Postado Por : Caio Nascimento 29.7.13

O futebol é um esporte extremamente cíclico. A necessidade de renovação do clube para criar novos craques, e com isso ganhar dinheiro em futuras transferências para o mercado estrangeiro, é bastante intensa. Para que esse processo dê certo, a categoria de base desempenha um papel essencial no desenvolvimento dos jogadores.

Porém, como nem tudo na vida são flores, algumas dessas promessas não vingam. Com isso, muitos jogadores acabam em clubes muitas vezes obscuros, bem longe dos holofotes que eles tanto almejavam no início de suas carreiras.

Há mais ou menos dois meses, eu decidi peneirar uma seleção só com jogadores que tiveram os seus nomes ventilados no cenário brasileiro como novos Ronaldinhos, Zicos, Ronaldos, Cafús e etc. Logo constatei que são inúmeros jogadores badalados que nunca alcançaram o estrelato. Por isso, estabeleci alguns critérios para eleger os rojões molhados da nova safra do futebol nacional. Eis os critérios:

- Os jogadores revelados tinham que ter aparecido estritamente entre 1996 e 2011
- Ter passagens pelas seleções de base, ou seleção principal
- Ter disputado a Copa São Paulo de Futebol Junior

Com a ajuda de alguns amigos, consegui escalar dois times inteiros que se enfrentariam numa partida imaginária. Ao todo, foram 22 jogadores recordados nesse breve período. Lembrando que jogadores revelados entre 2012 e 2013 foram "poupados" , pois seria muito injusto "queimá-los" com tão pouco tempo de profissionalismo.

Entretanto, em nome da boa e velha curiosidade, nesse primeiro post eu só vou revelar os jogadores do Time A. Vamos à eles:

Time A: Renan; Amaral, Gladstone, Aislan e Bruno Bertucci; Dudu Cearense, Mozart e Kerlon; Lulinha, Lenny e Tiago Luís.

Renan: Apesar de ter apenas 22 anos, Renan, que foi revelado pelo Avaí-SC e que também defendeu as categorias de base da seleção brasileira, conseguiu rodar por três clubes diferentes em menos de três anos. Contratado pelo Corinthians em 2011, o jovem goleiro foi queimado no clube da capital devido a sucessivos frangos durante a disputa do Brasileirão (que o clube viria a conquistar) naquele ano. Desde então, Renan passou pelo Vitória, Estoril Praia-POR e atualmente defende, por empréstimo via Corinthians, o Guarani de Campinas na terceira divisão do Brasileirão.

Amaral: Antônio Cleílson da Silva Feitosa, popularmente chamado de Amaral, começou a carreira como lateral-direito do Fortaleza. Por se destacar no apoio ao ataque, o cearense fora convocado para defender a seleção sub-20 no Sulamericano de 2005. Após boa participação com a amarelinha, o jogador chamou a atenção do Palmeiras que o contratou. No entanto, Amaral nunca deu certo no Verdão, onde sempre amargurava o banco de reservas. Além do alviverde da capital, o lateral defendeu o rival Corinthians, também sem sucesso, e fora emprestado para meio mundo. Em suas andanças, hoje o Amaral defende as cores do Caracas, da Venezuela.

Gladstone: "Você vai cagar ou vai jogar bola?", foi o que Gladstone, zagueiro recém-promovido da base do Cruzeiro, teve que ouvir de Vanderlei Luxemburgo antes da final da Copa do Brasil de 2003, contra o Paysandu. Se não bastasse o teor da fala, Luxemburgo segurava uma fralda em suas mãos enquanto dirigia a palavra ao zagueiro. Gladstone foi bem durante o jogo e ajudou o Cruzeiro a levantar a taça. Porém, depois do breve sucesso no clube celeste e na seleção pré-olímpica, o zagueiro enumerou diversas "cacas" em sua carreira. Por incrível que pareça, Gladstone já atou pelo Juventus-ITA e pelo Sporting-POR, onde conquistou uma Taça de Portugal. Aqui no Brasil, após a passagem maluca pelo Cruzeiro, Gladstone chegou a defender o Palmeiras (talvez o único clube de maior expressão que lhe restou), Náutico, Portuguesa e Duque de Caxias. Vale ressaltar que Gladstone também jogou por três temporadas no Vaslui, da Romênia. Atualmente, o zagueiro parrudão atua pelo ABC-RN.

Aislan: Você provavelmente já ouviu esse nome estranho antes. Você provavelmente não sabe quem ele é, mas sabe que jogou no São Paulo e foi capitão das seleções de base. Aislan era a menina dos olhos do São Paulo, que o tratava como o "novo Lugano". O zagueiro, com pinta de xerife, colecionou lesões e fracassos enquanto defendera o clube do Morumbi. Na seleção, Aislan até que ia bem, mas perdeu espaço para um tal de David Luiz. O ostracismo era tanto, que nem na época das vacas magras do Guarani o Aislan tinha chances. Hoje, longe do São Paulo, Aislan atua como zagueiro do Sion, da Suiça.

Bruno Bertucci: Revelado pelo Corinthians, o jovem lateral-esquerdo ficou famoso quando o clube de Parque São Jorge conquistou a Copa São Paulo de 2009. Bruno Bertucci era cotado pra receber o prêmio de melhor jogador da competição devido à sua ótima campanha com o Corinthians. Muito se falava de sua qualidade nos cruzamentos e de sua habilidade nas cobranças de falta, porém, nada disso chamou a atenção da comissão técnica corinthiana. Bertucci pouco jogou na equipe principal, fazendo com que fosse emprestado para o São Caetano, Eskisehirspor-TUR e Bragantino, num prazo de dois anos. O lateral-esquerdo foi vendido pelo Corinthians ao Grasshoppers, em 2011. Atualmente, Bruno Bertucci joga pelo Neftchi, do Azerbaijão.

Dudu Cearense: Ah, o querido ano de 2003! Um dos anos mais efervescentes e loucos do futebol brasileiro! Uma dessas "efervescências" era um médio-volante do Vitória, o Dudu. O volante, que Galvão Bueno cansou de comparar à Toninho Cerezo durante a Copa das Confederações de 2003, prometia ser o dono da meia cancha tupiniquim. A loucura por Dudu Cearense era irrisória comparada à situação do jogador hoje. O volante surgiu do nada e desapareceu do nada. Após um desempenho satisfatório no Mundial Sub-20 de 2003, Dudu fora convocado para a Copa das Confederações do mesmo ano. Antes da Copa, o volante que defendia o rubro-negro baiano mudou-se para o Japão, onde atuou pelo Kashiwa Reysol. No mesmo ano, ele ainda saiu de lá e foi para o Rennes, da França. Menos de seis meses depois, Dudu acertou com o CSKA Moscou. O jogador, que além de ter conquistado a Copa da Uefa, também conquistou muitas pneumonias e quase não jogou por lá mesmo tendo ficado quatro temporadas. Antes de voltar para o Brasil para defender o Atlético Mineiro, em 2011, Dudu Cearense tinha jogado três anos no Olympiakos-GRE. Enquanto esteve no Galo, Dudu só era lembrado quando era expulso. Hoje, Dudu é reserva no Goiás.

Mozart: Um dos jogadores mais emblemáticos dessa postagem, Mozart era nome constante nas convocações das seleções de base. Inclusive, o volante revelado pelo Curitiba jogou os Jogos Olímpicos de 2000, na fatídica edição em que o Brasil perdeu para a seleção de Camarões na prorrogação. Mozart saiu cedo do Brasil, aos 21 anos, quando trocou o Flamengo pelo Reggina-ITA. Depois de quatro temporadas no clube italiano, o volante se mudou para o Spartak Moscou. Lá ele permaneceu por mais cinco anos e ficou escondido dos holofotes até acertar o seu retorno ao Brasil, quando assinou com o Palmeiras em 2009. Sua passagem pelo alviverde começou bem, mas terminou melancolicamente. Mesmo assim, Mozart ainda conseguiu se manter no futebol por mais três anos. O volante canhoto, após sair do Palmeiras, ainda jogou pelo Livorno-ITA e Nanchang Nayi-CHI. Hoje, aos 33 anos, Mozart é fabricante de aguardente.

Kerlon: Quem não se lembra do Foquinha? Em 2005, os brasileiros ficaram chocados quando Kerlon, em dado momento da partida, levantou a bola até a cabeça e equilibrou-a em direção ao zagueiro colombiano no Mundial Sub-17. Em seguida, o colombiano meteu um pontapé em sua barriga parando a jogada. Foi aí que o fenômeno se instaurou. Kerlon era reserva da seleção, mas logo ganhou o apreço dos brasileiros pelo drible da foca. O lance era reprisado a exaustão, e muito se falava de sua legalidade (sempre esteve dentro da regra). Em 2007, Kerlon reapareceu com o seu polêmico drible. Depois de muitos altos e baixos, o Foquinha ganhou regularidade e foi se firmando no time do Cruzeiro. Porém, foi no dérbi mineiro que Kerlon reapareceu para a mídia nacional quando aplicou o drible da foca em Coelho, lateral-direito do Atlético Mineiro, que revidou com uma falta dura. A jogada resultou na expulsão do ex-jogador atleticano e na fúria de Emerson Leão, que julgou o lance como ato de desrespeito. No entanto, esse foi o último gracejo de Kerlon. Em 2008, o jogador foi vendido ao Inter de Milão, lugar onde nunca conseguiu jogar. Foi aí que o declínio começou. Logo de cara o foquinha foi emprestado ao Chievo. Depois de uma temporada no ostracismo, Kerlon foi emprestado para o Ajax. E depois do Ajax? Outro empréstimo, só que para o Paraná. E depois disso? Outro empréstimo! Dessa vez Kerlon foi parar no Nacional de Patos-MG. Depois de muita decadência, o seu contrato com a Internazionale foi encerrado, e Kerlon foi parar na terceira divisão japonesa onde defendeu as cores do Fujieda MYFC. Atualmente, o Foquinha tenta realizar o seu famoso drible no campeonato nacional da terra da Rihanna, Barbados. No Weymouth Wales, Kerlon atua ao lado do brasileiro Lineker, e do irmão mais novo de Nigel Hasselbaink, o Marvin.

Lulinha: Luís Marcelo Morais dos Reis, o popular Lulinha, autor de 297 gols nas categorias de base do Corinthians e de inúmeras convocações para seleções de base (disputou o Sulamericano Sub-17 e o Mundial Sub-17 em 2007), é, sem dúvida alguma, o maior rojão molhado da história do Corinthians, e também do futebol brasileiro. É difícil imaginar, mas Lulinha só tem 22 anos e já carrega essa fama inglória de ser uma decepção. A repercussão de sua trajetória no futebol juvenil lhe garantiu um contrato de R$ 105 milhões, após o Barcelona e o Chelsea sondaram a situação do jogador. Como só se falava no fenômeno Lulinha, todo mundo achava que o atacante seria a salvação do Corinthians no rebaixamento que se tornou eminente ao final. O garoto foi promovido durante a turbulência alvinegra e nada fez, sendo tragado pela Série B. Mesmo atuando numa divisão inferior, Lulinha não desempenhava o seu papel quando tinha a oportunidade de fazê-lo. O salvador acabou se tornando em um problema grande para o Corinthians, que o emprestou para o Estoril-POR, em 2009, e para o Olhanense-POR (da segunda divisão), em 2010. Em 2011, Lulinha, que tinha aquele contrato caríssimo que ninguém pagaria por ele, fora emprestado ao Bahia. O Tricolor de Aço fez bem ao jovem jogador por algum tempo, onde ele chegou a marcar alguns golzinhos. Porém, já em 2012, nenhum desses gols foram bons o suficiente para o atacante se firmar no plantel baiano. Aliás, poucos foram os gols nesse ano. Depois de sair de graça do Corinthians, com uma multa rescisória daquele tamanho, Lulinha assinou com o Ceará, tentar ajudar o Vovô a retornar à divisão de elite do futebol nacional. 

Lenny: Após começo avassalador pelo Fluminense, em 2005, Lenny era a bola da vez no Brasil. Devido ao assustador aproveitamento dentro da pequena área, o franzino atacante do Fluminense foi comparado à outro jogador que era franzino e fazia muitos gols dentro d'área: Romário. Em 2006, uma lesão no joelho deixou Lenny fora de combate por algum tempo. Depois da lesão, o seu assombroso aproveitamento decaiu até que o Fluminense o emprestou ao Braga-POR, em 2007. Em 2008, o atacante reapareceu no Palmeiras com o status de matador. A reviravolta do carioca era dada como certeza pelos dirigentes palestrinos. No entanto, a tal confiança depositada no atacante acabou sendo destruída graças ao pífio desempenho de Lenny. Se não bastasse as atuações apagadas, Lenny sofreu outra lesão no joelho, o que lhe deixou à mercê do DM. Depois de dois anos parado, o atacante atuou por Figueirense, Boavista-RJ e Ventfort-JAP, antes de assinar com o Madureira. É difícil dizer que as lesões ocasionaram o baixo desempenho do atacante, ou que isso aconteceu simplesmente pelo fato do jogador não ser tão bom assim. A única certeza é de que Lenny já tem 25 anos e uma história desagradável.

Tiago Luís: Comparar jogadores no começo da carreira é extremamente nocivo para os jovens atletas. Esse erro induz não só o jogador, mas também o torcedor da equipe na qual ele representa, à ilusão de que existe um craque ali. Pois bem, o caso do Tiago Luís é exatamente esse, mas com um agravante. Taxado de "novo Messi" na capa do jornal "Marca", um dos jornais mais sensacionalistas do mundo, o atacante recém-promovido da base do Santos, após boa participação na Copa São Paulo, ficou conhecido no mundo todo. Quem viu o Tiago Luís jogar na base sabia que ele não era tudo isso. Além de ser parrudo, ligeiramente mais alto, e bem menos insinuante que o Messi, o jogador conseguiu uma multa rescisória muito grande com o Santos - digna de Lionel Messi (na época). Além disso, Tiago Luís foi alçado num momento turbulento do Santos. Em 2008, a crise no clube da Vila Belmiro era tanta que o alvinegro quase foi rebaixado no Campeonato Brasileiro. O jovem atacante, que nem de longe lembrava o Messi, obteve desempenhos horríveis e com poucos gols. Em 2009, o clube melhorou um pouco de estrutura, com jogadores um pouco mais tarimbados. Porém, Tiago Luís parecia sem confiança, e o seu futebol só piorava. No mesmo ano, o "novo Messi" fora emprestado ao União de Leiria-POR, e só retornou ao Santos em 2010. Mesmo com um timaço e um clima mais calmo na baixada, Tiago Luís não conseguiu vencer a disputa com Marcel, Zé Eduardo, Robinho, André e Maikon Leite. O que aconteceu? Tiago foi parar no Bragantino por empréstimo (até começou bem, mas o bom desempenho não perdurou). Vítima de uma propaganda enganosa, Tiago Luís contou com outro empréstimo, desta vez para o XV de Piracicaba, antes de terminar o contrato com o Santos. Bragantino e Mirassol foram os destinos de Tiago antes de ser contratado pela Chapecoense, onde atualmente é reserva.

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