Postado Por : Caio Nascimento 28.10.13

Sempre quando alguém erra ou acerta uma cavadinha na hora de cobrar um pênalti, o Léo Batista aparece todo pimpão na TV para falar sobre um tal de Panenka. Você já deve estar cansado de ouvir falar sobre o pênalti que o ex-meia tcheco cobrou contra a Alemanha Ocidental na final da Eurocopa de 1976, na antiga Iugoslávia. No entanto, quem diabos foi esse cara?

Pouco se fala sobre Antonín Panenka além desse artifício do demônio que ele criou. Como sempre teremos Alexandre Pato, Neymar, Zidane e Loco Abreu por aí para errar ou acertar pênaltis dessa conjuntura, e assim chamar mais atenção para o feito do ex-jogador, o tal Panenka sempre será lembrado pela jogada de efeito que mudou toda sua vida.

Panenka começou a carreira no Bohemians 1905, de Praga, aos 18 anos. Conhecido como "O Poeta", o ex-meia tinha na precisão dos passes e nas jogadas de bola parada sua grande qualidade. Entretanto, Panenka não era um craque. Além disso, o tcheco também contou com o azar de jogar num país cujo regime comunista imperava, impossibilitando-o de jogar num centro futebolístico mais visível. Apesar de não ser o melhor de sua época, dizia-se que Panenka tinha habilidade suficiente para jogar num clube grande na Europa, mas, como dito antes, o regime que assolou vários grandes jogadores da Tchecoslováquia impediu que a história registrasse outros momentos do jogador.

Por isso, restava a Panenka os jogos internacionais que sua seleção disputava para que pudesse fazer algum sucesso. E foi na Eurocopa de 1976, contra a Alemanha Ocidental, no "Pequeno Maracanã de Belgrado" (como é conhecido o Estádio Estrela Vermelha), que o mundo conheceu Antonín Panenka. Após empate de 2x2 no tempo normal, Tchecoslováquia e Alemanha Ocidental chegaram à decisão por pênaltis. Vale o registro de que essa foi a primeira disputa de pênaltis numa final de Eurocopa. Depois de converterem as setes primeiras penalidades, Uli Hoeness, hoje presidente do Bayern de Munique, disparou um canhão sob o travessão do goleiro Ivo Viktor. Com o placar apontando 4x3 para os tchecos, coube à Panenka a responsabilidade de bater o quinto penal de sua nação contra o goleiraço do Bayern de Munique, o lendário Sepp Maier. Também é bom dizer que nunca antes na história dessa competição a Tchecoslováquia tinha conseguido levantar o caneco. Contra todos os prospectos, lá se foi o camisa 7 da Tchecoslováquia bater o pênalti mais famoso do futebol. Panenka chocou o mundo ao converter a cobrança com maestria e ousadia num momento nada propício para tal.

Após o glorioso momento, Panenka recebeu tamanha atenção que pode ser comparada ao nível de periculosidade da cobrança do penal. Desde então, ao redor do mundo, toda cobrança com cavadinha é chamada de "la Panenka" (com exceção do Brasil, claro) em referência ao ex-meia.

Entretanto, depois de chamar à atenção do mundo com a cobrança, Panenka revelou que já havia cobrado alguns pênaltis com a cavadinha. Segundo o ex-jogador, ele havia começado a executar esse tipo de chute dois anos antes da Euro 76 em partidas da liga tcheca e em alguns amistosos pela seleção nacional. Após a cobrança na final da Euro, Pelé foi intercalado sobre o assunto e proferiu a seguinte frase sobre Panenka: "Quem é que bateu esse pênalti ou é um gênio, ou é um maluco".

Depois de alguns anos, o "poeta" voltou a aparecer no cenário do futebol, só que numa escala bem menor do que de outrora. Em 1980, Antonín Panenka ajudou a levar a Tchecoslováquia ao terceiro lugar da Euro 80. No mesmo ano, o ex-meia conquistou o prêmio de melhor jogador tcheco.

Outros fatores interessantes que compõem a vida futebolística de Panenka, além do pênalti, foram os clubes pelos quais ele passou após os 14 anos de Bohemians. O ex-jogador passou cinco temporadas no Rapid Wien, duas no St. Polten, duas no SK Slovan, uma Hohenau e a última temporada, aos 45 anos, pelo Kleinwiesendorf, em 1993. Apesar de ter jogado 14 anos por um único clube tcheco, Panenka nunca conseguiu ser campeão em seu país. Todos os outros títulos, com exceção da Euro pela seleção, foram conquistados na Áustria. Hoje em dia, Panenka é o presidente do Bohemians, seu clube de infância, onde busca livrar o clube da segunda divisão tcheca.

Num contexto geral, o pênalti com cavadinha a "la Panenka" é um artifício extremamente perigoso e visceral no futebol. A história dessa cobrança é bem maior do que se tinha notícia, justamente pelos ingredientes que a bola carregava naquela noite em Belgrado. Atualmente, essa cobrança tornou-se corriqueira em qualquer torneio de mata-mata. De Zidane e Loco Abreu em Copas do Mundo (2006 e 2010, respectivamente) à Neymar e Alexandre Pato em Copas do Brasil (2010 e 2013, respectivamente). Se no Brasil a história de Panenka não é muito disseminada (e o seu nome não é atribuído à cobrança), é necessário levar em conta o conteúdo histórico da cobrança, que acabou se tornando muito maior do que a carreira do próprio jogador. Além disso, as imagens não dão margem para erro, o estilo de Panenka, naquela noite de 1976, fora impecável!


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