Postado Por : Caio Nascimento 26.5.13

Nunca um título adaptado de um filme infantil fora tão adequado para uma realidade. O dia 25 de maio de 2013 fora um dia em que se confundira a ficção com a vida real.

De vilão à herói, o holandês Arjen Robben deu ao Bayern de Munique a sua quinta taça da Champions League. Agora, os bávaros estão empatados em número de taças com o Liverpool. Porém, por muito pouco, o destino não quis que Robben reescrevesse a sua história de vilania.

Um exercício de memória: Robben cometera um erro na final da Champions League de 2009/2010, contra a Inter de Milão, quando perdera a bola no meio-campo, e no lance seguinte a equipe italiana encontrou o caminho do segundo gol. Robben tornara a falhar em outra decisão, no mesmo ano, só que em outra magnitude. O atacante da seleção holandesa perdeu inúmeras oportunidades cara-a-cara contra Casillas, na decisão da Copa do Mundo de 2010, contra a Espanha. O final todos sabem: Iniesta marcou o gol salvador da Espanha na prorrogação. Se não bastasse a fama que estava adquirindo, Robben fez questão de instaurá-la em 2012. Na decisão da Champions League de 2011/2012, o holandês repetiu o mesmo repertório de erros contra a Espanha, porém, com um agravante. Robben perdeu um pênalti na prorrogação da final contra o Chelsea, em Munique. O resultado? Chelsea foi campeão nos pênaltis em plena Allianz Arena.

Em uma das melhores finais de todos os tempos, com ritmo alucinante e muita técnica de ambos os lados, o destaque era mais uma vez Arjen Robben. Como dito antes, o holandês, por muito pouco, não repetiu os mesmos erros de outrora, na final de ontem, contra o Borussia Dortmund.

Os erros do holandês nessa final foram bem parecidos com os da final contra a Espanha. A diferença era de que Weidenfeller estava fechando o gol em vez de Casillas. O ritmo se manteve até os 43 minutos do segundo tempo quando tudo mudou.

Esqueçamos as amareladas do holandês e foquemos na habilidade do jogador. Robben é craque. Ele dribla em alta velocidade, muda de rota e arremata a bola com a perna esquerda de uma maneira absurda! Aposto que muitos de vocês se lembram de vários gols do atacante quando ele costurou a defesa pela ponta e cortou pro meio e chutou. A jogada é manjada, mas é muito difícil de parar.

Robben tinha perdido a sua vaga de titular na ponta-direita do Bayern para Toni Kroos após o desastre da última decisão contra o Chelsea. Kroos era titular absoluto do Bayern até o jogo de ida contra a Juventus, pelas quartas-de-finais, em Munique, quando a equipe venceu por 2x0. O alemão sofreu uma lesão no joelho e teve que operar. Robben, o malvado, voltou a ser titular.

Quando o Bayern avançou para as semi-finais e viu que pegaria o Barcelona, Robben já estava garantido como titular para o enfrentamento. Apesar do óbvio declínio catalão, o Bayern atropelou o Barça e ensacou um 7x0 no placar agregado tendo Robben como principal jogador nas duas partidas.

Chegando à final contra o rival Borussia Dortmund, um timaço - e o único time sabia parar a máquina bávara -, Robben voltara a ser protagonista. O primeiro tempo fora todo aurinegro, com participação essencial de Manuel Neuer. Porém, o Bayern contava com a agudez do vilão da última edição para chegar ao ataque. Numa dessas chegadas, Robben perdera um gol idêntico, cara-a-cara com Weidenfeller, como acontecera em 2010, contra o Casillas.

No segundo tempo Robben manteve o ritmo criando sempre uma ameaça constante para defesa do Dortmund. O domínio era vermelho, mas o placar ainda apontava a igualdade de 1x1. A lembrança do gol perdido, e dos inúmeros chutes perigosos, chamava a atenção para a fama do jogador.

No entanto, ao 43 minutos do segundo tempo, em uma bola esticada da defesa, Ribery matou a bola no peito, deixou-a deslizar pelo corpo e tocou de letra para o atacante que entrava em disparada pelo meio. Esse atacante era o Robben.

Nesse vácuo entre o passe fantástico do francês para o holandês, memórias recentes devem ter tomado a atenção de todos que viam o jogo. Robben, a bola e o goleiro, mais uma vez. Tinha como piorar a vida do Robben? O vilão confirmaria a sua sina?

O que aconteceu foi a redenção de um homem tachado de vilão. Robben, com uma classe que lhe convém, anotou o gol que derrubou a Muralha Amarela do Borussia Dortmund. Atônito, o holandês corria para todos os lados durante a comemoração. Assim que Nicola Rizzoli assoprou pela última vez o seu apito, o ex-vilão tornou-se herói.

Muricy Ramalho costuma dizer que a bola pune. O treinador brasileiro tem toda a razão, mas, a bola também faz justiça. Uma justiça tardia com um grande jogador de futebol, que se ajoelhou e ficou olhando para as próprias mãos. Incrédulo.

Uma justiça, também tardia, com um grande clube de futebol.

O Bayern de Munique junta-se ao Real Madrid, ao Milan e ao Liverpool como um dos principais vencedores do principal torneio continental de futebol no mundo. Falta muito para igualar o número de taças do Real Madrid, porém, uma coisa é certa: o Bayern é o melhor time do mundo.

Essa hegemonia, depois de tantos vices recentes, é fruto de um trabalho duro. O time bávaro conseguiu montar uma equipe que alia jogadores alemães, que foram formados na base, com jogadores estrangeiros que chegaram para fomentar o sistema tático. Com o conhecimento abundante de futebol por parte de Jupp Heynckes, que infelizmente vai se aposentar, o Bayern demonstra um futebol absurdamente dominante.

O Bayern erra muito pouco, joga em velocidade, toca a bola, sempre chuta com perigo e roda o time quando nada dá certo. É muita intensidade e muita paciência. O Bayern em campo parece com uma cobra. É um time predador que calcula com perfeição todos os seus movimentos. Isso é resultado de uma equipe treinada à exaustão, com jogadores de técnica elevadíssima.

Por tudo que envolveu a saga bávara na competição, o destino de Robben, a classe como joga, e o torcedor que sofreu ao perder um título em casa, nada mais justo do que uma final digna de ficção. Claro, em especial para Robben, o malvado favorito de todos os bávaros.

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