Postado Por : Caio Nascimento 2.4.13

Fundado no dia 14 de agosto de 1970, o Paris Saint-Germain Football Club prometera ditar a moda na capital francesa. Trajando o azul e o vermelho para homenagear Paris e adicionando o branco para lembrar-nos da existência de Saint-Germain, distrito parisiense, os Germanois foram criados para brilhar. Isso mesmo, eles foram criados porque a Cidade Luz não tinha um clube de futebol vencedor.

O PSG é o resultado de uma fusão entre o extinto Paris Football Club com o tímido Stade Saint-Germain. Os dois clubes pouco agregavam no futebol francês, ou quase nada. Porém, existia uma classe em Paris que se incomodava com esse detalhe desanimador. Por esse motivo nascera o Paris Saint-Germain. Logo no seu ano de estréia, o PSG conquistara a Ligue 2 em 1970/1971, que equivale a segunda divisão.

Woody Allen, amante de Paris, nos ensina em seus filmes que sempre existe amor, romance e ótimos vinhos naquela cidade. Porém, desde o acesso em 1971, os fãs do clube de maior expressão em Paris não comemoravam nada e possivelmente não desfrutavam dessas iguarias e sentimentos afáveis com o seu time. Bom, o primeiro grande título só viera em 1982 com a Taça da França. Muito pouco, até Woody Allen, que não manja porcaria nenhuma de futebol, reclamaria.

Depois de tanto auê, o PSG conseguiu conquistar a Ligue One em 1985/1986. O elenco era formado por bons jogadores como Joel Bats, Susic, Luis Fernandez e Rocheteau. Destes quatro jogadores, três eram titulares da seleção francesa. Aliás, Luis Fernandez bateu o último pênalti dos Les Bleus na disputa de penalidades contra o Brasil na Copa do Mundo de 1986.

A vida era muito inconstante no distrito de Saint-Germain. O PSG nada fez nos anos seguintes desde a conquista da Ligue One. Porém, algo avassalador estava programado no roteiro desse time.

Em 1991 o Canal + anunciou que iria patrocinar o Paris Saint-Germain. O Canal + é uma emissora de televisão de canal fechado (ou por assinatura) muito popular na França. Ao contrário do que acontece no Brasil, os canais fechados são muito poderosos e ricos na Europa, e muitas vezes sobrepujam os canais de televisão aberta. Essa foi a primeira vez que o PSG recebera dinheiro para tentar construir uma história poderosa.

Com o dinheiro da emissora, o PSG contratou os brasileiros Raí, Ronaldão, Valdo e Ricardo Gomes. Além dos brasucas, foram contratados George Weah, que estava no Mônaco, e David Ginola. O esquadrão permitiu que os Germanois conquistassem mais uma vez a Ligue One, em 1993/1994, tendo Raí como grande nome da equipe.

Como de costume, ou talvez por licença poética do futebol, o PSG entrou no marasmo outra vez, mesmo conquistando algumas copas nacionais. Dizem que clubes de futebol que foram criados "do nada" demoram pra ajeitar, talvez seja essa a sina parisiense.

No entanto, depois de mais um hiato em sua curta história, o Paris Saint-Germain abocanhou mais uma chance de crescer. Em 2011 um grupo de investidores dos Emirados Árabes comprou 70% das ações do PSG. Desse grupo dos EAU, um catariano foi "eleito" presidente do clube.

Nasser Al-Khelaifi, ex-tenista e ex-dirigente do Al Jazeera, despejou 132 milhões de dólares em seu primeiro ano como presidente do clube parisiense. Nessa dinheirama toda, ele trouxe Javier Pastore (ex-Palermo, por 43 milhões de Euros), Alex (ex-Chelsea, por 5 milhões de Euros), Maxwell (ex-Barcelona, por 4 milhões de Euros), Thiago Motta (ex-Internazionale, por 10 milhões de Euros), Jeremy Ménez (ex-Roma, por 9 milhões de Euros), Mohamed Sissoko (ex-Juventus, por 8 milhões de Euros), Blaise Matuidi (ex-Saint-Etienne, por 7,5 milhões de Euros), Milan Bisevac (ex-Valenciennes, por 4 milhões de Euros), Salvatori Sirigu (ex-Palermo, por 3,5 milhões de Euros) e Diego Lugano (ex-Fenerbahce, por 3 milhões de Euros). Sissoko e Lugano já saíram do PSG e mesmo assim o clube não conseguiu conquistou um troféu sequer!

Em 2012/2013, Al-Khelaifi decidiu abrir ainda mais a torneira e gastar CENTO E QUARENTA E SETE MILHÕES DE EUROS para reforçar o "mirradinho" Paris Saint-Germain. Vieram Marco Verratti (ex-Pescara, por 12 milhões de Euros), Zlatan Ibrahimovic (ex-Milan, por 20 milhões de Euros), Ezequiel Lavezzi (ex-Napoli, por 30 milhões de Euros), Thiago Silva (ex-Milan, por 42 milhões de Euros) e Lucas (ex-São Paulo, por 43 milhões de Euros). Bom, dessa vez os petrodólares do catariano surtiram efeito, pois o PSG caminha a passos largos para conquistar a Ligue One e está nas quartas-de-final da Champions League contra o Barcelona.

Entretanto, o que mais comove nessa história toda é que Paris sempre teve times tradicionais em sua história futebolística antes mesmo da criação do PSG. Existia uma trinca de times que hoje passariam dos 100 anos de existência. A trinca era formada por Racing Club Paris, Stade Français e Red Star, sendo que o penúltimo faliu e hoje é um clube que habita as profundezas dos campeonatos amadores da França.

O Racing Club Paris chegou a rivalizar com o amante garboso de Paris, o PSG. Porém, as dificuldades financeiras eram óbvias, pois todo o apoio estava indo para os Germanois. O Racing ainda não faliu completamente, embora seja muito mais tradicional que o PSG. Atualmente, o clube disputa a quarta divisão, que é considerado semi-amador. Entre a década de 1930 e 1940, o Racing foi o maior clube de Paris, conquistando 1 Ligue One e 5 Copas da França. Além disso, o Racing Club Paris serviu de inspiração para a criação do Racing Club Avellaneda, da Argentina, cujas cores da Acadêmia se assemelham com o do clube francês. O Racing fora o lar de grandes jogadores como Eugene Ekeké, Luis Fernandez, Rúben Paz (que também jogou no Racing argentino), Enzo Francescoli e Pierre Littbarski. Tristemente, hoje o Racing Club é mais conhecido pelo Racing Club Metro, um dos mais poderosos times de rugby da Europa.

O Stade Français foi o pioneiro do futebol na capital da França. O Stade fora fundado em 1883 e sempre rivalizou com o Racing e com o Red Star. Seus títulos eram importantes na época amadora do futebol francês, pouco antes da adoção do profissionalismo e da criação da Ligue One, em 1932/1933. Um fato curioso na história do Stade Français era a sua sina contra os clubes brasileiros: perdeu de 7x1 para o extinto Paulistano (clube do Arthur Friedenreich) e por 2x1 para o Atlético Mineiro (na extinta Copa do Gelo). O Stade era muito competitivo, tanto é que participou de dois anos seguidos da Copa das Feiras (antiga Champions League), em 1964 e 1965. Outro fato curioso sobre o Stade Français é Helenio Herrera, mítico treinador espanhol que passou pelo clube. Porém, em 1967 o Stade Français sucumbiu na Ligue One e fora rebaixado e depois extinto.

Outro clube parisiense, o Red Star, encontra-se ligeiramente melhor que as outras duas equipes que lhe faziam frente no longínquo passado. Atualmente na Nationale, campeonato equivalente à terceira divisão, o Red Star tenta sobreviver no futebol. Fundado por Jules Rimet, em 1897, as Estrelas Vermelhas mudaram de nome várias vezes para se manter no futebol. O clube já chegou a se fundir com o Stade Français e com o Toulouse. Embora tenha uma torcida de tamanho modesto, o Red Star já conquistou 5 Copas da França e duas Ligue 2. Como o nome já entrega, o Red Star é um clube socialista, e os seus torcedores se baseiam nos frequentadores da sede do clube, do bairro e de pessoas engajadas com o partido socialista francês. Por ainda estar na ativa, o Red Star é o oposto do que é o Paris Saint-Germain. Jean-Luc Girard, Steve Marlet, Pol Morel, Marcel Pinol e Olof Mellberg são os grandes nomes que passaram pelo modesto clube parisiense.

Tendo em vista a pluralidade futebolística em Paris, o moderno PSG carrega a fama do amante mais bonito da cidade. Sendo que o Paris Saint-Germain é fruto de uma torcida de extrema-direita, com sua esmagadora maioria de torcedores brancos e com fortes sentimentos nacionalistas. O típico esteriótipo francês recai sobre os torcedores do PSG, que se notabilizaram nos últimos anos por confusões que envolviam insultos raciais e sociais contra outros franceses.

No cancioneiro do futebol existe a exaltação da tradição, dos anos perfilados em glórias  e das batalhas pela inserção na elite do jogo. Um clube é muito mais marcado pelos anos em afinco do que pela sorte, ou como no caso do PSG, uma simples questão social que não aceitava que sua capital estava atrás de cidades "menos" importantes.

Pode parecer tacanho, ou até mesmo superficial dizer que os Germanois não merecem respeito, mas o fato é de que a vida do "novato" é bem mais fácil do que da trinca que pereceu com o descaso da tradição. É difícil negar que não existe um sabor plastificado sobre o PSG com relação a outros clubes mais tradicionais que não possuem um Nasser Al-Khelaifi despejando dinheiro e mais dinheiro em seus cofres. Como o apelido de Paris já diz, a Cidade Luz sempre anseia pelo novo, pelo bonito, pelo glamour, pela competitividade e pelo luxo. O que mais importou para os franceses da capital realmente foi o luxo, e não a tradição.

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