Postado Por : Caio Nascimento 18.5.13

A primeira notícia que recebi na manhã de quarta-feira, 8 de maio, me deixou completamente perplexo. De cara achei que fosse brincadeira da televisão, mas não era. Sir Alex Ferguson, um grande ídolo, declarou que vai se aposentar ao final desta temporada.

Confesso que já briguei muitas vezes com o Sir Alex. A maioria dessas vezes foram por causa das escolhas do escocês que eu julgava muito estúpidas no momento. Não entendia como Wesley Brown era titular na lateral-direita (jogou até a final da Champions League de 2007/2008 contra o Chelsea), enquanto Gary Neville amargurava o banco depois de tudo que ele já tinha feito pelo clube. Não entendia como John O'Shea, jogador polivalente, porém muito caneludo, jogava frequentemente com ele. Não gostava das constantes alterações de posição dos jogadores. Já o chamei de louco, de esclerosado e de idiota.

Entretanto, ao final da temporada sempre tinha um troféu à espera do genial Alex Ferguson. E eu tinha que engolir tudo aquilo que eu reclamava. As minhas reclamações até que faziam sentido (Brown e O'Shea estão penando para serem titulares no Sunderland, atualmente), mas de algum jeito Fergie sempre conseguia usufruir desses jogadores limitados, algo que talvez nem eles soubessem que podiam fazer.

Esse era Sir Alex Ferguson, um gênio estrategista que conseguia jogar com qualquer peça. Um homem que eu aprendi a respeitar e admirar. Afinal, quem nesse mundo consegue se manter no cargo de treinador numa equipe mundialmente conhecida por longínquos 27 anos? Não existe, e duvido que vá existir.

Para se ter noção da grandeza desse treinador, Ferguson conquistou 48 títulos oficiais em toda a sua carreira! Se Fergie fosse um time da Premier League, ele seria a TERCEIRA "equipe" com mais títulos. O treinador do Manchester United só ficaria atrás dos próprios Red Devils e do Liverpool.

Ampliando esse panorama para toda Europa, clubes como Valencia, Atlético de Madrid,  Athletic Bilbao, Napoli, Roma, Lazio, Borussia Dortmund, Schalke 04 e Hamburgo, por exemplo, levariam uma surra de títulos do velho escocês.

Ferguson também já deu algumas escorregadas durante essa jornada gloriosa. Manucho, Bebé, Dong Fangzhuo, Mikael Silvestre, Bojan Djordjic e Danny Nardielo são algumas delas. Os dois primeiros nomes quase fritaram a reputação do treinador escocês, que foi investigado por supostamente favorecer o empresário desses dois jogadores.

Apesar de algumas escorregadelas, Sir Alex está acima de todos os treinadores de clubes no mundo. Não existe alguém comparável ao mestre escocês. Ele conquistou 13 títulos da liga inglesa, sendo que todos foram pela Premier League, que é a fase moderna do campeonato inglês, e que fora fundada em 1992. Conquistou duas Champions League (impossível não se recordar do 2x1, de virada, contra Bayern de Munique, no Camp Nou, em 1999, nos dois minutos de acréscimo). Tem dois Mundiais de Clube (Palmeiras/99 e LDU/2008). Cinco FA Cups. Quatro Copas da Liga. Duas Supercopa Europeia (uma pelo Aberdeen e uma pelo Manchester United). Dez Supercopa da Inglaterra. Três Scottish Premier League (todas pelo Aberdeen) e quatro Copas da Liga Escocesa (todas pelo Aberdeen). E olha que esses foram apenas os mais notáveis!

Ferguson também conquistou prêmios individuas, como: 11 vezes eleito o melhor treinador da Premier League e três vezes o Manager of the Year (pela LMA).

No entanto, o que mais impressionou em Sir Alex não foram os frutos colhidos por ótimos times, ou pelos times medianos. Muito menos por ter feito jogadores limitados jogarem bem. O maior mérito do lendário manager era sua capacidade de reciclagem.

Aos seus 71 anos, Ferguson se renovara incontáveis vezes. Apesar de ter recriado a famosa "duas linhas de quatro", o Sir sempre, sempre mesmo, tinha carta na manga. Um às do futebol. A maior desses ases, claramente, fora a versatilidade dos jogadores. Praticamente todos os jogadores do Manchester United sempre souberam desempenhar mais de uma função enquanto foram treinados por Ferguson.

Alguém pode-se se lembrar do "Boring Manchester (Manchester Chato)", que fora campeão duas vezes com Sir Alex ganhando na base do 1x0. Ferguson mesclava como poucos o seu time, e priorizava cada jogo. Todas as partidas tinham o seu valor diferente. E por isso, era quase impossível pegá-lo de desprevenido. Às vezes era necessário ser "chato", e ganhar, ou ser impecável, e convencer.

David Moyes, e o legado: um dia após o anúncio da aposentadoria de Alex Ferguson, a diretoria do Manchester United anunciou o  treinador do Everton, David Moyes, como o seu novo manager.

Conterrâneo de Ferguson, David Moyes desempenhou ótimos trabalhos no clube azul de Liverpool durante onze anos. Com elencos modestos, o Everton sempre fora bem armado e posicionado pelo promissor treinador.

A escolha de Moyes pelo Manchester United era uma bola que vinha sendo cantada há algumas temporadas, quando ja se começava a especular a aposentadoria de Alex Ferguson. Com apenas 50 anos de idade, Moyes fora eleito três vezes pela LMA (League Manager Association) Manager of the Year, em 2003, 2005 e 2009.

Porém, agora num patamar muito mais elevado, chegou a hora de David Moyes mostrar ao mundo de que ele não passa de um treinador com potencial. Com dinheiro em caixa, um elenco vitorioso e uma pressão por continuidade, é que se verá todo o potencial do escocês.

No Everton, Moyes ficara famoso por montar equipes agressivas e técnicas. Nesta temporada, até certo ponto, o Everton brigou valentemente por uma vaga na Champions League. Porém, com algumas lesões importantes, o clube terminará a sua participação com a sexta posição, uma colocação acima do seu arquirrival, o Liverpool.

Desde a temporada 2001/2002 no Everton, Moyes ficou apenas três vezes fora do dez melhores colocados da EPL (2001/2002, 2003/2004 e 2005/2006). Na temporada de 2004/2005, David Moyes colocou o Everton em sua melhor posição na tabela durante esses onze anos, que fora a quarta colocação. Os outros trabalhos de Moyes sempre foram bons, como o quinto lugar de 2008/2009 e a sexta posição nas temporadas de 2007/2008, 2006/2007 e 2002/2003.

O cartel de trabalho de Moyes é bastante sugestivo. Basta agora saber se ele será capaz de manter o legado mega vitorioso do seu conterrâneo, e inserir o seu nome como um treinador de classe mundial. A hipótese é de que David Moyes vá conseguir. Especialmente se depender da nacionalidade!

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