Postado Por : Caio Nascimento 1.2.14

O tão aguardado jogo final entre as melhores equipes da NFL está cada vez mais perto. O glorioso Super Bowl acontece neste domingo, no MetLife Stadium, em Nova Iorque, e terá o duelo final entre Denver Broncos e Seattle Seahawks. Duas pedras cantadas desde o início da temporada regular - onde ambos terminaram com 13 vitórias e 3 derrotas -, passaram impiedosamente por quase todos os adversários. Nos playoffs, Broncos e Seahawks mostraram ao mundo que o favoritismo premeditado, às vezes, não cai por terra.

A equipe de Denver derrotou o San Diego Chargers, pelo Divisional Round, por 24x17, numa partida inspirada de Peyton Manning - quando o Omaha ficou conhecido - e Knowshow Moreno. Na decisão da AFC, a equipe de Manning reencontrou e venceu o seu maior carrasco, o New England Patriots, por 26x16, numa partida que ficou marcada por ser bastante desigual, onde o Denver Broncos fora superior em todos os períodos da partida.

O Seattle Seahawks contou com o coro estridente do "décimo segundo jogador" para atropelar todos os adversários que ousaram pisar no gramado do belíssimo estádio CenturyLink Field. Com uma torcida que foi capaz de criar um pequeno terremoto após um touchdown anotado pela equipe, os Hawks dominaram o New Orleans Saints, pelo Divisional Round, e venceram por 23x15. Depois, já na  decisão da NFC, os Seahawks enfrentaram o seu rival de conferência, o San Francisco 49rs, e conseguiu vencer por 23x17, numa aula de futebol americano.

Confira abaixo uma analise do que as equipes têm de melhor, além de algumas curiosidades que vão te ajudar a escolher um favorito para torcer nesse grande espetáculo que é o Super Bowl.


SUPER BOWL XLVIII

Seattle Seahawks (13-3-0)
Denver Broncos (13-3-0)











A melhor defesa da NFL terá que anular um pário muito duro para ajudar a franquia a conquistar o seu primeiro Super Bowl. Composta por grandes jogadores, o Seattle Seahawks aposta metade das suas fichas num setor que, baseado em números, goleia o adversário da final nos aspectos defensivos. Seattle, até agora, permitiu apenas 273.6 jardas por jogo, o que supera a marca de 356.0 de Denver. Seattle também é superior na contenção de jardas passadas por jogo (172.0 x 254.4), pontos sofridos (14.4 x 24.9) e terceiras descidas permitidas (35.2 x 38.1). Denver só é capaz de rivalizar em um aspecto com a defesa de Seattle, que é o empate de 101.6 na quantidade de jardas terrestres permitidas. O cornerback falastrão Richard Sherman é um dos grandes destaques dessa defesa, que além de ser imbatível nos números, é responsável pela maior quantidade de turnovers forçados na liga. Sherman, aliás, foi o responsável direto pela vitória dos Seahawks contra os 49rs quando desviou um passe de Colin Kaepernick em direção a Michael Crabtree no último minuto de jogo. Além do cornerback, o Seattle conta com uma exibição de gala de Bobby Wagner, Earl Thomas, Kam Chancellor, Malcolm Smith, Michael Bennett e Cliff Avril, que até agora foram grandes destaques nos playoffs, para tentar amassar o chassi de Denver.

No ataque, a equipe do head coach Pete Carroll possui um aspecto curioso. O time de Seattle conta com números que passam longe de serem brilhantes na ofensiva, porém, esse detalhe esconde um papel digno, e muito bem executado, do jovem Russell Wilson, que lançou muito bem na pós-temporada. Apesar de ser baixinho, Wilson tem um canhão em sua mão direita que permite ao quarterback abusar das "big plays" para colocar Golden Tate, Doug Baldwin e Zach Miller na porta da end zone. Wilson também representa uma grande ameaça em jogadas pelo solo, especialmente por sua grande agilidade de sair do pocket para arrancar consideráveis jardas (e até touchdowns) quando a defesa fecha para cima dele. Os torcedores dos Hawks, que são muito barulhentos, podem confiar no seu ataque, que não é tão brilhante quanto a defesa, mas que representa muito bem a equipe e é capaz de operar verdadeiros milagres.

Como o futebol americano não é um esporte tão simples assim, vide a quantidade de jogadores por roster (32), um setor dos Seahawks aparece como uma grande arma secreta: o time de especialistas. Steven Hauschka, kicker que mais fatura na NFL, possui a melhor média de aproveitamento da liga com 95% de precisão em seus chutes. Como dito em outras publicações, os Hawks, quando percebem que o relógio não está a seu favor, movem as correntes adversárias até um determinado ponto somente para arriscar um field goal. Isso só ocorre em equipes que confiam demais em suas defesas. Bom, não precisa ser redundante, certo?

Do outro lado do gramado estará uma equipe detentora de dois Super Bowls, que não obstante em ter um cartel mais elevado, também possui o queridinho dos Estados Unidos, o quarterback Peyton Manning. O grande lançador de Denver, que bateu os recordes de jardas, touchdowns e passes, é responsável direto pelo upgrade na melhor linha ofensiva da liga. No entanto, apesar de deter tantos recordes, o nome Manning possui uma relação de amor e ódio com o jogo final da NFL. Peyton, o protagonista desta edição, só conquistou o troféu uma vez em sua gloriosa carreira. Eli, o patinho feio da família, conquistou duas taças com o New Yorke Giants. Porém, se você acredita em coincidências, a última vez em que Peyton Manning conquistou um Super Bowl (2007) ele teve de derrotar o arquirrival New England Patriots, em casa, na final da AFC. O filme se repetiu em 2014...

Mas, falando em coisas reais, a equipe de Denver adora praticar o shotgun em suas formações de ataque. Com Manning muito bem protegido dentro do pocket nos playoffs, algo que se cobrava da linha ofensiva durante a temporada regular, muitas "big plays" são feitas pelo quarterback. Com Welker, Thomas e Decker alternando suas rotas, o que implica num "bate-cabeça" danado da defesa adversária, Manning espera até o último minuto para lançar o seu passe.

O rei do pocket vai enfrentar uma defesa que adora destruir a linha de screamage, portanto, seus guards terão de suar a camisa para que Manning não tenha que se mover para fora da formação, algo que não é normal para o camisa 18.

Entretanto, um novo ponto forte surgiu no plantel de Denver. A defesa, que antes era considerado um setor capenga, hoje é um motivo de alegria para os fãs dos Broncos. Danny Trevathan, Champ Bailey, Dominique Rodgers-Cromartie, Terence Knighton, Shaun Phillips, Malik Jackson e Robert Ayers mostraram uma nova cara de uma defesa muito potente, especialmente depois da retumbante vitória contra o New England Patriots.

Fato cantado desde quando a final fora decidida, o duelo entre Broncos e Seahawks era taxado como o encontro final para saber se o melhor ataque sairá vencedor contra a melhor defesa da liga. Para ilustrar esse embate, durante a semana ouve um princípio de confusão, uma polêmica, na realidade, entre o símbolo-mor do ataque de Denver com o principal destaque de Seattle. Richard Sherman, cornerback de Seattle, provocou o quarterback dos Broncos com dizendo que ele lança muitos "ducks" (patos, um passe todo torto). Manning, ligeiramente irritado, respondeu que um quarterback que lança muitos passes como ele, tantos recordes e touchdowns, uma hora vai lançar um pato morto.

Tudo indica que o jogo vai ser quente, o que vai entrar em contraste com a temperatura esperada para o horário do jogo, onde é prevista muita neve.


- Por que eu devo torcer para Seattle?

Os motivos que levam algumas pessoas a torcer por alguma equipe, seja qual for o esporte, muitas vezes vão além da técnica e amabilidade por ela produzida. Fatores extra-campo, torcida, caos, cores e capacetes são frequentemente apontados como alguns desses motivos. Por isso, a equipe de Seattle lhe dá N motivos para escolhe-los, mesmo que seja por um dia.

O primeiro, e talvez o mais conhecido, motivo que leva muita gente a optar pelos Hawks (excluindo o fator campo) é a sua torcida, que foi nomeada a mais barulhenta do mundo. "The 12th man (o décimo segundo jogador)", como são conhecidos os fanáticos, quebraram o recorde mundial de som, num Monday Night Football contra o New Orleans Saints, alcançando a marca de 137.6 decibéis! A comoção é tanta que, realmente, durante a partida contra os Saints, os fãs foram capazes de produzir um pequeno terremoto nos arredores do CenturyLink Field, em Seattle. Aliás, os Hawks vão contar com uma ajuda dos "céus". A Boeing, patrocinadora do time, pintou algumas de suas aeronaves com as cores da equipe, veja!
Na cauda uma referência ao 12th man, e na frente a cabeça do gavião do mar 

O segundo motivo que pode levar algumas pessoas a escolherem o time de Seattle é a história de um jogador do vasto elenco dos Hawks, revelado em um vídeo promocional feito pela Duracell, famosa marca americana de pilhas e carregadores. A empresa fora responsável por mostrar ao mundo o segredo do fullback Derrick Coleman, o homem que salva a barra de Russell Wilson muitas vezes. Quando criança, Coleman fora diagnosticado com um grave problema auditivo, que além dos problemas óbvios que a doença lhe causou, também fazia com que o garoto sofresse com o bullying de outras crianças na escola. Veja o vídeo que conta a impressionante história desse ótimo jogador:


O terceiro motivo também é um vídeo, porém, ele passa longe de ser dramático (apesar de emocionante) como a história de Derrick Coleman. Uma garotinha de apenas 3 anos de idade representa muito bem a paixão dos torcedores dos Seahawks. Influenciada pelo pai, Kalee Buetow sabe distinguir TODOS os 32 jogadores no elenco do Seattle. Veja a matéria da ESPN sobre a pequenina fã desse esporte de gigantes.


- Por que eu devo torcer para o Denver?

Todo mundo gosta de uma história de superação, independente do cenário que for. E uma das melhores histórias de superação deste Super Bowl fica por conta do quarterback Peyton Manning, que ficou um ano parado devido à uma séria contusão no pescoço. Durante sua estadia no Indianapolis Colts, o jogador cogitou abandonar a carreira com receio de machucar o pescoço novamente. Se não bastasse, Manning não teve seu contrato renovado pela direção do clube de Indiana e acabou deixando o clube, que havia draftado Andrew Luck justamente para o seu lugar. Meses depois, o jogador recebeu um convite especial de John Elway, quarterback lendário do Denver Broncos e hoje general manager da equipe, para liderar um esquadrão recheado de jovens promessas. Bom, o resto você já sabe.

Um segundo, e bom motivo, é que em 2005, num episódio dos Simpsons o Homer previu que num Super Bowl entre SEATTLE SEAHAWKS e DENVER BRONCOS, o vencedor seria a equipe do Colorado. Vale ressaltar que Homer Simpson é torcedor do Carolina Panthers,  e que em 2005 as duas equipes não eram nem de longe tão poderosas quanto hoje. Portanto, não houve "segundas intenções" do criador. Clique aqui e veja a imagem.

O Denver Broncos é uma equipe muito apreciada pelos cartunistas americanos. Porém, existe uma série que realmente ama os Broncos. Os criadores de South Park, desenho animado com um humor extremamente ácido, já previa que Randy Marsch, pai do Stan, aquele menininho de gorro azul, levaria os Broncos ao Super Bowl algum dia.

Randy leva o Denver Broncos à final do Super Bowl num episódio que os criadores tiram sarro do futebol americano, chamando-o de "Sarcasticball".


Curiosidades:

Ontem, durante o Midia Day, a NFL recebeu a ilustre visita de Patrick Stewart e Ian McKellen, o Professor Xavier e o Magneto respectivamente, da trilogia X-Men. Os dois atores, que estão promovendo o filme durante o Super Bowl (espertos, não?), vestiram as camisas de Russell Wilson e Peyton Manning. No entanto, ambos são ingleses e entusiastas do futebol com a "bola redonda". Veja a imagem abaixo:

Patrick Stewart à esquerda, e Ian McKellen à direita. Essa é a primeira vez que Manning é retratado como um "vilão".

Outro assunto muito comentado sobre a final do futebol americano é algo que vai muito além dos gramados, apesar de terem a mesma cor. Seattle e Denver são as únicas cidades nos Estados Unidos que permitem o uso recreativo da maconha, e coincidentemente se enfrentarão no Super Bowl. Será que existe alguma força por trás desse aditivo? Ambas equipes estão fazendo campanhas pró-maconha em algumas entrevistas durante o Midia Day. Roger Goodell, presidente da NFL, já disse que esse é um assunto que não vale a pena ser discutido agora.

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