Postado Por : Caio Nascimento 5.7.13

O que você pensaria depois de ler que mais de R$ 101 milhões foram gastos com quatro jogadores brasileiros? Muita grana, né? No entanto, o que você pensaria depois de saber que desses R$ 101 milhões cerca de R$ 87 milhões foram gastos apenas por um clube? Cruel, não é? E se eu te dissesse que o país desses dois clubes que investiram toda essa grana atravessa um grande problema econômico? Irônico, certo?

Shakhtar Donetsk e Metalist Kharkiv são os clubes em questão que gastaram [por enquanto] mais de R$ 101 milhões, e levaram quatro jogadores brasileiros para disputar o campeonato ucraniano. E pior, todas as negociações foram sacramentadas em menos de uma semana!

Conhecido por grande parte dos brasileiros, o Shakhtar Donetsk contratou o atacante Wellington Nem (ex-Fluminense) por R$ 25 milhões, o meia-atacante Fred (ex-Internacional) por R$ 26 milhões e o volante Fernando (ex-Grêmio) por R$ 36 milhões. No total, o clube dos Mineiros gastou cerca de R$ 87 milhões em uma semana!

Já o Metalist gastou "apenas" R$ 14 milhões na contratação do zagueiro colorado Rodrigo Moledo durante o mesmo período.

Os números, por grande parte relacionados ao Shakhtar, assustam. Entretanto, essa gastança deve aumentar. O clube de Donetsk já formalizou uma proposta de R$ 36 milhões para tirar o meia-atacante Bernard do Atlético-MG.

Como todos sabem, a Ucrânia pertenceu à União Soviética por um longo período. Os ideais do comunismo também afetavam o futebol, de maneira que não era permitido a contratação de jogadores estrangeiros. Com a queda do regime, as famosas estatais e companhias de metalurgia obtiveram um acréscimo considerável em seus lucros.

Dentre os clubes que vão disputar a Premier Liha (Premier League/Primeira Divisão) 2012/2013, apenas DOIS clubes ucranianos não possuem [ainda] jogadores brasileiros: o Vorskla e Illichivets.

Apesar da grande imigração brasileira pro futebol ucraniano, o primeiro jogador que deixou o Brasil rumo à Ucrânia foi Brandão (ex-Cruzeiro, Grêmio e São Caetano) em 2001. E adivinha qual time ele foi defender? Isso, o Shakhtar Donetsk. Desde Brandão, jogadores como Elano, Ilsinho, Dentinho, Alex Teixeira, William, Alan Patrick, Leonardo e outros nomes foram contratados pelo time da região de Donbass.

O Shakhtar, a segunda casa dos brasileiros na Europa, sempre foi um clube de médio porte na época da URSS e até meados de 1995 na própria Ucrânia. Porém, a sorte do clube mudou quando a União Soviética desmantelou-se, dando origem as oligarquias e estatais que antes pertenciam à Federação Socialista.

Entretanto, um fato estranho ronda o clube. Em 1995, o então presidente do Shakhtar, Akhat Bragin, fora assassinado DENTRO do estádio devido à explosão de uma BOMBA. O braço-direito de Bragin, e atual presidente do clube, Rinat Akhmetov, assumiu o comando.

Akhmetov, que chegou a ser o 47º homem mais rico do mundo, é um homem muito controverso. Ele é o fundador da SCM (System Capital Management), principal seguradora na Ucrânia e uma das mais famosas do Leste Europeu. No entanto, Akhmetov é comumente relacionado ao crime organizado, sendo que a polícia nunca descartou a sua participação na organização do atentado ao ex-presidente do Shakhtar.

Para se ter uma ideia da transformação do Shakhtar Donestk, basta comparar o histórico do clube até 2001, ano da conquista de seu primeiro campeonato ucraniano. Até então, as únicas conquistas da equipe foram quatro Taças da URSS e uma Super Taça da URSS. Depois de 2001, os Mineiros conquistaram 8 Ligas da Ucrânia, 9 Taças da Ucrânia, 4 Supertaças da Ucrânia e uma Copa da Uefa.

Atualmente, o Shakhtar Donetsk conta com 14 jogadores brasileiros inscritos em seu plantel, sendo que dois deles estavam emprestados e retornarão à equipe para a próxima temporada. Contudo, o clube ucraniano se desfez de um de seus ícones brasileiros, o meia Fernandinho, que se transferiu para o Manchester City nesta janela de verão do mercado europeu. Ainda neste ano, mas antes do término da temporada, William (ex-Corinthians), tinha se transferido para o Anzhi.

Dos 14 jogadores brasileiros no elenco do Shakhtar, apenas um deles atua na defesa. Coincidência? Não! Mircea Lucescu, treinador da equipe, pede para que o clube contrate jogadores brasileiros para rechear a equipe do meio para a frente, sem se importar com a defesa. Teoricamente, a equipe titular do Shakhtar é composta de jogadores não-brasileiros na defesa (com exceção do brasuca Ismaily) e de brasileiros no meio-campo e ataque.

Os 14 brasileiros que atuam [por enquanto] no Shakhtar são: Ismaily (ex-Desportivo Brasil e São Bento), Douglas Costa (ex-Grêmio), Alex Teixeira (ex-Vasco), Alan Patrick (ex-Santos/ emprestado ao Internacional), Bruno Renan (ex-Grêmio/ emprestado ao Criciúma), Dentinho (ex-Corinthians/ retorna de empréstimo do Besiktas), Maicon (ex-Fluminense), Ilsinho (ex-São Paulo), Luiz Adriano (ex-Internacional), Taison (ex-Internacional), Fred (ex-Internacional), Fernando (ex-Grêmio), Wellington Nem (ex-Fluminense) e, apesar de ter se naturalizado croata, Eduardo da Silva (ex-Arsenal).

O Metalist Kharkiv, citado posteriormente, que contratou Rodrigo Moledo, é uma equipe com retrospecto ainda mais modesto que o do Shakhtar Donetsk. Tendo vencido apenas um titulo em sua história (uma Taça da URSS), o Metalist chama a atenção pelos altos investimentos que vem fazendo.

Apesar de não ter muita história para contar, o Metalist abriga oito jogadores brasileiros em seu plantel. Mesmo com apenas três anos de casa, Cleiton Xavier (ex-Palmeiras, Internacional e Figueirense) é o ídolo mor da equipe. Além do meia, o clube conta com os seguintes brasileiros: Fininho (ex-Corinthians), Márcio Azevedo (ex-Botafogo e Atlético-PR), Marlos (ex-São Paulo e Coritiba), Jajá (ex-América-MG, Flamengo, Internacional/ emprestado ao Trabzonspor), William (ex-Corinthians e Figueirense) e Edmar (ex-Paulista/ naturalizou-se ucraniano).

Além dos brasileiros, o Metalist possui seis jogadores argentinos em seu plantel. Com exceção do goleiro, a equipe titular do Metalist na última temporada era composta apenas por jogadores sulamericanos.


Outros clubes tradicionais também possuem os seus brasucas

Dynamo Kiev: Qual era o maior clube da extinta União Soviética? A resposta para essa pergunta pode ser dividida com três equipes. Como o assunto é o Campeonato Ucraniano, o Dynamo Kiev, conquistador de 13 Ligas da URSS, 9 Taças da URSS e 3 Supertaças da URSS é considerado - juntamente com Spartak Moscou e Dynamo Moscou - o maior time da antiga Federação. Atendo-se ao Campeonato Ucraniano, o Dynamo possui 13 Ligas, 9 Taças e 5 Supercopas. Além desses troféus, o clube também conquistou duas Copas da Uefa (1974/75 e 1985/86).

A história do Dynamo Kiev é completamente adversa à história do Shakhtar, que é atualmente o seu maior rival. O clube da capital sempre esteve acostumado às glórias, o número de conquistas não mentem. No entanto, um caso atrelado ao Dynamo deixa essa mistura muito mais saborosa. Muitos de vocês já ouviram falar do Start e do "Jogo da Morte" (na próxima semana eu publico um post que explica o que realmente aconteceu), que nada mais era do que os jogadores do Dynamo, do Lokomotiv e dos padeiros de Kiev que enfrentaram soldados nazistas em uma partida no estádio do Zenit. Por esse, e outros motivos, sentimento pelo futebol é muito grande na cidade de Kiev.

Por ser um clube enraizado, demorou muito para que o Dynamo contratasse jogadores fora da Ucrânia, ou da URSS. O primeiro brasileiro que atuou pelo clube de Kiev foi Diogo Rincon, ex-Internacional, em 2001, um pouco depois da chegada de Brandão ao Shakhtar.

Atualmente, o Dynamo Kiev possui apenas três jogadores brasileiros no seu elenco. São eles: Betão (ex-Corinthians e Santos), Danilo Silva (ex-Internacional e São Paulo) e Dudu (ex-Cruzeiro).

Dnipro: Se existe uma equipe que não lucrou com a separação da União Soviética na Ucrânia, essa equipe é o Dnipro. Dentre os grandes clubes ucranianos, o Dnipro é o mais velho (fundado em 1918). Por não ter grandes conquistas atuais, e muito menos participações constantes em competições europeias, o Dnipro não é muito conhecido aqui no Brasil. Aliás, um outro fator que pode contribuir para essa barreira do desconhecimento é a cidade de onde vem o Dnipro: Dnipropetrovsk, que é a quarta maior cidade da Ucrânia e possui um nome quase irreprodutível.

A "saudade" que os torcedores do Dnipro devem sentir da época da URSS é estritamente pelos troféus. Durante esta época, a equipe conquistou 2 Ligas, 1 Taça e 1 Supertaça. Títulos esses que até hoje são os únicos motivos de felicidade dos torcedores.

Mas, se os brasileiros não conhecem muito bem o Dnipro, os petroleiros ucranianos conhecem muito bem os brasileiros. Atualmente três jogadores brasileiros atuam por lá: Douglas (ex-Vasco), Giuliano (ex-Internacional) e Matheus (ex-Itabaiana e Braga).

Chornomorets Odessa: Outra equipe tradicional, porém praticamente desconhecida dos brasileiros. O Chornomorets, popularmente chamado de Marinheiros, é uma equipe com uma história muito interessante.

Chornomorets é, literalmente, traduzido como "Homens do Mar Negro". Por ser um clube fundado por marinheiros (alcunha mais do que apropriada para os torcedores), o clube possui um mascote inusitado: uma gaivota! A riqueza do clube, e da cidade de Odessa, origina-se do Mar Negro.

Como Odessa é a terceira maior cidade da Ucrânia, vale-se da premissa de que o Chornomorets é um clube bastante popular no país. Em termos de conquistas, a história é completamente diferente. Os Marinheiros possuem apenas duas Taças da Ucrânia no currículo. Em termos de rivalidade, os torcedores do Chornomorets odeiam o Shakhtar Donestk pelo fato de serem descendentes de mineiros. O clássico é chamado de Sailors vs Miners (Marinheiros vs Mineiros).

Seguindo a tônica, no Chornomorets temos três brasileiros: Léo Veloso (ex-Atlético Mineiro), Anderson Santana (ex-Náutico) e Léo Matos (ex-Flamengo). De todos os clubes apresentados, os brasucas do Chornomorets são tão desconhecidos quanto o próprio clube.

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