Postado Por : Caio Nascimento 18.2.13

Terça-feira, 7 de abril de 2011, exatos sete dias antes do aniversário de 99 anos de sua fundação, o Santos Futebol Clube assina um contrato de dois anos com Muricy Ramalho, ex-treinador de São Paulo e Fluminense. A diretoria baseou-se no currículo de quatro Campeonatos Brasileiros (três pelo São Paulo e um pelo Fluminense) de Muricy para escolhê-lo como novo comandante da equipe.
Muricy, desde o tricampeonato pelo São Paulo, é endeusado por grande parte dos fanáticos por futebol. O treinador assumiu o Santos após a transição de Adilson Batista, que foi demitido após perder UMA partida dentro do Campeonato Paulista, e do tampão Marcelo Martelotte.
O treinador, que tem fama de turrão, colecionou confusões e maus momentos desde que saiu do São Paulo. Muricy assumiu o Palmeiras na liderança do Brasileirão de 2009 para entregar o clube em quinto lugar. Pegou um Fluminense montado, conquistou o Brasileirão de 2010 e depois saiu porque haviam "ratos" no vestiário do clube carioca.
Muricy pegou uma "bomba", pois o Santos encontrava-se em situação delicada em seu grupo na Libertadores, onde era preciso vencer o Cerro Porteño no Paraguai e depois o Deportivo Tachira no Pacaembu. O "professor" venceu as duas partidas e de quebra ganhou a Libertadores com o Santos. Um título mais do que importante para o Peixe, pois selaria um hiato de 48 anos desde a última conquista da Libertadores. O ego de Muricy subiu estupidamente no período que precedeu a conquista do torneio continental.
Sem desmerecer os créditos da conquista épica santista, e analisando friamente, os comandados de Muricy tinham obrigação de conquistar o torneio pela qualidade do elenco em relação aos oponentes que haviam sobrado.
Desde então começou a derrocada do comandante alvinegro em resultados satisfatórios, pois assim que a Libertadores acabou o time empalideceu-se. O Santos terminou o Campeonato Brasileiro jogando de forma melancólica, sem causar nenhuma inspiração no torcedor santista de que a equipe pudesse enfrentar o Barcelona de igual, ou ao menos, dar trabalho ao super time espanhol.
O resultado foi catastrófico, e todos se lembram da goleada humilhante que o clube sofreu diante do mundo todo. Porém, o pior não foi placar de 4x0 impiedosamente aplicado por Messi e cia. O maior motivo de raiva (sim, raiva), fora a maneira com que o Santos se portou diante do Barcelona. Jogadores estáticos, perdidos e confusos, era isso que víamos naquela partida em Toyota. Não havia padrão tático, não havia futebol.
O Santos é reconhecido mundialmente como um time de futebol alegre, de ousadia (sem trocadilhos, por favor), um time que joga bonito. Claro, o clube nem sempre fora assim em sua história, mas pode-se dizer, com toda certeza, que durante a maioria dos 100 anos de existência o Santos jogou dessa maneira.
Muricy Ramalho, criador do Muricyball, é a antítese da regra instaurada pelo marketing na gestão do atual presidente, Luís Álvaro Ribeiro, que conclama "100 anos de futebol arte". Nos últimos dois anos a arte passou bem longe da Vila Belmiro, com exceção dos brilhos de Neymar, claro.
Se não bastasse o inexistente padrão tático que Muricy Ramalho nunca deu ao Santos, o comandante santista destila impropérios contra a diretoria e contra os próprios jogadores. Ramalho passou 2012 inteiro cobrando reforços de peso, sendo que tais reforços haviam chego na metade de 2011, logo após a conquista da Libertadores. O treinador critica duramente jovens jogadores do elenco invés de elogiá-los, casos de Felipe Anderson e Pato Rodriguez, que mesmo atuando bem nas poucas oportunidades que lhe são dadas de atuar em suas posições de origem.
Não é novidade para ninguém que Muricy recebe um alto salário no Santos. Porém, uma novidade que não é enxergada pela diretoria é que Muricy não faz jus ao alto salário que recebe.
Estamos em 2013 e Muricy conseguiu os "reforços de peso" de que tanto reclamava. O Santos pagou uma fortuna de R$ 16 milhões por Montillo, além de contratar Cícero, Marcos Assunção, Neto, Renê Jr, Pinga e Guilherme Santos. Após iniciar bem o Paulista, mas sem nada de descomunal, o Santos voltou a jogar o velho Muricyball que tanto deu errado na equipe. Resultado? Duas derrotas e um empate.
O Santos estava encaixado, pois havia suprido bem os problemas na defesa e no meio-campo. A equipe jogava com Rafael, Bruno Peres, Neto, Durval e Guilherme Santos; Renê Junior, Arouca, Cícero e Montillo; Neymar e André (Miralles). Neto e Renê Junior deram ao Santos a consistência defensiva que há tempos não se via na Vila, e Miralles ganhou o lugar de André no ataque. No entanto, mesmo com o time encaixado, Muricy teimava em dizer que era questão de tempo para que colocasse Edu Dracena e Marcos Assunção na equipe titular.
Ora bolas, por que mexer se o time finalmente havia encaixado? Quando o Santos tinha o Neto e o Renê Junior de titulares no time a equipe liderava o Paulistão. Porém, Muricy retirou os dois e o Santos perdeu duas partidas e empatou uma. Ontem, contra a Ponte Preta, ele tirou o Renê no intervalo (pra compensar a expulsão do Neymar) e deixou o Assunção em campo que nada fez outra vez, e tomou mais dois gols no 2º tempo. Duas derrotas seguidas tomando um baile de futebol do Paulista e da Ponte Preta.
É início de temporada, mas a reincidência de Muricy Ramalho nos erros das últimas duas temporadas pelo Santos já não são perdoáveis. O problema principal não é o Montillo que ainda não engrenou, e sim os laterais que não marcam e cruzam da intermediária, a constante ligação direta, a dependência de Neymar, é esse o modo como a equipe se porta em campo. Esse é o legado que Muricy está deixando.
A verdade é que o trabalho de Muricy Ramalho no Santos é ruim, abaixo da média. O choque da sua chegada ao alvinegro praiano pode ter ajudado na conquista da Libertadores, mas isentá-lo dos problemas que ele mesmo causou e atribuí-lo essa conquista é querer tampar o sol com uma peneira.
Está cada vez mais claro que o rótulo de Muricy lhe garante no cargo, pois Dorival Junior e Adilson Batista foram demitidos por protagonizarem momentos bem menos nocivos ao Santos do que o que Muricy Ramalho vem aprontando.
O problema de fato é que o Santos acabou se tornando a cara de Muricy Ramalho: uma equipe melancólica, depressiva, chata e ultrapassada. E isso é a antítese da centenária história do Santos Futebol Clube, que tem como marca o futebol jogado em sua essência: a arte.

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