Postado Por : Caio Nascimento 8.7.13

O futebol é uma arte que possui inúmeras definições. Ele não é apenas um esporte qualquer, pois é o único que transcende a vã consciência humana. Poucas coisas na vida podem ser capazes de transformar a sanidade de um homem, mulher, ou uma simples criança como o futebol faz.

Atualmente, o futebol está transformando a vida de um país, ou melhor, a vida de 21 jovens garotos oriundos de uma terra miserável. A seleção Sub-20 do Iraque está provando mais uma vez que o futebol é uma coisa sem explicação. Os árabes estão nas semifinais da Copa do Mundo Sub-20!

Como pode um país que vive em condições desumanas há séculos disputar uma semifinal de competição na qual o Brasil, o país pentacampeão mundial, sequer conseguiu se classificar? Não falo só do Brasil, a Argentina e a Holanda também não conseguiram.

Os garotos iraquianos estão próximos de conquistar uma inédita vaga para a final de um torneio organizado pela Fifa. Os únicos brilhos semelhantes na história desse país apaixonado pelo futebol foram as quatro taças das Nações Árabes e a Taça Asiática de 2007.

O Iraque vai disputar nesta quarta-feira, contra o Uruguai, uma vaga na final. Do outro lado da chave estão França e Gana. Os favoritos, obviamente, são os sulamericanos e os europeus. Contudo, devido ao retrospecto iraquiano nesta competição, seria um destempero ignorar o poderio árabe.

A surpreendente campanha desses meninos começou já na fase de grupos, quando o Iraque terminou na primeira posição do Grupo E. Grupo esse que terminou com o Chile em segundo e a Inglaterra em último. Nas oitavas-de-final, o Iraque venceu o Paraguai na prorrogação por 1x0.

Até então, a campanha do Iraque já era notável. Essa era a melhor atuação do país numa competição organizada pela Fifa. Porém, os deuses do futebol reservavam uma guinada na vida desses meninos que seria capaz de chamar a atenção do mundo todo.

Nas quartas-de-final, o Iraque enfrentou a seleção da Coréia do Sul. Sabidamente mais experiente, os coreanos entraram com a responsabilidade de vencer a partida perante os meninos do deserto. Independentemente da seleção principal do Iraque usar metade dos jogadores que estão disputando esse Mundial em seu plantel, a Coréia do Sul entrara para o jogo como favorita. No entanto, o favoritismo passou longe de se constatar.

O tempo regulamentar terminou com o placar apontando a igualdade de 2x2. O Iraque esteve a frente do marcador duas vezes, porém, mais uma vez os iraquianos iriam para uma prorrogação. E por muito pouco eles não saíram vencedores no prolongamento. Faltando dois minutos para o final da partida, Farhan Shukor, atacante do Iraque e um dos destaques da competição, fez o gol que daria a classificação árabe antes dos pênaltis. Entretanto, meio minuto depois a Coréia do Sul empatou. A vaga seria disputada nos pênaltis!

A última vez em que o Iraque havia enfrentado a Coréia do Sul num mata-mata fora na Taça Asiática de 2007, pelas semifinais. Na ocasião, o Iraque não só havia derrotado os sul-coreanos nas penalidades, como havia vencido o torneio. Desta vez, o cenário era praticamente o mesmo, mas com pequenas mudanças técnicas. No entanto, o desfecho fora o mesmo. O Iraque classificou-se após derrotar os Tigres Brancos por 5x4.

O gostoso do futebol são as surpresas. O Iraque vem sendo um deleite não só pelo imprevisível, mas também pelo simbolismo dessa geração. Se não bastasse a guerra que ainda assola o país, desses 21 jogadores inscritos no Mundial, 18 atuam em clubes nacionais, um jogador atua fora do país (Emirados Árabes) e dois meninos não possuem um clube para jogar.

Mesmo contra todas as probabilidades e possibilidades, o Iraque se mantém vivo na competição. Contando com alguns jogadores com futuro muito promissor, como o já citado Farhan Shukor, que é um atacante de muita habilidade e faro de gol, o Iraque ainda possui  Mohannad Abdul-Raheem, companheiro de Shukor no ataque, os ótimos volantes Ali Faez e Saif Salman, além do elástico goleiro Mohammed Hameed.

Ignorando o que possa acontecer nesta quarta-feira, quando enfrenta o Uruguai, a mensagem passada pelo Iraque é a mais bela de todas. Uma perseverança descomunal que nos faz compreender o quão somos bestas de achar que o futebol é simples. Ele não é. Por conseguirem sobreviver em condições desleais em comparação aos rivais derrotados, os meninos do deserto já deixaram a melhor das impressões. Jamais devemos subestimar o poder do futebol.

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