Postado Por : Caio Nascimento 18.10.13

Classificada para a Copa do Mundo de 2014 com um futebol vistoso, recheado de jogadores novos e, acima de tudo, qualificado como cabeça-de-chave devido ao ótimo posicionamento no ranking da FIFA, a Bélgica voltará a disputar uma Copa do Mundo após 12 anos.

Porém, apesar de todas as credenciais, ainda existem pessoas que desconfiam da qualidade do time belga. Um dos fatores que contribuem para esse "preconceito" com os belgas é a ausência de uma liga forte e contundente. Outra desculpa daqueles que têm preguiça de assistir uma partida dos Diabos Vermelhos é a ausência de um "grande nome" no plantel.

Com exceção da liga de futebol, onde o clubes belgas não têm condições de manter suas promessas no país por muito tempo, todos os outros fatores pintados não condizem com a realidade.

Para se ter noção do tamanho da importância da Bélgica no futebol mundial é só olhar no primeira edição da Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai. Foram apenas 13 seleções, mas potências como Alemanha, Itália, Holanda e Inglaterra ficaram de fora. No entanto, a Bélgica era uma das quatro escolas do futebol do Velho Continente que esteve presente no Mundial (França, Iugoslávia e Romênia foram as outras). Sem contar com a classificação para o Mundial do Brasil, a Bélgica já esteve presente em outras 11 edições da Copa, sendo duas participações a mais que a rival Holanda, que tem mais "cancha", segundo os entendidos da área.

Atualmente, a Bélgica conta (aí vem a opinião explícita daquele que vos escreve) com um dos plantéis mais fortes do futebol entre seleções. A equipe dirigida por Marc Wilmots, capitão belga na última Copa disputada pelos Diabos Vermelhos (Coréia/Japão), é extremamente leve. Um dos fatores que compõem para que a leveza da Bélgica se torne uma ameaça é a qualidade técnica de seus defensores. Sim, os defensores. A linha defensiva da Bélgica é composta por zagueiros que sabem jogar em outras posições. Ou seja, Kompany (já jogou de volante no Hamburgo-ALE), Alderweireld (já jogou de lateral no Ajax), Vermaelen (idem o Alderweireld), Vertonghen (já jogou de volante e lateral no Ajax e no Tottenham) Lombaerts (começou como lateral no Genk-BEL) e até o Van Buyten (já jogou de volante no próprio Bayern de Munique) não rifam a bola e tem qualidade técnica para sair jogando. Os laterais são verdadeiros exemplos de laterais, pois, como explicado antes, eles também jogam de zagueiro. A dinâmica entre quem joga de zagueiro ou lateral é enorme e pode variar durante a própria partida. Se o Wilmots preferir um time mais leve, a zaga pode ser feita com Kompany, Alderweireld, Vertonghen e Pocognoli. Se preferir um time mais alto Kompany, Vermaelen, Vertonghen e Alderweireld começam a partida. Ou time mais forte fisicamente com Kompany, Van Buyten, Vertonghen e Alderweireld.

No entanto, é do meio para frente que a Bélgica começa a mostrar as facetas do seu sucesso. O meio-campo da seleção belga é um dos poucos conjuntos em que você pode jogar os coletes para cima e quem pegar é titular. Vertonghen, Witsel, Defour, Fellaini, Simons, De Bruyne, Hazard, Chadli e Dembélé. Jogadores que ditam o ritmo de jogo como o Witsel, Fellaini, De Bruyne e Hazard geralmente pegam os coletes de Wilmots. Mas, se o treinador optar por mais "pegada" no meio, o Vertonghen deixa de ser zagueiro/lateral e vai para a cabeça-de-área. Se quiser um meio de mais categoria o Defour forma um trio de volantes com Witsel e Fellaini. Mais velocidade? Witsel, Fellaini, Hazard, De Bruyne e Chadli. É uma tremenda variação tática que não compromete a qualidade técnica.

No ataque, a integração com o meio-campo mostra o quanto Marc Wilmots treina sua equipe. Como citado antes, a velocidade e a agressividade são as maiores ameaças dessa seleção. Lukaku, Benteke, Mertens, Mirallas, Bakkali, Vossen, M'Boyo e Igor de Camargo (brasileiro naturalizado belga) são constantes nas convocações de Wilmots. Os cinco primeiros jogodores, caso não se machuquem, serão certezas em 2014. Dentre todos os atacantes, Lukaku, jogador emprestado ao Everton pelo Chelsea, é quem mais atua como titular. O centroavante de origem congolesa é alto e canhoto, além de ter certa habilidade fora da área, o que facilita a sintonia entre ataque/meio-campo. Bom no pivô, Lukaku sempre dá a oportunidade de jogadores como Hazard e De Bruyne, que são meias ofensivos, de finalizarem contra a meta adversária. Benteke, outro jogador de origem congolesa, possui características parecidas com a de Lukaku. No entanto, o jogador do Aston Villa, que foi cortejado por grandes clubes nessa janela (deve sair no Natal), é mais "móvel" que Lukaku. Portanto, não seria um absurdo ver dois jogadores altos e de características semelhantes atuando juntos com a camisa vermelha real. Mas, de todos os atacantes, quem mais chama atenção é Mirallas, companheiro de equipe de Lukaku. O atacante do Everton é muito habilidoso. Seus dribles são tão desconcertantes que lembram a maneira de jogar do Cristiano Ronaldo. Porém, o que prejudica Mirallas é a sua forma física devido as constantes lesões. Mertens é um jogador arisco, que cansou de fazer gols importantes pelo PSV. Já Bakkali, que substituiu Mertens no ataque do PSV, é considerado a maior joia da história da Bélgica. Como ele pode ser considerado a maior joia, já que Hazard ainda é visto como promessa? Hazard não é mais promessa. O meia ofensivo obteve um salto tão grande de confiança que já é uma realidade no Chelsea (excelente começo de temporada) e em jogos internacionais. Bakkali é tremendamente habilidoso e muito novo. O atacante de 17 anos era cobiçado pela seleção de Marrocos, já que seus pais nasceram lá. A Bélgica fora mais rápida e convocou o jovem para uma partida de eliminatória, impossibilitando que ele optasse pela terra de seus pais.

Para se ter noção da grandeza dessa seleção belga, peguemos alguns jogadores como exemplo: Mignolet (Liverpool), Courtois (Atlético Madrid), Van Buyten (Bayern de Munique), Vermaelen (Arsenal), Kompany (Manchester City), Alderweireld (Atlético de Madrid), Vertonghen (Tottenham), Witsel (Zenit, apesar dos pesares), Fellaini (Manchester United), Defour (Porto), De Bruyne e Hazard (Chelsea), Chadli e Dembélé (Tottenham), Mirallas e Lukaku (Everton), Bakkali (PSV), Benteke (Aston Villa) e Mertens (Napoli), todos jogam em grandes clubes europeus e estão acostumados à competições internacionais. Zenit e Aston Villa, times que abrigam Witsel e Benteke, podem não ser tão fortes quanto os outros, mas suas constantes aparições em ligas menores da Europa credenciaram esses jogadores para receber propostas de Real Madrid, Barcelona, Manchester City e etc.

Além disso, a arma secreta da Bélgica é o entrosamento entre esses jogadores desde as categorias menores. Cerca de 90% dos convocados já jogavam juntos em competições de base. Abaixo você verá um recorte de um jornal belga mostrando como se pareciam e como eram tratadas algumas dessas promessas já em 2002, ano da última aparição da seleção em Copas. O título da reportagem era "Os Onze Diabos". Veja:


(imagem retirada do site 101greatgoals.com)

Fique de olho: Algumas novidades podem surgir na lista de convocados dos Diabos até a Copa do Mundo. O motivo? Mais promessas estão saindo da fábrica de craques belga. Dentre todos os garotos, dois se destacam: Jordan Lukaku (Lateral/Meia-Anderlecht/Oostende-BEL) e Thorgan Hazard (Meia-Chelsea/Zulte). Pelo sobrenome vocês já imaginam o porquê do destaque. Outras promessas cotadas são Adnan Januzaj (Meia-Manchester United); que apesar de ser belga de nascimento sonha em jogar pela seleção de Kosovo (que não é reconhecida pela FIFA) devido a sua descendência; Junior Malanda (Meia-Zulte), Dennis Praet (Meia-Anderlecht) e Michy Batshuayi (Atacante-Standard Liegè).

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