quando se joga tanto no blitz como costuma fazer Ron Riveira. É perceptível que, invariavelmente, o seu time vai ter o QB sackado ou interceptado pela linha defensiva de Carolina.

Apostar num 0x0 entre San Francisco 49rs e Carolina Panthers não é tão absurdo quando parece soar. Durante a temporada regular, as equipes se encontraram no Candlestick Park, casa dos Niners, e protagonizaram um 10x9, placar muito baixo para os padrões do futebol americano. A vitória foi para o Carolina Panthers, que venceu graças à um field goal no final da partida. Para o duelo de domingo, no Bank of America Stadium, lar dos Panthers, o mesmo que aconteceu no dia 10 de novembro deve se repetir, já que as duas equipes sofrem com um ataque decepcionante. A diferença é que os 49rs possuem jogadores de maior renome e um jogo terrestre mais eficiente do que os Panthers, o que pode ser decisivo devido a periculosidade de se arremessar uma bola contra os interceptadores que estarão a espreita de Colin Kaepernick. Por jogar em casa e contar com uma defesa tão agressiva, o time de Carolina pode surpreender o tradicional San Francisco utilizando-se de uma tática parecida com o "Muricybol", dos tempos áureos do São Paulo tricampeão brasileiro que abusava do "chuveirinho" na grande área adversária. Como isso é possível no futebol americano praticado pelo Panthers? A equipe costuma arriscar poucos passes longos, avançando de pouquinho em pouquinho até chegar na red zone adversária, onde o que rolar é lucro. Com um relógio gasto, basta segurar o tranco com a defesa que tem. É simples, porém eficiente o que o Panthers costuma fazer. O problema é conter a ânsia de Cam Newton de tentar lançar um passe mais "chique" para um wide receiver/tight end não tão qualificado quanto ele pensa. Esse duelo equilibradíssimo, com ligeira vantagem para o Panthers que joga em casa e está mais descansado, acontecerá às 16h.

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